{"id":370,"date":"2016-09-09T09:04:54","date_gmt":"2016-09-09T12:04:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/comunicacao\/arco\/2016\/09\/09\/post370\/"},"modified":"2016-09-09T09:04:54","modified_gmt":"2016-09-09T12:04:54","slug":"post370","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/post370","title":{"rendered":"\u201cA principal dificuldade \u00e9 o desconhecimento\u201d"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">O emprego de pessoas com defici\u00eancia est\u00e1 amparado, no Brasil, pela lei de cotas, de 1991. Ela obriga empresas com 100 ou mais empregados a reservarem vagas para pessoas com defici\u00eancia: empresas com mais de mil funcion\u00e1rios, por exemplo, devem ter uma reserva legal de vagas de 5%. Apesar de a lei vigorar h\u00e1\u00a0mais de 20 anos, algumas empresas n\u00e3o a cumprem e t\u00eam como uma das justificativas a falta de m\u00e3o de obra qualificada.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Dados da Secretaria Nacional de Promo\u00e7\u00e3o dos Direitos das Pessoas com Defici\u00eancia, entretanto, mostram que a qualifica\u00e7\u00e3o formal n\u00e3o deveria ser um empecilho para a empregabilidade de pessoas com defici\u00eancia. Segundo o Censo IBGE de 2010, enquanto a taxa de alfabetiza\u00e7\u00e3o entre pessoas com 15 anos ou mais varia cerca de 10,3% entre pessoas com pelo menos um tipo de defici\u00eancia e pessoas sem nenhuma defici\u00eancia, esses n\u00fameros se reduzem a 3,7%, quando consideramos a forma\u00e7\u00e3o em ensino superior.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uma das coordenadoras do Sistema de Informa\u00e7\u00e3o da Pessoa com Defici\u00eancia<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, Luiza Maria Borges Oliveira, afirma que \u201cexistem pessoas com defici\u00eancia dispon\u00edveis no mercado de trabalho, com qualifica\u00e7\u00f5es n\u00e3o muito distintas daquelas das pessoas sem defici\u00eancia. Cabe \u00e0s empresas, ent\u00e3o, a responsabilidade de encontrar essas pessoas e, uma vez contratados, promover a capacita\u00e7\u00e3o e o treinamento de seus trabalhadores em suas \u00e1reas espec\u00edficas de atividade\u201d.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" style=\"margin: 15px auto; display: block;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/deficientes3.png\" alt=\"\" width=\"832\" height=\"597\" \/><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Durante a programa\u00e7\u00e3o da Semana Nacional da Pessoa com defici\u00eancia, o N\u00facleo de Acessibilidade da Universidade Federal de Santa Maria discutiu essa tem\u00e1tica. Um dos convidados do evento foi Rafael Faria Giguer, auditor fiscal do trabalho de Porto Alegre. Rafael \u00e9 formado em Engenharia de Materiais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e possui defici\u00eancia visual. Ele atua na inclus\u00e3o de pessoas com defici\u00eancia no mercado de trabalho.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na sua passagem por Santa Maria, a Arco conversou com ele sobre os principais aspectos do mercado de trabalho para pessoas com defici\u00eancia e as atividades que ele desenvolve como auditor fiscal.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><img decoding=\"async\" style=\"float: right; margin: 15px;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/MGM5935.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"600\" \/><\/span><\/p>\n<p><strong>Quais as principais dificuldades voc\u00ea enfrentou para se inserir no mercado de trabalho?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A principal dificuldade \u00e9 o desconhecimento. As empresas e a sociedade em geral n\u00e3o sabem quais s\u00e3o as capacidades que uma pessoa com defici\u00eancia visual tem. Eles t\u00eam a ideia de que uma pessoa com defici\u00eancia visual n\u00e3o consegue usar o computador, n\u00e3o tem acesso \u00e0 leitura, enfim n\u00e3o consegue fazer quase nada e precisa do braile para tudo. O que na verdade \u00e9 um mito, porque hoje, com o meu celular, consigo ter acesso a tudo. O problema \u00e9 que a empresa n\u00e3o chega a me convidar para [que eu possa] explicar isso. As empresas s\u00f3 olham as limita\u00e7\u00f5es e n\u00e3o pensam nas potencialidades. Quando eu chegava a ser chamado para uma entrevista, diziam que precisavam de muitas adapta\u00e7\u00f5es. Uma vez cheguei a ficar seis meses esperando para ser chamado para uma vaga e quando entrei em contato com a empresa me disseram que estavam realizando adapta\u00e7\u00f5es do ambiente para mim, mas eles n\u00e3o sabiam minhas reais necessidades. O desconhecimento, esse medo de entrevistar, acho que foi a maior barreira que eu tive para conseguir um emprego. Eu nunca pude mostrar a minha potencialidade.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Com rela\u00e7\u00e3o a preco<\/strong><strong>nceitos, como aprendeu a lidar com isso?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A maioria dos preconceitos eu n\u00e3o vejo. Como n\u00e3o ser chamado para entrevistas. Normalmente esses preconceitos n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o claros.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quais as maiores dificuldades hoje de pessoas com defici\u00eancia de se inserirem no mercado de trabalho?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As pessoas ocuparem o cargo que sua qualifica\u00e7\u00e3o proporciona. Pois na maioria das vezes as vagas que s\u00e3o ofertadas s\u00e3o as de menor complexidade. Como aconteceu comigo: por algum tempo procurei emprego na minha \u00e1rea de forma\u00e7\u00e3o e tive que optar por concursos p\u00fablicos por n\u00e3o ter disponibilidade de vagas na minha \u00e1rea para pessoas com defici\u00eancia, ou seja, os grandes cargos nunca abrem vaga para pessoas com defici\u00eancia.<\/span><\/p>\n<blockquote style=\"float: left;\"><p><strong>As multas aplicadas a empresas que n\u00e3o cumprem a legisla\u00e7\u00e3o de cotas pode variar entre 10 e 15 vezes o melhor sal\u00e1rio da Empresa<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Que melhorias se podem notar nos \u00faltimos anos com a fiscaliza\u00e7\u00e3o maior sobre as empresas e o que ainda falta para mais pessoas com defici\u00eancia se colocarem no mercado de trabalho?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A fiscaliza\u00e7\u00e3o aumentou nos \u00faltimos dez anos. E o que se pode notar foi um aumento de vagas e tamb\u00e9m uma oferta, por parte das empresas, de melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho as pessoas com defici\u00eancia. Em 2014 a Auditoria do Trabalho incluiu 40.897 pessoas com defici\u00eancia no trabalho por forma direta da a\u00e7\u00e3o fiscal.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Existem programas de inclus\u00e3o de pessoas com defici\u00eancia, que hoje come\u00e7am a qualificar as pessoas com defici\u00eancia desde o momento que os contratam como jovens aprendizes. Atualmente n\u00e3o se pode dizer que n\u00e3o existem profissionais capacitados para ocupar determinada vaga, pois as empresas podem capacitar os seus funcion\u00e1rios. Ainda falta um pouco de vontade por parte das empresas de se adaptarem e oferecerem condi\u00e7\u00f5es adequadas de trabalho \u00e0s pessoas com defici\u00eancia. Pois n\u00e3o adianta s\u00f3 ter um programa de inclus\u00e3o, n\u00e3o basta contratar, tem que ofertar condi\u00e7\u00f5es para as atividades serem desenvolvidas.<\/span><\/p>\n<p><strong>Qual voc\u00ea entende ser a sua fun\u00e7\u00e3o, como auditor fiscal do trabalho, na constru\u00e7\u00e3o dessas mudan\u00e7as?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O que eu busco \u00e9 que as pessoas com defici\u00eancia n\u00e3o precisem se qualificar e trabalhar em prol da causa das pessoas com defici\u00eancia para verem as coisas melhorarem. Espero que as pessoas possam ser aquilo que quiserem. Que ocupem os cargos que se prepararam para seguir. Enquanto a sociedade entender que ser deficiente \u00e9 ruim, que pessoas com defici\u00eancia s\u00e3o defeituosas, n\u00f3s n\u00e3o evolu\u00edmos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>Reportagem: Maira Trindade<br \/>\nFotografias: Rafael Happke<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rafael Ginguer discute o mercado de trabalho para pessoas com defici\u00eancia<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":935,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1742],"tags":[],"class_list":["post-370","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-extenda-10a-edicao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/370","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=370"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/370\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/935"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=370"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=370"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=370"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}