{"id":436,"date":"2017-04-18T18:04:22","date_gmt":"2017-04-18T21:04:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/comunicacao\/arco\/2017\/04\/18\/post436\/"},"modified":"2017-04-18T18:04:22","modified_gmt":"2017-04-18T21:04:22","slug":"post436","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/post436","title":{"rendered":"Literatura Infantil"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" style=\"display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/UFSM.2017.020.007.RA-2.jpg\" alt=\"A escritora Maria Rita Py Dutra \u00e9 doutoranda na UFSM e j\u00e1 escreveu diversos livros infantis enfocando a quest\u00e3o racial\" width=\"700\" height=\"366\" \/><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No Brasil, celebrar o Dia do Livro Infantil, em 18 de abril, \u00e9 necess\u00e1rio, j\u00e1 que apenas 56% da popula\u00e7\u00e3o se declara leitora, segundo dados da pesquisa <em>Retratos da Leitura no Brasil<\/em>, realizada pelo Ibope. A pesquisa divulgada em maio de 2016 ainda aponta que em m\u00e9dia o leitor brasileiro consegue ler 4,96 livros por ano.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Dessa forma, para incentivar a leitura desde cedo, o Dia do Livro Infantil foi criado em 2002. A data foi escolhida em homenagem ao anivers\u00e1rio de Monteiro Lobato, precursor da literatura infantil no Brasil. Da imagina\u00e7\u00e3o de Monteiro Lobato surgiram diversos personagens que marcam a inf\u00e2ncia de muitas pessoas. Criador do S\u00edtio do Pica-Pau Amarelo, Lobato imortalizou personagens como a boneca de pano Em\u00edlia e a espiga de milho Visconde de Sabugosa.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><img decoding=\"async\" style=\"float: left; margin: 10px;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/Junior_3.jpg\" alt=\"\" width=\"226\" height=\"199\" \/><\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Mas h\u00e1 um lado em nossa literatura infantil que ainda n\u00e3o \u00e9 devidamente explorado: a quest\u00e3o racial e a representa\u00e7\u00e3o de pessoas negras nas hist\u00f3rias. Incomodada com essa situa\u00e7\u00e3o, Maria Rita Py Dutra, escritora e doutoranda do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o da UFSM, lan\u00e7ou em 2003 a sua primeira obra infantil: <em>Os Problemas de J\u00fanior<\/em>, baseado em uma hist\u00f3ria real presenciada pela autora. O livro conta a hist\u00f3ria de J\u00fanior, um garoto de quatro\u00a0anos que foi chamado de negro por um de seus colegas na escola. Em virtude disso, J\u00fanior desiste de voltar \u00e0 escola e decide tomar leite para n\u00e3o ficar t\u00e3o escuro. O problema apenas \u00e9 resolvido quando sua av\u00f3, Ada, ensina o garoto a ter orgulho de ser afro-brasileiro.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>P<span style=\"font-weight: 400;\">ara Maria Rita, \u00e9 muito importante existir uma literatura para essa faixa et\u00e1ria que trate das quest\u00f5es raciais. \u201c \u00c9 na escola que a crian\u00e7a vai se perceber negra. \u00c9 na escola que ela vai sentir o estranhamento. Como \u00e9 tamb\u00e9m nesse ambiente que as crian\u00e7as devem aprender a lidar com as diferen\u00e7as&#8221;. No total, a autora j\u00e1 escreveu seis livros com esse mesmo vi\u00e9s, buscando trabalhar a tem\u00e1tica de forma did\u00e1tica, envolvente e de f\u00e1cil entendimento. Os t\u00edtulos colocam em evid\u00eancia o racismo existente na sociedade. Em <em>O Sonho de Jamile<\/em>, a protagonista, uma menina de 12 anos, sonha em ser a rainha da escola, mas tem o sonho negado por uma jurada do concurso, que d\u00e1 como explica\u00e7\u00e3o o fato de Jamile ser negra para impedi-la de participar. \u00a0<\/span><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" style=\"float: right; margin: 10px;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/O-Sonho-de-Jamile1.jpg\" alt=\"\" width=\"165\" height=\"145\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para exemplificar a quest\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o negra (ou a falta dela) na literatura brasileira, Maria Rita costuma fazer as seguintes perguntas: \u201cQue escritores negros voc\u00ea conhece?\u201d; \u201cQue livros que voc\u00ea leu s\u00e3o de escritores negros?\u201d. Tendo a mesma preocupa\u00e7\u00e3o, a professora Regina Dalcastagn\u00e9, da Universidade de Bras\u00edlia, \u00a0analisou os romances publicados, entre 1990 e 2003, pelas tr\u00eas maiores editoras brasileiras catalogando 1245 personagens. Desses, apenas 2,7% eram mulheres negras. Dentre elas, 70% desempenhavam pap\u00e9is como empregadas e prostitutas. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Monteiro Lobato sob um outro olhar<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na literatura infantil, o pr\u00f3prio Monteiro Lobato \u00e9 acusado de racismo em alguns trechos dos livros relacionados ao S\u00edtio do Pica-Pau Amarelo. A pol\u00eamica gira em torno da personagem Tia Nast\u00e1cia, cozinheira de Dona Benta, a matriarca do s\u00edtio. Trechos como \u201cnegra de estima\u00e7\u00e3o\u201d e \u201cNast\u00e1cia \u00e9 aquela horrenda galinha preta que mais parece urubu\u201d refor\u00e7am essa tese. \u201cEssas obras foram escritas no come\u00e7o do s\u00e9culo passado, quando o termo racismo ainda nem existia. Mas as posturas, as posi\u00e7\u00f5es dele s\u00e3o extremamente racistas\u201d, afirma Maria Rita. \u201cPara as crian\u00e7as brancas ele demonstra que existe uma inferioridade de algumas pessoas e para as crian\u00e7as negras ele vai legitimar a inferioridade racial\u201d, completa. A leitura dessas obras necessita de uma contextualiza\u00e7\u00e3o para a \u00e9poca em que foi escrita ainda mais quando se pensa na influ\u00eancia de Lobato. \u201cAs crian\u00e7as n\u00e3o s\u00f3 podem, como devem ler Monteiro Lobato, mas n\u00e3o podem ler sozinhas. \u00c9 necess\u00e1rio o acompanhamento de um professor, \u00e9 preciso fazer uma releitura daquela obra\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com seus livros, Maria Rita busca mudar essa situa\u00e7\u00e3o, e tamb\u00e9m aponta outras iniciativas. \u201cAgora j\u00e1 vemos livros que tratam de diversidade. Temos excelentes livros e cole\u00e7\u00f5es que trabalham o tema desde a aprova\u00e7\u00e3o da lei n\u00ba 10639 de 2003\u201d (que inclui no curr\u00edculo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da tem\u00e1tica Hist\u00f3ria e Cultura Afro-brasileira). Para a escritora, toda essa produ\u00e7\u00e3o de livros e outros materiais de hist\u00f3rias infantis visa trabalhar o tema com a sociedade. Essa movimenta\u00e7\u00e3o busca formar uma sociedade mais justa e igualit\u00e1ria. A literatura infantil \u00e9 uma poderosa ferramenta para formar cidad\u00e3os mais conscientes de seu papel na sociedade.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Livros infantis publicados por Maria Rita:<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-weight: 400;\"><em>O Sonho de Jamile<\/em>. Santa Maria: Editora Pallotti, 2006<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-weight: 400;\"><em>A Turma de Layla<\/em>. Santa Maria: Multipress, 2006<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-weight: 400;\"><em>O Anivers\u00e1rio de Aziza<\/em>. Santa Maria: Multipress Editora, 2005<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-weight: 400;\"><em>Os Problemas de J\u00fanior<\/em>. Santa Maria: Gr\u00e1fica Multipress, 2005<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-weight: 400;\"><em>Dia dos Negros<\/em>. Santa Maria: Multipress Gr\u00e1fica, 2005<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"font-weight: 400;\"><em>Os Problemas de J\u00fanior<\/em>. Cachoeira do Sul: Gr\u00e1fica Jacu\u00ed, 2003<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p>Rep\u00f3rter: Felipe Backes<br \/>\nFoto: Rafael Happke e divulga\u00e7\u00e3o autora<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Rita Py Dutra escreve hist\u00f3rias infantis protagonizadas por crian\u00e7as negras<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":999,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1524],"tags":[],"class_list":["post-436","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/436","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=436"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/436\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/999"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=436"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=436"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=436"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}