{"id":1748,"date":"2015-10-08T15:39:10","date_gmt":"2015-10-08T18:39:10","guid":{"rendered":"http:\/\/coral.ufsm.br\/arco\/sitenovo\/?p=1748"},"modified":"2021-02-10T23:12:31","modified_gmt":"2021-02-11T02:12:31","slug":"a-trajetoria-de-um-eremita-pelo-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/a-trajetoria-de-um-eremita-pelo-brasil","title":{"rendered":"A trajet\u00f3ria de um eremita pelo Brasil"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"1748\" class=\"elementor elementor-1748\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-6a53321 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"6a53321\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-c5d15bc\" data-id=\"c5d15bc\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-ef5b288 elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"ef5b288\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"668\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2017\/08\/5\u00aa-edic\u0327a\u0303o-14-editora-ufsm-trajeto\u0301ria-1024x668.png\" class=\"attachment-large size-large wp-image-1549\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2017\/08\/5\u00aa-edic\u0327a\u0303o-14-editora-ufsm-trajeto\u0301ria-1024x668.png 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2017\/08\/5\u00aa-edic\u0327a\u0303o-14-editora-ufsm-trajeto\u0301ria-300x196.png 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2017\/08\/5\u00aa-edic\u0327a\u0303o-14-editora-ufsm-trajeto\u0301ria-768x501.png 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2017\/08\/5\u00aa-edic\u0327a\u0303o-14-editora-ufsm-trajeto\u0301ria.png 1440w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-2c56495f elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"2c56495f\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-c713f92\" data-id=\"c713f92\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-2d550271 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"2d550271\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div id=\"container_dados\"><div class=\"texto_noticia\"><p>A odisseia de Giovanni Maria de Agostini pelo Novo Mundo iniciou em 1838, quando ele cruzou o Atl\u00e2ntico para atuar como mission\u00e1rio religioso. O italiano, nascido em 1801 na regi\u00e3o do Piemonte, aspirou \u00e0 vida sacerdotal, mas n\u00e3o chegou a receber a ordena\u00e7\u00e3o. Mesmo assim, inspirou muitos com sua conduta de penitente.<\/p><p>\u201cA primeira vez que ouvi o nome Jo\u00e3o Maria de Agostini foi durante uma palestra ministrada pela professora de hist\u00f3ria Nikelen Witter, em 2001, quando eu estava iniciando minha gradua\u00e7\u00e3o na UFSM\u201d, conta Alexandre Karsburg, que hoje leciona na Universidade Federal de Pelotas. Foi tamb\u00e9m nessa palestra que o professor ficou sabendo sobre a presen\u00e7a do monge italiano em Santa Maria, especificamente no Cerro do Campestre. No local, Agostini teria descoberto uma fonte de \u00e1gua mineral que as pessoas come\u00e7aram a acreditar ser milagrosa, chamando-a de \u201cfonte de \u00e1guas santas\u201d.<\/p><p>J\u00e1 no mestrado, realizado na PUCRS, entre 2005 e 2007, Karsburg estudou conflitos pol\u00edticos e religiosos ocorridos em Santa Maria no final do s\u00e9culo XIX e in\u00edcio do XX. \u201cLendo a documenta\u00e7\u00e3o da \u00e9poca, constatei que a Romaria de Santo Ant\u00e3o, no Cerro do Campestre, era a maior romaria cat\u00f3lica do Rio Grande do Sul \u2013 e assim foi at\u00e9 1930. Essa tradi\u00e7\u00e3o religiosa iniciou justamente pela a\u00e7\u00e3o do monge Jo\u00e3o Maria de Agostini, em 1848, quando este colocou uma imagem de Santo Ant\u00e3o no alto do Cerro, como forma de tentar organizar a aglomera\u00e7\u00e3o que existia por causa das chamadas \u2018\u00e1guas santas\u2019\u201d.<\/p><p>Foi no doutorado que surgiu a ideia de focar sua pesquisa no monge Agostini. \u201cPensei, inicialmente, em estudar as diferentes fases da Romaria de Santo Ant\u00e3o, desde sua origem em 1848, at\u00e9 1930, quando entrou em decad\u00eancia por causa de outras devo\u00e7\u00f5es que passaram a se destacar na cidade de Santa Maria \u2013 como a de Nossa Senhora Medianeira\u201d, explica o professor. Contudo, \u00e0 medida que avan\u00e7ava nas pesquisas em arquivos, a hist\u00f3ria do monge Jo\u00e3o Maria de Agostini foi se destacando. O professor descobriu, ent\u00e3o, in\u00fameras fontes de informa\u00e7\u00e3o, in\u00e9ditas, a respeito dele. Depois de alguns meses de trabalho, Karsburg constatou que poderia construir a trajet\u00f3ria do monge Agostini pelo Brasil e demais pa\u00edses das Am\u00e9ricas. Assim, o pesquisador percorreu arquivos de diversas cidades, como Pelotas, Porto Alegre, Rio Grande, Florian\u00f3polis, Rio de Janeiro e Lapa (PR) em busca de dados concretos.<\/p><h3>\u00a0<\/h3><h3><strong>A\u00a0PASSAGEM PELO INTERIOR DO BRASIL<\/strong><\/h3><p>Com a passagem do monge por Santa Maria, as not\u00edcias sobre os seus milagres chegaram a todo o Rio Grande do Sul, al\u00e9m de outras regi\u00f5es do Brasil, e tamb\u00e9m atra\u00edram doentes de pa\u00edses vizinhos, como Uruguai, Argentina e Paraguai. Nas cidades, as autoridades concediam ao eremita licen\u00e7as para atuar como mission\u00e1rio e pregador do Evangelho. Ao conseguir as licen\u00e7as, Agostini rumava para o interior, percorrendo enormes dist\u00e2ncias, geralmente a p\u00e9. Quando chegava \u00e0s vilas e aos povoados, ele era respeitado e admirado por sua vestimenta, que se assemelhava \u00e0 de um frade, por carregar objetos sacros, como b\u00edblia, ros\u00e1rios e crucifixos, e tamb\u00e9m por sua apar\u00eancia f\u00edsica, que lembrava profetas b\u00edblicos \u2013 barba que lhe batia no peito e cabelos mais ou menos compridos. Essa admira\u00e7\u00e3o pelo monge acabou causando uma grande aglomera\u00e7\u00e3o em torno da fonte localizada em Santa Maria. Com isso, o presidente da prov\u00edncia \u2013 como se chamava na \u00e9poca o governador de Estado \u2013 enviou especialistas para averiguar se as \u00e1guas realmente eram medicinais e para interrogar o monge.<\/p><p>Muitos come\u00e7aram a acreditar que Agostini possu\u00eda o dom de realizar prod\u00edgios, inclusive tornar milagrosas as \u00e1guas pelo simples toque de suas m\u00e3os, e passaram a chamar-lhe de santo. Entretanto, ser um \u201cenviado divino\u201d fez com que o Imp\u00e9rio Brasileiro se interessasse por ele. \u201cUm \u00fanico sujeito seria afronta para um Imp\u00e9rio inteiro? Ao abrir as portas para a entrada de mission\u00e1rios religiosos europeus, o governo brasileiro, no s\u00e9culo XIX, n\u00e3o tinha como prever que esses mesmos mission\u00e1rios provocariam tanta como\u00e7\u00e3o entre os habitantes do interior\u201d, explica o professor. Assim, ao chegar ao interior do pa\u00eds, o eremita, em vez de trabalhar pelas causas do Imp\u00e9rio na cria\u00e7\u00e3o de s\u00faditos ordeiros e fi\u00e9is \u00e0s causas brasileiras, incentivava uma vida religiosa que dispensava a intermedia\u00e7\u00e3o da Igreja. Agostini colocou a salva\u00e7\u00e3o da alma ao alcance dos povos simples do interior, dizendo e mostrando pelo pr\u00f3prio exemplo que a reden\u00e7\u00e3o dos pecados estaria dispon\u00edvel se o fiel arrependido se lan\u00e7asse aos rigores da penit\u00eancia, fazendo caminhos de vias-sacras, rezando e deixando para tr\u00e1s a vida mundana.\u00a0<\/p><p>\u00a0<\/p><h3><strong>DO MITO \u00c0 REALIDADE<\/strong><\/h3><p>Em novembro de 1852, o eremita deixou o Brasil e continuou sua peregrina\u00e7\u00e3o por outros pa\u00edses do continente americano, vivendo entre cavernas, grutas e montanhas. Chegou aos Estados Unidos em 1863, mantendo seus of\u00edcios de eremita. Por\u00e9m, morreu violentamente em circunst\u00e2ncias n\u00e3o esclarecidas, deixando como legado in\u00fameras devo\u00e7\u00f5es e lendas espalhadas em v\u00e1rios pa\u00edses da Am\u00e9rica, principalmente no sul do Brasil e no sudoeste dos Estados Unidos. \u201cLogo depois da morte, algumas pessoas foram interrogadas, at\u00e9 presas. Mas nada foi provado contra os suspeitos. O assassinato de Giovanni Maria faz parte de uma lista de crimes insol\u00faveis no condado de Do\u00f1a Ana, no sul do Novo M\u00e9xico\u201d, explica o professor.<\/p><p>Ao longo da pesquisa, a imagem que o pesquisador tinha do monge Giovanni Maria Agostini foi mudando. No in\u00edcio, ele o percebia como um indiv\u00edduo misterioso, quase um mito, j\u00e1 que n\u00e3o havia fotografias que comprovassem sua exist\u00eancia. No entanto, foi no primeiro ano de doutorado, em 2008, que Alexandre Karsburg encontrou duas fotografias do monge, al\u00e9m de manuscritos atribu\u00eddos a ele e seus objetos pessoais, como manto, h\u00e1bito de eremita, b\u00edblia, cajado de peregrino e livro de ora\u00e7\u00f5es, que estavam em arquivos dos Estados Unidos. Essa descoberta fez com que quisesse reconstruir a hist\u00f3ria do eremita pelas Am\u00e9ricas, al\u00e9m de compreender como o monge conseguiu percorrer todo o continente na condi\u00e7\u00e3o de peregrino. Assim, o professor n\u00e3o se tornou um devoto, mas um admirador. \u201cAinda \u00e9 dif\u00edcil acreditar que algu\u00e9m como ele conseguiu realizar tamanha proeza, enfrentando todo tipo de dificuldade e \u00e0 merc\u00ea de perigos variados. O fato de ter me aproximado do sujeito hist\u00f3rico me fez entender as estrat\u00e9gias utilizadas para superar os desafios e cumprir com o objetivo de pregar o Evangelho aos mais distantes povos das Am\u00e9ricas. Mas, no final, Agostini era t\u00e3o humano quanto n\u00f3s, um homem com defeitos e qualidades, mas de muita determina\u00e7\u00e3o\u201d, finaliza.<\/p><\/div><\/div><div class=\"texto_rodape\"><div class=\"arco_creditos\">\u00a0<\/div><p><em><strong>Rep\u00f3rter<\/strong>: Andr\u00e9a Ortis<\/em><br \/><em><strong>Ilustra\u00e7\u00e3o<\/strong>: Evandro Bertol<\/em><\/p><\/div>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria do monge Giovanni Maria de Agostini e a cura atrav\u00e9s de \u00e1guas milagrosas s\u00e3o narradas no livro O Eremita das Am\u00e9ricas<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":1549,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1796],"tags":[],"class_list":["post-1748","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-editora-ufsm-2"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1748","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1748"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1748\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1549"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1748"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1748"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1748"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}