{"id":1653,"date":"2014-01-07T17:24:46","date_gmt":"2014-01-07T19:24:46","guid":{"rendered":"http:\/\/coral.ufsm.br\/arco\/sitenovo\/?p=1653"},"modified":"2019-05-06T11:38:31","modified_gmt":"2019-05-06T14:38:31","slug":"o-genero-no-volante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/o-genero-no-volante","title":{"rendered":"O g\u00eanero no volante"},"content":{"rendered":"<div id=\"container_dados\">\n<div class=\"texto_noticia\">\n<p>Colocar o cinto, girar a chave, sinalizar, partir. Em tese, dirigir \u00e9 uma tarefa autom\u00e1tica, que requer aten\u00e7\u00e3o do motorista para percorrer trajetos em velocidade compat\u00edvel e respeitando as regras e sinaliza\u00e7\u00f5es, de modo indiferente se for homem ou mulher no volante. Em tese.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, o comportamento na condu\u00e7\u00e3o do ve\u00edculo estaria, sim, relacionado \u00e0 quest\u00e3o de g\u00eanero. \u00c9 o que aponta um estudo que vem sendo realizado na UFSM. O projeto de extens\u00e3o Viol\u00eancia no tr\u00e2nsito: uma quest\u00e3o de g\u00eanero? baseia-se em estat\u00edsticas para confirmar uma tese facilmente comprovada nos jornais das segundas-feiras: homens s\u00e3o a maioria das v\u00edtimas fatais de acidentes de tr\u00e2nsito. S\u00e3o, tamb\u00e9m, a maioria dos condutores dos ve\u00edculos acidentados, conforme apontou pesquisa feita anteriormente em Santa Maria (veja os infogr\u00e1ficos).<\/p>\n<p><a class=\"bigger_image\" title=\"\" href=\"https:\/\/www.ufsm.br\/comunicacao\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2014\/01\/grafico_comparativo-ans.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/comunicacao\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2014\/01\/grafico_comparativo-ans.jpg\" alt=\"\" width=\"626\" height=\"487\" \/><\/a><\/p>\n<p>A coordenadora do projeto, F\u00e1tima Perurena, explica que a ideia de relacionar viol\u00eancia no tr\u00e2nsito e g\u00eanero surgiu ao acompanhar o notici\u00e1rio. \u201cComecei a observar que a maioria dos acidentes que envolvem morte tem um homem na condu\u00e7\u00e3o do ve\u00edculo\u201d, relata. A partir desta observa\u00e7\u00e3o, a professora buscou relacionar os dados com o conceito de g\u00eanero, que diz respeito \u00e0s rela\u00e7\u00f5es sociais que se aprendem desde crian\u00e7a sobre como ser feminino e como ser masculino.<\/p>\n<p>Professores e alunos do curso de Ci\u00eancias Sociais da UFSM foram a campo na busca por comprovar a teoria. Uma pesquisa realizada nos Centros de Forma\u00e7\u00e3o de Condutores (CFCs) de Santa Maria em 2010, com pessoas que faziam a primeira Carteira Nacional de Habilita\u00e7\u00e3o (CNH), coletou opini\u00f5es sobre o fato de os homens serem os que mais matam e morrem em acidentes de tr\u00e2nsito. Para os entrevistados, isso se deve \u00e0s caracter\u00edsticas masculinas, supostamente mais agressivas, competitivas e violentas. Em contraposi\u00e7\u00e3o, as mulheres foram apontadas como mais cuidadosas, conscientes e respons\u00e1veis.<\/p>\n<h4><strong>PROJETO \u00c9 PIONEIRO NA SOCIOLOGIA\u00a0<\/strong><\/h4>\n<p>Soci\u00f3logos j\u00e1 haviam se debru\u00e7ado sobre as mais diversas teorias que d\u00e3o conta da problem\u00e1tica do tr\u00e2nsito no Brasil \u2013 a maioria concordando que o comportamento dos motoristas \u00e9 o grande respons\u00e1vel pela maioria dos acidentes no pa\u00eds.<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o com a quest\u00e3o de g\u00eanero, por\u00e9m, confere car\u00e1ter de ineditismo ao projeto que vem sendo desenvolvido na UFSM desde 2006. \u201cN\u00e3o se conhece, dentro da \u00e1rea da sociologia, pelo menos, trabalho que relacione comportamento no tr\u00e2nsito e rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero\u201d, afirma F\u00e1tima.<\/p>\n<p>As conclus\u00f5es preliminares indicam que homens, ao volante, tendem a adotar uma postura que \u00e9 t\u00edpica do g\u00eanero masculino: andam em alta velocidade, s\u00e3o agressivos e, muitas vezes, desrespeitam as leis de tr\u00e2nsito. \u201cA origem de muitos comportamentos dos homens no tr\u00e2nsito pode ser encontrada na maneira como foram socializados e educados desde a inf\u00e2ncia. Muitas culturas os incentivam a serem agressivos, competitivos e violentos, e isso se reflete na maneira como ir\u00e3o dirigir e se relacionar no tr\u00e2nsito\u201d, analisa F\u00e1tima. O resultado dessa postura inconsequente na dire\u00e7\u00e3o n\u00e3o raro acaba engrossando as estat\u00edsticas: os homens s\u00e3o oito em cada dez v\u00edtimas de acidentes\u00a0de tr\u00e2nsito.<\/p>\n<h4><strong>\u201cSEJA MACHO, DIRIJA COMO MULHER\u201d\u00a0<\/strong><\/h4>\n<p>Alarmantes, os dados apontados no estudo Viol\u00eancia no tr\u00e2nsito: uma quest\u00e3o de g\u00eanero? embasam uma campanha que brinca com estere\u00f3tipos para falar de coisa s\u00e9ria. \u201cSe os homens est\u00e3o envolvidos em mais de 96% dos acidentes de maior gravidade, \u00e9 sinal de que alguma coisa precisa mudar\u201d, afirma a professora F\u00e1tima Perurena.<\/p>\n<p>Ela esclarece que n\u00e3o se trata de estabelecer uma \u201cguerra dos sexos\u201d, mas de chamar aten\u00e7\u00e3o para o quanto as rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero ajudam a criar comportamentos, muitas vezes absolutamente prejudiciais e tr\u00e1gicos, como \u00e9 o caso da viol\u00eancia no tr\u00e2nsito.<\/p>\n<p>A ideia inicial \u00e9 de que as pessoas passem a conversar mais a respeito, na tentativa de n\u00e3o permitirem que atitudes comportamentais venham a ser respons\u00e1veis pelos dados epid\u00eamicos observados diariamente em rela\u00e7\u00e3o ao tr\u00e2nsito.<\/p>\n<p>Com esse objetivo, o grupo respons\u00e1vel pelo projeto de pesquisa criou a campanha Seja macho, dirija como mulher, que tem apoio da UFSM, do CNPq e da Prefeitura de Santa Maria. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 que os motoristas se conscientizem e passem a dirigir com mais cuidado e menos agressividade. \u201cOs homens n\u00e3o precisam dirigir em alta velocidade, n\u00e3o precisam ultrapassar, nem mesmo precisam demonstrar a pot\u00eancia de seu autom\u00f3vel, tudo isso para afirmarem sua masculinidade\u201d, salienta F\u00e1tima.<\/p>\n<p>Neste aspecto, a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 vista como essencial. \u201cPrecisamos mudar nosso comportamento no tr\u00e2nsito. E a\u00ed entra o papel da educa\u00e7\u00e3o, pois \u00e9 atrav\u00e9s dela que transmitimos os valores e cren\u00e7as vigentes em nossa sociedade, o modo como devemos nos comportar enquanto indiv\u00edduos sociais, inclusive no tr\u00e2nsito\u201d, analisa a aluna de Ci\u00eancias Sociais e integrante do projeto de pesquisa Diessica Gaige.<\/p>\n<p>Quem acompanha homens e mulheres diariamente na dire\u00e7\u00e3o confirma que elas costumam ser mais cuidadosas. \u201cAt\u00e9 pelo fato de que as mulheres n\u00e3o t\u00eam muito contato com carros, enquanto os homens, desde crian\u00e7a, brincam com carrinhos, e t\u00eam uma facilidade maior\u201d, observa o instrutor de CFC Eduardo Englert. Para ele, no tr\u00e2nsito, toda aten\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 pouca. Por isso, vale mesmo dirigir como mulher. \u201cAcho essa campanha muito v\u00e1lida\u201d, afirma Eduardo.<\/p>\n<p>A campanha Seja macho, dirija como mulher ter\u00e1 panfletagens na cidade e no campus da UFSM, entrega de cartilhas informativas nos Centros de Forma\u00e7\u00e3o de Condutores e divulga\u00e7\u00e3o em redes sociais e por meio de busdoors e outdoors. Uma parceria com \u00f3rg\u00e3os de imprensa tamb\u00e9m est\u00e1 sendo articulada.<\/p>\n<p>Tudo para que mulheres \u2013 que pelas concep\u00e7\u00f5es sociais de g\u00eanero s\u00e3o vistas como m\u00e1s condutoras \u2013 passem a ser o exemplo a ser seguido por aqueles que, imprudentemente, costumam pisar demais no acelerador.<\/p>\n<p><a class=\"bigger_image\" title=\"\" href=\"https:\/\/www.ufsm.br\/comunicacao\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2014\/01\/grafico_santa-maria.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/comunicacao\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2014\/01\/grafico_santa-maria.jpg\" alt=\"\" width=\"577\" height=\"269\" \/><\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"texto_rodape\">\n<div class=\"arco_creditos\"><\/div>\n<p>Rep\u00f3rter: Ricardo Bonfanti<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A maioria dos acidentes de tr\u00e2nsito que envolvem morte tem um homem na dire\u00e7\u00e3o. E os homens s\u00e3o a maioria das v\u00edtimas fatais nesses acidentes. Para frear as estat\u00edsticas, uma campanha defende que eles passem a dirigir como mulheres<\/p>\n","protected":false},"author":26,"featured_media":1434,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1772],"tags":[],"class_list":["post-1653","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-transito"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1653","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/26"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1653"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1653\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1434"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1653"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1653"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1653"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}