{"id":306,"date":"2016-07-13T14:53:17","date_gmt":"2016-07-13T17:53:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/comunicacao\/arco\/2016\/07\/13\/post306\/"},"modified":"2016-07-13T14:53:17","modified_gmt":"2016-07-13T17:53:17","slug":"post306","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/post306","title":{"rendered":"Ado\u00e7\u00e3o no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para cada crian\u00e7a esperando ser adotada no Brasil, existem 6 fam\u00edlias com inten\u00e7\u00e3o de adotar um filho ou uma filha. Ainda assim, cerca de 5 mil crian\u00e7as e adolescentes ainda esperam em abrigos para serem adotados, segundo dados do Conselho Nacional de Justi\u00e7a. Quest\u00f5es como as restri\u00e7\u00f5es feitas pelos candidatos a adotantes e a demora nos processos judiciais ajudam a explicar essa realidade t\u00e3o contradit\u00f3ria.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No pa\u00eds, o processo de ado\u00e7\u00e3o acontece atrav\u00e9s da Vara da Inf\u00e2ncia e da Juventude. Quem pretende realizar a ado\u00e7\u00e3o preenche um formul\u00e1rio com as <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">caracter\u00edsticas principais da crian\u00e7a que gostaria de adotar \u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">e depois disso passa por uma avalia\u00e7\u00e3o psicossocial e por um curso de capacita\u00e7\u00e3o para ent\u00e3o estar habilitada pelo Cadastro Nacional de Ado\u00e7\u00e3o (CNA).<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" style=\"margin: 15px auto; display: block;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/passo-a-passo.png\" alt=\"\" width=\"583\" height=\"1595\" \/><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em maio de 2015, o CNA realizou altera\u00e7\u00f5es no seu sistema. Anteriormente, o cadastro registrava 34 itens nos quais os adotantes poderiam colocar as especifica\u00e7\u00f5es da crian\u00e7a que pretendiam adotar. Com as atualiza\u00e7\u00f5es, o formul\u00e1rio foi condensado em 16 itens, e nesse novo modelo <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">existe a dificuldade de visibilidade de alguns grupos, uma vez que se eliminou o espa\u00e7o destinado \u00e0s observa\u00e7\u00f5es do adotante<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">. Em contrapartida, outra mudan\u00e7a foi a inclus\u00e3o de interliga\u00e7\u00e3o nacional entre as comarcas.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cUma das altera\u00e7\u00f5es \u00e9 que com essa condensa\u00e7\u00e3o se excluiu o espa\u00e7o que tinha para anota\u00e7\u00f5es sobre o casal, por exemplo. Cada juiz, cada magistrado, conhece a realidade e o perfil dos adotantes da sua comarca. Mas, de repente, um casal que j\u00e1 preteriu uma crian\u00e7a por ser escura demais numa comarca, o juiz l\u00e1 na outra n\u00e3o tem acesso a isso. E \u00e9 um dado importante\u201d, explica a coordenadora do Grupo de Apoio e Incentivo \u00e0 Ado\u00e7\u00e3o (GAIA) de Santa Maria, Daniela Sonza.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Um estudo publicado em 2015 na Faculdade de Psicologia e de Ci\u00eancias da Educa\u00e7\u00e3o da Universidade de Coimbra realizou uma an\u00e1lise quantitativa, qualitativa e descritiva com 84 pessoas pretendentes \u00e0 ado\u00e7\u00e3o em uma comarca do sul do Brasil. A pesquisa constatou que a prefer\u00eancia brasileira \u00e9 ado\u00e7\u00e3o por rec\u00e9m-nascidos, de mesma cor de pele que a fam\u00edlia adotante, preferencialmente do sexo feminino.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Outro impasse relacionado ao perfil da crian\u00e7a \u00e9 quanto \u00e0 idade. Segundo dados do Conselho Nacional de Justi\u00e7a (CNJ), menos de 10% dos adotantes aceitam crian\u00e7as com mais de 5 anos de idade. O estudo diagnosticou que pais adotivos t\u00eam medo de realizar ado\u00e7\u00f5es tardias pois estigmatizam \u201cque crian\u00e7as mais velhas trazem consigo maus h\u00e1bitos, defeitos de car\u00e1ter adquiridos em suas fam\u00edlias de origem ou ainda adquiridos em abrigos\u201d.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Devido a essas prefer\u00eancias, existem alguns grupos de crian\u00e7as que ficam mais tempo na fila de espera, como \u00e9 o caso das ado\u00e7\u00f5es tardias, de grupo de irm\u00e3os, inter-raciais e ado\u00e7\u00e3o especial. Dados de 2015 do CNJ confirmam que 57% dos adotantes t\u00eam restri\u00e7\u00e3o \u00e0 cor da crian\u00e7a, 40% ao sexo e 80% querem apenas uma crian\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com base no estudo publicado na Universidade de Coimbra, participantes que j\u00e1 tiveram experi\u00eancia de apadrinhamento de crian\u00e7as em casas-lar demonstram ter \u201cuma concep\u00e7\u00e3o mais ampliada sobre a quest\u00e3o do perfil das crian\u00e7as que pretendem adotar\u201d. Em conformidade com isso, existem entidade que promovem um sistema al\u00e9m do Cadastro Nacional de Ado\u00e7\u00e3o, como \u00e9 o caso dos Grupos de Apoio e Incentivo \u00e0 Ado\u00e7\u00e3o que atuam junto aos adotantes, de forma a desconstruir essa vis\u00e3o seletiva e incentivar uma ado\u00e7\u00e3o mais humanizada.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" style=\"margin: 15px auto; display: block;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/Adocao.png\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"600\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cOs Grupos de Apoio \u00e0 ado\u00e7\u00e3o s\u00e3o subordinados \u00e0 Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Grupos de Apoio \u00e0 ado\u00e7\u00e3o. N\u00f3s estamos conseguindo, atrav\u00e9s do Busca Ativa, que \u00e9 um sistema a mais do que o Cadastro Nacional de Ado\u00e7\u00e3o para tornar vis\u00edveis crian\u00e7as que n\u00e3o s\u00e3o vis\u00edveis, como grupos de irm\u00e3os, ado\u00e7\u00e3o inter-racial, especial, tardia\u2026 Ent\u00e3o n\u00f3s estamos conseguindo atrav\u00e9s desse trabalho dar maior visibilidade para essas crian\u00e7as\u201d, comenta a coordenadora do GAIA de Santa Maria.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo a Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Grupos de Apoio \u00e0 Ado\u00e7\u00e3o, os GAIA s\u00e3o formados, na maioria das vezes, por iniciativas de pais adotivos que trabalham, voluntariamente, para a divulga\u00e7\u00e3o da Nova Cultura de Ado\u00e7\u00e3o, prevenir o abandono, preparar adotantes, acompanhar pais adotivos no p\u00f3s ado\u00e7\u00e3o e auxiliar na reintegra\u00e7\u00e3o familiar para auxiliar na busca ativa de fam\u00edlias para a ado\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as fora do perfil comumente desejado \u00a0pelos adotantes (crian\u00e7as de mais idade, com necessidades especiais ou \u00a0inter-raciais).<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A coordenadora ainda destaca que um problema grave na cultura de ado\u00e7\u00e3o do Brasil \u00e9 o preconceito da sociedade com a crian\u00e7a adotada. Em alguns casos, como nas ado\u00e7\u00f5es inter-raciais, a fam\u00edlia passa pela avalia\u00e7\u00e3o externa sobre a legitimidade da crian\u00e7a. \u201cA minha irm\u00e3 fez ado\u00e7\u00e3o inter-racial, tardia e grupo de irm\u00e3os. Matriculou as crian\u00e7as no col\u00e9gio e quatro m\u00e3es naquele col\u00e9gio, de colegas dos meus sobrinhos, pediram para tirar seus filhos do col\u00e9gio porque n\u00e3o queria que convivessem com crian\u00e7as que vieram do abrigo\u201d, a Daniela Sonza.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O preconceito a essas crian\u00e7as ainda est\u00e1 bastante presente na sociedade. Dessa forma, para chamar aten\u00e7\u00e3o para essas quest\u00f5es, os Grupos de Apoio e Incentivo \u00e0 ado\u00e7\u00e3o t\u00eam procurado agir atrav\u00e9s de espa\u00e7os de discuss\u00e3o e campanhas que mobilizem e conscientizem a sociedade sobre a import\u00e2ncia de pensar a ado\u00e7\u00e3o de forma humanizada.<\/span><\/p>\n<p>Reportagem: Clara Sit\u00f3 e Gabriele Wagner<br \/>\nInfogr\u00e1ficos: Nicolle Sartor<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dados demonstram que perfil de crian\u00e7as influencia na escolha dos adotantes <\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":919,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1742],"tags":[],"class_list":["post-306","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-extenda-10a-edicao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/306","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=306"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/306\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/919"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=306"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=306"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=306"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}