{"id":1817,"date":"2016-06-08T17:06:37","date_gmt":"2016-06-08T20:06:37","guid":{"rendered":"http:\/\/coral.ufsm.br\/arco\/sitenovo\/?p=1817"},"modified":"2021-02-11T13:52:08","modified_gmt":"2021-02-11T16:52:08","slug":"montevideu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/montevideu","title":{"rendered":"Montevid\u00e9u"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-1759 alignleft\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2017\/08\/6\u00aa-edic\u0327a\u0303o-17-escritos-montevide\u0301u-300x196.png\" alt=\"\" width=\"401\" height=\"262\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2017\/08\/6\u00aa-edic\u0327a\u0303o-17-escritos-montevide\u0301u-300x196.png 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2017\/08\/6\u00aa-edic\u0327a\u0303o-17-escritos-montevide\u0301u-768x501.png 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2017\/08\/6\u00aa-edic\u0327a\u0303o-17-escritos-montevide\u0301u-1024x668.png 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2017\/08\/6\u00aa-edic\u0327a\u0303o-17-escritos-montevide\u0301u.png 1440w\" sizes=\"(max-width: 401px) 100vw, 401px\" \/>Ao ultrapassar demarca\u00e7\u00f5es, at\u00e9 ti cheguei: hei de compreender que os limites de meu pago existem para serem transcendidos. Percorri terras orientais a um rio que muitas hist\u00f3rias testemunhou, terras que sentiram os passos e escutaram os relinchos de cavalos alados montados por guerreiros que pelejaram pela tua soberania.<br \/>\nAssim te enxergo, assim te vejo. O monte que vi de leste a oeste em uma terra oriental sinalizou a tua chegada. N\u00e3o a minha, como se pode supor, mas a tua: em mim adentraste e em mim permaneceste.<\/p>\n<p>E eu a montevidear.<\/p>\n<p>Indaguei-me: quem tu \u00e9s, Montevid\u00e9u? O que tu \u00e9s? N\u00e3o houve um anfitri\u00e3o que a mim te apresentou, assim como ningu\u00e9m a ti me introduziu: como estrangeiros desconhecidos nos entreolhamos e os olhares permaneceram fixos, mudos e contemplativos. Na verdade n\u00e3o fixos, mas em constante movimento ao nos observarmos diariamente e noturnamente.<\/p>\n<p>E quanto em ti pude enxergar! Vi muito de e em ti: conheci tuas lindas pra\u00e7as cujos sons dos mais belos tangos pareciam fazer parte de ti, como se a melodia fosse a transpira\u00e7\u00e3o dos teus monumentos que glorificam teu passado.<br \/>\nEm um edif\u00edcio moderno vejo refletida a imagem de outro que nos remete a tempos passados. Mas o teu passado n\u00e3o est\u00e1 no passado, Montevid\u00e9u, est\u00e1 no momento presente, n\u00e3o o passado sobrepondo o presente, mas aquele fazendo parte deste.<\/p>\n<p>E eu a montevidear.<\/p>\n<p>Eu quis conhecer-te de perto, perceber tua ess\u00eancia que emanava de cada parte que te constitui: teus bairros s\u00e3o bra\u00e7os que abra\u00e7am e abarcam tudo aquilo que em ti est\u00e1 contido. N\u00e3o te conheci por \u201cMontevid\u00e9u\u201d, mas sim por \u201cMontevideo\u201d, sem \u201cu\u201d, sem acento e sem nada sobre ti saber. Hei um dia de re-ver e re-conhecer teus caminhos. Caminhos que levam a pal\u00e1cios, a constru\u00e7\u00f5es antigas, a portos, a praias, a pessoas&#8230;<\/p>\n<p>Seres nos quais tu deixas marcas indel\u00e9veis, seres que formam teu povo, tua gente, teus gauchos. \u00c9s tu um senhor ou uma senhora, Montevid\u00e9u?<\/p>\n<p>Assim tu me pareces ser: tu \u00e9s um senhor ou uma senhora de meia-idade, tens um sorriso simp\u00e1tico e acolhedor, m\u00e3os fortes que carregam consigo um mate curto e amargo por ruas sombreadas por \u00e1rvores que parecem proteger a quem passa.<\/p>\n<p>Teus cabelos grisalhos s\u00e3o o testemunho de tua trajet\u00f3ria de vida, exist\u00eancia contada e cantada por cada uruguayo que a ti pertence, por cada oriental que \u00e9 filho n\u00e3o de tuas entranhas, mas de tua terra. E de tuas \u00e1guas. Que te circundam e te saciam de muitas sedes. Se o rio que te banha \u00e9 de prata, tua terra, em contrapartida, \u00e9 dourada.<\/p>\n<p>E eu a montevidear.<\/p>\n<p>De que sabor ser\u00e3o tuas \u00e1guas hoje? Estar\u00e3o doces ou salgadas neste exato ponto a que minha inexata mem\u00f3ria se remete? \u00c9 o rio que est\u00e1 a subjugar o mar ou seria este \u00e0quele? Teu c\u00e9u testemunha o embate entre os dois para saber quem hoje ir\u00e1 te tocar. Que sabor t\u00eam tuas praias hoje? Que m\u00fasica soar\u00e1 em teus colectivos? Pergunto-te: h\u00e1 limite para o teu c\u00e9u, Montevid\u00e9u?<\/p>\n<p>E teu mate? Este tem o sabor da saudade.<\/p>\n<p>Deixei-te e agora novamente de ti me despe\u00e7o. Cumprimento-te n\u00e3o com um \u201cadi\u00f3s\u201d, mas com um \u201chasta luego\u201d.<\/p>\n<p><em>*Mestre em Educa\u00e7\u00e3o pela UFSM, Lucas Visentini \u00e9 contista, cronista e escritor de livros infantis. \u00c9 o autor do livro Neto e a Boca do Monte, vencedor do Concurso de Literatura Infantil de 2013, promovido pela Academia Santa-Mariense de Letras.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Lucas Visentini*<\/p>\n","protected":false},"author":32,"featured_media":1759,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1834],"tags":[4484,152,4483,4482],"class_list":["post-1817","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-escritos-6-edicao","tag-cronica","tag-escritos","tag-montevideu","tag-uruguai"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1817","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/32"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1817"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1817\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1759"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1817"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1817"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1817"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}