{"id":275,"date":"2016-06-13T10:42:43","date_gmt":"2016-06-13T13:42:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/comunicacao\/arco\/2016\/06\/13\/post275\/"},"modified":"2021-05-26T22:33:04","modified_gmt":"2021-05-27T01:33:04","slug":"post275","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/post275","title":{"rendered":"O c\u00e2ncer da desigualdade"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Um relat\u00f3rio do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) sobre Am\u00e9rica Latina e Caribe apontou, em 2010, que o Brasil era o 3\u00ba pa\u00eds com o maior \u00edndice de desigualdade, com baixa mobilidade social e educacional. Aqui, a desigualdade social tem rela\u00e7\u00e3o com o contexto hist\u00f3rico, e por muito tempo, os \u00edndices alarmantes v\u00eam sendo nosso cart\u00e3o de visita.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas desigualdade \u00e9 mais que um \u00edndice estat\u00edstico, ela afeta o cotidiano das pessoas de forma muito concreta. Uma parcela significativa da popula\u00e7\u00e3o brasileira est\u00e1 \u00e0s margens da sociedade, ganhando baixos sal\u00e1rios, sem acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o de qualidade e com dificuldade em utilizar servi\u00e7os p\u00fablicos de transporte e sa\u00fade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Um estudo desenvolvido na Universidade Federal de Pelotas com mulheres das regi\u00f5es Sul e Nordeste do Brasil alerta para uma dessas diferen\u00e7as: a preven\u00e7\u00e3o do c\u00e2ncer de mama. Os dados do Instituto Nacional do C\u00e2ncer (INCA) apontam esse como o tipo mais comum de c\u00e2ncer entre as mulheres no Brasil, chegando a responder por 25% dos novos diagn\u00f3sticos a cada ano. Os n\u00fameros de mulheres mortas em fun\u00e7\u00e3o do c\u00e2ncer de mama chegaram, em 2013, aos impressionantes 14.206 \u00f3bitos, e a estimativa do INCA \u00e9 que em 2016 sejam diagnosticados 57.960 novos pacientes doentes s\u00f3 no pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Se detectado precocemente, o tratamento do c\u00e2ncer de mama pode evitar cerca de 30% dos casos de morte. Al\u00e9m disso, os gastos com medidas preventivas s\u00e3o significativamente menores do que os com o tratamento da doen\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" style=\"margin: 15px auto; display: block;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/13340390_10208538331191700_1327595936_o.jpg\" alt=\"\" width=\"809\" height=\"1074\" \/><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na pesquisa desenvolvida em Pelotas, entretanto, o problema mapeado est\u00e1 ligado exatamente \u00e0s dificuldades na realiza\u00e7\u00e3o de exames preventivos de mama. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">O estudo utilizou dados da Pesquisa Nacional por Amostra a Domic\u00edlio (PNAD), realizados em 2008 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), que envolveu 150.591 domic\u00edlios, com 391.868 pessoas entrevistadas. Para esta pesquisa, no entanto, foram usadas informa\u00e7\u00f5es relativa \u00e0 popula\u00e7\u00e3o feminina, com idades entre 40 e 69 anos, moradoras das regi\u00f5es Sul e Nordeste do Brasil.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A partir disso, foram avaliadas as preval\u00eancias do exame cl\u00ednico de mamas (ECM) e da mamografia (MMG), com base nas duas perguntas principais \u201cQuando foi a \u00faltima vez que um m\u00e9dico ou enfermeiro fez o exame cl\u00ednico das mamas [na mulher entrevistada]\u201d e \u201cQuando foi a \u00faltima vez que [a mulher entrevistada] fez uma mamografia?\u201d. Tendo em vista as respostas obtidas, o estudo categorizou os resultados considerando vari\u00e1veis como idade, cor da pele, situa\u00e7\u00e3o conjugal, n\u00edvel socioecon\u00f4mico e escolaridade para cada uma das regi\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo a pesquisa, as mulheres com maior escolaridade e renda, em geral, t\u00eam amplo acesso a informa\u00e7\u00f5es e a servi\u00e7os de sa\u00fade. Dessa maneira, considerando os \u00edndices de desigualdade na regi\u00e3o Nordeste, o estudo mostrou que menos da metade das mulheres seguem as recomenda\u00e7\u00f5es para a realiza\u00e7\u00e3o da mamografia na regi\u00e3o, cerca de 45%; contra os 58,6% de mulheres que realizaram os procedimentos na regi\u00e3o Sul.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><img decoding=\"async\" style=\"margin: 15px auto; display: block;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/mamografias.jpg\" alt=\"\" width=\"631\" height=\"322\" \/><\/span><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" style=\"margin: 15px auto; display: block;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/13313800_10208538264870042_712818534_o_3.jpg\" alt=\"\" width=\"564\" height=\"829\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com base no relat\u00f3rio, um comparativo entre as duas regi\u00f5es refor\u00e7a que o maior risco para a n\u00e3o realiza\u00e7\u00e3o dos exames est\u00e1 em mulheres com renda econ\u00f4mica mais baixa e que s\u00e3o menos escolarizadas. Atualmente, muitos s\u00e3o os motivos para a n\u00e3o preven\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s dos exames. Algumas mulheres desconhecem a faixa et\u00e1ria para avalia\u00e7\u00e3o, outras t\u00eam medo de realizar o exame e algumas ainda atribuem a responsabilidade a obst\u00e1culos do servi\u00e7o p\u00fablico de sa\u00fade. Como conclus\u00e3o, os pesquisadores apontam que \u201cimportantes desigualdades foram observadas entre as regi\u00f5es Sul e Nordeste para o ECM e a MMG\u201d, e sugerem que para reduzir as desigualdades, as \u201cpol\u00edticas p\u00fablicas de sa\u00fade devem priorizar grupos mais vulner\u00e1veis\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Outro dado que o estudo refor\u00e7a \u00e9 o recorte racial. Quando se leva em considera\u00e7\u00e3o a cor da pele, a pesquisa chama aten\u00e7\u00e3o para a exist\u00eancia maior de desigualdades no Sul do que no Nordeste do pa\u00eds, especialmente para a realiza\u00e7\u00e3o da mamografia (MMG). Se 24,5% das mulheres brancas do sul que participaram da pesquisa nunca fizeram uma mamografia, no nordeste esse n\u00famero chega a 35,5%. \u00a0Quando se trata de mulheres n\u00e3o brancas, o n\u00famero de nordestinas que nunca realizaram o exame \u00a0vai para 42,9%, enquanto na regi\u00e3o sul, 35,0%.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cor da pele, nota-se que h\u00e1 mais desigualdades no Sul do que no Nordeste, especialmente para a n\u00e3o realiza\u00e7\u00e3o de MMG, o que pode demarcar mais fortemente as diferen\u00e7as de acesso e informa\u00e7\u00f5es decorrentes das situa\u00e7\u00f5es desiguais advindas de fatores, principalmente, sociais, culturais, raciais e geogr\u00e1ficos em ambos os contextos analisados.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Assim, no que se refere \u00e0 sa\u00fade da mulher, a pesquisa evidencia que situa\u00e7\u00f5es desiguais de acesso e informa\u00e7\u00e3o, no Brasil, tamb\u00e9m est\u00e3o relacionadas \u00e0 ra\u00e7a j\u00e1 que, em geral, mulheres com amplo acesso a medidas de preven\u00e7\u00e3o s\u00e3o brancas, com alto poder aquisitivo e maior escolaridade.<\/span><\/p>\n<p><strong>Reportagem<\/strong>: Clara Sit\u00f3 e Gabriele Wagner<br \/>\n<strong>Infogr\u00e1ficos<\/strong>: Vit\u00f3ria Rorato<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 rela\u00e7\u00e3o entre falta de informa\u00e7\u00f5es sobre exames preventivos e desigualdade social<\/p>\n","protected":false},"author":26,"featured_media":907,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1523],"tags":[],"class_list":["post-275","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ciencia"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/275","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/26"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=275"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/275\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/907"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=275"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=275"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=275"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}