{"id":424,"date":"2017-02-13T15:54:03","date_gmt":"2017-02-13T17:54:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/comunicacao\/arco\/2017\/02\/13\/post424\/"},"modified":"2021-05-27T11:08:55","modified_gmt":"2021-05-27T14:08:55","slug":"post424","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/post424","title":{"rendered":"Suic\u00eddio e traumas de inf\u00e2ncia"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" style=\"display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/UFSM.2017.006.009.RA_.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" \/><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Um artigo cient\u00edfico publicado na revista online <a href=\"http:\/\/journals.plos.org\/plosone\/article?id=10.1371\/journal.pone.0155639\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Plos One<\/a><\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0busca compreender se traumas ocorridos na inf\u00e2ncia podem ter rela\u00e7\u00e3o com tentativas de suic\u00eddio na vida adulta. O estudo intitulado \u201c<\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">Do Childhood Adversities Predict Suicidality? Findings from the General Population of the Metropolitan Area of S\u00e3o Paulo, Brazil<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d foi realizado por psiquiatras da \u00a0Universidade de S\u00e3o Paulo (USP); do Instituto Mexicano de Psiquiatria (IMP) da Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo (UFES). Atrav\u00e9s da trabalho, os pesquisadores chegaram \u00e0 conclus\u00e3o de que ter sofrido <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">abuso f\u00edsico est\u00e1 associado com tentativas de suic\u00eddio em todos os est\u00e1gios da vida. Para chegar at\u00e9 essa informa\u00e7\u00e3o, <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">os pesquisadores se basearam nos crit\u00e9rios do Manual Diagn\u00f3stico e Estat\u00edstico de Transtornos Mentais, publicado em 1952 pela Associa\u00e7\u00e3o Americana de Psiquiatria, para aplicar um m\u00e9todo de avalia\u00e7\u00e3o chamado \u201c<\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">World Mental Health Composite International Diagnostic Interview (WMH-CIDI)<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d em uma amostra representativa de 5037 indiv\u00edduos da regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo, que compreende a capital e outros 38 munic\u00edpios. <\/span><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" style=\"float: right; margin: 20px;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/ESTA%CC%81GIOS2.png\" alt=\"\" width=\"380\" height=\"244\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A WMI-CIDI \u00e9 uma entrevista estruturada aplicada em encontros presenciais por examinadores leigos ou profissionais. Ela \u00e9 composta por duas partes: na primeira, s<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00e3o feitas perguntas sobre caracter\u00edsticas demogr\u00e1ficas, funcionamento di\u00e1rio e <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">morbidades<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> f\u00edsicas, junto com uma avalia\u00e7\u00e3o diagn\u00f3stica b\u00e1sica de transtornos mentais (depress\u00e3o maior, transtorno de p\u00e2nico, transtorno de uso de drogas e comportamento suicida). A segunda parte busca mapear fatores de risco para a sa\u00fade mental, al\u00e9m de avalia\u00e7\u00f5es de transtornos adicionais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-weight: 400;\">No estudo em quest\u00e3o, a parte dois da entrevista foi realizada com os participantes que preencheram os crit\u00e9rios para qualquer transtorno mental na primeira parte. O objetivo da aplica\u00e7\u00e3o foi avaliar a ocorr\u00eancia de comportamentos suicidas durante toda a vida, bem como a idade de in\u00edcio desses comportamentos. Para isso, foram considerados quatro fatores: idea\u00e7\u00e3o suicida na amostra total; tentativas de suic\u00eddio na amostra total; planejamento suicida entre os idealizadores e tentativas de suic\u00eddio entre os idealizadores.<\/span><\/span><\/p>\n<p><strong>Resultados<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" style=\"float: right; margin: 20px;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/Estati%CC%81sticas2.png\" alt=\"\" width=\"380\" height=\"245\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Da amostra total dos entrevistados, mais da metade (53,6%) tiveram pelo menos uma adversidade durante a inf\u00e2ncia ou a adolesc\u00eancia. A<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">s adversidades mais comuns entre esses indiv\u00edduos foram morte de um dos pais (16,1%) e abuso f\u00edsico na inf\u00e2ncia (16,01%). \u00a0Entre os indiv\u00edduos com comportamento suicida, 73,9% tiveram adversidades na inf\u00e2ncia ou adolesc\u00eancia. As adversidades mais comuns nesses casos foram abuso f\u00edsico (31,5 a 37,4%) e transtorno mental dos pais (22,9 a 31,4%). <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">(A varia\u00e7\u00e3o nas porcentagens acontece porque se fez distin\u00e7\u00e3o entre os indiv\u00edduos que t\u00eam apenas idea\u00e7\u00e3o suicida e os que t\u00eam planos, por exemplo).<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Entre adultos de 20 a 29 anos, a probabilidade de uma tentativa de suic\u00eddio foi relacionada com div\u00f3rcio dos pais, enquanto a idea\u00e7\u00e3o suicida foi associada a abuso sexual. Em adultos com mais de 30 anos, doen\u00e7a f\u00edsica e dificuldades econ\u00f4micas surgiram como adversidades infantis associadas a tentativas de tirar a pr\u00f3pria vida, enquanto que abuso sexual, viol\u00eancia familiar e, novamente, dificuldades econ\u00f4micas foram relacionadas \u00e0 idea\u00e7\u00e3o suicida.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Devido \u00e0 pesquisa ter apontado o abuso f\u00edsico como uma adversidade comum durante todos os est\u00e1gios da vida, <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">os autores sublinham no artigo que esses resultados refor\u00e7am a necessidade de se evitar m\u00e9todos disciplinares violentos na inf\u00e2ncia como uma medida para a preven\u00e7\u00e3o de comportamentos suicidas. Al\u00e9m disso, ressaltam que o resultado mais importante foi mostrar que os efeitos das adversidades para comportamentos suicidas tamb\u00e9m ocorrem de maneira indireta, por meio de doen\u00e7as mentais. Isso acontece porque as adversidades s\u00e3o fatores de risco para essas doen\u00e7as, que s\u00e3o algumas das principais causas de comportamentos suicidas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>Quebrando o tabu do suic\u00eddio<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"float: right; margin: 30px 20px 30px 20px;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/CVV2.png\" alt=\"\" width=\"380\" height=\"245\" \/><\/p>\n<p>Suic\u00eddio \u00e9 um tema pouco discutido na sociedade e que, consequentemente, tornou-se um tabu. O estudo feito pelos psiquiatras da USP, da UFES e do IMP \u00e9 precursor em apontar rela\u00e7\u00f5es entre traumas de inf\u00e2ncia e suic\u00eddio, uma vez que estudos anteriores (a maior parte feito em pa\u00edses de alta renda) fixaram-se na associa\u00e7\u00e3o entre adversidades infantis e doen\u00e7as mentais. O psiquiatra Bruno Mendon\u00e7a Co\u00ealho, da USP, um dos autores da pesquisa, atribui o fato de o suic\u00eddio ter se tornado tabu a diversos fatores. \u201cPenso que isso ocorre por quest\u00f5es relacionadas ao desconhecimento do que \u00e9 o suic\u00eddio (mesmo entre m\u00e9dicos, h\u00e1 estigma com pessoas que tentam suic\u00eddio \u2014 \u00e9 uma certa afronta para o m\u00e9dico que tenta salvar vidas se deparar com algu\u00e9m que tenta tirar sua vida), culturais (suic\u00eddio \u00e9 crime em alguns pa\u00edses) e religiosas (basicamente todas as religi\u00f5es condenam o suic\u00eddio)\u201d, opina.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"float: right; margin: 20px;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/DADOS2.png\" alt=\"\" width=\"380\" height=\"245\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Organiza\u00e7\u00f5es como o Centro de Valoriza\u00e7\u00e3o da Vida (CVV) defendem a ideia de que a melhor forma de prevenir o suic\u00eddio \u00e9 justamente trazer a discuss\u00e3o \u00e0 tona. Na cartilha dos Programas de Preven\u00e7\u00e3o do Suic\u00eddio e Sa\u00fade Mental do CVV, o grupo afirma que \u201c\u00e9 preciso deixar de ter medo de falar sobre o assunto, derrubar tabus e compartilhar informa\u00e7\u00f5es sobre o tema\u201d. A cartilha define o suic\u00eddio como algo que faz parte da natureza humana e aponta os principais motivos que levam os indiv\u00edduos a quererem tirar a pr\u00f3pria vida: cobran\u00e7as sociais, culpa, remorso, depress\u00e3o, ansiedade, medo, fracasso e humilha\u00e7\u00e3o. Ainda segundo a cartilha, pessoas que t\u00eam pensamentos suicidas vivem sentimentos e ideias conflituosas, o que \u00e9 chamado de <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">estado interior de ambival\u00eancia<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\">. Portanto, nesses casos, o indiv\u00edduo vive um isolamento insuport\u00e1vel e precisa de aten\u00e7\u00e3o. Da\u00ed vem a necessidade de ter algu\u00e9m que possa ouvir a pessoa que est\u00e1 passando por essa situa\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que ter abertura para desabafar e externalizar os sentimentos conflitantes pode fazer com que se desista do suic\u00eddio.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p>_delimiter_Rep\u00f3rteres: Iander Moreira e Camila Jardim<br \/>\nFoto: Rafael Happke.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Grupo de psiquiatras aponta rela\u00e7\u00e3o entre adversidades na inf\u00e2ncia e posterior comportamento suicida<\/p>\n","protected":false},"author":26,"featured_media":802,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1523],"tags":[],"class_list":["post-424","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ciencia"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/424","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/26"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=424"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/424\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/802"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=424"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=424"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=424"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}