{"id":345,"date":"2016-08-08T14:21:05","date_gmt":"2016-08-08T17:21:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/comunicacao\/arco\/2016\/08\/08\/post345\/"},"modified":"2016-08-08T14:21:05","modified_gmt":"2016-08-08T17:21:05","slug":"post345","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/post345","title":{"rendered":"O disc\u00edpulo do ritmo"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Frank Ejara nasceu em 1972 na cidade de Andradina, no interior de S\u00e3o Paulo, e est\u00e1 envolvido com a <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">Street Dance<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\"> desde os 11 anos de idade, <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">quando as dan\u00e7as urbanas foram introduzidas no Brasil a partir do lan\u00e7amento dos filmes americanos <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">Beat Street <\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\">(1984) e <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">Breaking Dance<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\"> (1984). Desde ent\u00e3o, Frank sempre esteve envolvido com a cultura Hip Hop, participou do primeiro grupo profissional de Street Dance no Brasil &#8211; <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">DMC Tour, <\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\">desenvolveu detalhado estudo nos estilos das dan\u00e7as urbanas <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">(<\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">Popping<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\">, <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">Locking<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\"> e <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">Breacking<\/span><\/em><em><span style=\"font-weight: 400;\">)<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\"> e, aos 20 anos, fundou sua pr\u00f3pria companhia de dan\u00e7a, a Disc\u00edpulos do Ritmo.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" style=\"margin: 15px auto; display: block;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/danca.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"482\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O dan\u00e7arino vem realizando pesquisas sobre todos os elementos da Cultura Hip Hop e, principalmente, aqueles que dizem respeito \u00e0s Dan\u00e7as Urbanas. Hoje, a companhia tem sete espet\u00e1culos que j\u00e1 excursionaram por todo o Brasil, Estados Unidos e alguns pa\u00edses da Europa, oportunidades conseguidas pela Moovaktion, de Paris, que agencia sua carreira internacional.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Frank ministra workshops por todo o Brasil em eventos como o Passo de Arte, Fitness Brasil, Meeting Hip Hop, Festival de Joinville e cursos no exterior na Fran\u00e7a, Inglaterra, Holanda e It\u00e1lia, onde prepara a nova gera\u00e7\u00e3o e fornece aprimoramento e conhecimento a dan\u00e7arinos profissionais.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><img decoding=\"async\" style=\"margin: 15px; float: left;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/1965569_10205776033778111_123791020767838951_o.jpg\" alt=\"Frank Ejara \u00e9 considerado uma lenda do Hip Hop no Brasil\" width=\"415\" height=\"623\" \/><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Confira abaixo a entrevista de Frank Jara para a Arco:<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como come\u00e7ou sua liga\u00e7\u00e3o com a dan\u00e7a? E por que optou pelas dan\u00e7as urbanas?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Eu comecei a dan\u00e7ar por causa da minha m\u00e3e, aprendi meus primeiros passinhos de dan\u00e7a quando tinha de 7 a 8 anos de idade. \u00a0Minha m\u00e3e n\u00e3o levava a dan\u00e7a como profiss\u00e3o, por\u00e9m dan\u00e7ava socialmente em festas, baladas, etc. Ent\u00e3o eu sempre estive envolvido com m\u00fasica por causa dela, ela sempre teve bons discos e eu sempre escutava e dan\u00e7ava com ela como forma de brincadeira. Na verdade, eu n\u00e3o escolhi as dan\u00e7as urbanas, eu acredito que as coisas acontecem naturalmente e vem at\u00e9 a gente, acredito que elas me escolheram. Assim, como eu j\u00e1 estava envolvido com a m\u00fasica negra americana desde a inf\u00e2ncia, quando as dan\u00e7as urbanas e a cultura hip hop chegaram ao Brasil, em 1984, eu me envolvi com a cultura de forma natural.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ouvi voc\u00ea citar o ano de 1984 e me lembrei do filme de dan\u00e7as urbanas daquela \u00e9poca, o <\/strong><strong><em>Beat Street<\/em><\/strong><strong>. Em entrevistas, voc\u00ea disse que esse filme mudou a sua vida. De que forma isso aconteceu?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tem dois filmes que s\u00e3o de 1984, um \u00e9 o <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">Breaking Dance<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\"> e o outro \u00e9 o <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">Beat Street<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\">. Esses dois filmes representam a chegada das dan\u00e7as urbanas aqui no Brasil e pelo resto do mundo, ent\u00e3o toda a primeira gera\u00e7\u00e3o de bailarinos de <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">Street Dance<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\"> no Brasil come\u00e7aram por causa desses filmes e eu fui um deles. Eu dan\u00e7ava antes desse filme, mas n\u00e3o <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">Street Dance.<\/span><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como se deu sua especializa\u00e7\u00e3o e aprofundamento te\u00f3rico nos estilos <\/strong><strong><em>Locking<\/em><\/strong><strong>, <\/strong><strong><em>Popping<\/em><\/strong><strong> e <\/strong><strong><em>Breaking <\/em><\/strong><strong>das dan\u00e7as urbanas, j\u00e1 que na \u00e9poca n\u00e3o se tinham estudos nem dan\u00e7arinos que praticassem essa cultura?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Eu acredito que isso tenha rela\u00e7\u00e3o com o perfil de cada um, porque eu sempre fui uma pessoa interessada em saber, conhecer e ler sobre o assunto. A dan\u00e7a para mim foi, por muito tempo, um <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">hobby<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\">, nunca passou pela minha cabe\u00e7a ser um profissional da \u00e1rea. Foi em 1996, quando eu assisti a uma <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">companhia de dan\u00e7a profissional americana chamada de Ghetto Original, que eu descobri q<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">ue trabalhar com dan\u00e7a era o que eu realmente queria fazer. Ent\u00e3o, a partir daquele dia, meu pensamento mudou, eu procurei estudar muito sobre os estilos de dan\u00e7as, nomenclatura, passos b\u00e1sicos, procurei v\u00eddeos em VHS e busquei revistas americanas que falassem sobre dan\u00e7a- o que me fez um autodidata em ingl\u00eas. Foi todo um processo de tr\u00eas anos para eu me preparar. Em 1999, eu criei minha pr\u00f3pria companhia de dan\u00e7a chamada os Disc\u00edpulos do Ritmo.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>De onde veio a inspira\u00e7\u00e3o para o nome da companhia, Disc\u00edpulos do Ritmo?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Eu participo de todos os elementos da cultura Hip Hop, porque al\u00e9m de dan\u00e7arino eu fa\u00e7o Rap, arrisco como DJ, trabalho com som, etc. Eu tinha escrito uma m\u00fasica no in\u00edcio dos anos 90 que se chamava Disc\u00edpulos do Ritmo, que falava n\u00f3s, da cultura Hip Hop, somos disc\u00edpulos do ritmo, porque o ponto principal de todas as formas de arte da cultura t\u00eam o ritmo envolvido. Ent\u00e3o, quando comecei a pensar em ter uma companhia de dan\u00e7a, esse nome veio a minha mem\u00f3ria e acabou ficando.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea e sua companhia de dan\u00e7a montam muitos espet\u00e1culos que s\u00e3o apresentados por v\u00e1rios lugares do Brasil e tamb\u00e9m fora do pa\u00eds, entre eles o Ta limpo!, que foi um marco para a carreira de voc\u00eas. \u00a0O que esse espet\u00e1culo representa e por que esse nome?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">Ta limpo!<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\"> foi o primeiro espet\u00e1culo da companhia, montado em 2001, e n\u00e3o foi uma cria\u00e7\u00e3o minha, mas sim resultado de um interc\u00e2mbio. Naquel<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">e ano, o core\u00f3grafo alem\u00e3o Storm <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">procurava um grupo brasileiro para ele coreografar e pediu material dos grupos do Brasil para saber em que n\u00edvel est\u00e1vamos. \u00a0J\u00e1 fazia dois anos que a gente treinava, n\u00f3s est\u00e1vamos preparados, ent\u00e3o ele decidiu fazer o espet\u00e1culo com a gente. Assim, ele veio ao Brasil e montou em tr\u00eas semanas o espet\u00e1culo <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">Ta limpo!,<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\"> que fala de um momento na vida de v\u00e1rios dan\u00e7arinos do Street Dance em que se tem um trabalho corriqueiro, mas o sonho \u00e9 viver da dan\u00e7a. Ele representa seis faxineiros de uma empresa que est\u00e3o o tempo inteiro dan\u00e7ando- quando entra a trilha sonora- ent\u00e3o toda a coreografia usa elementos de limpeza que se associam \u00e0 dan\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com esse espet\u00e1culo, v\u00e1rias coisas aconteceram na Disc\u00edpulos do Ritmo, porque um empres\u00e1rio franc\u00eas viu a nossa apresenta\u00e7\u00e3o e ficou com vontade de trabalhar com a gente. Assim, come\u00e7amos a trabalhar com uma empresa de Paris, a <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Moovaktion,<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> que cuida de v\u00e1rios artistas de dan\u00e7a na Europa, e com o apoio dela come\u00e7amos a viajar pelo mundo.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Falando em dan\u00e7a como profiss\u00e3o, para ti como \u00e9 o mercado brasileiro na \u00e1rea?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A minha opini\u00e3o tem incomodado muita gente h\u00e1 muitos anos. Na verdade, eu acho um absurdo, quando se fala em dan\u00e7as urbanas, que todo mundo s\u00f3 veja uma maneira de ganhar dinheiro com a dan\u00e7a, que \u00e9 dando aula. Ent\u00e3o, isso para mim \u00e9 o maior erro de todos, porque com isso temos cada vez mais pessoas despreparadas na sala de aula: a pessoa \u00a0dan\u00e7ou s\u00f3 dois anos e j\u00e1 est\u00e1 dando aula, porque quer viver da dan\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Existem outros mercados que precisam ser explorados, precisamos montar n\u00facleos de cria\u00e7\u00e3o e espet\u00e1culos, por exemplo. Hoje, n\u00e3o temos grupos organizados trabalhando com dan\u00e7as urbanas nas artes c\u00eanicas, e isso \u00e9 um mercado art\u00edstico. Logo, eu posso afirmar que <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">os bailarinos de dan\u00e7as urbanas n\u00e3o vivem artisticamente, mas vivem de pedagogia, de dar aula. E o que precisamos \u00e9 de mais grupos com espet\u00e1culos<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, para esquentar o mercado que est\u00e1 muito fraco, e a culpa \u00e9 toda nossa.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Em m\u00e9dia quantos espet\u00e1culos voc\u00eas fazem por m\u00eas?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Somos uma companhia independente, sem fomentos, sem grandes patrocinadores e que vive de cach\u00ea, ent\u00e3o \u00e9 tudo muito oscilante, uma hora temos muitos shows outra hora menos, tudo depende da procura.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O que os interessados em participar da tua companhia devem fazer?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A\u00ed vem a not\u00edcia ruim, porque eu n\u00e3o fa\u00e7o audi\u00e7\u00e3o. Trabalhar numa companhia de dan\u00e7a \u00e9 como trabalhar em uma fam\u00edlia, a gente viaja muito, fica dois, tr\u00eas dias fora, \u00e0s vezes meses. Ent\u00e3o eu nunca fiz audi\u00e7\u00e3o. Sempre convivi com v\u00e1rios dan\u00e7arinos e, depois, somando o talento dessa pessoa ao car\u00e1ter, eu convido para participar da companhia.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-weight: 400;\"><img decoding=\"async\" style=\"margin: 15px;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/Comemoracao.jpg\" alt=\"Coreografia do grupo Disc\u00edpulos do Ritmo\" width=\"704\" height=\"469\" \/><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Reportagem: J\u00e9ssica Loss<br \/>\nFotografias: Facebook do Frank, Arthur Sanches e Divulga\u00e7\u00e3o<br \/>\nInfogr\u00e1fico: Nicolle Sartor<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Frank Ejara conta da sua forma\u00e7\u00e3o em dan\u00e7as urbanas e discute o momento atual da dan\u00e7a no Brasil<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":878,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1524],"tags":[],"class_list":["post-345","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/345","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=345"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/345\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/878"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=345"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=345"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=345"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}