{"id":274,"date":"2016-06-12T15:59:54","date_gmt":"2016-06-12T18:59:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/comunicacao\/arco\/2016\/06\/12\/post274\/"},"modified":"2021-05-26T22:31:50","modified_gmt":"2021-05-27T01:31:50","slug":"post274","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/post274","title":{"rendered":"A cultura da comida"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Se voc\u00ea acha que a alimenta\u00e7\u00e3o est\u00e1 apenas relacionada com a absor\u00e7\u00e3o de nutrientes, \u00e9 hora de rever seus conceitos. Al\u00e9m de fonte de vitaminas ou prote\u00ednas, os alimentos tamb\u00e9m integram parte das nossas representa\u00e7\u00f5es sobre quem somos, s\u00e3o parte da constitui\u00e7\u00e3o da nossa identidade cultural. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que falamos de uma culin\u00e1ria japonesa, italiana ou francesa. A hist\u00f3ria de cada lugar \u00e9 formada pelas rela\u00e7\u00f5es entre a sociedade, a cultura e a alimenta\u00e7\u00e3o. Uma das \u00e1reas de pesquisa interessada nessa rela\u00e7\u00e3o \u00e9 a Antropologia, que busca compreender a rela\u00e7\u00e3o cultural que as pessoas estabelecem entre si atrav\u00e9s da comida, e pode mesmo apontar semelhan\u00e7as e diferen\u00e7as culturais de certos grupos por meio da alimenta\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo a pesquisadora do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Ambientais da Universidade do Extremo Sul Catarinense, Viviane Kraieski de Assun\u00e7\u00e3o, identificar uma comida \u00e9 tamb\u00e9m identificar o seu lugar espec\u00edfico. Para Assun\u00e7\u00e3o, o sistema culin\u00e1rio ordena o mundo de uma forma diferente e permite distinguir e classificar os elementos nos quais consiste a alimenta\u00e7\u00e3o. O antrop\u00f3logo estadunidense Sidney Mintz concorda com essa ideia. Para ele, \u201ccomer \u00e9 ainda uma atividade rotineira que assume uma posi\u00e7\u00e3o central no aprendizado social, e pode ser reveladora da cultura em que cada um est\u00e1 inserido\u201d. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No Brasil, Gilberto Freyre e C\u00e2mara Cascudo, pioneiros nos estudos sobre alimenta\u00e7\u00e3o, defenderam a tese de que os alimentos s\u00e3o elemento constitutivo da identidade nacional e de identidades regionais. A comida \u00e9 reconhecida como um dos marcadores que diferenciam grupos no contexto da migra\u00e7\u00e3o, desde os italianos em S\u00e3o Paulo e no Rio Grande do Sul, aos portugueses em Santa Catarina, ou mesmo os holandeses no Nordeste, entre outros exemplo. A culin\u00e1ria regional deixa mais vis\u00edvel um processo de constru\u00e7\u00e3o de fronteiras \u00e9tnicas. Como exemplo temos a feijoada: originalmente conhecida como \u201ccomida de escravos\u201d, e convertida, a partir dos anos 1930, em \u201calimento nacional\u201d, ela representa essa mesti\u00e7agem associada \u00e0\u00a0ideia de nacionalidade, considerada hoje uma representa\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica do brasileiro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas mais do que nos diferenciar, a comida tamb\u00e9m \u00e9 um elemento de coes\u00e3o social. Isso acontece, por exemplo, quando algu\u00e9m deixa o pa\u00eds de origem e precisa se adaptar \u00e0s din\u00e2micas culturais de um outro povo. Em sua pesquisa de campo, Viviane realizou entrevistas com imigrantes de diferentes regi\u00f5es do Brasil que atualmente moram nos Estados Unidos, e relata que o processo de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s novas comidas e \u00e0 cultura local \u00e9 lento, e varia de pessoa para pessoa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os brasileiros entrevistados moram na regi\u00e3o de Boston, no Estado de Massachusetts, e t\u00eam idades variando de 22 a 65 anos. A pesquisadora conta que muitos se adaptam aos gostos e costumes da nova cultura, e outros procuram restaurantes e bares de seu pa\u00eds de origem, ou at\u00e9 mesmo cozinham a pr\u00f3pria comida, com o intuito de se sentir mais em casa. O estoque de erva-mate, as encomendas de feij\u00e3o ou frutas t\u00edpicas, s\u00e3o exemplos dessa necessidade de, mesmo longe, manter os v\u00ednculos culturais com seu local de origem. E por mais parecido que sejam os h\u00e1bitos do novo pa\u00eds, sempre h\u00e1 algum choque cultural.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A revista Arco conversou com brasileiros que j\u00e1 tiveram essa experi\u00eancia, e eles nos contam suas hist\u00f3rias:<\/span><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" style=\"display: block; margin: 15px auto 15px auto;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/Argentina.png\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"662\" \/><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" style=\"display: block; margin: 15px auto 15px auto;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/Australia.png\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"623\" \/><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" style=\"display: block; margin: 15px auto 15px auto;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/Inglaterra.png\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"804\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/Mexico.png\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"795\" \/><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"display: block; margin: 15px auto;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/Portugal-1.png\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"917\" \/><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"margin: 15px auto; display: block;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/Nova-Zelandia_1.png\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"849\" \/><\/p>\n<p>Reportagem: Jessica Loss e Luiza Tavares<br \/>\nInfogr\u00e1ficos: Nicolle Sartor<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa aponta que os h\u00e1bitos alimentares tamb\u00e9m s\u00e3o constru\u00eddos por la\u00e7os culturais e sociais<\/p>\n","protected":false},"author":26,"featured_media":941,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1814],"tags":[],"class_list":["post-274","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-humanidades"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/274","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/26"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=274"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/274\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/941"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=274"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=274"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=274"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}