{"id":249,"date":"2016-06-16T09:33:50","date_gmt":"2016-06-16T12:33:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/comunicacao\/arco\/2016\/06\/16\/post249\/"},"modified":"2016-06-16T09:33:50","modified_gmt":"2016-06-16T12:33:50","slug":"post249","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/post249","title":{"rendered":"Um espet\u00e1culo de hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por estar localizada geograficamente no centro do Rio Grande do Sul, Santa Maria tornou-se ponto chave nas linhas f\u00e9rreas que atravessavam o estado em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 regi\u00e3o do Prata e, em terras tupiniquins, se espalhavam at\u00e9 o norte do pa\u00eds. A linha que ligava Porto Alegre \u00e0 Uruguaiana, com mais de 515 quil\u00f4metros de extens\u00e3o, chegou definitivamente na Boca do Monte no ano de 1885, dois ap\u00f3s o in\u00edcio de sua constru\u00e7\u00e3o. A \u00e9poca foi de grande crescimento para o munic\u00edpio em decorr\u00eancia da presen\u00e7a dos ferrovi\u00e1rios: a popula\u00e7\u00e3o quintuplicou num per\u00edodo de 20 anos, o que sugere uma cidade de cultura miscigenada.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em meio aos mais variados tipos de pessoas que passavam pela Esta\u00e7\u00e3o F\u00e9rrea da Gare, artistas renomados eram presen\u00e7a frequente em turn\u00eas que vinham de Buenos Aires e subiam ao Rio de Janeiro. Por isso, Santa Maria carrega a marca de \u201ccidade cultura\u201d. Em 21 de outubro de 1888, foi fundada uma associa\u00e7\u00e3o denominada 13 de Maio. O nome \u00e9 homenagem \u00e0 data da assinatura da Lei \u00c1urea pela Princesa Isabel, que aboliu a pr\u00e1tica da escravatura. Essa Sociedade de vis\u00e3o humanit\u00e1ria tinha cunho revolucion\u00e1rio, visava incentivar a cultura na cidade e tinha como objetivo construir uma casa de espet\u00e1culos.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Findada a constru\u00e7\u00e3o da casa, outra agremia\u00e7\u00e3o de diferente cunho nasceu: a Sociedade Indenizadora do Theatro Treze de Maio. O objetivo era arrecadar fundos para quitar as d\u00edvidas da constru\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o. O dinheiro era coletado com pe\u00e7as e espet\u00e1culos amadores, produzidos por artistas locais que entendiam a necessidade do fomento \u00e0 cultura em Santa Maria.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/teatro-sec-xix.jpg\" alt=\"Vista da Pra\u00e7a Saldanha Marinho provavelmente nos finais do s\u00e9culo XIX. Cr\u00e9ditos: Acervo da Casa de Mem\u00f3ria Edmundo Cardoso.\" width=\"650\" height=\"372\" \/><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa hist\u00f3ria e de tantas outras passagens art\u00edsticas pela cidade de Santa Maria agora est\u00e3o contadas no livro <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Theatro Treze de Maio \u2013 Um espet\u00e1culo de hist\u00f3ria.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quem conta essa hist\u00f3ria do Theatro 13 \u00e9 Luiz Gonzaga Binato, um arquiteto apaixonado pela arte. Sua sala de estar j\u00e1 indica esse gosto: uma estante recheada de livros e publica\u00e7\u00f5es e um reluzente piano de cor negra \u00a0&#8211; instrumento por ele tocado no Theatro em algumas oportunidades &#8211; recepcionam os visitantes. As poltronas e o sof\u00e1 de tr\u00eas lugares, de madeira escura e estofado vermelho, confortaram o tempo em que conversamos em seu apartamento, na regi\u00e3o central de Santa Maria. Ao centro do c\u00f4modo uma mesa de finos tra\u00e7os aconchegava cinco bules de prata; na parede acima do sof\u00e1 repousam quatro quadros bem alinhados. Todos os objetos arrumados em harmonia, caracter\u00edstica marcante no humor do autor.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400;\"><img decoding=\"async\" style=\"margin: 15px;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/binatto.jpg\" alt=\"Luiz Gonzaga Binato, que dedicou quatro anos para a constru\u00e7\u00e3o do livro\" width=\"617\" height=\"411\" \/><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Binato fala com entusiasmo e certo al\u00edvio sobre o lan\u00e7amento da obra, afinal, foram quatro anos de muita pesquisa, escrita e encontros que resultaram no belo livro de modernos tra\u00e7os &#8211; pedida especial de Luiz.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">\u201c\u00c9 comum que os livros que tratam sobre uma \u00e9poca passada tentem reproduzir como eram os padr\u00f5es est\u00e9ticos. N\u00f3s estamos no s\u00e9culo XXI. A obra de arte tem que refletir a sua \u00e9poca mesmo que trate de assuntos do passado. N\u00e3o gostaria que a gente ca\u00edsse na tenta\u00e7\u00e3o de reproduzir tra\u00e7os antigos. Por isso tem uma apar\u00eancia contempor\u00e2nea. Queria que ele fosse um objeto de arte, que fosse atrativo em ilustra\u00e7\u00f5es e composi\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica.\u201d<\/span><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O livro est\u00e1 longe de ser apenas literatura. Fotografia, hist\u00f3ria, pesquisa e composi\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica transmitem, em conjunto, emo\u00e7\u00f5es semelhantes \u00e0s que foram proporcionadas aos que j\u00e1 estiveram na plateia do Theatro Treze de Maio. Ao folhar o exemplar, o ambiente do Theatro e sua sutileza invadem o pensamento do leitor. Binato reiterava para todos que trabalharam na produ\u00e7\u00e3o da obra que o conte\u00fado n\u00e3o fosse profundo demais:<\/span> <em><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEu n\u00e3o queria que o livro fosse para especialistas em teatro ou arquitetura, mas sim para o grande p\u00fablico, para aqueles que se interessam pelo assunto\u201d.<\/span><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m de Binato, a obra teve contribui\u00e7\u00e3o do pesquisador<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> Valter Antonio Noal Filho, que buscou nos jornais da \u00e9poca as not\u00edcias ligadas \u00e0 casa cultural. Foram mais de <\/span><strong>dois mil<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\"> recortes de not\u00edcias, notas e reportagens. A fotografia do livro \u00e9 resultado de um trabalho de pesquisa e recupera\u00e7\u00e3o de Valter, que \u00e9 complementada com o belo trabalho do fot\u00f3grafo Rafael Happke &#8211; colega de revista Arco -, que assina a autoria das \u00a0imagens de pe\u00e7as e apresenta\u00e7\u00f5es dos \u00faltimos anos. A apresenta\u00e7\u00e3o do livro tem autoria do tamb\u00e9m arquiteto <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Jos\u00e9 Antonio Brenner.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" style=\"margin: 15px;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/IMG_1794.jpg\" alt=\"Joana Freches Duque, do grupo Ch\u00e3o de Oliva (Sintra, Portugal)\" width=\"705\" height=\"470\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4>Hist\u00f3ria do Theatro<\/h4>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A casa teve momentos distintos em sua rica e plural hist\u00f3ria. Desde sete de novembro de 2014, dia de seu tombamento como patrim\u00f4nio hist\u00f3rico cultural da cidade pelo <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Conselho Municipal do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Cultural (Comphic), <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">se tem certeza de que ali ficar\u00e1, preservada sob prote\u00e7\u00e3o do Estado. O Comphic tamb\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel pela preserva\u00e7\u00e3o de outros pontos hist\u00f3ricos da cidade, como <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">a Catedral Metropolitana, o pr\u00e9dio da antiga Sociedade Uni\u00e3o dos Caixeiros Viajantes (SUCV), o Col\u00e9gio Manoel Ribas, entre outros locais.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em sua primeira fase, que cobre os anos de 1890 \u00e0 1915, o Theatro Treze de Maio era uma casa de espet\u00e1culos de pequeno porte, assim como o munic\u00edpio de Santa Maria. No per\u00edodo seguinte, a partir de 1916, o local se tornou um espa\u00e7o utilizado para diferentes atividades: abrigou dois jornais, a Junta de Servi\u00e7o Militar, o clube Santa Maria Aero Sport, a Biblioteca e o Centro de Cultura Municipais.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"margin: 15px;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/MG_6828.jpg\" alt=\"Bailarina da companhia de dan\u00e7a Royalle\" width=\"686\" height=\"457\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4>Trajet\u00f3rias que se confundem<\/h4>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m da hist\u00f3ria escrita por Binato, a obra conta com fotografias de diferentes \u00e9pocas, com registros de atores de renome nacional e internacional. Tamb\u00e9m fazem parte do livro algumas imagens de recados deixados por artistas em um livro de mem\u00f3rias do Theatro. Somadas ao conte\u00fado hist\u00f3rico, tr\u00eas entrevistas colhidas pela jornalista Tatiana Py Dutra d\u00e3o um olhar mais pr\u00f3ximo de pessoas que tiveram influ\u00eancia direta na trajet\u00f3ria da casa, como Ruth P\u00e9reyron, diretora adminisitrativa do teatro; Ailo Valmir Saccol, presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Amigos do Theatro Treze de Maio, de 1995 at\u00e9 2001; e Gustavo Isaia, diretor t\u00e9cnico da casa entre 1994 e 1998. Completam o livro depoimentos de pessoas que participaram da hist\u00f3ria do Theatro Treze de Maio.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para o autor, o sentimento ao frequentar o Theatro \u00e9 de estar em casa. De forma definitiva, Binato \u00e9 parte da hist\u00f3ria da casa cultural, como consumidor e propagador da cultura que dali emana. A obra \u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o de sua paix\u00e3o e colabora\u00e7\u00e3o com a arte em Santa Maria.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cSempre frequentei o teatro ap\u00f3s reinaugura\u00e7\u00e3o. Inclusive fui produtor cultural e j\u00e1 toquei piano ali em alguns concertos. \u00c9 uma casa que me sinto bem e sou muito bem acolhido, uma extens\u00e3o da minha atividade cultural. Muitas vezes j\u00e1 estive na plateia, bem como estive nos bastidores de produ\u00e7\u00f5es.\u201d<\/span><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"margin: 15px;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/Linha.png\" alt=\"\" width=\"684\" height=\"390\" \/><\/em><\/p>\n<p>Reportagem: J\u00falio Porto e Lucas Delgado<\/p>\n<p>Fotografias: Rafael Happke<br \/>\nInfogr\u00e1fico: Nicolle Sartor<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Livro narra as mem\u00f3rias do Theatro 13 de Maio, de Santa Maria<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":977,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1524],"tags":[],"class_list":["post-249","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/249","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=249"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/249\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/977"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=249"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=249"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=249"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}