{"id":301,"date":"2016-07-08T14:58:34","date_gmt":"2016-07-08T17:58:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/comunicacao\/arco\/2016\/07\/08\/post301\/"},"modified":"2016-07-08T14:58:34","modified_gmt":"2016-07-08T17:58:34","slug":"post301","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/post301","title":{"rendered":"O tradutor de HQ\u2019s e suas escolhas"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">No Brasil, as hist\u00f3rias em quadrinhos, ou HQs, contam com uma hist\u00f3ria mais longa que se possa imaginar: as primeiras publica\u00e7\u00f5es de desenhos e charges s\u00e3o datadas de 1837, mas foi somente no in\u00edcio do s\u00e9culo XX que surgiu a primeira publica\u00e7\u00e3o editada nos moldes que conhecemos. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Produ\u00e7\u00f5es de fora do pa\u00eds, no m\u00e1ximo, influenciavam a produ\u00e7\u00e3o dos autores locais, com a populariza\u00e7\u00e3o de personagens estrangeiros a partir de 1930.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para que tal movimento tenha sido e ainda seja poss\u00edvel, a atua\u00e7\u00e3o do tradutor de quadrinhos \u00e9 impreter\u00edvel, visto que o trabalho n\u00e3o se resume \u00e0 mera tradu\u00e7\u00e3o dos textos que constam nos bal\u00f5es de di\u00e1logo, mas tamb\u00e9m \u00e0\u00a0adequa\u00e7\u00e3o aos contextos culturais envolvidos, \u00e0s condi\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas de apoio \u00e0 tradu\u00e7\u00e3o, e \u00e0s caracter\u00edsticas psicol\u00f3gicas a que o tradutor est\u00e1 exposto.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Foi a partir da percep\u00e7\u00e3o desse panorama que tr\u00eas pesquisadores do Rio Grande do Sul decidiram analisar a maneira como foram traduzidas duas cl\u00e1ssicas hist\u00f3rias em quadrinhos: V de Vingan\u00e7a e Watchmen. O trabalho intitulado \u201cTradu\u00e7\u00e3o de Hist\u00f3rias em Quadrinhos: A Interven\u00e7\u00e3o do tradutor nos desenhos\u201d foi publicada pelos estudantes de Letras Gustavo Arthur Matte (PUCRS), F\u00e1bio Augusto Ludwig (UFRGS) e Michel Machado Flores (UFRGS) na revista Alumni, da UNIABEU, no segundo semestre de 2014. Como objeto de estudo, os estudantes selecionaram as tradu\u00e7\u00f5es de duas obras do autor ingl\u00eas Alan Moore, V de Vingan\u00e7a e Watchmen, em parceria com David Loyd e Dave Gibbons.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo a pesquisa, durante o processo de tradu\u00e7\u00e3o da l\u00edngua de partida para a de chegada, muitas vezes \u00e9 preciso intervir no aspecto gr\u00e1fico da hist\u00f3ria, como por exemplo na decis\u00e3o de traduzir o conte\u00fado de placas de estabelecimentos, outdoors, jornais, muros pichados, todos pequenos detalhes que fazem refer\u00eancia \u00e0 cultura do local onde a hist\u00f3ria \u00e9 ambienteada. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na an\u00e1lise das tradu\u00e7\u00f5es brasileira e francesa, nos casos em que a tradu\u00e7\u00e3o mostrou-se indispens\u00e1vel, viu-se que a nota de rodap\u00e9 aparece sempre como a op\u00e7\u00e3o menos agressiva, causando uma interfer\u00eancia m\u00ednima no desenho do original e cumprindo muito bem seu papel de transmitir a mensagem. J\u00e1 quando a interfer\u00eancia gr\u00e1fica \u00e9 necess\u00e1ria, ela sempre promove uma distor\u00e7\u00e3o no trabalho do desenhista, que, por sua vez, n\u00e3o pode ser desconsiderado como um autor da obra. O que mais chamou a aten\u00e7\u00e3o durante a pesquisa foi a observa\u00e7\u00e3o da quase inexist\u00eancia de tradu\u00e7\u00e3o dos \u201ctextos desenhados\u201d na edi\u00e7\u00e3o francesa de V de Vingan\u00e7a. Para os autores, isso talvez seja um reflexo do comportamento do leitor franc\u00eas, mais habituado ao idioma ingl\u00eas, ou at\u00e9 mesmo por conta de uma decis\u00e3o do tradutor em manter o original.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" style=\"margin: 15px auto; display: block;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/hq.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"750\" \/><\/span><\/p>\n<p>Reportagem: Mateus Martins de Albuquerque e William Boessio<br \/>\nInfogr\u00e1fico: Vit\u00f3ria Rorato<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa compara tradu\u00e7\u00f5es brasileira e francesa de quadrinhos e questiona modifica\u00e7\u00f5es<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":792,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1524],"tags":[],"class_list":["post-301","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/301","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=301"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/301\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/792"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=301"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=301"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=301"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}