{"id":397,"date":"2016-10-27T17:06:26","date_gmt":"2016-10-27T19:06:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/comunicacao\/arco\/2016\/10\/27\/post397\/"},"modified":"2016-10-27T17:06:26","modified_gmt":"2016-10-27T19:06:26","slug":"post397","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/post397","title":{"rendered":"\u201cN\u00e3o acredito na verdade, tudo \u00e9 vol\u00e1til e passageiro\u201d"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" style=\"margin: 15px; float: right;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/IMG_8632.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"600\" \/><\/span><\/p>\n<p>Edgar Franco ou Ciberpaj\u00e9? O professor do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Arte e Cultura Visual da Universidade Federal de Goi\u00e1s n\u00e3o concebe uma separa\u00e7\u00e3o entre as facetas de si mesmo. Desde 2011, quando realizou p\u00f3s-doutorado em Arte e Tecnoci\u00eancia na UnB, declara-se Ciberpaj\u00e9, como explica, \u201catrav\u00e9s de um processo art\u00edstico e m\u00e1gico de transmuta\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Edgar cresceu em uma fam\u00edlia de classe m\u00e9dia na cidade de Ituiutaba, Minas Gerais. O pai foi um autodidata, que construiu uma biblioteca particular com cerca de 5 mil volumes, e j\u00e1 lia para o filho de 2 anos hist\u00f3rias em quadrinhos. Com 9 anos, Edgar conheceu a obra do xar\u00e1 Edgar Alan Poe, e, a partir dele, Baudelaire, Robert E. Howard, Guy de Maupassant, al\u00e9m de fil\u00f3sofos como Voltaire, Schopenhauer, Friedrich Nietzsche. Dos quadrinhos, Mozart Couto, Jayme Cortez, Rodolfo Zalla, Nico Rosso, Rubens Lucchetti j\u00e1 eram inspira\u00e7\u00f5es. Durante um per\u00edodo da inf\u00e2ncia, Edgar morou em uma pequena vila, onde teve maior contato com a natureza: caminhava com o pai pelo cerrado e nadava no Rio Tejuco. \u201cMinha inf\u00e2ncia foi marcada pelo desenvolvimento do amor pela natureza e pelas narrativas\u201d, conta. Com 16 anos, j\u00e1 produzindo suas pr\u00f3prias ilustra\u00e7\u00f5es e narrativas visuais, Edgar teve seu primeiro contato com a m\u00fasica. \u201cFascinado pela rebeldia e iconoclastia do heavy metal, comecei meus estudos com o contrabaixo, ao mesmo tempo em que tive contato com o ocultismo, lendo obras de Madame Blavatsky e Teilhard de Chardin\u201d, lembra o artista.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Cursou Arquitetura e Urbanismo na Universidade de Bras\u00edlia e fez o mestrado em Multimeios, na Unicamp. L\u00e1, Edgar pesquisou a linguagem h\u00edbrida das HQs na internet: \u201cPassei esse tempo investigando a linguagem interm\u00eddia que batizei de <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">HQtr\u00f4nicas<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\">. Criei tamb\u00e9m as minhas pr\u00f3prias <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">HQtr\u00f4nicas<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\">, realizando uma pesquisa pioneira no mundo, que foi publicada como livro e, em sua segunda edi\u00e7\u00e3o, virou refer\u00eancia no pa\u00eds inteiro\u201d, relata. Foi nesse per\u00edodo que passou a se interessar pelo conceito de p\u00f3s-humano, a ideia de que o corpo pode, um dia, ser substitu\u00eddo pelas m\u00e1quinas. Segundo ele, \u00e9 um pensamento recorrente entre fil\u00f3sofos p\u00f3s-modernos. \u201cAutores como Ray Kurzweil, Hans Moravec, Vernon Vinge, Baudrillard e P.K.Dick; e artistas como Stelarc, Eduardo Kac, Natasha Vita More, Mark Pauline e H.R.Giger, me levaram a criar arte inspirada no p\u00f3s-humano e tamb\u00e9m ao doutorado, feito na Escola de Comunica\u00e7\u00f5es e Artes da USP\u201d, explica. Na tese, \u201cPerspectivas P\u00f3s-humanas nas Ciberartes\u201d, estudou a arte p\u00f3s-humana e a sua pr\u00e1tica construiu o universo ficcional transm\u00eddia que ele chama de <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">Aurora P\u00f3s-humana<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\">, espa\u00e7o que serve de base para a cria\u00e7\u00e3o de suas obras art\u00edsticas nas mais variadas m\u00eddias: quadrinhos, m\u00fasica, poesia, aforismos, web arte, instala\u00e7\u00f5es interativas, videoclipes, videoarte, <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">gamearte<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\">, e performances h\u00edbridas.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sua forma de viver, como diz, tem causado furor nos espa\u00e7os acad\u00eamicos onde convive. A sua vis\u00e3o a respeito da arte e da Academia tamb\u00e9m. A Revista Arco conversou com ele para saber mais sobre a sua trajet\u00f3ria, sobre o personagem que criou e que a ele foi incorporado e sobre as suas produ\u00e7\u00f5es art\u00edsticas. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O que \u00e9 o Ciberpaj\u00e9 e por que essa incorpora\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A figura do paj\u00e9 \u00e9 fascinante, pois tem a capacidade de se conectar diretamente com a natureza para modificar a realidade. Ela mistura os mundos real e mitol\u00f3gico; consegue reestruturar a realidade mixando esses mundos e \u00e9 algu\u00e9m que busca a cura, a harmonia, o equil\u00edbrio. Eu me espelho no paj\u00e9. Crio mundos ficcionais e tenho utilizado gradativamente esses mundos para modificar a minha realidade. O prefixo ciber, da cibern\u00e9tica, foi agregado ao paj\u00e9 porque denota a conex\u00e3o e troca de informa\u00e7\u00f5es entre seres vivos, mas tamb\u00e9m entre seres vivos e m\u00e1quinas. Ele incorpora as novas possibilidades tecnol\u00f3gicas como um campo amplo para os exerc\u00edcios m\u00e1gicos de conex\u00e3o entre mundos que o ciberpaj\u00e9 promove.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Me declarei Ciberpaj\u00e9 descrevendo o meu renascimento atrav\u00e9s de um ritual que criei, baseado em uma contagem regressiva de dez dias, e dez \u201cchaves da transmuta\u00e7\u00e3o\u201d que criei. Na manh\u00e3 do renascimento, eu compus e gravei um ritual que considero minha declara\u00e7\u00e3o de \u201cCiberpaj\u00e9\u201d. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><iframe src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/8Jc2jjDt7OE?rel=0\" width=\"450\" height=\"253\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea j\u00e1 nos disse, no primeiro contato que tivemos, que essa incorpora\u00e7\u00e3o causa furor no mundo acad\u00eamico. Como lidar com isso na atividade docente, e em todas as outras rela\u00e7\u00f5es dentro do mundo do trabalho?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Assumi a identidade de Ciberpaj\u00e9 em todos os mundos que circulo, incluindo o acad\u00eamico, e isso causa indigna\u00e7\u00e3o em muitos colegas. Em palestras, em que digo que me autodeclarei Ciberpaj\u00e9, alguns me interpelam e questionam como posso me autodeclarar algo. Para as mentes formatadas dessas pessoas, t\u00edtulos s\u00f3 podem ser outorgados por outros, a vida deve ser uma hist\u00f3ria de subservi\u00eancia ao sistema.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Eu passei por todos os ditames dos planos da hierarquia acad\u00eamica \u2013 copiada da hierarquia militar e eclesi\u00e1stica \u2013 com seus graus e patentes, fiz gradua\u00e7\u00e3o, mestrado, doutorado, p\u00f3s-doutorado, concurso p\u00fablico em universidade federal, avalia\u00e7\u00f5es peri\u00f3dicas para estar em um programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Cumpri todas as exig\u00eancias e sou sabatinado constantemente, mesmo assim causo indigna\u00e7\u00e3o ao me autodeclarar Ciberpaj\u00e9. Para mim, \u00e9 o mais importante de meus t\u00edtulos, aquele que me outorguei a partir de minha experi\u00eancia de vida, um nome de renascido, um t\u00edtulo que sobrepuja todos os outros, coloca por terra inclusive os nomes das \u201cgrifes\u201d onde estudei. Sou o Ciberpaj\u00e9, vou de cartola e com meus dez an\u00e9is nos dedos, coturno e camiseta de lobo, costeletas anacr\u00f4nicas e impetuosidade lupina \u00e0s bancas de mestrado e doutorado para as quais sou convidado como membro, para palestras, congressos, eventos.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sigo na academia, pois fora dela n\u00e3o poderia auxiliar a romper com seus paradigmas apodrecidos, mas nunca escrevi um artigo ou criei arte para cumprir tabela, para ganhar nota A1 na avalia\u00e7\u00e3o da Capes, feito um ratinho pavloviano. Sou visceral, minha arte, meus escritos, mesmo os acad\u00eamicos, s\u00e3o parte de meu <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">grimoire<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\"> de <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">magista<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\">. Obviamente, sigo algumas regras para que sejam publicados, mas n\u00e3o os formato para atender ao sistema, n\u00e3o os transformo em bajula\u00e7\u00f5es de te\u00f3ricos da moda ou \u201cbaba\u00e7\u00e3o de ovo\u201d de escolinhas te\u00f3ricas. Toda minha teoriza\u00e7\u00e3o \u00e9 consequ\u00eancia de minhas cria\u00e7\u00f5es e todas as minhas cria\u00e7\u00f5es art\u00edsticas s\u00e3o rituais de autotransmuta\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" style=\"margin: 15px; float: left;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/IMG_8652.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"600\" \/><\/p>\n<p><strong>Tendo afirmado o furor da academia em rela\u00e7\u00e3o a voc\u00ea, sei pelas leituras que fiz que voc\u00ea tamb\u00e9m tem cr\u00edticas \u00e0 forma como est\u00e1 institu\u00edda a academia? Quais s\u00e3o essas cr\u00edticas?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Apesar de uma pseudoaparente maior diversidade e toler\u00e2ncia ao diferente que \u00e9 apregoada midiaticamente como algo que existe, sabemos que o mundo tem caminhado para o inverso disso. Nessa vida, n\u00e3o me lembro de experienciar um per\u00edodo em que a cultura humana estivesse t\u00e3o fragmentada e dividida em in\u00fameros grupelhos que tornam suas teses e leis em dogmas e passam a odiar todos os demais. S\u00e3o milhares de fac\u00e7\u00f5es e subfac\u00e7\u00f5es culturais vomitando seu \u00f3dio a tudo que n\u00e3o \u00e9 afinado com eles. Toda essa fragmenta\u00e7\u00e3o tem sido insistentemente incentivada pelos governos, marionetes das multinacionais, utilizando assim o velho e muito eficaz princ\u00edpio da pol\u00edtica romana chamado &#8220;divide et impera&#8221;, dividir para conquistar. Ao incentivarem o fortalecimento de milhares de grupelhos de ideologias antag\u00f4nicas, os donos do poder impedem que haja a uni\u00e3o entre as pessoas. Por isso eu me declaro livre de todos os <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">ismos<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\">, liberto de todo e qualquer dogma, pronto para me insurgir contra os verdadeiros vil\u00f5es, os monstros no poder. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O mercantilismo e produtivismo invadiu a universidade de maneira irrevers\u00edvel; pesquisadores, que deveriam ser sonhadores ut\u00f3picos, criadores inspirados, tornaram-se ratos predadores buscando metas como executivos pressionados por um sistema cada vez mais predat\u00f3rio que incentiva n\u00e3o a conex\u00e3o entre os pesquisadores, e sim a extrema competitividade. Programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o v\u00e3o se tornando arenas de guerra velada, em que as pessoas se odeiam e buscam ultrapassar a pontua\u00e7\u00e3o de seus advers\u00e1rios, j\u00e1 que tudo \u00e9 uma quest\u00e3o de n\u00fameros, uma corrida desenfreada a lugar nenhum, e os jovens estudantes que deveriam ser inspirados s\u00e3o negativamente influenciados. As parcas e quase inexistentes a\u00e7\u00f5es criadoras e transformadoras vindas das universidades s\u00e3o fruto de iniciativas isoladas de alguns seres especiais. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Outra quest\u00e3o premente das tais \u201cci\u00eancias humanas\u201d \u00e9 a teoria que sobrepuja a experi\u00eancia, os doutos ratos acad\u00eamicos pautam sua torpe vis\u00e3o de mundo nas experi\u00eancias dos outros, elegem autores como semideuses e se tornam papagaios de pirata reproduzindo teorias alheias como modelos de vida e an\u00e1lise da realidade. A teoria jamais sobrepuja a experi\u00eancia, a teoria \u00e9 um fantasma, uma ilus\u00e3o que \u00e9 sempre idealizada, ela indubitavelmente nasce como fruto de uma experi\u00eancia particular. Mesmo a f\u00edsica hoje admite que o observador interfere naquilo que observa, modificando o fen\u00f4meno. Recuso-me a ler qualquer coisa que venha de algu\u00e9m que coloca a teoria em primeiro plano e rejeita a experi\u00eancia. Viver \u00e9 experienciar, a teoria \u00e9 o territ\u00f3rio dos idiotas e medrosos. O reinado absoluto do produtivismo, do mercantilismo, e da teoria em detrimento da experi\u00eancia na academia \u00e9 o atestado claro de que a universidade faliu, \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o em est\u00e1gio de total decad\u00eancia rumo a um fim necess\u00e1rio.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>De que forma voc\u00ea atua na transforma\u00e7\u00e3o (a partir da incorpora\u00e7\u00e3o do personagem) dessa realidade da academia que voc\u00ea critica?<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sou um arauto adogm\u00e1tico lutando pela implos\u00e3o final desse sistema. Primeiramente, me coloco contr\u00e1rio a todo e qualquer dogma acad\u00eamico. Os estudantes devem ler de tudo, saber selecionar no universo da hiperinforma\u00e7\u00e3o o que \u00e9 importante, mas jamais aderir a uma teoria como um dogma capaz de resolver todos os problemas e analisar a complexidade do Cosmos, isso \u00e9 limitante e estanque. Tamb\u00e9m falo sempre da import\u00e2ncia de pautarem suas vidas pelas experi\u00eancias e nunca pelas teorias, minhas aulas s\u00e3o todas constru\u00eddas a partir de minhas experi\u00eancias pessoais como artista. A teoria \u00e9 um apoio, apenas. A forma de me vestir, de me portar, a coragem de me pronunciar s\u00e3o ru\u00eddos importantes, pequenas rachaduras na estrutura apodrecida da academia. Estou na contram\u00e3o de todo o poder institu\u00eddo e estabelecido, ent\u00e3o o meu papel \u00e9 o de implos\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Eu estou na universidade pelos alunos, pois encontro constantemente jovens que ainda t\u00eam a chama necess\u00e1ria para a autotransforma\u00e7\u00e3o. Talvez, eu consiga ati\u00e7ar um pouco essa chama e \u00e9 animador conviver com essas mentes em ebuli\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o formatadas, mas tenho consci\u00eancia do meu papel irris\u00f3rio dentro de uma estrutura onde reinam os valores j\u00e1 declarados aqui: a produtividade em detrimento do respeito e amorosidade, o mercantilismo a qualquer custo, e a teoria in\u00f3cua sobrepujando a experi\u00eancia. Eu n\u00e3o tenho esperan\u00e7a em um mundo melhor. N\u00e3o cultivo sentimentos em rela\u00e7\u00e3o ao que n\u00e3o posso mudar. O \u00fanico mundo que sou capaz de transformar \u00e9 o meu, todo o resto \u00e9 ilus\u00e3o. A transforma\u00e7\u00e3o do mundo l\u00e1 fora \u00e9 consequ\u00eancia da transmuta\u00e7\u00e3o interior. Enterro todas as esperan\u00e7as e invisto no agora, na profunda transforma\u00e7\u00e3o de mim mesmo, atrav\u00e9s da modifica\u00e7\u00e3o cont\u00ednua de minha realidade, experimentando minha serenidade cultivada no olho da tempestade.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" style=\"margin: 15px auto; display: block;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/IMG_8646.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" \/><\/p>\n<p>Reportagem: Germano Rama Molardi<br \/>\nFotografias: Rafael Happke<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisador da UFG utiliza arte para reestruturar valores e criticar o produtivismo acad\u00eamico<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":909,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1524],"tags":[],"class_list":["post-397","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/397","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=397"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/397\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/909"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=397"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=397"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=397"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}