{"id":243,"date":"2016-05-06T09:59:23","date_gmt":"2016-05-06T12:59:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/comunicacao\/arco\/2016\/05\/06\/post243\/"},"modified":"2016-05-06T09:59:23","modified_gmt":"2016-05-06T12:59:23","slug":"post243","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/post243","title":{"rendered":"Financiando boas hist\u00f3rias"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nos \u00faltimos anos, n\u00e3o faltaram exemplos de obras liter\u00e1rias que nasceram no impresso e encontraram, na internet, um espa\u00e7o inesgot\u00e1vel para a amplia\u00e7\u00e3o de um universo fict\u00edcio. Exemplo disso \u00e9 o Pottermore, plataforma criada em 2009 pela autora J. K. Rowling para os f\u00e3s da saga do bruxo Harry Potter. Mas n\u00e3o s\u00f3 isso: a rede tamb\u00e9m se tornou espa\u00e7o de encontro entre novos autores e editoras independentes, que buscam no p\u00fablico uma forma de financiar novas hist\u00f3rias. Foi seguindo este modelo que a ga\u00facha Avec Editora conseguiu publicar o quadrinho <em>Beladona<\/em>, de Ana Recalde e Denis Melo, em 2014. Ganhadora do HQ Mix 2015, considerado o Oscar dos quadrinhos e artes gr\u00e1ficas, a hist\u00f3ria \u00a0arrecadou R$ 38 mil na plataforma de financiamento coletivo Catarse, o que possibilitou sua publica\u00e7\u00e3o em formato impresso.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Criada em 2014, a empresa tem como foco abrir espa\u00e7o para novos autores de literatura fant\u00e1stica e quadrinhos no Brasil &#8211; \u00a0uma heran\u00e7a, tamb\u00e9m, da Editora Vecchi, respons\u00e1vel pela publica\u00e7\u00e3o do quadrinho <em>Tex<\/em> no pa\u00eds, e mantida pela fam\u00edlia de Artur Vecchi, propriet\u00e1rio da Avec, entre as d\u00e9cadas de 1930 e 1970. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">De acordo com o editor, a publica\u00e7\u00e3o de uma hist\u00f3ria envolve, hoje, mais do que a qualidade da obra: tamb\u00e9m pede engajamento do autor na constru\u00e7\u00e3o de uma base de f\u00e3s, atua\u00e7\u00e3o em m\u00eddias sociais e proximidade com os leitores. \u201cAcabou-se o tempo em que se escrevia uma obra-prima e ela se vendia sozinha\u201d, resume.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/IMG_3434.jpg\" alt=\"\" width=\"688\" height=\"458\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Artur participou do evento \u201cO profissional do livro e o mercado editorial\u201d, realizado pelos cursos de Produ\u00e7\u00e3o Editorial e Letras da Universidade Federal de Santa Maria nos dias 12 e 13 de abril. Nesta entrevista concedida \u00e0 revista Arco, o editor comenta os desafios da inser\u00e7\u00e3o de novas editoras no mercado brasileiro.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea tem forma\u00e7\u00e3o em Direito, Administra\u00e7\u00e3o e Economia. Por que decidiu se aventurar no mercado liter\u00e1rio? Como surgiu a ideia de montar a Avec? Qual o significado do nome da editora?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Eu cresci no meio editorial. Meu pai dirigia uma editora at\u00e9 os meus nove anos, mas depois, por crise financeira e briga familiar, ele saiu. Dois anos depois a editora foi comprada pelo Jornal do Brasil, no Rio de Janeiro. Na verdade, eu sempre gostei de editorar, durante o col\u00e9gio fui editor do jornal do gr\u00eamio estudantil chamado Corrente Alternativa. Depois de formado em Economia, com 21 anos, abri uma editora chamada Nova Vecchi, que lan\u00e7ou livros de RPG e fez trabalhos terceirizados para a Finep, entre outros. Mas depois de dois anos com a Nova Vecchi, o mercado ofereceu algumas oportunidades irrecus\u00e1veis. Fechamos a editora e segui sendo executivo da Hermes, RBS e Telef\u00f4nica, fiz mestrado em marketing. Neste meio tempo, tamb\u00e9m criei um site de cultura pop chamado Sobrecarga, que durou tr\u00eas anos. Continuei acompanhando o mercado liter\u00e1rio e ap\u00f3s ir em uma Odiss\u00e9ia de Literatura Fant\u00e1stica [evento anual dedicado ao g\u00eanero fantasia], onde conheci outros editores, a vontade de voltar a editar voltou mais alto e abri a Avec Editora. AVEC quer dizer \u201ccom\u201d em franc\u00eas; nossa logo s\u00e3o duas pe\u00e7as de quebra-cabe\u00e7a unidos, j\u00e1 que prezo muito a colabora\u00e7\u00e3o de autores, editores e toda a equipe. H\u00e1 outros significados tamb\u00e9m: a palavra Avec tem a mesma sonoridade de Editora Vecchi, remetendo ao passado, mas sem de fato copi\u00e1-lo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><strong>Apesar de ser uma editora de pequeno porte, a Avec, em dois anos de atua\u00e7\u00e3o, tem um cat\u00e1logo formado por muitas obras internacionais. \u00c9 uma decis\u00e3o da editora buscar autores estrangeiros? Por qu\u00ea? H\u00e1 uma demanda por estes t\u00edtulos?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na verdade, n\u00e3o temos at\u00e9 o momento nenhuma obra internacional. Todas nossas obras s\u00e3o nacionais. Queremos prestigiar muito o autor nacional e nossas obras , em seus g\u00eaneros, n\u00e3o devem nada aos best-sellers internacionais. Tanto em texto quanto em diagrama\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em 2016, iremos \u00a0lan\u00e7ar alguns quadrinhos europeus: teremos um t\u00edtulo sueco, um alem\u00e3o e tr\u00eas holandeses, al\u00e9m de autores nacionais. Foi uma decis\u00e3o estrat\u00e9gica diante da quantidade e de t\u00edtulos europeus que n\u00e3o chegam no Brasil \u00a0e do posicionamento da editora em produzir livros no formato europeu, como [a HQ] <em>O Cora\u00e7\u00e3o do C\u00e3o Negro<\/em>, que est\u00e1 sendo lan\u00e7ando agora por dois autores ga\u00fachos, Cesar Alc\u00e1zar e Fred Rubim.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Por falar no cat\u00e1logo, a Avec parece ter forte tend\u00eancia em trabalhar a literatura fant\u00e1stica e quadrinhos. Por que a escolha por tais g\u00eaneros?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Porque a editora n\u00e3o pode abra\u00e7ar o mundo. Como te disse antes, minha experi\u00eancia pessoal de 20 anos foi com uma editora que lan\u00e7ou RPG, depois tive um site de cultura pop, meus contatos todos eram nessa \u00e1reas. Quando decidi montar a editora, em princ\u00edpio, quis trabalhar com material no qual eu realmente poderia dizer se o texto \u00e9 bom ou n\u00e3o, e que eu pudesse ter algum diferencial para distribui\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote style=\"float: left;\"><p><strong>\u201cAs obras brasileiras n\u00e3o devem nada aos best-sellers internacionais\u201d<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Outra caracter\u00edstica observ\u00e1vel no cat\u00e1logo da editora \u00e9 o trabalho com hero\u00ednas femininas, como \u00e9 o caso de <em>Storm<\/em> e <em>January Jones<\/em>. O segmento quadrinhos tem dado abertura maior para estss personagens? Por qu\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 um processo mundial de empoderamento feminino, estamos vendo isso em filmes como <em>Star Wars<\/em>, entre outros. N\u00f3s da Avec queremos fazer parte disso. Dentro da Avec\u00a0n\u00e3o temos discrimina\u00e7\u00e3o quanto a g\u00eanero ou orienta\u00e7\u00e3o sexual. Lan\u00e7amos em 2015 um romance sobrenatural, da autora pelotense Ju Lund, onde temos Duda, que se apaixona por Esther, uma vampira, e as duas sofrem duplo preconceito, por serem mulheres e por serem de ra\u00e7as diferentes.Este ano lan\u00e7aremos o primeiro livro da s\u00e9rie<em> Filhos da Lua<\/em>, da autora Santista Marcella Rossetti. O importante \u00e9 a qualidade do texto e n\u00e3o se o autor \u00e9 homem ou mulher.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><strong>Quais os desafios enfrentados pelas pequenas editoras no mercado brasileiro?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O principal desafio \u00e9 distribui\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o dos t\u00edtulos. \u00c9 duro ter que competir com o grupo Record, que traz para o mercado 30 a 40 t\u00edtulos novos por m\u00eas. Quando estava iniciando, liguei para uma grande rede de livrarias, e ela me perguntou quantos t\u00edtulos eu tinha no cat\u00e1logo. Eu disse um, e ela respondeu: \u201ccom menos de 100, nem nos procura.\u201d Teve um distribuidor que riu da minha cara quando disse que s\u00f3 tinha um t\u00edtulo no cat\u00e1logo e queria que ele me distribu\u00edsse. Quanto mais ficamos conhecidos, aos poucos as portas v\u00e3o abrindo, mas \u00e9 uma batalha di\u00e1ria e n\u00e3o podemos errar. Um t\u00edtulo que n\u00e3o seja bom e muitas dessas portas se fecham novamente.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A Avec tamb\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel por ter lan\u00e7ado um dos quadrinhos de financiamento coletivo que teve melhor campanha no Brasil, o <em>Beladona<\/em>. Como voc\u00ea avalia a experi\u00eancia? \u00c9 poss\u00edvel enxergar uma tend\u00eancia neste tipo de financiamento ou depende da obra? Esta pode ser uma sa\u00edda para o financiamento da ind\u00fastria de livros no pa\u00eds? H\u00e1 expectativa de que a Avec lance outros livros desta forma?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Eu adoro o financiamento coletivo, \u00e9 uma maneira de autores e editoras reduzirem o risco, principalmente em um primeiro lan\u00e7amento, quando todos s\u00e3o desconhecidos. A experi\u00eancia com o<em> Beladona<\/em> foi sensacional, ter na editora um quadrinho que ganhou o pr\u00eamio HQMIX [considerado o Oscar dos quadrinhos e artes gr\u00e1ficas], com a qualidade que \u00e9 o trabalho da Ana Recalde e do Denis Mello, \u00e9 sensacional. Gostaria muito de estar ajudando autores e terem visibilidade no mercado brasileiro, mas o grande problema do financiamento coletivo \u00e9 a qualidade das obras. Tem algumas que se sobressaem mas, em grande maioria, os autores ainda n\u00e3o est\u00e3o prontos para disputar prateleira com o material importado.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote style=\"float: right;\"><p><strong>\u201cHoje o autor tem que ser engajado. Acabou-se o tempo em que se escrevia uma obra prima e ela se vendia sozinha.\u201d<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Um fen\u00f4meno muito forte na cultura liter\u00e1ria do brasileiro \u00e9 o chamado <em>fandom<\/em>, quando os f\u00e3s se tornam engajados com um autor ou obra. Como deve ser a rela\u00e7\u00e3o das editoras com esse p\u00fablico? Essa rela\u00e7\u00e3o traz benef\u00edcios para a produ\u00e7\u00e3o do livro?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Hoje o autor tem que ser engajado, tem que construir a sua base de f\u00e3s. Acabou-se o tempo em que se escrevia uma obra-prima e ela se vendia sozinha. Infelizmente, hoje o autor al\u00e9m de escrever tem que ser ativo em m\u00eddias sociais, participar de eventos, estar mais pr\u00f3ximo dos seus leitores.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Reportagem: Nadjara Martins<br \/>\nFotografias: Rafael Happke<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artur Vecchi reconhece na internet espa\u00e7o de encontro entre autores e um p\u00fablico sedento por fic\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":969,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1524],"tags":[],"class_list":["post-243","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/243","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=243"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/243\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/969"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=243"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=243"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=243"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}