{"id":3142,"date":"2018-03-08T19:07:00","date_gmt":"2018-03-08T22:07:00","guid":{"rendered":"http:\/\/coral.ufsm.br\/arco\/sitenovo\/?p=3142"},"modified":"2018-03-08T19:07:00","modified_gmt":"2018-03-08T22:07:00","slug":"a-exigencia-sobre-o-trabalho-desempenhado-pela-mulher-na-area-tecnica-e-maior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/a-exigencia-sobre-o-trabalho-desempenhado-pela-mulher-na-area-tecnica-e-maior","title":{"rendered":"&#8220;A exig\u00eancia sobre o trabalho da mulher na \u00e1rea t\u00e9cnica \u00e9 maior&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>A ci\u00eancia \u00e9 pilar central para a evolu\u00e7\u00e3o social e tecnol\u00f3gica de toda a humanidade. As mulheres, que por muito tempo foram mantidas longe do meio cient\u00edfico, v\u00eam garantindo, aos poucos, espa\u00e7o de destaque em importantes pesquisas desenvolvidas no mundo &#8211; e na UFSM n\u00e3o \u00e9 diferente. Um exemplo disso \u00e9 a professora Luciane Canha, do Departamento de Eletromec\u00e2nica e Sistemas de Pot\u00eancia, da Engenharia El\u00e9trica. <a href=\"http:\/\/coral.ufsm.br\/arco\/sitenovo\/?p=3019\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ela \u00e9 uma das 13 pesquisadoras da Universidade que alcan\u00e7aram o n\u00edvel 1 de Produtividade em Pesquisa (PQ)<\/a>, segundo o Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq). Conhe\u00e7a, na entrevista a seguir, o caminho trilhado pela docente, os desafios enfrentados por ela em um ambiente historicamente masculino como o Centro de Tecnologia, e como ela percebe a inser\u00e7\u00e3o das mulheres no mundo cient\u00edfico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>ARCO: Qual foi o seu primeiro incentivo para trabalhar na ci\u00eancia e como voc\u00ea chegou ao cargo que ocupa hoje? <\/b><\/p>\n<p><b>LUCIANE:<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> Sempre pensei em trabalhar com Engenharia El\u00e9trica por gostar de matem\u00e1tica e f\u00edsica. Na minha fam\u00edlia, nunca houve preconceito em rela\u00e7\u00e3o a isso. Eu era aconselhada a fazer o que eu achasse melhor e sempre tive apoio, o que me ajudou e incentivou bastante.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Entrei na UFSM como professora de Engenharia El\u00e9trica em 1997, na \u00e9poca somente com mestrado. Conclu\u00ed o doutorado em 2004, imediatamente assumindo como orientadora de alunos da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. A partir disso, desenvolvemos uma linha de pesquisa que at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o vinha sendo explorada, na \u00e1rea de sistemas el\u00e9tricos de pot\u00eancia, a qual abrange distribui\u00e7\u00e3o, gera\u00e7\u00e3o e transmiss\u00e3o de energia el\u00e9trica. Cerca de quatro anos depois, passei a ser pesquisadora \u201cPQ2\u201d no CNPq, e h\u00e1 tr\u00eas anos passei para a categoria \u201c1D\u201d, sempre desenvolvendo pesquisas na \u00e1rea de energias renov\u00e1veis, gera\u00e7\u00e3o distribu\u00edda e redes el\u00e9tricas inteligentes.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>ARCO: Voc\u00ea acredita que enfrentou mais problemas na sua carreira pelo fato de voc\u00ea ser mulher?<\/b><\/p>\n<p><b>LUCIANE:<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> Acredito que sim. N\u00e3o \u00e9 uma \u00e1rea f\u00e1cil de atuar sendo mulher. Na minha gera\u00e7\u00e3o, as meninas brincavam de boneca ou de casinha, enquanto os meninos acompanhavam seus pais trocando a bateria do carro ou mexendo na instala\u00e7\u00e3o el\u00e9trica da resid\u00eancia, na pintura da casa&#8230; As meninas n\u00e3o faziam isso. Hoje as coisas est\u00e3o mudando. Eu creio que a gera\u00e7\u00e3o da minha filha, por exemplo, vai sofrer bem menos com esse preconceito. Para mim, a exig\u00eancia sobre o trabalho desempenhado pela mulher na \u00e1rea t\u00e9cnica \u00e9 maior: n\u00f3s precisamos trabalhar quase em dobro para mostrarmos que sabemos fazer, pois, em geral, existem restri\u00e7\u00f5es do tipo \u201cser\u00e1 que ela sabe mesmo?\u201d, \u201cser\u00e1 que ela n\u00e3o vai ficar com dor de cabe\u00e7a e voltar para casa?\u201d, \u201cser\u00e1 que ela n\u00e3o vai ter que sair correndo para cuidar dos filhos?\u201d. Por outro lado, na parte de aprova\u00e7\u00e3o de projetos de pesquisa, nunca houve nenhuma restri\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que a licita\u00e7\u00e3o \u00e9 lisa e n\u00e3o considera o g\u00eanero. Eu tenho sucesso em praticamente todos os projetos que envio. Nesse caso, existe certa igualdade. J\u00e1 a sala de aula tamb\u00e9m pode ser dif\u00edcil, dependendo da condu\u00e7\u00e3o dada. Eu comecei a dar aula aos 26 anos, em uma turma onde cerca de 90% dos alunos eram homens. \u00c9 necess\u00e1rio impor certa din\u00e2mica para que eles saibam que uma professora tem as mesmas condi\u00e7\u00f5es de ensinar do que algu\u00e9m do sexo masculino.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>ARCO: A partir da sua experi\u00eancia, como \u00e9 conciliar as atividades cient\u00edficas com as tarefas dom\u00e9sticas, que geralmente s\u00e3o atribu\u00eddas \u00e0s mulheres?<\/b><\/p>\n<p><b>LUCIANE:<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00c9 dif\u00edcil. Eu tenho a sorte de ter o trabalho com o qual eu sempre sonhei. Eu trabalho com o que eu gosto e isso me motiva, mas \u00e9 um desafio. Na minha \u00e1rea de pesquisa n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel desenvolver o trabalho em casa, pois eu preciso do laborat\u00f3rio e dos equipamentos, al\u00e9m de estar nas empresas. \u00c9 um grande desafio conciliar esse trabalho com a vida dom\u00e9stica. O que eu tenho \u00e9 um conjunto de pessoas que me ajudam com isso. Eu e meu marido dividimos igualmente as tarefas. Temos duas filhas, e quando preciso viajar, ele fica com elas. Meus pais tamb\u00e9m me ajudam, eventualmente. Na \u00e1rea de pesquisa, para mim, o desafio \u00e9 ainda maior. \u00c9 preciso dedica\u00e7\u00e3o total a todo momento. \u00c9 necess\u00e1rio que tudo funcione bem para que as coisas deem certo.<\/span><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-3144\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/comunicacao\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2018\/03\/UFSM.2018.003.009.RA-2-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2018\/03\/UFSM.2018.003.009.RA-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2018\/03\/UFSM.2018.003.009.RA-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2018\/03\/UFSM.2018.003.009.RA-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2018\/03\/UFSM.2018.003.009.RA-2-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>ARCO: Como voc\u00ea v\u00ea o ambiente do Centro de Tecnologia com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 desigualdade de g\u00eanero?<\/b><\/p>\n<p><b>LUCIANE:<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> Numericamente, a diferen\u00e7a \u00e9 grande. \u00c9ramos tr\u00eas professoras quando eu entrei na Engenharia El\u00e9trica, em 2004, e hoje s\u00e3o quatro. Por esse lado, \u00e9 bem desigual, mas percebo certa evolu\u00e7\u00e3o. Nas salas de aula vejo bem mais meninas do que antes. A propor\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 pequena &#8211; cerca de \u00bc dos alunos s\u00e3o meninas. Mas na quest\u00e3o de respeito, ao menos aqui no Centro de Tecnologia, eu nunca tive problemas. Ocorrem, \u00e0s vezes, situa\u00e7\u00f5es pontuais, mas, em geral, o ambiente \u00e9 bom.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>ARCO: Para voc\u00ea, a conquista da igualdade de g\u00eanero na ci\u00eancia se dar\u00e1 a curto ou a longo prazo?<\/b><\/p>\n<p><b>LUCIANE:<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> A curva de evolu\u00e7\u00e3o est\u00e1 cada vez mais positiva. A gera\u00e7\u00e3o atual oferece bem mais condi\u00e7\u00f5es para as mulheres assumirem esse tipo de cargo. A tend\u00eancia \u00e9 aumentar, cada vez mais, o n\u00famero de mulheres na ci\u00eancia.<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">Percebo uma mudan\u00e7a na sociedade. Estamos tentando mostrar que n\u00e3o existe diferen\u00e7a de g\u00eanero. \u00c9 um momento em que a sociedade est\u00e1 percebendo que as mulheres e os homens precisam dividir as tarefas dom\u00e9sticas. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel existirem situa\u00e7\u00f5es do tipo \u201ceu n\u00e3o limpo o banheiro, porque sou homem\u201d, \u201ceu n\u00e3o troco a fralda, porque sou homem\u201d. \u00c9 preciso dividir as tarefas para n\u00e3o ficar pesado para nenhum dos dois. A partir disso, a sociedade vai ver que essas tarefas n\u00e3o cabem exclusivamente \u00e0 mulher, e elas ser\u00e3o mais respeitadas nesse meio.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>ARCO: Como incentivar as mulheres a trabalharem na ci\u00eancia?<\/b><\/p>\n<p><b>LUCIANE:<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00c9 preciso certificar as mulheres de que elas ter\u00e3o apoio da sociedade, com sal\u00e1rios iguais, oferta de creches, ajuda da fam\u00edlia quando necess\u00e1rio, e por a\u00ed vai. \u00c9 preciso que a sociedade mude mais do que tem mudado na quest\u00e3o de respeito, seguran\u00e7a e condi\u00e7\u00f5es de trabalho. A partir disso, n\u00e3o existem limites para as mulheres.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Rep\u00f3rter: Lucas Gutierres, <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">do N\u00facleo de Divulga\u00e7\u00e3o Institucional do Centro de Tecnologia da UFSM<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fotografias: Rafael Happke<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luciane Canha, professora e pesquisadora do Centro de Tecnologia da UFSM, fala dos desafios e conquistas das mulheres na ci\u00eancia e na sociedade<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":3143,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1536],"tags":[726,560,348,740],"class_list":["post-3142","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-dossie-mulheres-na-ciencia","tag-centro-de-tecnologia","tag-ciencia","tag-mulheres","tag-mulheres-na-ciencia"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3142","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3142"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3142\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3143"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3142"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3142"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3142"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}