{"id":1651,"date":"2014-01-07T17:21:34","date_gmt":"2014-01-07T19:21:34","guid":{"rendered":"http:\/\/coral.ufsm.br\/arco\/sitenovo\/?p=1651"},"modified":"2019-05-06T11:35:22","modified_gmt":"2019-05-06T14:35:22","slug":"cenario-promissor-contra-o-alzheimer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/cenario-promissor-contra-o-alzheimer","title":{"rendered":"Cen\u00e1rio promissor contra o Alzheimer"},"content":{"rendered":"<div id=\"container_dados\">\n<div class=\"texto_noticia\">\n<p>A doen\u00e7a de Alzheimer \u00e9 comumente ligada ao envelhecimento, por ocorrer, em sua maioria, em pessoas idosas. No entanto, sua causa espec\u00edfica ainda \u00e9 desconhecida. Uma das principais caracter\u00edsticas da doen\u00e7a \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de neur\u00f4nios e das liga\u00e7\u00f5es existentes entre eles, as sinapses. O Alzheimer \u00e9 caracterizado pela progressiva deteriora\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas cerebrais, o que afeta o racioc\u00ednio e resulta na dificuldade de comunica\u00e7\u00e3o, na perda de mem\u00f3ria, de linguagem, e de outras habilidades cognitivas.<\/p>\n<p>Os sintomas apresentados se intensificam ao longo da doen\u00e7a. Em um primeiro momento, algumas das altera\u00e7\u00f5es est\u00e3o ligadas \u00e0 perda de mem\u00f3ria recente, desorienta\u00e7\u00e3o, sinais de depress\u00e3o e agressividade. Com o avan\u00e7o do Alzheimer, s\u00e3o comuns dificuldades, mais evidentes nesse segundo momento, em atividades do cotidiano, esquecimento de fatos mais importantes e de nomes de pessoas pr\u00f3ximas, o que leva \u00e0 depend\u00eancia acentuada de outras pessoas. No est\u00e1gio mais avan\u00e7ado \u00e9 poss\u00edvel perceber grande preju\u00edzo da mem\u00f3ria, inclusive com dificuldade de recuperar informa\u00e7\u00f5es antigas e de compreender o que acontece \u00e0 volta.<\/p>\n<p>Segundo n\u00fameros divulgados pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Alzheimer (Abraz), estima-se que existam no mundo cerca de 35,6 milh\u00f5es de pessoas com a doen\u00e7a de Alzheimer. No Brasil, o n\u00famero gira em torno de 1,2 milh\u00e3o de casos, embora a maior parte deles permane\u00e7a sem diagn\u00f3stico.<\/p>\n<h4><strong>ANTOCIANINAS: MUITO AL\u00c9M DAS CORES\u00a0<a class=\"bigger_image\" title=\"\" href=\"https:\/\/www.ufsm.br\/comunicacao\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2014\/01\/frutas.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/comunicacao\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2014\/01\/frutas.jpg\" alt=\"\" width=\"116\" height=\"437\" \/><\/a><\/strong><\/h4>\n<p>At\u00e9 o momento, n\u00e3o existe cura para a doen\u00e7a de Alzheimer. Mas, aos poucos, as pesquisas relacionadas \u00e0 \u00e1rea t\u00eam<br \/>\npermitido que os seus efeitos sejam minimizados e que os pacientes tenham maior qualidade de vida, apesar de todas as altera\u00e7\u00f5es e dificuldades \u00e0s quais est\u00e3o expostos. \u00c9 o caso da pesquisa intitulada Estudo da intera\u00e7\u00e3o do sistema purin\u00e9rgico, colin\u00e9rgico e fun\u00e7\u00f5es cognitivas na dem\u00eancia espor\u00e1dica do tipo Alzheimer: os efeitos das antocianinas, realizada por Jessi\u00e9 Martins Gutierres, p\u00f3s-doutorando no Programa de Bioqu\u00edmica Toxicol\u00f3gica na UFSM.<\/p>\n<p>Ao trabalhar com compostos naturais, um deles, em espec\u00edfico, despertou a aten\u00e7\u00e3o do pesquisador: as antocianinas \u2013 pigmentos naturais respons\u00e1veis por uma grande variedade de cores presentes, por exemplo, em alimentos que consumimos no dia a dia, como a uva, a framboesa, o mirtilo, o a\u00e7a\u00ed, o repolho roxo e a beterraba. A colora\u00e7\u00e3o conferida pelas antocianinas vai desde o azul at\u00e9 o vermelho. Atualmente, esses compostos s\u00e3o utilizados principalmente na ind\u00fastria aliment\u00edcia, como corantes naturais.<\/p>\n<p>Quando se trata de sa\u00fade, as antocianinas t\u00eam sido amplamente estudadas sob diversos aspectos. Jessi\u00e9 explica que \u201cj\u00e1 havia trabalhos mostrando que as antocianinas s\u00e3o antioxidantes, ou seja, capazes de eliminar os radicais livres, que atacam as c\u00e9lulas\u201d. Existem ainda pesquisas que atribuem a elas a capacidade de dilatar os vasos sangu\u00edneos e, com isso, evitar problemas cardiovasculares.<\/p>\n<p>A partir daquilo que j\u00e1 era conhecido sobre o composto, o pesquisador passou a investigar qual efeito ele poderia ter no sistema nervoso central, sobretudo em pacientes com a doen\u00e7a de Alzheimer. E os resultados t\u00eam sido promissores.<\/p>\n<h4><strong>ANTOCIANINAS E O SISTEMA NERVOSO\u00a0<\/strong><\/h4>\n<p>O primeiro passo foi verificar a liga\u00e7\u00e3o das antocianinas com a mem\u00f3ria. Jessi\u00e9 esclarece que, para isso, \u201cfoi feita a aplica\u00e7\u00e3o, em ratos, de uma droga chamada escopolamina, proveniente de uma planta alucin\u00f3gena que, ao mesmo tempo, causa perda de mem\u00f3ria durante o per\u00edodo de seis horas\u201d. Antes de receber a droga, os animais deveriam realizar uma tarefa em que estavam expostos a uma situa\u00e7\u00e3o simulada de perigo. Ap\u00f3s terem a escopolamina injetada e serem colocados na mesma circunst\u00e2ncia, eles n\u00e3o foram capazes de se lembrar da viv\u00eancia anterior e, por isso, voltaram ao local de risco. Outro grupo de ratos, no entanto, recebeu, durante os sete dias anteriores aos testes, doses de antocianina e ent\u00e3o, posteriormente, teve contato com a droga. Diferentemente dos primeiros, esses ratos lembraram-se da situa\u00e7\u00e3o de risco e mantiveram-se longe dela.<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o positiva encontrada entre as antocianinas e o sistema nervoso, mais especificamente no que diz respeito \u00e0 mem\u00f3ria, permitiu que o estudo avan\u00e7asse. Na segunda etapa, o objetivo foi entender como essa liga\u00e7\u00e3o funciona quando se trata propriamente do Alzheimer. Jessi\u00e9 conta que, para isso, foi provocado um modelo da fase inicial da doen\u00e7a em ratos, que cria uma disfun\u00e7\u00e3o no metabolismo. Segundo o pesquisador, \u201cos resultados encontrados a partir desses testes mostram que os animais que receberam antocianinas a curto e longo prazo tiveram n\u00e3o s\u00f3 melhor desempenho da mem\u00f3ria, como tamb\u00e9m diminu\u00edram sua ansiedade, que \u00e9 um dos sintomas da doen\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>Em outra tarefa comportamental, ratos foram colocados, um de cada vez, dentro de uma caixa que continha dois objetos iguais. Ap\u00f3s algum tempo, um dos objetos era trocado por algo diferente. Os animais que haviam recebido o modelo de Alzheimer e n\u00e3o foram tratados com antocianinas n\u00e3o foram capazes de perceber a diferen\u00e7a e n\u00e3o deram maior aten\u00e7\u00e3o ao novo item ou at\u00e9 mesmo o ignoraram. Os ratos tratados com antocianinas, pelo contr\u00e1rio, notaram a mudan\u00e7a e passaram mais tempo explorando a novidade.<\/p>\n<p>Outra importante descoberta foi o efeito do composto natural sobre os neur\u00f4nios, em especial os do tipo colin\u00e9rgico, que s\u00e3o os primeiros degenerados pela doen\u00e7a de Alzheimer. Uma enzima, a acetilcolinesterase, est\u00e1 muito ativada durante a doen\u00e7a, tendo seu efeito de quebra dos neurotransmissores potencializado. Esse processo gera uma s\u00e9rie de dist\u00farbios, dentre os quais est\u00e1 a perda de mem\u00f3ria. Jessi\u00e9 explica que os animais que ingeriram antocianina \u201ctiveram essa atividade da enzima reduzida a aproximadamente 45%, mostrando que ela causou uma altera\u00e7\u00e3o ben\u00e9fica, capaz de melhorar a mem\u00f3ria desses animais\u201d.<\/p>\n<p>Embora a pesquisa seja ainda de base, as rela\u00e7\u00f5es encontradas entre as antocianinas e o sistema nervoso mostram um cen\u00e1rio promissor, em que ainda h\u00e1 muito a ser explorado. Para uma doen\u00e7a como o Alzheimer, ainda cercada por tantas d\u00favidas, os resultados podem significar um grande avan\u00e7o e encorajar mais pesquisadores a estudarem o tema.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"texto_rodape\">\n<div class=\"arco_creditos\"><\/div>\n<p>Rep\u00f3rter: Daniela Pin Menegazzo<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Novo estudo busca entender os efeitos positivos que as antocianinas podem gerar em pacientes com Alzheimer<\/p>\n","protected":false},"author":26,"featured_media":1435,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1770],"tags":[],"class_list":["post-1651","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-neurociencia"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1651","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/26"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1651"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1651\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1435"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1651"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1651"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1651"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}