{"id":1696,"date":"2014-09-08T11:58:52","date_gmt":"2014-09-08T14:58:52","guid":{"rendered":"http:\/\/coral.ufsm.br\/arco\/sitenovo\/?p=1696"},"modified":"2021-02-10T21:50:34","modified_gmt":"2021-02-11T00:50:34","slug":"helicoverpa-armigera-a-temida-lagarta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/helicoverpa-armigera-a-temida-lagarta","title":{"rendered":"Helicoverpa armigera: a temida lagarta"},"content":{"rendered":"<div id=\"container_dados\">\n<div class=\"texto_noticia\">\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1534 alignleft\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2017\/08\/4\u00aa-edic\u0327a\u0303o-8-cultivo-lagarta-300x196.jpg\" alt=\"\" width=\"403\" height=\"263\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2017\/08\/4\u00aa-edic\u0327a\u0303o-8-cultivo-lagarta-300x196.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2017\/08\/4\u00aa-edic\u0327a\u0303o-8-cultivo-lagarta-768x501.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2017\/08\/4\u00aa-edic\u0327a\u0303o-8-cultivo-lagarta-1024x668.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2017\/08\/4\u00aa-edic\u0327a\u0303o-8-cultivo-lagarta.jpg 1440w\" sizes=\"(max-width: 403px) 100vw, 403px\" \/>Arranjo do solo, escolha e preparo de sementes, plantio, acompanhamento da flora\u00e7\u00e3o e da matura\u00e7\u00e3o e, finalmente, colheita. A rotina de produ\u00e7\u00e3o nos campos brasileiros era essa at\u00e9 a safra de 2013\/14, quando agricultores relataram \u00e0 Embrapa e aos \u00f3rg\u00e3os de pesquisa o aparecimento de uma lagarta que n\u00e3o conseguiam controlar em suas lavouras. Chegou a se questionar se seria uma esp\u00e9cie mutante, resistente \u00e0 tecnologia transg\u00eanica. Mas logo o inseto foi identificado:\u00a0<em>Helicoverpa armigera<\/em>, uma lagarta catalogada pelo entomologista alem\u00e3o Jakob H\u00fcbner, no ano de 1809. Embora a esp\u00e9cie seja conhecida h\u00e1 mais de duzentos anos e tenha sido registrada na \u00cdndia e na Austr\u00e1lia, em solo brasileiro era novidade. Uma devastadora novidade, que resultou em um preju\u00edzo de cerca de 2 bilh\u00f5es de reais, segundo a Embrapa.<\/p>\n<p>O professor Jerson Car\u00fas Guedes, coordenador do Laborat\u00f3rio de Manejo Integrado de Pragas da UFSM (LabMIP), explica que a\u00a0<em>Helicoverpa armigera<\/em>\u00a0\u00e9 uma esp\u00e9cie invasora: a qualquer momento pode colonizar outras regi\u00f5es e cultivos, especialmente devido ao intenso com\u00e9rcio mundial, \u00e0 ampla gama de hospedeiros e se houver um ambiente favor\u00e1vel ao seu desenvolvimento. A praga pode atacar mais de 120 esp\u00e9cies vegetais, sendo as mais importantes o milho, o feij\u00e3o, o algod\u00e3o, o tomate e a soja, esta \u00faltima a mais atacada pela esp\u00e9cie na safra deste ano, no sul do Brasil. No Rio Grande do Sul, mais de 30 munic\u00edpios, dos 47 analisados, tiveram ocorr\u00eancia da lagarta em suas planta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A lagarta consegue se adaptar a diferentes ambientes, climas e sistemas de cultivo, o que explica sua presen\u00e7a em estados brasileiros de caracter\u00edsticas t\u00e3o distintas, como Bahia e Rio Grande do Sul. Al\u00e9m disso, sua capacidade de reprodu\u00e7\u00e3o, somada \u00e0 toler\u00e2ncia a inseticidas, garante-lhe potencial de sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<h3><strong>A\u00a0IDENTIFICA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/h3>\n<p>A identifica\u00e7\u00e3o das lagartas \u00e9 dif\u00edcil em campo. Entretanto os helioth\u00edneos (<em>Heliothis\u00a0<\/em>e\u00a0<em>Helicoverpa<\/em>) diferem dos demais grupos por recurvarem a cabe\u00e7a e os primeiros segmentos, formando uma volta. Al\u00e9m disso, se est\u00e3o na soja, provavelmente ser\u00e3o da esp\u00e9cie\u00a0<em>Helicoverpa armigera<\/em>. Estas lagartas passam no solo a fase de pupa, e desta emerge uma mariposa.<\/p>\n<p>Segundo o professor Jerson Guedes, a confirma\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie de Helicoverpa somente pode ser feita com o exame das mariposas, que nessa fase s\u00e3o diferenciadas pela an\u00e1lise da genit\u00e1lia dos machos e f\u00eameas. Esta an\u00e1lise tem sido feita rotineiramente no LabMIP da UFSM e registrada nos laudos de ocorr\u00eancia da praga encaminhados ao Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento.<\/p>\n<h3><strong>CONTROLE DA PRAGA<\/strong><\/h3>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s demais pragas encontradas nas lavouras brasileiras, a\u00a0<em>Helicoverpa armigera<\/em>\u00a0\u00e9 a que provoca maiores danos na soja. Mesmo havendo inseticidas eficientes, quando estes s\u00e3o aplicados fora de \u00e9poca ou em doses inadequadas, podem falhar e representar risco \u00e0 produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A busca pelo controle da praga, que acaba alterando um pouco a rotina dos agricultores, inicia-se com vistorias semanais nas lavouras. Na fase inicial de desenvolvimento da cultura de soja, a vistoria deve ser visual, focada principalmente nos trif\u00f3lios jovens (ainda em expans\u00e3o). J\u00e1 no per\u00edodo reprodutivo da cultura, a avalia\u00e7\u00e3o visual deve ser direcionada a estruturas reprodutivas da planta, principalmente \u00e0s vagens (legumes), porque essas estruturas s\u00e3o as preferidas pela\u00a0<em>Helicoverpa armigera<\/em>. A partir do momento que a soja permite o uso do pano-de-batida (veja quadro), este deve ser utilizado em conjunto com a avalia\u00e7\u00e3o visual. Se, nessa avalia\u00e7\u00e3o, o produtor encontrar duas lagartas por metro de fileira de soja, a lavoura est\u00e1 no n\u00edvel indicado para realizar o controle \u2013 que, na maioria dos casos, \u00e9 a interfer\u00eancia com inseticidas biol\u00f3gicos ou qu\u00edmicos.<\/p>\n<p>O LabMIP da UFSM recomenda que, ap\u00f3s atingida a popula\u00e7\u00e3o de insetos que causa dano \u00e0 soja, o produtor utilize integradamente inseticidas biol\u00f3gicos e qu\u00edmicos, e estas t\u00e9cnicas de controle sejam empregadas quando as lagartas ainda apresentarem tamanho inferior a 1 cent\u00edmetro de comprimento. A partir do florescimento, a penetra\u00e7\u00e3o do agrot\u00f3xico nas folhas do ter\u00e7o inferior da planta (mais pr\u00f3ximo ao solo) \u00e9 muito baixa, exigindo maior aten\u00e7\u00e3o pelos agricultores.<\/p>\n<p>Segundo Jerson Guedes, apesar de o agrot\u00f3xico ser a ferramenta mais utilizada pelos agricultores no controle de\u00a0<em>Helicoverpa armigera<\/em>, existem outras estrat\u00e9gias de manejo dessa praga. Trabalhos realizados pelo LabMIP demonstraram elevada taxa de parasitismo natural sobre essa lagarta em campo. Al\u00e9m disso, a utiliza\u00e7\u00e3o de inseticidas biol\u00f3gicos \u00e0 base de bact\u00e9rias e v\u00edrus foi eficaz no combate na Regi\u00e3o Central do Rio Grande do Sul.<\/p>\n<h3><strong>O APOIO DA UFSM<\/strong><\/h3>\n<p>Na UFSM, o LabMIP \u00e9 o local onde s\u00e3o desenvolvidos diversos trabalhos com\u00a0<em>Helicoverpa armigera<\/em>, buscando gerar informa\u00e7\u00f5es para dar assist\u00eancia aos produtores no controle desse inseto.<\/p>\n<p>Por meio de aux\u00edlio na identifica\u00e7\u00e3o da lagarta, o LabMIP procura ajudar os agricultores a atuarem de forma eficiente no manejo da nova praga. Assim, com as experi\u00eancias e pesquisas desenvolvidas pelos profissionais de diversas \u00e1reas ligadas ao manejo integrado de pragas, ocorrem trocas de conhecimento entre estudiosos e comunidade para garantir uma produ\u00e7\u00e3o mais sustent\u00e1vel e com menor impacto ao ambiente.<\/p>\n<div id=\"parent\"><\/div>\n<h3><strong>PANO DA BATIDA VERTICAL<\/strong><\/h3>\n<p>O pano-de-batida vertical \u00e9 constitu\u00eddo de um bast\u00e3o de madeira, na extremidade superior, e um tubo de policloreto de polivinila (100 mm), cortado ao meio longitudinalmente, na extremidade inferior, ligados entre si por um tecido branco, com comprimento de 1 metro e com altura ajust\u00e1vel \u00e0 estatura das plantas de soja. Para a coleta dos insetos, o pano deve ser colocado verticalmente na entrelinha da cultura, e as plantas da fileira devem ser sacudidas contra a superf\u00edcie do pano, a fim de que ocorra a queda das lagartas e outros insetos no pano, para se realizar a quantifica\u00e7\u00e3o destes.<\/p>\n<p>Esse procedimento deve ser realizado em 15 pontos amostrais distribu\u00eddos na lavoura, para ser representativo da situa\u00e7\u00e3o populacional de pragas que ocorrem na \u00e1rea.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"texto_rodape\">\n<div class=\"arco_creditos\"><\/div>\n<p><em><strong>Rep\u00f3rter<\/strong>: Augusto Vasconcelos<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Laborat\u00f3rio de Manejo de Pragas da UFSM auxilia no combate da praga que vem preocupando os agricultores<\/p>\n","protected":false},"author":32,"featured_media":1534,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1597],"tags":[32,4451,4450,4452],"class_list":["post-1696","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultivo-4-edicao","tag-agronomia","tag-helicoverpa-armigera","tag-lagarta","tag-manejo-de-pragas"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1696","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/32"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1696"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1696\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1534"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1696"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1696"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1696"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}