{"id":181,"date":"2016-03-06T14:02:10","date_gmt":"2016-03-06T17:02:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/comunicacao\/arco\/2016\/03\/06\/post181\/"},"modified":"2021-05-25T15:55:31","modified_gmt":"2021-05-25T18:55:31","slug":"post181","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/post181","title":{"rendered":"Ci\u00eancia do g\u00eanero feminino"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Durante os s\u00e9culos, a luta da mulher contra a diferencia\u00e7\u00e3o de g\u00eanero tem sido incans\u00e1vel. Os avan\u00e7os, conquistados gradativamente, permeiam todos os campos sociais: esporte, pol\u00edtica, economia, educa\u00e7\u00e3o e ci\u00eancia. No Brasil, desde 1827 existe uma lei que garante o acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o para mulheres, mas s\u00f3 em 1879 elas conquistaram o direito de frequentar institui\u00e7\u00f5es de ensino superior, ainda que criticadas por isso.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Atualmente, na Academia Brasileira de Ci\u00eancias, as cadeiras da estrutura administrativa s\u00e3o ocupadas por 37 homens e apenas quatro mulheres. Entre os 915 membros acad\u00eamicos afiliados, cerca de 87% s\u00e3o do sexo masculino. Os n\u00fameros d\u00edspares entre os g\u00eaneros refletem a permanente necessidade da busca feminina por espa\u00e7o na sociedade, mas tamb\u00e9m nos diz que algo j\u00e1 est\u00e1 sendo feito. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Um exemplo \u00e9 o pr\u00eamio \u201cPara Mulheres na Ci\u00eancia\u201d, promovido h\u00e1 10 anos pela L\u2019Or\u00e9al Brasil em parceria com a Unesco e a Academia Brasileira de Ci\u00eancias. O programa visa favorecer a equidade de g\u00eaneros entre pesquisadores no Brasil, e incentivar a entrada de mulheres no universo cient\u00edfico. Na edi\u00e7\u00e3o de 2015, a pesquisadora ga\u00facha Daiana \u00c1vila est\u00e1 entre as sete jovens vencedoras.<\/span><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" style=\"margin: 15px; float: left;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/foto-daiana-menor.jpg\" alt=\"Daiana \u00c1vila recebeu o pr\u00eamio \u201cPara Mulheres na Ci\u00eancia\u201d em 2015\" width=\"364\" height=\"277\" \/>\u00a0\u00a0<span style=\"font-weight: 400;\">Daiana \u00e9 formada em Farm\u00e1cia pela UFSM e mestre e doutora em Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas pela mesma institui\u00e7\u00e3o. Atualmente, ela \u00e9 professora na Universidade Federal do Pampa, em Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, e pesquisadora no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Bioqu\u00edmica da institui\u00e7\u00e3o. A pesquisa liderada por ela busca alternativas para o tratamento da Esclerose Lateral Amiotr\u00f3fica (ELA), doen\u00e7a gen\u00e9tica e sem cura que degenera o sistema nervoso. Em m\u00e9dia, a ELA atinge 12 mil brasileiros. Daiana quer compreender se alguns compostos qu\u00edmicos, como o carboidrato trealose e a vitamina E, podem ser utilizados para atrasar o desenvolvimento da doen\u00e7a e melhorar a expectativa de vida dos doentes. Um resultado positivo dessa pesquisa poderia ser uma alternativa para os medicamentos padr\u00f5es j\u00e1 existentes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A equipe de Daiana tamb\u00e9m se destaca pelo aperfei\u00e7oamento das t\u00e9cnicas de pesquisa: nos testes em laborat\u00f3rio, o grupo trabalha para substituir os mam\u00edferos como cobaias em estudos farmacol\u00f3gicos e est\u00e3o testando o <em>Caenorhabditis elegans<\/em>, um animal vermiforme, como cobaias nas experi\u00eancias sobre a ELA.<\/p>\n<p><strong>O g\u00eanero como obst\u00e1culo<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Daiana \u00c1vila se interessou cedo pela pesquisa, ainda na gradua\u00e7\u00e3o. O encanto, segundo ela, estava na possibilidade de testar ideias, na liberdade para a criatividade e nas diversas descobertas. Mas a pesquisadora conhece bem os desafios da pesquisa: pouco incentivo, muita disponibilidade de tempo e um cen\u00e1rio de g\u00eanero desigual. O pr\u00eamio conquistado, de 20 mil d\u00f3lares, ser\u00e1 destinado aos projetos do seu laborat\u00f3rio. Daiana acredita que, com a visibilidade que a pesquisa ganhou, mais pesquisadores devem se interessar pelo tema e colaborar com o trabalho.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quando o assunto s\u00e3o as barreiras de g\u00eanero na pesquisa, a professora sabe que ainda h\u00e1 um grande caminho a percorrer. Mas para Daiana, o passo mais importante j\u00e1 foi dado: a discuss\u00e3o sobre equidade de g\u00eanero na ci\u00eancia tem se tornado cada vez mais relevante para as institui\u00e7\u00f5es de pesquisa. \u201c<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Premia\u00e7\u00f5es como esta s\u00e3o iniciativas importantes, mas o mais importante \u00e9 que as comunidades cient\u00edfica e acad\u00eamica j\u00e1 est\u00e3o cientes da import\u00e2ncia da mulher para a ci\u00eancia\u201d ela afirma.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Daiana ressalta a necessidade das mulheres ocuparem as coordena\u00e7\u00f5es de \u00e1reas, dentro das ag\u00eancias de fomento \u00e0 pesquisa, para que possam auxiliar na evolu\u00e7\u00e3o. Os espa\u00e7os ocupados por homens e mulheres ainda s\u00e3o desiguais, mas conquistas s\u00e3o obtidas gradualmente: participa\u00e7\u00e3o em eventos cient\u00edficos, publica\u00e7\u00e3o de resultados e palestras em congressos. O segredo na luta pela igualdade em todos os campos da sociedade \u00e9 n\u00e3o desistir.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Conhe\u00e7a um pouco mais as opini\u00f5es desta jovem pesquisadora de 32 anos, uma motiva\u00e7\u00e3o para as desafiadas mulheres cientistas. Daiana conversou com Arco com exclusividade:<\/span><\/p>\n<p><strong>De onde veio seu primeiro incentivo pra trabalhar com ci\u00eancia?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sempre gostei de qu\u00edmica e biologia, e acredito que ter vivenciado a experi\u00eancia de fazer ci\u00eancia durante a gradua\u00e7\u00e3o, como inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, foi essencial. Logo que ingressei no curso de Farm\u00e1cia e Bioqu\u00edmica, eu procurei um laborat\u00f3rio de pesquisa, porque eu queria muito \u201ctestar medicamentos em ratinhos\u201d. Realizei v\u00e1rios est\u00e1gios durante a gradua\u00e7\u00e3o e cada vez mais tinha a certeza de que fazer pesquisa era o que me fazia feliz. Nunca me arrependi dessa escolha, apesar dos diversos desafios que a gente encontra. Hoje n\u00e3o tenho tanto tempo para fazer experimentos, que \u00e9 algo que adoro. Mas estar rodeada de alunos, vendo o laborat\u00f3rio cheio, acompanhando as descobertas e as evolu\u00e7\u00f5es di\u00e1rias de cada um e compartilhando isso com eles \u00e9 muito bom, \u00e9 o que me motiva diariamente.<\/span><\/p>\n<p><strong>Qual a import\u00e2ncia de premia\u00e7\u00f5es como o \u201cMulheres na Ci\u00eancia\u201d?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Este tipo de premia\u00e7\u00e3o valoriza as cientistas e estimula que mais mulheres se interessem por esta carreira. Pessoalmente, <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">esse reconhecimento, no in\u00edcio da carreira, traz<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">mais motiva\u00e7\u00e3o e confian\u00e7a para dar continuidade ao trabalho realizado aqui no Pampa. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O cen\u00e1rio cient\u00edfico ainda \u00e9 masculino por uma quest\u00e3o hist\u00f3rica, mas pr\u00eamios como este, que trazem reconhecimento \u00e0s mulheres, s\u00e3o importantes para a nossa e para as futuras gera\u00e7\u00f5es de cientistas. Se continuarmos mostrando nossa compet\u00eancia e trabalhando com muita dedica\u00e7\u00e3o, poderemos alcan\u00e7ar a igualdade de g\u00eanero na ci\u00eancia. O n\u00famero de mulheres participando de eventos cient\u00edficos, palestrando nos congressos e atuando como pesquisadoras v\u00eam crescendo. A ci\u00eancia precisa das mulheres e cada vez mais a comunidade se d\u00e1 conta disso. <\/span><\/p>\n<p><strong>E isso n\u00e3o acontece apenas na produ\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m na gest\u00e3o da pesquisa&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Exato. Se pensarmos em quantas mulheres ocupam uma cadeira na Academia Brasileira de Ci\u00eancias e na propor\u00e7\u00e3o de mulheres palestrantes em cada evento cient\u00edfico, temos uma ideia do quanto ainda \u00e9 preciso evoluir. Claro que v\u00e3o aparecer barreiras de g\u00eanero, mas j\u00e1 temos uma presidenta na SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia) &#8211; a professora Helena Nader vem fazendo um trabalho bel\u00edssimo. A \u00e1rea Capes do nosso PPG foi coordenada previamente por uma mulher, a professora Leda (UFMG); a Unipampa tem uma reitora e v\u00e1rias pr\u00f3-reitorias est\u00e3o sob responsabilidade de mulheres. N\u00e3o podemos fugir destas responsabilidades e devemos mostrar o qu\u00e3o competente somos, nas diversas fun\u00e7\u00f5es que desempenhamos.<\/span><\/p>\n<p><strong>Na sua opini\u00e3o, h\u00e1 incentivo para fomentar o equil\u00edbrio de g\u00eanero na pesquisa brasileira e mundial?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Acredito que o primeiro passo j\u00e1 foi dado, ou seja, a discuss\u00e3o sobre este desequil\u00edbrio tomou propor\u00e7\u00f5es significativas e j\u00e1 h\u00e1 iniciativas importantes para equidade de g\u00eanero na pesquisa. Neste momento, acredito que as mulheres precisam ter\/manter um posicionamento profissional e aproveitar o espa\u00e7o que est\u00e1 surgindo. N\u00e3o adianta s\u00f3 ter o espa\u00e7o, mas fazer jus a este, e isso significa muito trabalho pela frente! Premia\u00e7\u00f5es como essa s\u00e3o iniciativas importantes, mas o mais importante \u00e9 que as comunidades cient\u00edfica e acad\u00eamica j\u00e1 est\u00e3o cientes da import\u00e2ncia da mulher para a ci\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p>Rep\u00f3rter: Andressa Foggiato<br \/>\nFotografia: Academia Brasileira de Ci\u00eancias\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A carreira da pesquisadora Daiana \u00c1vila, ganhadora do pr\u00eamio Mulheres na Ci\u00eancia de 2015<\/p>\n","protected":false},"author":26,"featured_media":757,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1523],"tags":[],"class_list":["post-181","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ciencia"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/181","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/26"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=181"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/181\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/757"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=181"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=181"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=181"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}