{"id":230,"date":"2016-04-20T10:12:02","date_gmt":"2016-04-20T13:12:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/comunicacao\/arco\/2016\/04\/20\/post230\/"},"modified":"2016-04-20T10:12:02","modified_gmt":"2016-04-20T13:12:02","slug":"post230","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/post230","title":{"rendered":"Educa\u00e7\u00e3o que desafia"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">O Global Teacher Prize, considerado o pr\u00eamio Nobel da Educa\u00e7\u00e3o, tem uma novidade na edi\u00e7\u00e3o deste ano: um brasileiro na lista dos finalistas. Entre os milhares de concorrentes de 148 pa\u00edses, apenas 50 foram indicados e M\u00e1rcio de Andrade Batista \u00e9 um deles. O professor \u00e9 formado em Engenharia Qu\u00edmica pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e d\u00e1 aulas na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), na cidade de Barra do Gar\u00e7as (MT). Apesar de n\u00e3o ter ganhado o pr\u00eamio (que teve a palestina <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Hanan Al Hroub como ganhadora<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">) a indica\u00e7\u00e3o serviu para \u201cchamar aten\u00e7\u00e3o para uma coisa importante, que \u00e9 a quest\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o no nosso pa\u00eds\u201d, salienta o professor.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Desde 2011, Batista desenvolve trabalhos que relacionem ci\u00eancia e sustentabilidade no ensino m\u00e9dio. Umas dessas experi\u00eancias resultou na conquista do pr\u00eamio Jovem Cientista de 2013 para a aluna Bianca Valeguzki de Oliverira. Ele tamb\u00e9m incentiva que mulheres desenvolvam pesquisas cient\u00edficas, al\u00e9m de realizar trabalhos em escolas p\u00fablicas voluntariamente. Todas essas contribui\u00e7\u00f5es lhe renderam a indica\u00e7\u00e3o ao pr\u00eamio.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A iniciativa do Global Teacher Prize, criado pela funda\u00e7\u00e3o internacional Varkey, premia professores que tenham desenvolvido contribui\u00e7\u00f5es significativas para a educa\u00e7\u00e3o com o valor de 1 milh\u00e3o de d\u00f3lares.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" style=\"display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/Nobel-Educacao-Novo.jpg\" alt=\"\" width=\"497\" height=\"669\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea reagiu \u00e0 indica\u00e7\u00e3o do pr\u00eamio? Voc\u00ea teve um reconhecimento pelo seu trabalho e por ser o \u00fanico brasileiro indicado ao pr\u00eamio?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Realmente aconteceu bastante coisa bacana e bastante reconhecimento nesse sentido. Depois de uma exposi\u00e7\u00e3o maior ao pr\u00eamio, por exemplo, recebi uma mo\u00e7\u00e3o de aplausos aqui da minha cidade, fui recebido pelo governador, fui citado na C\u00e2mara dos Deputados. O pr\u00eamio tamb\u00e9m serviu para chamar aten\u00e7\u00e3o para uma coisa importante, que \u00e9 a quest\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o no nosso pa\u00eds. A imagem do professor anda um pouco desgastada e a profiss\u00e3o do docente acabou perdendo um pouco daquela refer\u00eancia, daquele prest\u00edgio. Ent\u00e3o, o pr\u00eamio acabou sendo um evento importante para chamar aten\u00e7\u00e3o para essas quest\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Se voc\u00ea tivesse ganhado o pr\u00eamio, o que teria feito com o dinheiro?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Criado a escolinha de soldadores. Formei a primeira soldadora mulher de Barra do Gar\u00e7as.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea trabalha muito com meninas, principalmente na inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, certo? Por qu\u00ea? E qual \u00e9 o perfil das suas orientadas?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Bom, primeiro porque eu acredito em empoderamento feminino. E aqui eu posso falar pela minha regi\u00e3o, o que n\u00f3s percebemos? Que as meninas t\u00eam mais dificuldade ao acesso, mesmo a laborat\u00f3rio, pesquisa&#8230; esse tipo de coisa. Elas t\u00eam mais restri\u00e7\u00e3o, mesmo a trabalhos de pesquisa e isso n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um di\u00e1logo&#8230; \u00e9 o que n\u00f3s vemos na pr\u00e1tica aqui da regi\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea desenvolve trabalho volunt\u00e1rio h\u00e1 quanto tempo? Esses trabalhos foram em escolas p\u00fablicas? Como foi essa experi\u00eancia?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 cerca de 5 anos\u2026 Sim alguns em escolas p\u00fablicas. Eu estudei a minha vida toda em universidades p\u00fablicas, nunca paguei por nenhum estudo em n\u00edvel superior e eu acho que j\u00e1 era hora de devolver para a sociedade aquilo que eu recebi na forma de educa\u00e7\u00e3o acad\u00eamica. E ent\u00e3o, o que aconteceu? Quando eu fui \u00e0s escolinhas de segundo grau, eu percebi que tinha, sim, uma lacuna no ensino de sustentabilidade, at\u00e9 porque n\u00e3o tem uma disciplina espec\u00edfica de sustentabilidade. Eu acho que n\u00f3s temos que come\u00e7ar a pensar na quest\u00e3o muito cedo. Ensinar para o aluno de ensino m\u00e9dio, logo, o que \u00e9 a sustentabilidade, quais as quest\u00f5es de import\u00e2ncia envolvidas&#8230;<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Sim. E para os alunos isso faz uma diferen\u00e7a muito grande, principalmente nas escolas p\u00fablicas, onde a realidade \u00e9 diferente e o est\u00edmulo tem um peso maior&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Voc\u00ea vai numa escola p\u00fablica, \u00e0s vezes voc\u00ea n\u00e3o tem um bom laborat\u00f3rio, n\u00e3o tem reagentes,. voc\u00ea n\u00e3o tem professores dispon\u00edveis \u201cfull time\u201d&#8230; ent\u00e3o \u00e9 diferente. O que n\u00f3s vemos \u00e9 que esses jovens, como n\u00e3o acham perspectiva, n\u00e3o acham caminhos, come\u00e7am a pender para coisas n\u00e3o muito boas&#8230; come\u00e7am a ter um dia inteiro ocioso. O que era minha ideia? Tentar dar alternativas para esses jovens ocuparem a cabe\u00e7a. Tanto que antes, muito antes de sair a minha nomea\u00e7\u00e3o eu j\u00e1 venho falando sobre criar escolinhas de soldagem \u2013 eu falo em soldagem porque \u00e9 a minha \u00e1rea de forma\u00e7\u00e3o, meu doutorado \u00e9 nisso. Porque assim, voc\u00ea ensinando um oficio para esse menino, ele n\u00e3o vai ficar na rua, mas vai achar um mecanismo, aprender um of\u00edcio, fabricar sua cadeirinha, vender, dar uma manuten\u00e7\u00e3o numa maquininha de solda, fazer seu dinheiro, entendeu? Ent\u00e3o s\u00e3o essas alternativas que eu queria criar quando eu fiz essa primeira experi\u00eancia com a Bianca [aluna que ganhou um pr\u00eamio de incia\u00e7\u00e3o \u00e0 ci\u00eancia, em 2013]. Eu tinha certeza que ao mostrar essa conquista, esse resultado dela, ia replicar isso em tudo quanto \u00e9 escola. Mas da\u00ed n\u00e3o teve esse efeito que eu queria. Ainda n\u00e3o chegou nisso.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea, enquanto professor de universidade federal, acha que a universidade tem conseguido estabelecer e manter la\u00e7os com a comunidade?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Isso \u00e9 uma coisa que n\u00f3s vemos h\u00e1 muito tempo, que existe um distanciamento entre o que a sociedade local clama e a universidade. Ou seja, os problemas sociais s\u00e3o pouco levados para serem resolvidos na universidade. O que eu acho \u00e9 que quando a comunidade chama a universidade tem que responder \u00e0 altura. Por exemplo, tem trabalhos que eu j\u00e1 fiz, em cidades aqui no interior do estado, como Castanheira, onde a comunidade produtora de leite precisa estudar as t\u00e9cnicas de transporte, de assepsia precisa agregar um pouco mais de valor ao leite&#8230; ent\u00e3o s\u00e3o coisas que eu acho que a universidade poderia estar agregando um pouco mais.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea desenvolveu trabalhos com res\u00edduos do soro de leite e da castanha do baru. Voc\u00ea poderia explicar melhor como eles funcionam?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O que eu fa\u00e7o \u00e9 o seguinte, eu tento estimular o aluno a fazer perguntas. Mas perguntas relacionadas ao que ele tem dispon\u00edvel na sua realidade, tanto social, quanto ambiental. O projetinho do soro do leite e do p\u00e3o de castanha \u00e9 justamente porque n\u00f3s estamos numa regi\u00e3o que tem esse produto dispon\u00edvel e o que n\u00f3s precis\u00e1vamos fazer? Achar um destino para isso. Ent\u00e3o, uma das nossas ideias foi pegar com os pequenos assentados rurais aqui da regi\u00e3o que produzem o seu queijo e jogam o soro no meio ambiente, e esse soro acaba se tornando um passivo ambiental&#8230; Ser\u00e1 que n\u00f3s n\u00e3o achar\u00edamos outra alternativa, outro uso para isso? E o que n\u00f3s fizemos? Pegamos esse soro, separamos a case\u00edna \u2013 que acaba dando alergia em alguns tipos de pessoas \u2013 e com o soro n\u00f3s enriquec\u00edamos o p\u00e3o. E fizemos esse projeto na escola Maria de Lurdes, que \u00e9 uma escola pobre e de periferia aqui da regi\u00e3o, e apresentamos para o diretor, apresentamos o projeto de pesquisa em sala de aula para os alunos, com a proposta de que isso at\u00e9 pudesse virar, talvez, um produto da merenda estudantil. Com a castanha foi a mesma coisa, porque n\u00f3s sab\u00edamos que a castanha era muito rica em zinco, prote\u00edna e fibra&#8230; e n\u00f3s come\u00e7amos a estimular os alunos a questionar onde aplicar isso e at\u00e9 enriquecer a pr\u00f3pria alimenta\u00e7\u00e3o. Ficou uma coisa muito interessante, porque o aluno conhecia a castanha, mas n\u00e3o conhecia todo o seu potencial de uso e, uma vez que ele entendia que ela era rica em prote\u00ednas, ele mesmo passava a colocar esses macronutrientes na pr\u00f3pria dieta, na forma do pa\u00f5zinho, na forma da farinha&#8230; Com a casca \u00e9 a mesma coisa. O pessoal, por exemplo, quebra, tira a castanha e deixa o ouri\u00e7o no mato. E o ouri\u00e7o acaba sendo um passivo tamb\u00e9m, ent\u00e3o n\u00f3s pensamos: \u201cser\u00e1 que n\u00f3s n\u00e3o achamos um caminho para essa casca?\u201d, foi quando tentamos fazer primeiro o briquete e percebemos que esse briquete ficava aromatizado, devido aos res\u00edduos de castanha, e, nesse caminho, descobrimos tamb\u00e9m que dada \u00e0 resist\u00eancia mec\u00e2nica da casca, tanto do baru, quanto da castanha, poder\u00edamos transformar isso num piso. Ent\u00e3o, as propostas que n\u00f3s fizemos foram como trabalhar com o que t\u00ednhamos dispon\u00edvel para tentar achar solu\u00e7\u00f5es. Solu\u00e7\u00f5es adequadas.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><object style=\"display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" width=\"600\" height=\"400\"><param name=\"flashvars\" value=\"offsite=true&amp;lang=pt-br&amp;page_show_url=%2Fphotos%2F130206871%40N02%2Fsets%2F72157666808870751%2Fshow%2F&amp;page_show_back_url=%2Fphotos%2F130206871%40N02%2Fsets%2F72157666808870751%2F&amp;set_id=72157666808870751&amp;jump_to=\" \/><param name=\"movie\" value=\"https:\/\/www.flickr.com\/apps\/slideshow\/show.swf?v=261948265\" \/><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" src=\"https:\/\/www.flickr.com\/apps\/slideshow\/show.swf?v=261948265\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" flashvars=\"offsite=true&amp;lang=pt-br&amp;page_show_url=%2Fphotos%2F130206871%40N02%2Fsets%2F72157666808870751%2Fshow%2F&amp;page_show_back_url=%2Fphotos%2F130206871%40N02%2Fsets%2F72157666808870751%2F&amp;set_id=72157666808870751&amp;jump_to=\" width=\"400\" height=\"300\" \/><\/object><\/p>\n<p>Reportagem: Gabriele Wagner de Souza e Clara Sit\u00f3<br \/>\nFotografia: Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Brasileiro indicado ao pr\u00eamio Nobel da Educa\u00e7\u00e3o discute situa\u00e7\u00e3o do ensino no pa\u00eds<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":980,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1742],"tags":[],"class_list":["post-230","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-extenda-10a-edicao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/230","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=230"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/230\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/980"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=230"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=230"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=230"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}