{"id":278,"date":"2016-06-16T10:21:58","date_gmt":"2016-06-16T13:21:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/comunicacao\/arco\/2016\/06\/16\/post278\/"},"modified":"2016-06-16T10:21:58","modified_gmt":"2016-06-16T13:21:58","slug":"post278","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/post278","title":{"rendered":"\u201c\u00c9 preciso se desfazer das certezas\u201d"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c0s 10 horas da manh\u00e3 de uma quinta feira, Alexandre Beck recebe a equipe da Arco na sua casa para uma conversa. As duas poltronas da sala t\u00eam almofadas especiais. Uma, estampa uma crian\u00e7a de baixa estatura, amiga de um sapo, cabelo azul, apelidado carinhosamente pelos f\u00e3s de \u201cDinho\u201d. Na outra almofada, a irm\u00e3 do garotinho, F\u00ea. S\u00e3o presentes que o criador das tirinhas do Armandinho recebe dos admiradores.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A poucos passos da sala fica o escrit\u00f3rio do ilustrador. Logo na entrada, \u00e0 esquerda, um arm\u00e1rio de cor vermelha vibrante, comprado especialmente para guardar os objetos que Alexandre ganha. S\u00e3o canecas, desenhos, chaveiros bordados com o rosto do menino. E as prateleiras j\u00e1 est\u00e3o bastante cheias. Na estante ao lado ficam os livros sobre assuntos e autores variados. M\u00e1rcia Tiburi, Eduardo Galeano e David Coimbra s\u00e3o alguns deles.<\/span><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" style=\"margin: 10px auto; display: block;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/alexandre-1.jpg\" alt=\"Alexandre Beck com alguns dos presentes recebidos dos f\u00e3s\" width=\"645\" height=\"435\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O escrit\u00f3rio \u2013 e a vida \u2013 \u00e9 compartilhado com a professora de Filosofia da Universidade Federal de Santa Maria, Janyne Sattler. Ela foi aprovada em um concurso para docente na UFSM no final de 2012, quando os dois desembarcaram em Santa Maria. Janyne, que acompanhou e participou da conversa com a Arco, esteve em quase todos os lan\u00e7amentos dos livros do Armandinho. E o Alexandre tamb\u00e9m aproveita para lan\u00e7ar os livros nas cidades em que ela participa de eventos acad\u00eamicos. Muitas das \u201csacadas\u201d do garoto questionador foram inspiradas nos filhos, Fernanda e Augusto.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Alexandre lembra que quando era crian\u00e7a sempre foi um aluno estudioso: \u201cAcho que fui do lado dos CDF\u2019s (termo usado para designar quem se dedica aos estudos)\u201d, brinca. Entrou na escola antes do tempo. Na turma, era o mais novo, o mais baixinho, o mais fraco e p\u00e9ssimo no futebol. Sempre gostou de biologia e de desenhar. Fazia as provas rapidamente para poder ficar desenhando depois. Alexandre acha que usava o fato de saber desenhar para ter alguma import\u00e2ncia na classe.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><img decoding=\"async\" style=\"margin: 15px auto; display: block;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/ceu.jpg\" alt=\"\" width=\"660\" height=\"192\" \/><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Alexandre foi plantador de morangos, se formou em Agronomia na Universidade Federal de Santa Catarina, participou do movimento estudantil na faculdade de Publicidade e Propaganda, ilustrou livretos da Defesa Civil, fez quadrinhos para jornais. Armandinho foi criado \u00e0s pressas por ele. Um jornal de Santa Catarina, para o qual Alexandre fazia ilustra\u00e7\u00f5es, pediu que ele desenhasse tr\u00eas tiras para uma mat\u00e9ria sobre economia entre pais e filhos. Ele aproveitou um bonequinho que j\u00e1 estava pronto e representou os pais do garoto apenas com a imagem das pernas. Alexandre gostou do resultado e as pessoas do jornal tamb\u00e9m. E assim o personagem foi ganhando espa\u00e7o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Algumas tirinhas come\u00e7aram a ser publicadas na internet para que os amigos do ilustrador que ainda moram em Florian\u00f3polis pudessem ver, analisar se havia erro de portugu\u00eas, se dava pra compreender a mensagem. Com isso, as tiras passaram a ter mais visualiza\u00e7\u00f5es e ent\u00e3o ele criou a<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/tirasarmandinho\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"> p\u00e1gina do personagem no Facebook,<\/a> que atualmente tem mais de 900 mil curtidas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Final de 2012. Rec\u00e9m chegado em Santa Maria e com poucos dias da cria\u00e7\u00e3o da p\u00e1gina, Alexandre fez uma tirinha sobre um acontecimento que rasgou a cidade localizada no cora\u00e7\u00e3o do Rio Grande do Sul: o inc\u00eandio da boate Kiss, em 27 de janeiro de 2013. \u201cFoi um desabafo essa tira\u201d. As pessoas passaram a compartilhar a imagem, publicada na noite posterior ao inc\u00eandio, e assim a p\u00e1gina passou a ter mais seguidores. Meses depois outra tira tamb\u00e9m ganhou bastante repercuss\u00e3o, porque o pequeno Armandinho errou uma quest\u00e3o da prova na escola.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><img decoding=\"async\" style=\"display: block; margin: 15px auto;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/amor_1.jpg\" alt=\"\" width=\"660\" height=\"201\" \/><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa \u00e9 uma das tirinhas mais conhecidas do Armandinho &#8211; algumas chegam a ter 5 milh\u00f5es de visualiza\u00e7\u00f5es. \u201c\u00c9 uma responsabilidade. D\u00e1 um medo quando fa\u00e7o\u201d. Com tanta gente vendo e se envolvendo com as ideias do personagem, Alexandre precisou criar uma pol\u00edtica de coment\u00e1rios na p\u00e1gina do Facebook do personagem. Ele passou a bloquear coment\u00e1rios agressivos. \u201c\u00c9 como se eu convidar pessoas para ir na minha casa, entrar algu\u00e9m e come\u00e7ar a agredir meus convidados\u201d. Opini\u00f5es contr\u00e1rias s\u00e3o bem-vindas, segundo Alexandre, porque ele tamb\u00e9m aprende com elas. Mas coment\u00e1rios agressivos, homof\u00f3bicos, transf\u00f3bicos, racistas e mis\u00f3ginos n\u00e3o t\u00eam espa\u00e7o. \u201cN\u00e3o posso alimentar isso\u201d.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4>\u201cN\u00e3o vou me isentar\u201d<\/h4>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Algumas das tirinhas que Alexandre faz t\u00eam um tom de bom humor, criadas a partir de momentos em que ele se sente leve e relaxado. Outras tocam em quest\u00f5es que ele acha que a sociedade deveria repensar &#8211; essas s\u00e3o, para ele, as mais \u201cdo\u00eddas\u201d de fazer. T\u00eam ainda as tirinhas pol\u00edticas, que para Alexandre s\u00e3o um dever que ele tem que cumprir. Dever como cidad\u00e3o, como algu\u00e9m que fala para muitas pessoas e se esfor\u00e7a em buscar informa\u00e7\u00f5es de diferentes \u00e2ngulos. Nas publica\u00e7\u00f5es fica explicita a posi\u00e7\u00e3o do quadrinista na defesa dos direitos humanos, sensibiliza\u00e7\u00e3o com o meio ambiente e desconstru\u00e7\u00e3o de preconceitos. Para o ilustrador, se isentar desses assuntos n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o: \u201ca gente peca por omiss\u00e3o tamb\u00e9m\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E mesmo as tirinhas que ele fazia para outro jornal, antes do Armandinho vir ao mundo, j\u00e1 eram bastante cr\u00edticas, segundo ele. Janyne, atenta \u00e0 conversa, acrescenta: \u201cTu nunca foi isento nas coisas que tu falou. Tu nunca foi neutro ou imparcial. Agora pode ser que as coisas estejam mais afloradas. Mas as tuas tirinhas sempre foram pol\u00edticas. N\u00e3o partid\u00e1rias, que \u00e9 diferente\u201d. Essa postura se torna ainda mais evidente nas rea\u00e7\u00f5es de pessoas que comentam na p\u00e1gina de Alexandre, pedindo que o Armandinho se exima dos assuntos pol\u00edticos ou que ele fale apenas de \u201ccoisas de crian\u00e7a\u201d. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Ou ainda em situa\u00e7\u00f5es recentes, quando o Facebook removeu uma tirinha da p\u00e1gina do Armandinho ap\u00f3s manifesta\u00e7\u00f5es de usu\u00e1rios contr\u00e1rios ao conte\u00fado da postagem. A tira em quest\u00e3o era um di\u00e1logo entre o personagem Pudim e o garotinho. Pudim aponta para uma dire\u00e7\u00e3o e pergunta quem \u00e9 \u201cessa biba comunista\u201d que usa barba, cabelos compridos, vestido e paninho vermelho no ombro. E Armadinho responde \u201cJesus\u201d.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"margin: 15px auto; display: block;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/cidadao-de-bem.jpg\" alt=\"\" width=\"660\" height=\"192\" \/><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Existe muito do Alexandre Beck no Armandinho. Mas Alexandre afirma que existem caracter\u00edsticas suas tamb\u00e9m no pai do Armandinho, na m\u00e3e do Armandinho, no sapo (companheiro fiel do garoto) e, por incr\u00edvel que pare\u00e7a, at\u00e9 no Pudim, que \u00e9 o menininho \u201c<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">um bocado diferente\u201d<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> da forma dele de pensar \u2013 o Pudim tem o cabelo espetadinho, e nas \u00faltimas tiras aparece vestindo uma camisa da sele\u00e7\u00e3o brasileira de futebol. Ele tamb\u00e9m j\u00e1 disse frases do tipo \u201ccultura nem \u00e9 t\u00e3o importante assim. Para mim nunca fez falta nenhuma\u201d.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"margin: 15px auto; display: block;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/casas-para-vadios.png\" alt=\"\" width=\"660\" height=\"192\" \/><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4>&#8220;Tudo pode virar uma tirinha\u201d<\/h4>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Alexandre est\u00e1 sempre refletindo sobre o que acontece ao seu redor e as ideias para as tirinhas surgem \u00e0s vezes em lampejos. Por m\u00eas, ele faz uma m\u00e9dia de 35 a 40 tiras, mas nem todas s\u00e3o publicadas. E, mesmo depois de tantos anos ilustrando quadrinhos, ele ainda afirma: \u201cEu n\u00e3o sei fazer tirinha, eu fa\u00e7o de um jeito instintivo. Foi assim desde o in\u00edcio\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na mesa do escrit\u00f3rio, al\u00e9m dos livros do Armandinho, folhas brancas de papel A4, um computador de \u201csegunda m\u00e3o\u201d, h\u00e1 tamb\u00e9m um pequeno caderninho de capa preta. Ali est\u00e3o anotadas muitas das ideias que ficam apenas no papel. Algumas delas porque o quadrinista ainda n\u00e3o achou o \u201ctom certo\u201d para fazer.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As tiras sobre o garoto questionador da cabeleira azul (Armandinho aprendeu em ci\u00eancias que seu cabelo tem essa cor por causa do <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">aposematismo<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">) foram tema de trabalhos de conclus\u00e3o de curso, estamparam livros did\u00e1ticos, sa\u00edram em provas de vestibular, geraram convites para estrelar filmes e propagandas. Mas o criador do Armandinho diz que o personagem j\u00e1 foi muito al\u00e9m do que ele podia querer. Alexandre n\u00e3o pretende utilizar o personagem para fins publicit\u00e1rios, pois, se o fizesse, \u201cteria que atender a outros interesses\u201d. Sua pretens\u00e3o \u00e9 continuar lan\u00e7ando os livros com as tirinhas &#8211; que j\u00e1 teve oito edi\u00e7\u00f5es, todas editadas por ele. A proposta de Alexandre \u00e9 ter a liberdade para criar e poder gerar alguma reflex\u00e3o nas pessoas.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"margin: 15px auto; display: block;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/lancamento-livro.jpg\" alt=\"\" width=\"660\" height=\"192\" \/><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sobre o personagem ser inspirado na Mafalda ou no Calvin, Alexandre diz que, apesar de eles terem algumas semelhan\u00e7as com o menino, o que tem por detr\u00e1s do Armandinho s\u00e3o livros. Alexandre conta que l\u00ea muito e sobre assuntos variados, seja a revistinha da igreja que as pessoas entregam nas casas, bulas de rem\u00e9dio e at\u00e9 mat\u00e9ria de revista que o amigo mais reacion\u00e1rio compartilhou. \u201cSe voc\u00ea quer aprender e respeitar esse outro que convive no mesmo mundo que voc\u00ea, \u00e9 preciso se desfazer das certezas, estar aberto para outras informa\u00e7\u00f5es\u201d.<\/span><\/p>\n<p>Reportagem: Gabriele Wagner<\/p>\n<p>Tirinhas: Alexandre Beck<br \/>\nFotografia: Rafael Happke<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alexandre Beck fala sobre sua postura pol\u00edtica nas tirinhas do menino de cabelo azul<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":922,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1524],"tags":[],"class_list":["post-278","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/278","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=278"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/278\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/922"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=278"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=278"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=278"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}