{"id":280,"date":"2016-06-20T11:29:20","date_gmt":"2016-06-20T14:29:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/comunicacao\/arco\/2016\/06\/20\/post280\/"},"modified":"2016-06-20T11:29:20","modified_gmt":"2016-06-20T14:29:20","slug":"post280","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/post280","title":{"rendered":"Urbaniza\u00e7\u00e3o fotografada"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde o in\u00edcio do s\u00e9culo XX, o Brasil viu sua popula\u00e7\u00e3o aumentar em doze vezes: o n\u00famero de brasileiros passou de 17 milh\u00f5es em 1900 para 204 milh\u00f5es em 2016. Nesse per\u00edodo, o Brasil agr\u00e1rio se tornou urbano e, com a concentra\u00e7\u00e3o dos movimentos migrat\u00f3rios para os grandes centros, as altera\u00e7\u00f5es paisag\u00edsticas feitas pelo homem nas cidades tornaram-se necess\u00e1rias, ao mesmo tempo em que aconteciam de maneira desordenada, suplantando caracter\u00edsticas naturais do espa\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi esse fen\u00f4meno que inspirou a ent\u00e3o estudante de Geografia da Universidade Federal de Minas Gerais, Renata Henriques &#8211; hoje mestranda em Geografia pela mesma institui\u00e7\u00e3o &#8211; a desenvolver um trabalho de pesquisa sobre o panorama das transforma\u00e7\u00f5es fisiogr\u00e1ficas da paisagem do munic\u00edpio de Belo Horizonte, Minas Gerais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Fisiografia \u00e9 o ramo da geografia ocupada com a descri\u00e7\u00e3o e representa\u00e7\u00e3o da natureza (vegeta\u00e7\u00e3o, recursos h\u00eddricos e relevo) ou dos produtos naturais<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4>Fotografia e Antropogeomorfologia<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antropogeomorfologia \u00e9 um termo que aglutina conceitos que indicam composi\u00e7\u00e3o territorial modificada pelo homem. A ideia de Renata em desenvolver um estudo nessa \u00e1rea surgiu da visualiza\u00e7\u00e3o que ela fazia dos horizontes de sua cidade: o da urbaniza\u00e7\u00e3o, na depress\u00e3o belo-horizontina, e o da Serra do Curral, ao fundo &#8211; uma eleva\u00e7\u00e3o rochosa que chega a uma altitude de 1.300 metros, cerca de 500 metros acima da altitude m\u00e9dia da capital mineira. Interessava \u00e0 pesquisadora evidenciar a \u201cpegada humana\u201d na paisagem de Belo Horizonte, ou seja, os rastros ou registros visuais deixados na geografia local pelas interfer\u00eancias do ser humano. Nessa regi\u00e3o, a urbaniza\u00e7\u00e3o, caracterizada por constru\u00e7\u00f5es verticais, retirou a impon\u00eancia da Serra do Curral e se firmou como elemento relevante na paisagem em pouco mais de 100 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Como a motiva\u00e7\u00e3o para a pesquisa partiu de um h\u00e1bito visual da pesquisadora, era preciso que o m\u00e9todo utilizado para a verifica\u00e7\u00e3o das observa\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m considerasse imagens como mat\u00e9ria prima: surgiu ent\u00e3o a ideia de utilizar os registros fotogr\u00e1ficos dispon\u00edveis. Durante a pesquisa, foi poss\u00edvel encontrar e comparar fotografias tiradas de um mesmo ponto na cidade, mas em per\u00edodos de tempo variados, o que facilitou a compara\u00e7\u00e3o entre a Belo Horizonte de diferentes \u00e9pocas.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\n<table style=\"margin-left: auto; margin-right: auto;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" style=\"display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/Construcao-do-conjunto-JK-na-segunda-metade-da-decada-de-50-fonte-APCBH-Colecao-Jose-Goes.jpg\" alt=\"Constru\u00e7\u00e3o do conjunto JK na segunda metade da d\u00e9cada de 50 \" width=\"345\" height=\"251\" \/><\/td>\n<td style=\"text-align: right;\"><img decoding=\"async\" style=\"display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/Vista-da-regiao-centro-sul-de-BH-em-1960-fonte-BH-Nostalgia.jpg\" alt=\"Vista da regi\u00e3o centro sul de BH em 1960\" width=\"355\" height=\"249\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tal proposta motivou tamb\u00e9m a pesquisadora Andreia Herkert Netto em sua disserta\u00e7\u00e3o de mestrado em Geografia e Geoci\u00eancias, defendida em 2014 na UFSM. Em <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">O Testemunho das Imagens: A transforma\u00e7\u00e3o da cidade de Santa Maria &#8211; RS retratada a partir do acervo dos arquivos hist\u00f3ricos: 1885 &#8211; 2010<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\">, Andreia busca analisar as rela\u00e7\u00f5es s\u00f3cio-hist\u00f3ricas de Santa Maria atrav\u00e9s de fotografias tiradas ao longo dos anos. Ao analisar os registros, a pesquisadora foi capaz de mostrar em que momentos e de que maneira a cidade mais se desenvolveu.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Em compara\u00e7\u00e3o com Belo Horizonte, Santa Maria tamb\u00e9m \u00e9 limitada por uma cadeia de montanhas &#8211; a Serra Geral &#8211; numa de suas faces, e tamb\u00e9m se localiza numa depress\u00e3o, a Depress\u00e3o Central. Pela limita\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, por exemplo, a pesquisadora da UFSM p\u00f4de perceber e concluir que o principal momento de expans\u00e3o urbana em Santa Maria ocorreu com as constru\u00e7\u00f5es das COHABs Santa Marta, Tancredo Neves (a oeste) e Fernando Ferrari (a leste).<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><img decoding=\"async\" style=\"display: block; margin: 15px auto 15px auto;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/tneves.jpg\" alt=\"Vistas da cidade de Santa Maria a partir do Oeste, tendo a serra Geral ao fundo e o loteamento Cohab\/bairro Tancredo Neves em primeiro plano. A foto colocada acima remonta \u00e0 metade da d\u00e9cada de 1980 por Helmuth Staggemeier e a foto na por\u00e7\u00e3o inferior \u00e9 datada de 1\u00ba de janeiro de 2008, por Paulo Fernando Machado\" width=\"520\" height=\"702\" \/><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Para Andreia, as fotografias fornecem pistas sobre o modo de vida das pessoas, as rela\u00e7\u00f5es de trabalho, as atividades econ\u00f4micas, a arquitetura, as altera\u00e7\u00f5es urbanas em geral. Para a geografia, essa \u00e9 sua import\u00e2ncia: de nos deixar testemunhar minimamente um tempo que j\u00e1 passou, de perceber como uma paisagem predominantemente natural transforma-se em uma consideravelmente urbana ap\u00f3s intensas modifica\u00e7\u00f5es, e a maneira como essa urbaniza\u00e7\u00e3o se desenvolve.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"display: block; margin: 15px auto 15px auto;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/borges.jpg\" alt=\"Vistas do quartel da 6\u00aa Brigada de Infantaria Blindada (localizado \u00e0 Avenida Borges de Medeiros) e entorno. A foto antiga foi tirada por Miguel Lampert em 18 de abril de 1935 e a vista mais atual \u00e9 atribu\u00edda \u00e0 Base A\u00e9rea de Santa Maria e foi tirada em 7 de mar\u00e7o de 2008\" width=\"520\" height=\"738\" \/><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"display: block; margin: 15px auto 15px auto;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/centro-SM.jpg\" alt=\"Vista do centro de Santa Maria com a pra\u00e7a Saldanha Marinho no alto \u00e0 esquerda. Ao longo do eixo da Avenida Rio Branco (no alto \u00e0 direita) observa-se a Catedral Diocesana (vista de frente) e a Catedral do Mediador (vista de fundos). A foto superior data de 26 de setembro de 1934 e foi tirada por Miguel Lampert. A foto da por\u00e7\u00e3o inferior foi feita em 1980 por L\u00e9o Pinto Guerreiro\" width=\"520\" height=\"624\" \/><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"margin: 15px auto; display: block;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/dores.jpg\" alt=\"Igreja das Dores em dois momentos na hist\u00f3ria da cidade: ainda imponente na segunda metade da d\u00e9cada de 1940, por Bortolo Achutti e em 18 de setembro de 2007 por Paulo Fernando Machado disputando o protagonismo com o templo do consumo p\u00f3s-moderno. Ao fundo, \u00e0 direita, edif\u00edcios dos quart\u00e9is da Brigada Militar.\" width=\"520\" height=\"702\" \/><\/span><\/p>\n<p>Reportagem: Mateus Martins de Albuquerque e William Boessio<br \/>\nFotografias: APCBH Cole\u00e7\u00e3o Jos\u00e9 G\u00f3es, APCBH &#8211; Ascom, BH Nostalgia, Helmuth Staggemeier, Paulo Fernando Machado, Miguel Lampert, L\u00e9o Pinto Guerreiro, Base A\u00e9rea de Santa Maria, Bortolo Achut<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisas mostram altera\u00e7\u00f5es urbanas no decorrer do tempo atrav\u00e9s de fotografias<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":928,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1814],"tags":[],"class_list":["post-280","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-humanidades"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/280","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=280"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/280\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/928"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=280"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=280"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=280"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}