{"id":1590,"date":"2013-07-07T14:42:01","date_gmt":"2013-07-07T17:42:01","guid":{"rendered":"http:\/\/coral.ufsm.br\/arco\/sitenovo\/?p=1590"},"modified":"2021-02-10T10:43:43","modified_gmt":"2021-02-10T13:43:43","slug":"por-um-futuro-mais-saudavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/por-um-futuro-mais-saudavel","title":{"rendered":"Por um futuro mais saud\u00e1vel"},"content":{"rendered":"<div id=\"container_dados\">\n<div class=\"texto_noticia\">\n<p>As rela\u00e7\u00f5es entre m\u00e3e e filho iniciam muito antes do parto. Mas \u00e9 a partir do momento em que ela d\u00e1 \u00e0 luz e segura o filho pela primeira vez que come\u00e7a uma liga\u00e7\u00e3o de fundamental import\u00e2ncia para ambos. Aos poucos eles se conhecem e aprendem a entender um ao outro, atrav\u00e9s de gestos, carinhos, express\u00f5es inquietas e at\u00e9 mesmo do choro. No entanto, s\u00e3o muitos os fatores que podem influenciar essa rela\u00e7\u00e3o, sejam eles de ordem biol\u00f3gica, ps\u00edquica ou social.<\/p>\n<p>Para entender melhor essas complexas rela\u00e7\u00f5es, professoras da UFSM desenvolveram uma pesquisa que investigou a\u00a0associa\u00e7\u00e3o entre o tipo de aleitamento, a presen\u00e7a de risco ao desenvolvimento infantil e vari\u00e1veis socioecon\u00f4micas e obst\u00e9tricas (como prematuridade e baixo peso do rec\u00e9m-nascido). Fizeram parte do projeto as professoras do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Dist\u00farbios da Comunica\u00e7\u00e3o Humana Anelise Henrich Crestani e Luciane Beltrame, juntamente com a professora de Fonoaudiologia Ana Paula Ramos de Souza, e a professora de Estat\u00edstica Anaelena Bragan\u00e7a de Moraes.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-5751 \" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2019\/05\/aleitamento.jpg\" alt=\"\" width=\"485\" height=\"398\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2019\/05\/aleitamento.jpg 600w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2019\/05\/aleitamento-300x246.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 485px) 100vw, 485px\" \/><\/p>\n<p>O aleitamento \u00e9 um dos momentos mais importantes no estabelecimento da rela\u00e7\u00e3o entre uma m\u00e3e e seu filho. Como parte desse processo, a forma escolhida para que a amamenta\u00e7\u00e3o aconte\u00e7a tem liga\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m com a dimens\u00e3o ps\u00edquica e social, tanto da m\u00e3e quanto do beb\u00ea. Assim, \u00e9 preciso considerar que a escolha pelo aleitamento exclusivo no peito ou pelo misto, por exemplo, n\u00e3o \u00e9 feita ao acaso.<\/p>\n<p>Segundo a professora Ana Paula, s\u00e3o muitas as condi\u00e7\u00f5es que podem influenciar a forma como vai se dar o aleitamento. Algumas delas s\u00e3o situa\u00e7\u00f5es como nascimento prematuro, baixo peso do rec\u00e9m-nascido, intercorr\u00eancias, ou seja, problemas de sa\u00fade que a m\u00e3e teve com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 gesta\u00e7\u00e3o e ao parto, idade materna e situa\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica. Al\u00e9m de vari\u00e1veis como as condi\u00e7\u00f5es de trabalho \u00e0s quais a m\u00e3e est\u00e1 exposta, falta de apoio da fam\u00edlia e problemas com gesta\u00e7\u00f5es anteriores. Algumas m\u00e3es podem sofrer ainda com \u201cfalta de leite\u201d e \u201cleite fraco\u201d, problemas mam\u00e1rios e mesmo recusa do beb\u00ea.<\/p>\n<p>Para a realiza\u00e7\u00e3o desta pesquisa, as professoras da UFSM contaram com 182 m\u00e3es e seus beb\u00eas, nascidos prematuramente ou n\u00e3o e sem diagn\u00f3stico de altera\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas, como malforma\u00e7\u00f5es ou s\u00edndromes. A coleta de dados foi realizada, inicialmente, a partir de uma entrevista, feita por uma equipe de psic\u00f3logas e fonoaudi\u00f3logas, que tinha por objetivo investigar aspectos obst\u00e9tricos, socioecon\u00f4micos, demogr\u00e1ficos e psicossociais.<\/p>\n<p>Juntamente, foram coletados os \u00cdndices de Risco ao Desenvolvimento Infantil (IRDIs), os quais avaliam aspectos da rela\u00e7\u00e3o m\u00e3e-filho que abrangem a protoconversa\u00e7\u00e3o (os primeiros di\u00e1logos entre ambos), que ocorrem quando a figura materna fala e o beb\u00ea responde com gestos, olhares ou balbucios. Tal \u00edndice relaciona-se, assim, ao desenvolvimento de forma geral e, em especial, \u00e0 linguagem. Quando n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel perceber a presen\u00e7a de um ou mais dos IRDIs nas trocas entre a m\u00e3e e seu beb\u00ea, pode haver um problema no seu relacionamento.<\/p>\n<p>As observa\u00e7\u00f5es foram feitas por, no m\u00ednimo, duas pesquisadoras psic\u00f3logas, que deviam apresentar entre 90 e 100% de concord\u00e2ncia nas respostas. Posteriormente, as m\u00e3es foram filmadas enquanto interagiam com seus filhos, o que permitiu compreender melhor a rela\u00e7\u00e3o entre eles. A faixa et\u00e1ria dos rec\u00e9m-nascidos variou entre zero e quatro meses, o que fez com que se considerassem os cinco IRDIs iniciais da escala de intera\u00e7\u00e3o, listados a seguir.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-5752 size-full aligncenter\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/comunicacao\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2019\/05\/aleit.jpg\" alt=\"\" width=\"647\" height=\"696\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2019\/05\/aleit.jpg 647w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2019\/05\/aleit-279x300.jpg 279w\" sizes=\"(max-width: 647px) 100vw, 647px\" \/><\/p>\n<p>Os dados foram categorizados em aleitamento de tipo exclusivo, para os casos em que a m\u00e3e opta ou apenas por amamentar no peito ou exclusivamente pela alimenta\u00e7\u00e3o com leite artificial; e aleitamento misto, quando leite materno e artificial s\u00e3o dados de forma concomitante. Os resultados revelados mostram, no que se refere aos IRDIs, que a compreens\u00e3o m\u00fatua entre m\u00e3e e filho teve maiores dificuldades ou n\u00e3o ocorreu nos beb\u00eas cujas m\u00e3es amamentavam de forma mista. Esse fato foi evidenciado pela menor presen\u00e7a de alguns IRDIs (em especial 1, 2 e 5) e revela que h\u00e1 uma associa\u00e7\u00e3o entre a aus\u00eancia de alguns IRDIs e o aleitamento misto, e esta se d\u00e1 por uma dificuldade da m\u00e3e de exercer o papel materno, tanto por condi\u00e7\u00f5es ligadas a ela pr\u00f3pria quanto ao beb\u00ea, o que gera inseguran\u00e7a e dificulta a escolha de uma \u00fanica forma de alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-5753 size-full aligncenter\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/comunicacao\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2019\/05\/tipo-de-aleitamento.jpg\" alt=\"\" width=\"624\" height=\"352\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2019\/05\/tipo-de-aleitamento.jpg 624w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2019\/05\/tipo-de-aleitamento-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 624px) 100vw, 624px\" \/><\/p>\n<p>A professora Ana Paula destaca que instru\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas sobre como amamentar s\u00e3o importantes, mas que n\u00e3o devem ser vistas como imposi\u00e7\u00f5es que desestabilizem a m\u00e3e, que pode j\u00e1 estar insegura e fr\u00e1gil por conta da dificuldade em alimentar seu beb\u00ea com o leite vindo do peito. E, embora esse tipo de aleitamento seja \u00f3timo para o beb\u00ea, em alguns casos \u00e9 v\u00e1lido que a m\u00e3e alimente o filho atrav\u00e9s de uma mamadeira, por exemplo, at\u00e9 que se sinta segura para amamentar no peito. Nesse momento, o apoio a ela \u00e9 a principal forma de ajudar a resolver o problema.<\/p>\n<p>No caso de vari\u00e1veis como prematuridade, baixo peso e intercorr\u00eancias com o rec\u00e9m-nascido, a maioria das m\u00e3es optou pelo aleitamento misto. Para a professora Ana Paula, elas enxergam esse tipo de aleitamento como uma forma de compensa\u00e7\u00e3o, por exemplo, pelo baixo peso que o filho apresenta. Estudos anteriores mostram, inclusive, que a associa\u00e7\u00e3o entre o uso do aleitamento misto em situa\u00e7\u00f5es nas quais o beb\u00ea sofre de alguma dessas vari\u00e1veis pode ocorrer de forma positiva. O que chama a aten\u00e7\u00e3o e refor\u00e7a a necessidade de cuidado para fatores n\u00e3o apenas biol\u00f3gicos \u00e9 o fato de que muitos beb\u00eas com peso ideal e sem intercorr\u00eancias ao nascer tamb\u00e9m receberam esse tipo de alimenta\u00e7\u00e3o. Nesses casos, apresentam-se fatores subjetivos, sensoriais e afetivos, tais como estado emocional, inseguran\u00e7a e dificuldade na constitui\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia materna.<\/p>\n<p>Embora estudos anteriores indiquem que a pr\u00e1tica do aleitamento materno exclusivo ocorre em dobro para beb\u00eas que t\u00eam m\u00e3es donas de casa em compara\u00e7\u00e3o \u00e0queles cujas m\u00e3es trabalham fora do lar, esta pesquisa realizada na UFSM revela dado diferente: a maior disponibilidade f\u00edsica n\u00e3o impede que haja predom\u00ednio do aleitamento de tipo misto.<\/p>\n<p>Num somat\u00f3rio dos dados, o que se pode perceber \u00e9 que quando a m\u00e3e se v\u00ea em uma situa\u00e7\u00e3o de press\u00e3o, seja esta de qual ordem for, ela tende a ficar insegura sobre sua capacidade de desempenhar o papel materno. Essa inseguran\u00e7a gera confus\u00e3o na hora de fazer escolhas relacionadas ao filho, o que poder\u00e1 desencadear neste dificuldades na fala e retraimentos no relacionamento com outras pessoas, por exemplo. Fazer um acompanhamento desses primeiros meses de vida \u00e9, ent\u00e3o, uma forma de detectar problemas que podem vir a se desenvolver. A docente Ana Paula Ramos de Souza alerta, no entanto, que a detec\u00e7\u00e3o precoce da possibilidade de o beb\u00ea desenvolver alguma dificuldade de fala ou relacionamento n\u00e3o \u00e9 uma forma de realizar um diagn\u00f3stico: \u201cA detec\u00e7\u00e3o precoce \u00e9 uma maneira de fazer um acompanhamento de uma situa\u00e7\u00e3o de risco. Ou seja, n\u00e3o quer dizer que a crian\u00e7a necessariamente desenvolver\u00e1 um problema, pois n\u00e3o h\u00e1 como prever algo nesse sentido\u201d.<\/p>\n<p>Ser m\u00e3e \u00e9 um exerc\u00edcio di\u00e1rio de aprendizagem, e o importante \u00e9 preservar, desde o in\u00edcio, a rela\u00e7\u00e3o com o filho. A falta de experi\u00eancia e de apoio, a preocupa\u00e7\u00e3o em se dividir entre a crian\u00e7a e o trabalho, o sentimento de fragilidade: s\u00e3o v\u00e1rios os conflitos e d\u00favidas que podem surgir logo no in\u00edcio da experi\u00eancia materna e terem reflexos no futuro. Por\u00e9m, quando h\u00e1 apoio e um acompanhamento que d\u00ea seguran\u00e7a \u00e0 m\u00e3e, o desafio se torna mais f\u00e1cil.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"texto_rodape\">\n<div class=\"arco_creditos\"><\/div>\n<p><em><strong>Rep\u00f3rter<\/strong>: Daniela Pin Menegazzo<\/em><\/p>\n<p><em><strong>Ilustra\u00e7\u00f5es<\/strong>: Projetar<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa revela que os primeiros contatos entre a m\u00e3e e o beb\u00ea s\u00e3o momentos de grande import\u00e2ncia e destaca os diversos fatores que podem influenciar essa rela\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":26,"featured_media":1510,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1730],"tags":[4400,4402,146,4401],"class_list":["post-1590","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-saude-1a-edicao","tag-aleitamento-materno","tag-desenvolvimento-infantil","tag-saude","tag-saude-materno-infantil"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1590","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/26"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1590"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1590\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1510"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1590"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1590"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1590"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}