{"id":374,"date":"2016-09-15T13:37:30","date_gmt":"2016-09-15T16:37:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/comunicacao\/arco\/2016\/09\/15\/post374\/"},"modified":"2016-09-15T13:37:30","modified_gmt":"2016-09-15T16:37:30","slug":"post374","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/post374","title":{"rendered":"Bact\u00e9ria como controle biol\u00f3gico"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" style=\"float: right; margin: 15px;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/wolbachia.png\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"333\" \/><\/span><\/p>\n<p>A Wolbachia \u00e9 um g\u00eanero de bact\u00e9rias que est\u00e1 presente na natureza. Se pensarmos apenas nos insetos, 65% das esp\u00e9cies convivem com ela. Na UFSM, o professor \u00c9lgion Loreto, do Departamento de Bioqu\u00edmica e Biologia Molecular do Centro de Ci\u00eancias Naturais e Exatas, est\u00e1 pesquisando uma rota poss\u00edvel de transfer\u00eancia gen\u00e9tica desta bact\u00e9ria de um inseto para outro, o que poderia possibilitar um controle biol\u00f3gico de pragas causadas por insetos. Isso porque a bact\u00e9ria Wolbachia tem uma capacidade de transfer\u00eancia muito maior do que j\u00e1 foi estudado pelos pesquisadores da \u00e1rea.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ela\u00a0\u00e9 considerada uma cepa, termo da biologia e da gen\u00e9tica que se refere a um grupo de descendentes com um ancestral comum que compartilham semelhan\u00e7as morfol\u00f3gicas ou fisiol\u00f3gicas (um exemplo mais simples de uma cepa \u00e9 a varia\u00e7\u00e3o H1N1, derivada de um ancestral comum de v\u00edrus da gripe). Em algumas esp\u00e9cies de insetos, a cepa de Wolbachia pode n\u00e3o gerar nenhum tipo de efeito biol\u00f3gico. J\u00e1 em outras ela pode ser extremamente nociva.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><img decoding=\"async\" style=\"margin-top: 15px; margin-bottom: 15px; float: left;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/wolbachia-insetos.png\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"433\" \/><\/span><\/p>\n<p><strong>Controle biol\u00f3gico<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na pr\u00e1tica, a Wolbachia pode ser uma bact\u00e9ria eficiente no controle biol\u00f3gico &#8211; que \u00e9 a capacidade de controlar a multiplica\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o de alguma esp\u00e9cie atrav\u00e9s de outra, que afete sua capacidade reprodutiva. \u00c9 comum associarmos o controle biol\u00f3gico ao cuidado com a preserva\u00e7\u00e3o da natureza. Mas ele tamb\u00e9m tem riscos. \u201cQuando o controle biol\u00f3gico \u00e9 feito com esp\u00e9cies do local, e com conhecimentos sobre o local, \u00e9 uma coisa. Agora, trazer uma esp\u00e9cie que n\u00e3o faz parte do sistema, na maioria das vezes, \u00e9 imprevis\u00edvel\u201d, afirma Loreto.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Pesquisadores australianos fizeram experimentos para analisar os riscos da Wolbachia como controladora biol\u00f3gica. Os experimentos consistiam em colocar aranhas a comer mosquitos com Wolbachia. Depois de dois meses de testes se comprovou que a bact\u00e9ria n\u00e3o estava presente nos aracn\u00eddeos, o que seria um ind\u00edcio de que a bact\u00e9ria seria um recurso seguro para o controle biol\u00f3gico, atrav\u00e9s desses aracn\u00eddeos. \u00a0Para o professor Loreto, entretanto, esses estudos s\u00e3o insuficientes na tentativa de dimensionar os poss\u00edveis riscos da introdu\u00e7\u00e3o de uma vida diferente no ecossistema: \u201cquando a gente mexe com sistemas ecol\u00f3gicos complexos, muitas vezes a inclus\u00e3o de uma nova esp\u00e9cie pode desbalancear uma cadeia ecol\u00f3gica\u201d, diz ele.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A pesquisa australiana aponta que o uso da <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Wolbachia <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">poderia ser bastante eficaz no combate de doen\u00e7as transmitidas por mosquitos, como dengue, zika e chikungunya, atrav\u00e9s da diminui\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o de insetos transmissores dessas doen\u00e7as. Seria uma alternativa a outros m\u00e9todos j\u00e1 conhecidos, como o combate qu\u00edmico com inseticidas e o combate com mosquitos transg\u00eanicos.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na rela\u00e7\u00e3o com os transg\u00eanicos, o controle biol\u00f3gico tamb\u00e9m seria uma alternativa mais barata, visto que na transgenia os mosquitos machos s\u00e3o esterilizados por radia\u00e7\u00e3o e n\u00e3o s\u00e3o capazes de gerar prole. Assim, \u00e9 necess\u00e1rio que se esterilizem sempre mais mosquitos para manter o controle efetivo \u2013 seria necess\u00e1ria uma \u201cf\u00e1brica de mosquitos\u201d.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em resposta ao estudo realizado na Austr\u00e1lia, Loreto escreveu um artigo, em parceira com o professor Gabriel Wallau, do Departamento de Entomologia da Fiocruz (PE). No texto, publicado na Revista Science, os pesquisadores buscam apontar os riscos que o controle biol\u00f3gico causa em um organismo. No exemplo apresentado neste estudo, Loreto e Wallau optaram por retirar a bact\u00e9ria <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Wolbachia<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> de dros\u00f3filas (pequenas moscas, comuns em frutas em decomposi\u00e7\u00e3o) e passar para mosquitos, que a transmitiriam para a sua prole. Com isso, os autores buscaram mostrar que n\u00e3o h\u00e1 pesquisa suficiente para considerar o m\u00e9todo de transfer\u00eancia segura, pois n\u00e3o se sabem os riscos da introdu\u00e7\u00e3o de uma bact\u00e9ria em um novo sistema ecol\u00f3gico.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" style=\"display: block; margin: 15px auto 15px auto;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/MGM6481-1.jpg\" alt=\" \u00c9lgion Loreto em seu laborat\u00f3rio no Centro de Ci\u00eancias Naturais, onde estuda as propriedades da wolbachia\" width=\"600\" height=\"400\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As pesquisas com Wolbachia n\u00e3o s\u00e3o consideradas transgenia e por isso, n\u00e3o passam pelo Conselho Nacional de Biosseguran\u00e7a. O uso delas \u00e9 autorizado como \u201cproduto veterin\u00e1rio\u201d, sem considerar os poss\u00edveis riscos de sua aplica\u00e7\u00e3o indiscriminada em pesquisas.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os pesquisadores da \u00e1rea n\u00e3o conseguem definir com exatid\u00e3o quais s\u00e3o os riscos das cepas de Wolbachia no meio ambiente. A produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, por exemplo, depende do processo de poliniza\u00e7\u00e3o realizado por insetos, como as abelhas, por exemplo. \u201cO que aconteceria se uma cepa entrasse em um polinizador? \u00c9 imprevis\u00edvel, n\u00f3s n\u00e3o sabemos o que pode acontecer\u201d, afirma Loreto. \u00a0Al\u00e9m disso, \u00e9 muito dif\u00edcil representar de forma laboratorial as peculiaridades de um sistema extremamente heterog\u00eaneo. \u201c\u00c9 preciso ter cautela, na natureza a coisa \u00e9 muito mais complexa\u201d resume o professor. <\/span><\/p>\n<p>Reportagem: Jo\u00e3o In\u00e1cio, Ramiro Brites e Vitor Rodriguez<br \/>\nInfogr\u00e1ficos: Nicolle Sartor<br \/>\nFotografia: Rafael Happke<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Professor da UFSM estuda as propriedades da bact\u00e9ria Wolbachia<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":813,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1523],"tags":[],"class_list":["post-374","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ciencia"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/374","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=374"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/374\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/813"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=374"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=374"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=374"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}