{"id":247,"date":"2016-05-11T16:13:33","date_gmt":"2016-05-11T19:13:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/comunicacao\/arco\/2016\/05\/11\/post247\/"},"modified":"2016-05-11T16:13:33","modified_gmt":"2016-05-11T19:13:33","slug":"post247","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/post247","title":{"rendered":"Driblando o preconceito"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" style=\"margin: 15px auto; display: block;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/10999971_890552337646890_7372478618198952987_n.jpg\" alt=\"\" width=\"674\" height=\"248\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O esporte, desde a Gr\u00e9cia Antiga, era considerado uma atividade \u201cpara homens\u201d. Quando falamos de futebol, ent\u00e3o, essa vincula\u00e7\u00e3o com o g\u00eanero masculino desponta ainda mais forte nos discursos, sejam eles reproduzidos na m\u00eddia ou em uma conversa de bar. Entretanto, para \u201cganhar de virada\u201d do preconceito, cinco paulistas se uniram para criar o \u201cDibradoras\u201d, blog e programa de r\u00e1dio semanal voltado para ampliar as experi\u00eancias de mulheres que gostam de esportes.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O primeiro programa foi ao ar na R\u00e1dio Central 3, de S\u00e3o Paulo, em junho de 2015, com a cobertura da Copa do Mundo de Futebol Feminino. A ideia era de que o programa durasse apenas seis semanas, por\u00e9m, pol\u00eamicas no mundo dos esportes fizeram com que a parceria das \u201cDibradoras\u201d com a R\u00e1dio Central 3 se fortalecesse. Uma dessas confus\u00f5es envolveu a saltadora Ingrid Oliveira, que foi taxada de \u201cmusa do Pan\u201d ap\u00f3s postar uma foto em uma rede social. As \u201cDibradoras\u201d querem mostrar que isso ocorre sempre com mulheres no mundo do esporte, j\u00e1 que elas s\u00e3o vistas como \u2018musas\u2019 e n\u00e3o como atletas. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A equipe \u00e9 formada pela publicit\u00e1ria Ang\u00e9lica Souza, as jornalistas Renata Mendon\u00e7a e Roberta Nina, a designer Nayara Perone e a internacionalista J\u00falia Vergueiro, que produzem os podcasts semanais, al\u00e9m de reportagens e entrevistas para o site do programa. A revista Arco conversou com as integrantes para entender melhor a proposta do \u201cDibradoras\u201d e abordar quest\u00f5es relacionadas \u00e0 mulher no jornalismo esportivo.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como surgiu a ideia de criar o &#8220;Dibradoras&#8221;?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O \u201cDibradoras\u201d tinha a proposta de oferecer oportunidades para mulheres que gostam e acompanham o futebol. Esse foco n\u00e3o se perdeu, mas foi ampliado. No in\u00edcio, ir\u00edamos organizar eventos, encontros e viagens para a mulherada que curtia futebol. Realizamos encontros em parceria com a marca Penalty, no Morumbi, e tamb\u00e9m fizemos o \u201cMajestosas\u201d, no Pacaembu, quando reunimos as torcedoras de S\u00e3o Paulo e Corinthians para assistirem ao cl\u00e1ssico juntas, no Dia Internacional da Mulher. \u00a0Mas al\u00e9m dos eventos, partimos para o conte\u00fado e, al\u00e9m de falar do futebol feminino, abrimos espa\u00e7o para falar de mulheres de diversas modalidades e \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o que lutam por seu espa\u00e7o no meio esportivo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 o principal objetivo do &#8220;Dibradoras&#8221;?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nosso principal objetivo \u00e9 dar voz e espa\u00e7o \u00e0s mulheres no meio esportivo, pois isso \u00e9 algo que elas n\u00e3o t\u00eam em outros canais. S\u00e3o mulheres produzindo conte\u00fado esportivo sob o ponto de vista feminino para dar destaque ao que geralmente passa batido na maioria dos ve\u00edculos de m\u00eddia esportiva, que s\u00e3o predominantemente masculinos e que tratam as mulheres sempre pelos [termos] \u201cmusa\u201d disso, \u201cmusa\u201d daquilo, sempre objetificando-as. Nosso canal \u00e9 um espa\u00e7o livre, onde homens e mulheres podem interagir e se inteirar sobre os feitos das mulheres dentro do esporte, com o intuito de dar mais visibilidade e valorizar suas lutas, esfor\u00e7os e vit\u00f3rias. Como m\u00eddia independente, queremos dar voz e vez \u00e0s atletas que dedicam grande parte de suas vidas ao esporte e pouco recebem em troca. Combatemos o sexismo, o preconceito e a discrimina\u00e7\u00e3o em qualquer \u00e2mbito da sociedade.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400;\"><img decoding=\"async\" style=\"margin: 15px;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/kkkk.jpg\" alt=\"Em cima: Ang\u00e9lica Souza, Nayara Perone e Roberta Nina Fileira de baixo: Renata Mendon\u00e7a e J\u00falia Vergueiro. \" width=\"572\" height=\"572\" \/><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\n<p><strong>Como voc\u00eas veem a inser\u00e7\u00e3o da mulher no jornalismo esportivo?<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 preciso dizer que j\u00e1 evoluiu, mas est\u00e1 bem longe daquilo que n\u00f3s gostar\u00edamos de ver. As reda\u00e7\u00f5es s\u00e3o majoritariamente masculinas \u2013 existem mulheres, mas elas ainda s\u00e3o uma minoria gritante, numa rela\u00e7\u00e3o em que homens comp\u00f5em 80% das reda\u00e7\u00f5es esportivas e as mulheres s\u00e3o 20% ou nem isso. Na televis\u00e3o, as mulheres j\u00e1 conquistaram espa\u00e7o para serem apresentadoras ou rep\u00f3rteres de campo, mas ainda \u00e9 muito raro ver mulheres comentando jogos, da cabine, ao lado do narrador, ou at\u00e9 em programas de mesa redonda. Muito mais raro do que deveria ser, se considerarmos que as primeiras mulheres come\u00e7aram a atuar como rep\u00f3rter de campo na d\u00e9cada de 1970, com a Geg\u00ea, que foi uma das primeiras mulheres a atuar no ramo. Quarenta anos depois, esper\u00e1vamos que isso j\u00e1 n\u00e3o fosse mais tabu, mas infelizmente \u00e9. E n\u00e3o \u00e9 por falta de mulheres competentes na \u00e1rea, mas por falta de ousadia dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, ainda muito influenciados pelos homens que os dominam.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><strong>As pautas que voc\u00eas priorizam s\u00e3o relacionadas apenas \u00e0s mulheres nos esportes? Por qu\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sim, priorizamos divulgar os feitos das mulheres dentro do esporte, porque poucos canais o fazem de fato. O futebol feminino \u00e9 nossa bandeira maior, mas tamb\u00e9m estamos de olho nas outras modalidades e nas mulheres que fazem a diferen\u00e7a dentro do esporte. Elas ainda s\u00e3o privadas de muitas coisas e n\u00e3o competem de igual pra igual com os homens. Eles t\u00eam apoio, reconhecimento, premia\u00e7\u00f5es maiores e acesso livre a qualquer ambiente. Elas ainda s\u00e3o privadas disso tudo. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Voc\u00eas sofrem ou j\u00e1 sofreram algum tipo de preconceito por falar de futebol?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0Para mulheres que gostam de futebol, o preconceito \u00e9 constante. Cada coment\u00e1rio que voc\u00ea faz em uma mesa de bar sobre um jogo que est\u00e1 passando na TV recebe em troca um olhar desconfiado dos homens, antes de eles come\u00e7arem sua tradicional \u201cchamada oral\u201d para ver se entendemos mesmo de futebol. \u201cVai, ent\u00e3o me diz o que \u00e9 impedimento?\u201d;\u201cFala a escala\u00e7\u00e3o do seu time\u201d, entre outras perguntas que jamais seriam feitas a homens. At\u00e9 conclu\u00edrem: \u201cOlha, mas voc\u00ea realmente entende de futebol\u201d, como se isso fosse algo de outro planeta, ou como se mulheres n\u00e3o pudessem entender desse assunto.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><strong>De que forma voc\u00eas lidam com isso?<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-weight: 400;\">A gente combate o preconceito em todas as frentes que atuamos. N\u00e3o queremos impor nada \u00e0 sociedade ou aos preconceituosos, queremos apenas mostrar o quanto essa segrega\u00e7\u00e3o faz mal e n\u00e3o tem sentido algum. Recentemente <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">gravamos um v\u00eddeo super descontra\u00eddo que aborda justamente isso: o preconceito que as mulheres sofrem ao falar que gostam<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> e entendem de futebol. Os homens \u2013 em sua maioria \u2013 ficam espantados e nos fazem responder diversas perguntas, como se nos colocassem em xeque. E a\u00ed perguntamos: qual a finalidade disso? Por que mulher n\u00e3o pode gostar e entender tanto de futebol quanto os homens? \u00c9 um preconceito rid\u00edculo que nem deveria existir nos dias de hoje.<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe style=\"border: none; overflow: hidden;\" src=\"https:\/\/www.facebook.com\/plugins\/video.php?href=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2Fdibradoras%2Fvideos%2Fvb.832834090085382%2F914469785255145%2F%3Ftype%3D3&amp;show_text=0&amp;width=560\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>Reportagem: Marina Fortes<br \/>\nFotografias e V\u00eddeo: Arquivo Pessoal<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paulistas criam programa de r\u00e1dio voltado para a inser\u00e7\u00e3o da mulher no esporte<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":796,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1524],"tags":[],"class_list":["post-247","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/247","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=247"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/247\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/796"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=247"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=247"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=247"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}