{"id":332,"date":"2016-07-27T16:22:22","date_gmt":"2016-07-27T19:22:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/comunicacao\/arco\/2016\/07\/27\/post332\/"},"modified":"2021-05-26T22:48:53","modified_gmt":"2021-05-27T01:48:53","slug":"post332","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/post332","title":{"rendered":"Mem\u00f3rias de um Esclerosado"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" style=\"margin: 15px; float: left;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/ola.jpg\" alt=\"No autorretrato para o projeto Mem\u00f3rias de um Esclerosado, Rafael segura sua bengala, a \u201cRita\u201d\" width=\"430\" height=\"507\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nascido em Ros\u00e1rio do Sul e morando em Porto Alegre desde 1994, Rafael Corr\u00eaa \u00e9 vencedor de in\u00fameros pr\u00eamios pelo mundo, com destaque para o 39\u00ba Sal\u00e3o Internacional de Humor de Piracicaba e o 30\u00ba Aydin Dogan International Cartoon Contest. Corr\u00eaa tem 40 anos e \u00e9 portador de Esclerose M\u00faltipla.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A not\u00edcia veio em 2010: uma doen\u00e7a autoimunit\u00e1ria degenerativa que ataca o sistema nervoso, compromete a capacidade de controlar os movimentos e as fun\u00e7\u00f5es do corpo e que n\u00e3o tem cura. Em 2015, o cartunista resolveu compartilhar suas experi\u00eancias sobre a doen\u00e7a e transformou seu diagn\u00f3stico em quadrinhos. Nas tirinhas, Rafael narra as dificuldades em realizar atividades cotidianas e conta sobre como a Esclerose M\u00faltipla afetou sua vida. O trabalho \u00e9 publicado no site <\/span><a href=\"http:\/\/memoriasdeumesclerosado.tumblr.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Mem\u00f3rias de um Esclerosado<\/strong><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, e o autor pretende, futuramente, reunir as tirinhas em um livro. Conhecido pelas cria\u00e7\u00f5es das tiras \u201cArtur, o Arteiro\u201d, \u201cSapatiras\u201d e \u201cCaracteres!?\u201d, o cartunista j\u00e1 teve trabalhos publicados em diversos jornais do pa\u00eds, como Folha de S. Paulo, jornal Agora, revista Gloss, Revista Sa\u00fade e Revista MAD, entre outros t\u00edtulos. Confira abaixo a entrevista do cartunista para a revista Arco: <\/span><\/p>\n<p><strong>Como come\u00e7ou a tua trajet\u00f3ria como cartunista?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Picasso disse que que toda crian\u00e7a tem a arte dentro de si, toda crian\u00e7a nasce artista e com o tempo vai crescendo, criando uma autocr\u00edtica, e, assim, muita gente vai deixando de ser artista. O artista \u00e9 aquele que continua, que permanece desenhando, permanece artista. Eu sou um desses que persistiu. Desenho desde crian\u00e7a. Tinha certeza de que queria ser cartunista desde os dez anos. Fazia v\u00e1rias hist\u00f3rias em quadrinhos e mostrava para os amigos e familiares &#8211; e o pessoal gostava. Aos 14, publiquei pela primeira vez em jornal e nunca mais parei. Quando fui para Porto Alegre, conheci o pessoal da Grafar (Associa\u00e7\u00e3o dos Cartunistas do Rio Grande do Sul), que foram meus professores. Depois, publiquei alguns livros: \u201cArtur, o Arteiro\u201d (Raz\u00e3o Bureau Editorial, 2006) \u00a0e \u201cPiolhos <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">Invaders<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d (Raz\u00e3o Bureau Editorial, 2007) foram meus primeiros.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com o tempo, comecei a participar de v\u00e1rios concursos de <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">cartum<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\">, e a ganhar concursos internacionais. Ganhei alguns bem importantes, como o de Piracicaba &#8211; que \u00e9 o mais importante do Brasil. Ganhei em v\u00e1rios pa\u00edses: Coreia do Sul, Turquia, enfim\u2026 Contabilizo 30 pr\u00eamios internacionais. Meu \u00faltimo livro \u00e9 o \u201cSapatiras\u201d. E eu fa\u00e7o o \u201cMem\u00f3rias de um Esclerosado\u201d, que \u00e9 a minha autobiografia, contando a minha experi\u00eancia com a Esclerose M\u00faltipla, que eu publico no Tumblr e no Facebook, por ter um contato maior com o p\u00fablico. Pelos coment\u00e1rios e curtidas posso sentir como est\u00e1 a aceita\u00e7\u00e3o da s\u00e9rie.<\/span><\/p>\n<blockquote style=\"float: right;\"><p>\u00a0O que \u00e9 Esclerose M\u00faltipla?\u00a0\u00c9 uma doen\u00e7a neurol\u00f3gica, cr\u00f4nica e autoimune \u2013 ou seja, as c\u00e9lulas de defesa do organismo atacam o pr\u00f3prio sistema nervoso central, provocando les\u00f5es cerebrais e medulares.. A Esclerose M\u00faltipla (EM) n\u00e3o tem cura e pode se manifestar por diversos sintomas.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>De que forma voc\u00ea, como pessoa que convive com a Esclerose, explica para as pessoas o que \u00e9 essa doen\u00e7a? <\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A Esclerose \u00e9 uma doen\u00e7a neurol\u00f3gica em que o pr\u00f3prio organismo ataca a bainha de mielina, que \u00e9 uma gordurinha que protege os neur\u00f4nios e faz as sinapses. Ent\u00e3o, quando o organismo come\u00e7a a atacar a mielina, ela fica \u201cavariada\u201d e a comunica\u00e7\u00e3o eletro-neurol\u00f3gica fica danificada. O meu c\u00e9rebro manda o comando para o meu p\u00e9, por exemplo, e a comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o chega como deveria, porque o caminho est\u00e1 como uma estrada esburacada. Uma compara\u00e7\u00e3o, bem simpl\u00f3ria, mas que permite que voc\u00ea tenha uma no\u00e7\u00e3o: imagina que o teu sistema neurol\u00f3gico \u00e9 uma mangueira, voc\u00ea liga a torneira e l\u00e1 na ponta vai sair a \u00e1gua, com toda a sua for\u00e7a. No paciente que tem esclerose m\u00faltipla, \u00e9 como se toda a mangueira fosse furada, ent\u00e3o a \u00e1gua n\u00e3o vai chegar com toda for\u00e7a l\u00e1 no final, ela vai se perdendo no meio do caminho.<\/span><\/p>\n<p><strong>Quando voc\u00ea descobriu que estava doente?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O primeiro sintoma foi em 2004. Eu tive diplomia, que \u00e9 quando cada olho olha uma coisa diferente. N\u00e3o conseguia fazer o foco, e isso durou um m\u00eas. Depois, a vis\u00e3o voltou ao normal, e durante anos n\u00e3o aconteceu mais nada. Em 2008 e 2009 foi piorando, e em 2010 eu fui diagnosticado, mas os sintomas v\u00eam bem antes.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-weight: 400;\"><img decoding=\"async\" style=\"margin: 15px auto; display: block;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/olaaa-2.jpg\" alt=\"\" width=\"430\" height=\"601\" \/><\/span><\/span><\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 a tua rotina lidando com a doen\u00e7a?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Existem v\u00e1rios tipos de tratamento. Eu j\u00e1 tentei alguns, mas nenhum surtiu efeito. Ent\u00e3o, estou em busca de algum tratamento que reverta ou estacione a doen\u00e7a. Busco uma revers\u00e3o, e acredito em uma melhora, mas ainda n\u00e3o sei qual \u00e9 o caminho. Estou em busca. No dia-a-dia, a gente tem que se adaptar, porque as limita\u00e7\u00f5es s\u00e3o vis\u00edveis. A Esclerose atacou mais o meu lado esquerdo, ent\u00e3o eu preciso usar a bengala para caminhar. E eu sou canhoto, ent\u00e3o, para desenhar \u00e9 bem dif\u00edcil. Eu n\u00e3o desenho com a mesma facilidade que antes, tenho at\u00e9 treinado com a m\u00e3o direita pra conseguir continuar desenhando. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><strong>Por que fazer o \u201cMem\u00f3rias de um Esclerosado\u201d?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Acima de tudo, eu sou um contador de hist\u00f3rias. Aprendi a desenhar para contar hist\u00f3rias. E um contador de hist\u00f3rias est\u00e1 sempre atr\u00e1s de uma hist\u00f3ria para contar, n\u00e9?! Quando me dei conta de que tinha uma hist\u00f3ria boa pra contar, uma hist\u00f3ria importante, eu decidi fazer isso com a arte que eu conhe\u00e7o &#8211; a hist\u00f3ria em quadrinhos. Levei alguns anos para amadurecer a ideia, at\u00e9 ter a coragem pra botar no papel. Em 2015, no meio do ano, eu comecei a publicar. A minha ideia \u00e9 fazer mais, conseguir desenhar mais rapidamente, e quem sabe no futuro fazer um livro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<blockquote style=\"float: right;\"><p><span style=\"font-weight: 400;\">Atualmente, cerca de 35 mil brasileiros possuem Esclerose M\u00faltipla. O n\u00famero de diagn\u00f3sticos em todo o mundo chega a 2,3 milh\u00f5es.<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 contar a tua hist\u00f3ria e receber as rea\u00e7\u00f5es de pessoas que tamb\u00e9m vivem uma hist\u00f3ria semelhante?<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Isso \u00e9 um combust\u00edvel pra mim. Eu tenho recebido um carinho muito grande dos leitores, reconhecimento do meu trabalho. Muita gente se inspira e quer trocar ideias &#8211; e isso \u00e9 muito bom. A minha profiss\u00e3o \u00e9 muito solit\u00e1ria, eu desenho no meu canto, na minha prancheta, na minha mesa, e n\u00e3o tenho esse contato direto com o p\u00fablico. Mas quando eu publico na Internet, tenho esse contato, esse retorno. Isso \u00e9 muito importante para mim. D\u00e1 for\u00e7a para continuar desenhando.<\/span><\/p>\n<p>Reportagem: Carolina Escher, Maria Helena e Nicoli Saft<br \/>\nFotografias: Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cartunista conta, atrav\u00e9s dos quadrinhos, experi\u00eancias ap\u00f3s o diagn\u00f3stico de Esclerose M\u00faltipla<\/p>\n","protected":false},"author":26,"featured_media":753,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1524],"tags":[],"class_list":["post-332","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/332","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/26"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=332"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/332\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/753"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=332"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=332"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=332"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}