{"id":1735,"date":"2015-10-08T15:18:49","date_gmt":"2015-10-08T18:18:49","guid":{"rendered":"http:\/\/coral.ufsm.br\/arco\/sitenovo\/?p=1735"},"modified":"2015-10-08T15:18:49","modified_gmt":"2015-10-08T18:18:49","slug":"um-pe-na-ciencia-outro-na-educacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/um-pe-na-ciencia-outro-na-educacao","title":{"rendered":"Um p\u00e9 na ci\u00eancia, outro na educa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"container_dados\">\n<div class=\"texto_noticia\">\n<p>Bioqu\u00edmica, toxicologia e farmacologia. Dentro dessas \u00e1reas s\u00e3o desenvolvidas as pesquisas do professor do Departamento de Qu\u00edmica da UFSM Jo\u00e3o Batista Teixeira da Rocha. Por\u00e9m, entre estudos que incluem elementos como o Merc\u00fario, ele faz quest\u00e3o de dedicar parte do seu tempo para discutir e encontrar pr\u00e1ticas capazes de melhorar o ensino da ci\u00eancia no pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entendendo a ci\u00eancia como algo que n\u00e3o pode ficar ref\u00e9m de velhas pr\u00e1ticas e modelos curriculares r\u00edgidos, h\u00e1 alguns anos o professor tem se proposto a participar de intera\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas com pesquisadores de pa\u00edses menos desenvolvidos que o Brasil na \u00e1rea cient\u00edfica. O objetivo \u00e9 incentivar e desenvolver a ci\u00eancia nos pa\u00edses que fazem parte do interc\u00e2mbio e promover a troca de informa\u00e7\u00f5es e pr\u00e1ticas de pesquisa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Exemplo disso \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o que Teixeira da Rocha mant\u00e9m, desde 2004, com a Federal University of Technology Akure (FUTA), universidade nigeriana de cujo Departamento de Bioqu\u00edmica diversos pesquisadores t\u00eam vindo \u00e0 UFSM. Pesquisadores do Paquist\u00e3o e do Iraque tamb\u00e9m participaram desses conv\u00eanios, que trazem benef\u00edcios m\u00fatuos. Se para quem vem representa uma chance de novas experi\u00eancias e aprendizados, o professor entende que, para o Brasil, essas atividades representam um meio de aumentar a sua influ\u00eancia na \u00e1rea cient\u00edfica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na entrevista a seguir, Teixeira da Rocha tamb\u00e9m fala sobre a sua participa\u00e7\u00e3o na Academia Brasileira de Ci\u00eancias. Membro eleito em 2014, ele conta quais s\u00e3o suas propostas de atua\u00e7\u00e3o e como essas a\u00e7\u00f5es podem refletir no modo como a ci\u00eancia \u00e9 feita no pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A partir dos projetos em que voc\u00ea tem se envolvido, ligados a universidades como a FUTA, muitas pessoas de pa\u00edses cientificamente menos desenvolvidos que o Brasil vieram para c\u00e1. Ocorreu a experi\u00eancia contr\u00e1ria, de estudantes da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o daqui irem para l\u00e1?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o. Quando foram criados esses interc\u00e2mbios com pa\u00edses da \u00c1frica, houve muitas cr\u00edticas de que era dinheiro sendo colocado fora. Isso porque a gente vive em um pa\u00eds em que h\u00e1 uma elite cient\u00edfica que nunca mudou e continua mandando. Eles t\u00eam essa ideia de que precisamos buscar o avan\u00e7o tecnol\u00f3gico, mas isso \u00e9 o que temos feito e n\u00e3o temos sa\u00eddo do lugar. N\u00e3o basta mandar as pessoas para o exterior, porque n\u00e3o existe essa transfer\u00eancia instant\u00e2nea. O que eu quero dizer \u00e9 que nos falta essa vis\u00e3o de que atividades assim\u00e9tricas, como \u00e9 o caso das intera\u00e7\u00f5es com pa\u00edses africanos, podem ser boas. No Ci\u00eancia Sem Fronteiras, por exemplo, tamb\u00e9m n\u00e3o existe esse interc\u00e2mbio para pa\u00edses, vamos dizer assim, menos desenvolvidos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p><strong>\u00a0\u201cA FLEXIBILIDADE\u00a0CURRICULAR \u00c9 ALGO MUITO IMPORTANTE PARA CRIARMOS UM MODELO QUE INCITE OS ALUNOS A SE DESENVOLVER, A ENFRENTAR PROBLEMAS\u201d\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Falando sobre o Ci\u00eancia Sem Fronteiras, qual \u00e9 a sua opini\u00e3o a respeito do impacto que o programa gera?<\/strong><\/p>\n<p>Eu ficava com um p\u00e9 atr\u00e1s, porque essas coisas em massa, como o que aconteceu na \u00e9poca que mandamos muitos doutorandos para fora, t\u00eam um resultado muito menor do que a gente espera. Mas acredito que uma grande coisa que aconteceu, ou precisa acontecer, embora isso assuste alguns, \u00e9 a quebra da no\u00e7\u00e3o de que o curr\u00edculo \u00e9 uma coisa estanque. As pessoas acham que os anos de faculdade devem ser restritos a seguir o curr\u00edculo, sentar ali na aula e esperar o professor jogar o conte\u00fado. Eu fico at\u00e9 apavorado em perceber que o n\u00edvel de apatia dos alunos est\u00e1 aumentando, tudo isso dentro de um contexto em que eles precisam decorar para a prova, e n\u00e3o passa disso. Nesse sentido, o Ci\u00eancia Sem Fronteiras traz uma mudan\u00e7a, porque o estudante sai, fica um ano fora e quebra esse esquema. A flexibilidade curricular \u00e9 algo muito importante para criarmos um modelo que incite os alunos a se desenvolver, a enfrentar problemas. A academia, enquanto institui\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria, \u00e9 muito burocr\u00e1tica, muito ortodoxa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Recentemente voc\u00ea foi eleito membro titular da Academia Brasileira de Ci\u00eancias. Em que \u00e1reas espec\u00edficas voc\u00ea pretende atuar?<\/strong><\/p>\n<p>A minha inten\u00e7\u00e3o \u00e9 trabalhar com essas quest\u00f5es mais ligadas \u00e0 educa\u00e7\u00e3o em todos os n\u00edveis. E a\u00ed \u00e9 o que eu tenho dito nas palestras que eu tenho dado sobre ci\u00eancia e educa\u00e7\u00e3o, que o problema, na verdade, somos n\u00f3s mesmos, a gente \u00e9 muito tradicional. Temos muito medo de nos expor e tentar mudar. O fato \u00e9 que alguma coisa precisa ser feita se o Brasil quiser sair do estado de na\u00e7\u00e3o de segunda, terceira categoria, e se tornar um pa\u00eds de primeira categoria. Isso sem ser um Estados Unidos, porque a\u00ed eu acho que tamb\u00e9m n\u00e3o adianta s\u00f3 desenvolver e ter um monte de desigualdades. Precisamos tamb\u00e9m de um desenvolvimento mais social. Uma coisa \u00e9 fato: essas mudan\u00e7as v\u00e3o ter que passar pela educa\u00e7\u00e3o e vamos ter que criar o nosso modelo, e n\u00e3o copiar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>De que modo \u00e9 desenvolvido o trabalho da Academia e como ele pode repercutir na sociedade?<\/strong><\/p>\n<p>A Academia prop\u00f5e grupos de estudo. Ent\u00e3o tinha l\u00e1 um grupo, por exemplo, de intera\u00e7\u00e3o entre academia, no caso universidade, e a ind\u00fastria, no qual s\u00e3o propostas metas, possibilidades&#8230;. Quanto isso vai repercutir depende do quanto a Academia vai estar realmente envolvida. Agora est\u00e3o sendo feitos dois milh\u00f5es de kits para o ensino de F\u00edsica, Biologia, Qu\u00edmica, Matem\u00e1tica&#8230; Isso \u00e9 importante? \u00c9, mas o problema da educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a falta de material did\u00e1tico. Eu acho que o problema \u00e9 mais quest\u00e3o de comportamento, de estrutura. Mas \u00e9 \u00f3bvio que tamb\u00e9m falta material, ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 que eu esteja criticando fazer kits, eles s\u00e3o necess\u00e1rios. Ao mesmo tempo, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 treinar o professor como se fosse um macaquinho, mas sim mostrar possibilidades. \u00c9 um grande desafio.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Falando agora da sua pesquisa, um dos seus principais objetos de estudo \u00e9 o Merc\u00fario. Por que estudar esse elemento?<\/strong><\/p>\n<p>O Merc\u00fario \u00e9 um metal presente no ambiente, mas que n\u00e3o serve para nada no sistema biol\u00f3gico. Por\u00e9m, a gente usou e ainda o usa. Para quem \u00e9 da \u00e1rea da toxicologia, o primeiro caso grave que existiu envolvendo a libera\u00e7\u00e3o desse elemento foi na Baia de Minamata, no Jap\u00e3o, nas d\u00e9cadas de 1950 e 1960. O merc\u00fario pode ter v\u00e1rios estados de oxida\u00e7\u00e3o e pode existir como merc\u00fario elementar, que \u00e9 esse que existe nos term\u00f4metros, e tamb\u00e9m no estado oxidado, em que \u00e9 um s\u00f3lido. Esse s\u00f3lido era usado por uma empresa japonesa na fabrica\u00e7\u00e3o de acetalde\u00eddo, utilizado na fabrica\u00e7\u00e3o de pl\u00e1stico. O que acontece \u00e9 que, quando na natureza, o merc\u00fario \u00e9 metilado por bact\u00e9rias, no caso os sedimentos aqu\u00e1ticos, e a\u00ed ele vira um metilmerc\u00fario, que fica preso dentro da c\u00e9lula e vai sendo acumulado na cadeia alimentar a cada vez que um peixe menor \u00e9 comido por um maior, assim at\u00e9 chegar no topo da cadeia, como \u00e9 o caso do tubar\u00e3o. Esses \u00faltimos acabam tendo uma concentra\u00e7\u00e3o muito alta de merc\u00fario e eram consumidos. Foi o que aconteceu em Minamata.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Dentro do seu estudo, como esse caso se aplica?<\/strong><\/p>\n<p>O caso mostrou dados de que, por exemplo, uma m\u00e3e podia comer peixe e n\u00e3o mostrar sinais de intoxica\u00e7\u00e3o, mas, ao ter filhos, come\u00e7aram a ser percebidos problemas neurol\u00f3gicos severos no beb\u00ea. Ent\u00e3o para a neurotoxicologia foi um exemplo did\u00e1tico e traum\u00e1tico. O nosso estudo busca ver como uma neurotoxina, no caso, o metilmerc\u00fario, interfere no sistema biol\u00f3gico. N\u00f3s tentamos entender os detalhes em n\u00edvel molecular.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"texto_rodape\">\n<div class=\"arco_creditos\"><\/div>\n<p>Rep\u00f3rter: Daniela Pin Menegazzo<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em entrevista \u00e0 revista Arco, o professor Jo\u00e3o Batista Teixeira da Rocha fala da necessidade de renova\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia e da educa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds e conta como tem sido sua experi\u00eancia da Academia Brasileira de Ci\u00eancias<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":1554,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1735","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1735","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1735"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1735\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1554"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1735"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1735"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1735"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}