{"id":204,"date":"2016-04-08T15:06:53","date_gmt":"2016-04-08T18:06:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/comunicacao\/arco\/2016\/04\/08\/post204\/"},"modified":"2016-04-08T15:06:53","modified_gmt":"2016-04-08T18:06:53","slug":"post204","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/post204","title":{"rendered":"O visual n\u00e3o notado"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Coca-Cola, McDonald&#8217;s, Google. J\u00e1 pensou que por tr\u00e1s dessas marcas famosas existem diferentes estrat\u00e9gias visuais, elaboradas para que as pessoas lembrem da empresa mesmo que apenas uma pequena parte do nome esteja aparecendo?<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Isso acontece tamb\u00e9m em livros, mas raramente reparamos no desenho das letras. Desde o processo de cria\u00e7\u00e3o, o profissional de design pensa em imagens atraentes e cores agrad\u00e1veis, mas tamb\u00e9m define os elementos de tipografia (\u201cforma da escrita\u201d), para que o conjunto seja captado quando as pessoas olham para o produto.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para conversar sobre esse campo de atua\u00e7\u00e3o, entrevistamos<\/span> <a href=\"http:\/\/anagru.tumblr.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ana Gruszynski<\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, professora e pesquisadora do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o e Informa\u00e7\u00e3o da UFRGS. Ana \u00e9 autora de diversos livros sobre o tema, entre eles <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">Design Gr\u00e1fico: Do invis\u00edvel ao ileg\u00edvel\u00a0<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">(Editora Rosari)<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">e <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">A imagem da palavra<\/span><\/em><em><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\">(Editora Novas Ideias)<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Qual a fun\u00e7\u00e3o do profissional que utiliza a tipografia como aparato de trabalho?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Existem duas fun\u00e7\u00f5es principais: o design <\/span><strong>de <\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">tipos e o design <\/span><strong>com <\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">tipos. O profissional que trabalha com <\/span><strong>design de tipos<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\"> (express\u00e3o que remete \u00e0 tipografia, ou desenho das formas da escrita) \u00e9 respons\u00e1vel pela cria\u00e7\u00e3o das fontes tipogr\u00e1ficas, prevendo tamb\u00e9m suas aplica\u00e7\u00f5es em determinados produtos. Um exemplo \u00e9 a <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">Folha Serif<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\">, fam\u00edlia de tipos desenvolvida para o jornal Folha de S\u00e3o Paulo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" style=\"display: block; margin: 15px auto 15px auto;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/Logo-folha-de-sao-paulo.jpg\" alt=\"A Folha Serif, fonte utilizada pela Folha de SP na escrita de sua marca, foi desenvolvido exclusivamente para o jornal.\" width=\"656\" height=\"135\" \/><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A tipografia de uma marca pode ser criada especialmente para ela, como no caso da Folha de S\u00e3o Paulo, ou podemos ter tipos (fontes) j\u00e1 em circula\u00e7\u00e3o, mas que ganham configura\u00e7\u00e3o singular para compor uma marca.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Aqueles que trabalham o <\/span><strong>design com tipos<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">, ao contr\u00e1rio, utilizam a tipografia para compor algum tipo de mensagem. Esses profissionais atuam em diferentes \u00e1reas como design, publicidade, jornalismo, audiovisual, entre outras.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Nos dois casos \u00e9 poss\u00edvel ter um registro, que \u00e9 fundamental para assegurar propriedade e\/ou autoria. Podemos ter o registro da marca e podemos ter o registro da fonte, dependendo, por exemplo, se foi desenvolvido um alfabeto completo ou apenas a grafia daquele nome.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>E qual a import\u00e2ncia da tipografia e do design gr\u00e1fico na \u00e1rea da comunica\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em primeiro lugar, \u00e9 importante dizer que a tipografia atende a requisitos de cada momento hist\u00f3rico, s\u00e3o atualizados e ressignificados continuamente. No come\u00e7o, o texto impresso e as iluminuras eram feitas \u00e0 m\u00e3o. Depois, com a revolu\u00e7\u00e3o industrial, a forma\u00e7\u00e3o das cidades e a amplia\u00e7\u00e3o de um p\u00fablico leitor assinalam um momento em que a tipografia passou a atender demandas da propaganda.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Assim, a tipografia trabalha com dois sistemas semi\u00f3ticos ao mesmo tempo, o verbal e o visual. Pode estar integrada a\u00a0movimento, textura, som &#8211; desdobrando suas possibilidades significativas. Se o discurso contempor\u00e2neo \u00e9 fortemente marcado pelas imagens, tamb\u00e9m tem nas palavras uma presen\u00e7a fundamental. Os valores que orientavam as composi\u00e7\u00f5es tipogr\u00e1ficas na modernidade envolviam neutralidade e funcionalidade, na p\u00f3s-modernidade eles s\u00e3o repensados e a \u00eanfase no aspecto visual ganha for\u00e7a, relacionado aos variados meios de aplica\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote style=\"float: right;\"><p><strong>\u201cEstamos t\u00e3o habituados a ler o verbal que achamos que a tipografia \u00e9 algo que nos imerge no conte\u00fado, no abstrato, nas ideias. Mas a tipografia sempre prop\u00f5e sentidos\u201d.<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Na tipografia, quais s\u00e3o os crit\u00e9rios mais relevantes na hora de criar uma mensagem?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quando tratamos de legibilidade, podemos levar em considera\u00e7\u00e3o dois fatores: <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">readability<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\"> e <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">legibility<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\">. Em portugu\u00eas, temos os termos leiturabilidade para referir o conforto de leitura, associado \u00e0 apropria\u00e7\u00e3o de textos longos; e legibilidade para caracter\u00edsticas do design dos tipos que favorecem sua r\u00e1pida identifica\u00e7\u00e3o, importante para a leitura de textos curtos.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em linhas gerais, os projetos tipogr\u00e1ficos editorias priorizam composi\u00e7\u00f5es de alta leiturabilidade. A publicidade, na maioria das ocasi\u00f5es, estar\u00e1 trabalhando com textos mais curtos, em que a r\u00e1pida identifica\u00e7\u00e3o prevalece. Mas isso \u00e9 apenas em linhas gerais, pois cada projeto deve ser pensado a partir de um prop\u00f3sito, que muitas vezes poder\u00e1 ignorar essas indica\u00e7\u00f5es<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Existem fontes espec\u00edficas para editora\u00e7\u00e3o de livros? Como um designer deve considerar a obra, quando cria um projeto tipogr\u00e1fico?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A tipografia deve dialogar com o projeto editorial, pensando v\u00e1rios elementos que abrangem a cadeia do livro, do autor ao leitor. \u00c9 um di\u00e1logo principalmente com o conte\u00fado do texto, mas que responde tamb\u00e9m aos limites tecnol\u00f3gicos e financeiros da empresa, que devem ser levados em conta.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Se na modernidade t\u00ednhamos recomenda\u00e7\u00f5es mais r\u00edgidas, hoje temos visto que a diversidade \u00e9 marcante, at\u00e9 porque a concorr\u00eancia \u00e9 maior, este leitor \u00e9 um consumidor. H\u00e1 v\u00e1rias edi\u00e7\u00f5es de um mesmo texto que visam atender \u00e0s diversas aproxima\u00e7\u00f5es que um leitor pode ter em rela\u00e7\u00e3o a uma obra: consulta, lazer, estudo, etc.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400;\">Por isso a escolha tipogr\u00e1fica deve ser pensada em seu conjunto, do micro ao macro. Do detalhe das letras, para as palavras, linhas, par\u00e1grafos, colunas &#8211; tudo \u00e9 importante. O livro precisa ser entendido como objeto de uma cole\u00e7\u00e3o, como \u00e9tica singular. Um exemplo \u00e9 a fonte dos t\u00edtulos, que precisa ser escolhida em di\u00e1logo com a hierarquia do texto. O t\u00edtulo \u00e9 um elemento verbal que costuma receber uma \u00eanfase em seu aspecto mais visual, funcionando dentro do apelo de r\u00e1pido reconhecimento, singulariza\u00e7\u00e3o da obra.<\/span><\/span><\/p>\n<blockquote style=\"float: left;\"><p><span style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-weight: 400;\"><img decoding=\"async\" style=\"margin: 15px;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/299441_1996160626499_5052166_n.jpg\" alt=\"Ana Gruszynski - UFRGS\" width=\"312\" height=\"366\" \/><\/span><\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Como voc\u00ea j\u00e1 destacou, na propaganda a tipografia \u00e9 elemento fundamental. Como a escrita do nome da marca pode influenciar a leitura? E como se explicam os casos em que partes da marca s\u00e3o \u201cescondidas\u201d nas publicidades?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Esse eventual ocultamento de partes da marca ocorre muitas vezes porque estamos t\u00e3o habituados a ler o verbal, que achamos que a tipografia \u00e9 algo que nos imerge no conte\u00fado, no abstrato, nas ideias. Mas a tipografia sempre manifesta, prop\u00f5e sentidos, o impl\u00edcito \u00e0s vezes pode ser assim porque o leitor tem o repert\u00f3rio necess\u00e1rio para compreender a mensagem.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E a fonte \u00e9 um elemento dentro daquilo que forma a identidade da marca. Sua defini\u00e7\u00e3o formal buscar\u00e1 associar conceitos importantes da marca a tipos de tra\u00e7os, pesos, cores. Ela ganha for\u00e7a pela reitera\u00e7\u00e3o coerente em diferentes aplica\u00e7\u00f5es. O que se busca s\u00e3o associa\u00e7\u00f5es sistem\u00e1ticas, a partir da visualiza\u00e7\u00e3o da marca, de modo que se construa uma imagem que \u00e9 da ordem do intang\u00edvel. Os publicit\u00e1rios v\u00e3o sempre propor, v\u00e3o fazer isso articulando v\u00e1rias estrat\u00e9gias, n\u00e3o basta uma iniciativa isolada. \u00c9 preciso coer\u00eancia, persist\u00eancia e a\u00e7\u00e3o integrada. Na publicidade, costumamos trabalhar com campanhas que s\u00e3o veiculadas em diferentes m\u00eddias de modo planejado visando que cada mensagem possa fomentar a constru\u00e7\u00e3o de um repert\u00f3rio pelos consumidores.<\/span><\/p>\n<blockquote style=\"float: left;\"><p><span style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p><\/blockquote>\n<p>Rep\u00f3rteres: Felipe Tubino e Guilherme Borges<br \/>\nFotografias: Dom\u00ednio P\u00fablico e Arquivo Pessoal<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ana Gruszynski discute as fun\u00e7\u00f5es da tipografia na produ\u00e7\u00e3o de livros e publicidades<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":755,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1524],"tags":[],"class_list":["post-204","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/204","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=204"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/204\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/755"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=204"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=204"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=204"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}