{"id":404,"date":"2016-10-21T15:55:04","date_gmt":"2016-10-21T17:55:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/comunicacao\/arco\/2016\/10\/21\/post404\/"},"modified":"2016-10-21T15:55:04","modified_gmt":"2016-10-21T17:55:04","slug":"post404","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/post404","title":{"rendered":"Existir e resistir"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201c<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Se meus alunos reparam no rel\u00f3gio do meu pulso e perguntam onde eu comprei, tenho o direito de dizer que foi presente do meu namorado. Assumir-se em sala de aula, me parece, \u00e9 o mais prosaico e banal, mas tamb\u00e9m complexo e revolucion\u00e1rio, ato de ser quem voc\u00ea \u00e9\u201d.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A fala \u00e9 do professor Ricardo, que ensina literatura e l\u00edngua espanhola em um curso pr\u00e9-vestibular de Santa Maria. Ela reflete um dilema presente no cotidiano de parcela significativa de profissionais da educa\u00e7\u00e3o, que enfrentam o preconceito no ambiente escolar. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O debate sobre g\u00eanero e sexualidade em ambientes educacionai<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">s ainda \u00e9 questionado por pais e professores, porque implica n\u00e3o apenas a rela\u00e7\u00e3o da escola com a educa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as, mas tamb\u00e9m com sua forma\u00e7\u00e3o em um sentido mais amplo, al\u00e9m de<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> cren\u00e7as familiares e religiosas, por exemplo. At\u00e9 mesmo os professores t\u00eam dificuldade de lidar com a discuss\u00e3o nas escolas &#8211; em parte pela complexidade do tema, e das implica\u00e7\u00f5es que pode gerar para as crian\u00e7as e as fam\u00edlias, em parte porque existe uma grande defici\u00eancia na forma\u00e7\u00e3o dos profissionais de educa\u00e7\u00e3o, que, em geral, n\u00e3o recebem instru\u00e7\u00e3o adequada para abordar esses debates em sala de aula.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" style=\"margin: 15px auto; display: block;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/selecionada01.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" \/><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quando a sexualidade bate \u00e0 porta da sala de aula<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O educador e pesquisador da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Filipe Gabriel Ribeiro Fran\u00e7a, se interessou por essas quest\u00f5es durante o seu per\u00edodo de forma\u00e7\u00e3o no Mestrado em Educa\u00e7\u00e3o da UFJF. A pesquisa foi realizada a partir de entrevistas narrativas com sete professores que se autoidentificam como homossexuais. \u201cAssumir-se enquanto professor\/a homossexual organiza a forma com que o sujeito se comporta dentro da escola, vivenciamento um cont\u00ednuo processo de negocia\u00e7\u00e3o com o outro e consigo mesmo. Ao mesmo tempo tal atitude \u00e9 um ato pol\u00edtico que exp\u00f5e as m\u00faltiplas maneiras poss\u00edveis de viv\u00eancias da sexualidade\u201d, explica Fran\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uma das hist\u00f3rias contadas pelo pesquisador \u00e9 a de <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Herm\u00f3genes, profe<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">ssor homossexual de anos iniciais do ensino fundamental da rede p\u00fablica na cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais. Fran\u00e7a mostra como o professor constr\u00f3i a sua identidade enquanto docente homossexual e as rela\u00e7\u00f5es que se formam no \u00e2mbito escolar. Herm\u00f3genes se tornou refer\u00eancia para seus colegas de trabalho na quest\u00e3o da homossexualidade, o que, segundo a pesquisa, acaba por cooperar para uma desconstru\u00e7\u00e3o do estere\u00f3tipo do homem homossexual.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fran\u00e7a acredita que a presen\u00e7a de pessoas como Herm\u00f3genes nas escolas \u00e9 capaz de provocar mudan\u00e7as de vis\u00e3o nas comunidades escolares, colocando todos para pensar na diversidade.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> \u201c@s professor@s homossexuais instigam e provocam os outros e a si mesm@s a repensarem as pr\u00e1ticas sociais que d\u00e3o sentido e regem a sociedade contempor\u00e2nea\u201d, explica.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas n\u00e3o s\u00f3 as rela\u00e7\u00f5es sociais e as perspectivas culturais s\u00e3o impactadas com essa presen\u00e7a nas escolas. Outras quest\u00f5es emergem quando se aprofunda a discuss\u00e3o sobre esse tema, tais como a sexualidade das crian\u00e7as, a educa\u00e7\u00e3o sexual na escola e o estudo de g\u00eanero. Segundo Fran\u00e7a, a sexualidade das crian\u00e7as \u00e9 constantemente reprimida no ambiente escolar, pois as escolas tendem a ignorar o fato de que os debates sobre g\u00eanero e sexualidade fazem parte da experi\u00eancia de vida e da forma\u00e7\u00e3o dos alunos. \u201cA pessoa n\u00e3o chega na escola e deixa a sua sexualidade pendurada num cabide do lado de fora do port\u00e3o, pelo contr\u00e1rio, ela entra no espa\u00e7o escolar carregando-a consigo, pois \u00e9 imposs\u00edvel separar-se dela, ela nos constitui\u201d, explica. A sexualidade, assim como a cor da pele, a etnia, o g\u00eanero, entre outras caracter\u00edsticas, n\u00e3o s\u00e3o escolhas.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A discuss\u00e3o de temas como g\u00eanero e sexualidade nas escolas n\u00e3o podem ser reduzidos \u00e0 ideia de que a educa\u00e7\u00e3o sexual \u00e9 o \u201censino de sexo\u201d para os alunos. Muito al\u00e9m disso, \u00e9 uma forma de abordar assuntos que mais cedo ou mais tarde aparecem e devem ser tratados com cuidado, porque \u00e9 um aspecto importante na forma\u00e7\u00e3o da identidade das crian\u00e7as e adolescentes. Laura, que \u00e9 professora de fotografia no ensino superior, defende que as escolas e universidades devem oferecer esses debates, e acrescenta que cada ambiente exige did\u00e1ticas e metodologias diferentes adaptadas a sua realidade.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" style=\"margin: 15px; float: left;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/REPRESENTATIVIDADE.png\" alt=\"\" width=\"380\" height=\"248\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 o que tamb\u00e9m defende Ricardo, o professor do come\u00e7o da reportagem. Para ele, \u201ca n\u00e3o abordagem deste tema \u00e9 prejudicial, n\u00e3o ao professor, mas ao aluno, que pode tornar-se uma pessoa defasada, sem conhecimentos b\u00e1sicos para se apresentar como um sujeito cr\u00edtico na sociedade\u201d.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">utro ponto pouco falado, mas muito importante \u00e9 o da representatividade dentro da sala de aula. Para alunos que est\u00e3o come\u00e7ando a entender a pr\u00f3pria sexualidade, conhecer algu\u00e9m homossexual em posi\u00e7\u00e3o de destaque, nesse caso os professores, \u00e9 de extrema relev\u00e2ncia. Laura diz que assumir a sexualidade \u00e9 um modo de \u201ctratar com naturalidade quest\u00f5es naturais\u201d sobre os sujeitos. \u00c9 propiciar a dissipa\u00e7\u00e3o das ideias preconceituosas em torno de pessoas que s\u00e3o iguais a qualquer outra.<\/span><\/p>\n<p>Reportagem: Sabrina C\u00e1ceres e Mariana Flores<br \/>\nInfogr\u00e1fico: Juliana Krupahtz<br \/>\nFoto de capa: J\u00falia Goulart<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Professores relatam a experi\u00eancia de assumir sua sexualidade diante dos alunos em sala de aula   <\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":795,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1530],"tags":[],"class_list":["post-404","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-dossie-diversidade"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/404","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=404"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/404\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/795"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=404"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=404"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=404"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}