{"id":270,"date":"2016-06-07T16:20:28","date_gmt":"2016-06-07T19:20:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/comunicacao\/arco\/2016\/06\/07\/post270\/"},"modified":"2016-06-07T16:20:28","modified_gmt":"2016-06-07T19:20:28","slug":"post270","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/post270","title":{"rendered":"Nomes do Brasil"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">A escolha de um nome para uma pessoa \u00e9 uma tarefa desafiadora. O que muitas vezes n\u00e3o se percebe \u00e9 que essa escolha diz muito sobre o contexto da \u00e9poca em que a pessoa nasce e das viv\u00eancias de quem decide como ela vai se chamar. \u00a0\u00c9 isso que revela um levantamento realizado pelo IBGE sobre os nomes mais frequentes no Brasil, identificados pelo Censo Demogr\u00e1fico 2010 e divulgado em abril deste ano.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A pesquisa abrange todo o pa\u00eds &#8211; os 27 estados e os 5.565 munic\u00edpios, incluindo mais de 190 milh\u00f5es de pessoas em 67,5 milh\u00f5es de domic\u00edlios. Foram registrados o primeiro nome e o \u00faltimo sobrenome de cada entrevistado. Os dados apontam para 130.348 nomes diferentes na popula\u00e7\u00e3o brasileira, 63.456 masculinos e 72.814 femininos, considerando que h\u00e1 nomes comuns a ambos os sexos. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 um Brasil de Marias e Joses*: <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">11,7 milh\u00f5es de mulheres usam o nome feminino, enquanto 5,7 milh\u00f5es de pessoas usam o masculino<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">. O que pode explicar essa frequ\u00eancia? Segundo a professora de Ci\u00eancias Sociais da UFSM, Ceres Karam Brum,<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">isto acontece por conta de uma influ\u00eancia cat\u00f3lica marcante. A opini\u00e3o \u00e9 compartilhada pelo respons\u00e1vel pela organiza\u00e7\u00e3o da pesquisa, Carlos Lessa (IBGE): \u201cos nomes b\u00edblicos est\u00e3o entre os de maior frequ\u00eancia e isso nos leva a fazer uma associa\u00e7\u00e3o direta com a religiosidade da popula\u00e7\u00e3o\u201d. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O levantamento permite identificar quais nomes s\u00e3o mais populares em determinadas d\u00e9cadas, mostrando o que entrou e saiu da moda: revela os nomes mais frequentes at\u00e9 1929 e por d\u00e9cada de nascimento a partir de 1930. Muitos nomes s\u00e3o inspirados na moda, literatura ou at\u00e9 mesmo inventados. A ci\u00eancia explica que isso \u00e9 reflexo da ind\u00fastria cultural, ou seja, um conjunto de processos em que os meios de comunica\u00e7\u00e3o exercem profunda influ\u00eancia no modo de vida das pessoas e na sociedade. \u201cR\u00e1dio, televis\u00e3o e internet tem um papel fundamental neste processo por apresentarem novas op\u00e7\u00f5es de repert\u00f3rio aos brasileiros\u201d, explica Ceres.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Um exemplo dessa tend\u00eancia s\u00e3o os nomes de famosos que marcaram \u00e9poca. \u00a0Nos anos 2000, o nome Caua cresceu 3.924%, provavelmente influenciado pela popularidade do ator global Cau\u00e3 Reymond. O nome Dara, personagem da novela Explode Cora\u00e7\u00e3o, da Rede Globo, exibida entre 1994 e 1995 cresceu 4.592% nessa d\u00e9cada. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A paix\u00e3o brasileira pelo futebol tamb\u00e9m se reflete nos dados. Em fun\u00e7\u00e3o do craque Pel\u00e9, Edson come\u00e7ou a aparecer com maior frequ\u00eancia na d\u00e9cada de 1970. O pr\u00f3prio apelido do jogador come\u00e7ou a ganhar destaque, e muitos \u201cPel\u00e9s\u201d nasceram nas d\u00e9cadas de 1970 e 1980 &#8211; enquanto o nome Romario cresceu na d\u00e9cada de 1980 e, acompanhando a fama do centroavante da sele\u00e7\u00e3o brasileira, a recorr\u00eancia do nome aumentou 402%. J\u00e1 Ayrton foi bastante utilizado na d\u00e9cada de 1990, o nome do piloto brasileiro fez os registros aumentarem 269% no per\u00edodo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O estudo tamb\u00e9m revela nomes que se tornam menos populares \u00e0 medida que o tempo passa. O nome Alzira, por exemplo, aparecia 8.132 vezes antes de 1930; j\u00e1 nos anos 2000, foram apenas 288 vezes. A tend\u00eancia \u00e9 a mesma para os nomes masculinos: Oswaldo aparecia 1.335 vezes at\u00e9 1930, mas caiu para 235 registros nos anos 2000. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Refletir sobre a frequ\u00eancia de nomes do Brasil e buscar o significado dessas escolhas pode revelar a jun\u00e7\u00e3o de tradi\u00e7\u00f5es familiares com a mitologia local. Segundo Ceres, \u00e9 a identidade nacional que se manifesta nesse processo. A pesquisadora, nascida no noroeste do estado, explica o significado de seu nome: \u201cCeres na mitologia romana \u00e9 a deusa da agricultura, o que talvez explique sua presen\u00e7a na regi\u00e3o de Cruz Alta, em que a cultura de trigo \u00e9 uma mem\u00f3ria bem presente\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A escolha do nome transmite gostos, tend\u00eancias, mem\u00f3rias e vis\u00f5es de mundo. Ele \u00e9 muito mais do que letras agrupadas e \u00e9, na maioria dos casos, a fam\u00edlia que o determina. Ceres conta que o soci\u00f3logo Pierre Bourdieu, nos seus trabalhos sobre a constru\u00e7\u00e3o do gosto, mostrava que os saberes compartilhados na fam\u00edlia ajudam a nos construir como pessoa. Resultado de tend\u00eancias ou de uma tradi\u00e7\u00e3o, seu nome diz muito sobre o mundo em que voc\u00ea nasceu.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quer saber quantas pessoas usam o mesmo nome que o seu? \u00c9 s\u00f3 acessar a pesquisa: <\/span><a href=\"http:\/\/censo2010.ibge.gov.br\/nomes\/#\/search\"><span style=\"font-weight: 400;\">http:\/\/censo2010.ibge.gov.br\/nomes\/#\/search<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">*Foram desconsiderados sinais como acentos, trema, til e cedilha (por isso os nomes citados est\u00e3o sem esses sinais).<\/span><\/p>\n<p>Reportagem: Camila Hartmann e Vit\u00f3ria Londero<br \/>\nInfogr\u00e1ficos: Nicolle Sartor<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa do IBGE aponta mais de 130 mil varia\u00e7\u00f5es <\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":949,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1742],"tags":[],"class_list":["post-270","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-extenda-10a-edicao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/270","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=270"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/270\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/949"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=270"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=270"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=270"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}