{"id":285,"date":"2016-06-27T09:34:34","date_gmt":"2016-06-27T12:34:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/comunicacao\/arco\/2016\/06\/27\/post285\/"},"modified":"2016-06-27T09:34:34","modified_gmt":"2016-06-27T12:34:34","slug":"post285","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/post285","title":{"rendered":"Literatura pulp e de horror"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Edgar Allan Poe publicou seu primeiro livro em 1827. Com tra\u00e7os g\u00f3ticos e macabros, ali dava-se os primeiros passos para a literatura de horror. <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">Mas o que \u00e9 literatura de horror?<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\"> Segundo os escritores do g\u00eanero, \u00e9 aquele tipo de texto que trabalha com elementos do macabro e do obscuro, como <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">Frankstein<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\"> de Mary Shelley ou <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">O beb\u00ea de Rosemary<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\"> de Ira Levin. O horror conquista seus espa\u00e7os pouco a pouco dentro da literatura dos dias de hoje. Nomes como Stephen King, trazem os holofotes para o g\u00eanero. Al\u00e9m disso, as adapta\u00e7\u00f5es cinematogr\u00e1ficas destes filmes trazem novos leitores para a literatura de horror.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Duda Falc\u00e3o \u00e9 escritor e tamb\u00e9m editor da Argonautas Editora. Desde 2009, ele escreve contos e romances sobre o universo do terror e o que o permeia &#8211; como a literatura fant\u00e1stica, por exemplo. Seu primeiro romance foi publicado em 2012 e se chama \u201cProtetores\u201d. J\u00e1 seu primeiro livro de contos, \u201cMausol\u00e9u\u201d foi publicado em 2013, com o selo de sua editora.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Duda esteve na UFSM para participar do I Ciclo <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">de Estudos &#8220;O Profissional do Livro e o <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Mercado <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Editorial\u201d, em abril deste ano. A Revista Arco entrevistou o Duda sobre a sua trajet\u00f3ria na literatura de horror e sua paix\u00e3o pelo macabro.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como come\u00e7ou o teu interesse pela literatura de horror?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Meu interesse come\u00e7ou muito cedo. Desde que eu comecei a ler hist\u00f3ria em quadrinhos eu j\u00e1 tinha esse interesse e fazia minhas pr\u00f3prias hist\u00f3rias. Comecei a ler Edgar Allan Poe e Dr\u00e1cula quando eu tinhas uns 12, 13 anos e da\u00ed tive minhas primeiras influ\u00eancias para escrever. A primeira hist\u00f3ria longa que eu escrevi foi na escola, para a minha professora, e foi uma experi\u00eancia muito bacana pois eu gostei de ouvir a opini\u00e3o dos meus colegas. Quando eu tinha 17 anos eu escrevi o meu primeiro conto, chamado \u201cMausol\u00e9u\u201d. Anos depois eu li esse conto e transformei ele em livro, que lancei em \u00a02013, sendo ele uma rearticula\u00e7\u00e3o do texto. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quantas hist\u00f3rias voc\u00ea j\u00e1 publicou?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em 2005 eu comecei a publicar algumas coisas. Em 2009 publiquei alguns contos e em 2012 saiu meu primeiro trabalho, que foi \u201cProtetores\u201d. \u00c9 uma hist\u00f3ria mais longa, sobre ca\u00e7adores de entidades sobrenaturais, que se organizaram para ca\u00e7ar vampiros, lobisomens e fantasmas na cidade de Porto Alegre. Esse livro est\u00e1 esgotado na editora j\u00e1. Em 2013 eu publiquei \u201cMausol\u00e9u\u201d que \u00e9 uma colet\u00e2nea de 36 contos que eu vinha escrevendo desde 2009, todos eles com tem\u00e1tica de horror, mas tem alguma coisa ali de espada e feiti\u00e7aria. Mas meus textos sempre acabam tendo um elemento do extraordin\u00e1rio, do macabro, do estranho, que faz com que minhas hist\u00f3rias entrem na tem\u00e1tica do horror. Esse ano eu estou lan\u00e7ando \u201cO Treze\u201d, que \u00e9 uma colet\u00e2nea de 13 contos mais longos que os do \u201cMausol\u00e9u\u201d. Nesse livro novo eu mantenho a minha linha do horror, com influ\u00eancias de autores como Edgar Allan Poe e Howard Phillips Lovecraft.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><strong><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" style=\"margin: 15px; float: right;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/IMG_3424.jpg\" alt=\"\" width=\"417\" height=\"626\" \/><\/strong><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 o seu processo de escrita?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Eu sigo diversos passos para escrever. O processo de escrita come\u00e7a pelos textos que eu leio, coisas que eu vejo e escuto e todas as coisas culturais que est\u00e3o ao meu redor e na sociedade. Depois disso eu come\u00e7o o meu trabalho de escrita e de diversas revis\u00f5es, o de enviar o texto para algu\u00e9m ler e exorcizar esse texto de todas as maneiras poss\u00edveis at\u00e9 chegar o momento da publica\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o as particularidades da escrita de horror? <\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00f3s temos dois pilares do horror, sendo um deles o escritor Edgar Allan Poe. O que ele escrevia, que o tornou t\u00e3o diferente, foi que ele investiu em contos &#8211; e, para muitos, foi quem inventou a narrativa curta &#8211; mas o que define bem s\u00e3o as palavras <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">macabro, estranho, extraordin\u00e1rio, escuro.<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\"> O livro do Edgar, \u201cHist\u00f3rias Extraordin\u00e1rias\u201d, \u00e9 uma tradu\u00e7\u00e3o para o livro que deveria se chamar \u201cContos do grotesco e do arabesco\u201d. A palavra que melhor define o Poe \u00e9 grotesco. A palavra vem de \u201cgruta\u201d, que \u00e9 um lugar escuro e sombrio, e o grotesco casa com essa ideia porque ele \u00e9 algo bem dif\u00edcil de definir. O segundo pilar \u00e9 o Lovecraft, que escreve o que costumamos chamar de horror c\u00f3smico. Ele misturou o horror com a fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e colocou o homem numa posi\u00e7\u00e3o do universo de pequenez. O homem \u00e9 \u00ednfimo comparado \u00e0s coisas que o universo pode proporcionar. O homem percebe o quanto ele \u00e9 nada perante esse universo gigantesco. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 o espa\u00e7o na literatura brasileira para a escrita de horror?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Existem autores brasileiros do g\u00eanero desde 1955, ano de publica\u00e7\u00e3o do livro \u201cNoite na Taverna\u201d do \u00c1lvares de Azevedo. Ele \u00e9 um livro rom\u00e2ntico-byroniano mas que tem caracter\u00edsticas pontuais do horror. Desde a\u00ed temos um lance de horror no Brasil. Pouco se fala sobre essa literatura aqui. Um dos principais nomes, que surge na d\u00e9cada de 1960, \u00e9 o Rubens Francisco Lucchetti, que publicou cerca de 1500 trabalhos, sendo boa parte deles pertencentes ao g\u00eanero do horror. O principal t\u00edtulo dele \u00e9 \u201cNoite diab\u00f3lica\u201d. O Brasil teve uma grande tradi\u00e7\u00e3o nas d\u00e9cadas de 1950, 1960 e 1970 \u00a0de quadrinhos de terror. Eles foram muito fortes e trouxeram autores como J\u00falio Shimamoto, um grande ilustrador e roteirista. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O maior problema \u00e9 que o mercado n\u00e3o est\u00e1 olhando muito para esses autores de terror. Agora, talvez, com as editoras novas, como a Darkside &#8211; que vai lan\u00e7ar autores brasileiros como C\u00e9sar Bravo &#8211; e a Avec, que lan\u00e7a meu segundo livro, eu acredito que as portas para o horror comecem a ficar um pouco mais amplas para quem gosta e escreve esse g\u00eanero.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>E quem n\u00e3o conhece o g\u00eanero horror, deve come\u00e7ar lendo o qu\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tem v\u00e1rios livros legais, que at\u00e9 podemos associar com o cinema. Quem nunca viu, por exemplo, o filme \u201cEu sou a lenda\u201d? O livro \u00e9 um cl\u00e1ssico tanto do horror quanto da fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, e \u00e9 um \u00f3timo livro para se ler. Talvez ele n\u00e3o seja um grande cl\u00e1ssico do horror, mas \u00e9 um bom livro para se iniciar nessa caminhada. Eu diria que o livro de contos \u201cSombras da noite\u201d, do Stephen King, \u00e9 um livro fant\u00e1stico,por ter todos esses elementos do horror que eu j\u00e1 citei. O Lovecraft \u00e9 um autor que publicou muitos contos separados em revistas, quando ele ainda era vivo. No Brasil sa\u00edram diversas edi\u00e7\u00f5es dos contos dele, reunidos. Ent\u00e3o procurem pelo Lovecraft, qualquer coisa dele. Todas as obras dele deveriam ser lidas, na verdade. E, obviamente, que o Edgar Allan Poe tamb\u00e9m, ele \u00e9 um g\u00eanio.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><img decoding=\"async\" style=\"margin: 15px auto; display: block;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/Edgar-e-Lovecraft.png\" alt=\"\" width=\"678\" height=\"678\" \/><\/span><\/p>\n<p>Reportagem: Joc\u00e9li Bisonhim Lima<br \/>\nFotografias: Rafael Happke<br \/>\nInfogr\u00e1ficos: Nicolle Sartor<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Duda Falc\u00e3o fala sobre a literatura que \u00e9 inspirada no mundo do terror<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":905,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1524],"tags":[],"class_list":["post-285","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/285","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=285"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/285\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/905"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=285"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=285"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=285"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}