{"id":438,"date":"2017-05-04T15:42:12","date_gmt":"2017-05-04T18:42:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/comunicacao\/arco\/2017\/05\/04\/post438\/"},"modified":"2021-05-27T11:15:58","modified_gmt":"2021-05-27T14:15:58","slug":"post438","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/post438","title":{"rendered":"Vida na aldeia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" style=\"display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/indiosNadinecapa.jpg\" alt=\"\" width=\"656\" height=\"438\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" style=\"float: left; border-width: 10px; margin: 10px;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/kuaray-raku-a_-o-calor-do-sol.jpg\" alt=\"\" width=\"293\" height=\"440\" \/>Situada a 27 quil\u00f4metros de S\u00e3o Miguel das Miss\u00f5es, no noroeste do Rio Grande do Sul, a aldeia <em>Teko\u00e1Ko\u2019enju <\/em>tem 236 hectares de terra que foram doadas pelo Governo do Estado. Situada na beira do rio Inhacapetum, afluente do Piratini, a aldeia se acessa atrav\u00e9s de uma estrada de ch\u00e3o. L\u00e1, vivem cerca de 500 ind\u00edgenas da etnias Mby\u00e1-Guarani que, para sobreviver, dependem das rendas provenientes da venda de artesanato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa foi a comunidade escolhida por Nadine Ribeiro para a constru\u00e7\u00e3o de seu trabalho de conclus\u00e3o de curso, defendido no fim do ano passado. Nadine se formou em Jornalismo, pela UFSM, no come\u00e7o deste ano. Fora as rela\u00e7\u00f5es pessoais &#8211; Nadine nasceu em Santo \u00c2ngelo e, quando crian\u00e7a, participava de a\u00e7\u00f5es em aldeias ind\u00edgenas em Iju\u00ed &#8211; Nadine explica que a primeira raz\u00e3o pela escolha dessa comunidade foi a falta de visibilidade midi\u00e1tica. \u201cQueria que meu trabalho contribu\u00edsse com algo, muito mais do que ser somente minha arte, minha vis\u00e3o de mundo\u201d, reitera.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A jornalista captou material suficiente para a produ\u00e7\u00e3o de um livro-fotografia. Atualmente, a ideia \u00e9 que esse objetivo possa ser concretizado a partir de um financiamento coletivo para que o trabalho possa circular, mesmo que em pequena tiragem. Al\u00e9m disso, Nadine pretende montar uma exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o mais interessante na proposta da jovem jornalista \u00e9 que as fotografias puderam ser utilizadas pela pr\u00f3pria comunidade para autofinanciamento, bem como para refor\u00e7o da mem\u00f3ria da aldeia. Nadine utilizou os registros fotogr\u00e1ficos para confeccionar cart\u00f5es postais, que agora s\u00e3o vendidos pelos Mby\u00e1-Guarani. A comunidade tem retornos concretos que s\u00e3o fundamentais no sustento das pessoas que nela vivem. \u201cEu fiz um trabalho no qual utilizei da imagem deles, da boa vontade deles de me receberem no ambiente em que vivem&#8230; Eu tinha de levar um retorno imediato\u201d, ressalta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Percep\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias sobre o trabalho<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 alcan\u00e7ar o produto final, foram seis meses de trabalho. Segundo a jornalista, no in\u00edcio foi dif\u00edcil estabelecer um contato, devido \u00e0 dificuldade na comunica\u00e7\u00e3o, uma vez que o cacique falava pouco portugu\u00eas e o guarani \u00e9 uma l\u00edngua bastante distinta ao portugu\u00eas. Em segundo lugar, destaca, \u201cporque a forma de agir e se comportar \u00e9 algo que se desenvolve com o tempo, e de uma forma diferente em cada projeto\u201d. O trabalho foi desafiador tamb\u00e9m no sentido do que, dentro do universo da comunidade, ele visava enquadrar. \u201cSempre me encantou a fotografia de pessoas. \u00c9 muito dif\u00edcil fotograf\u00e1-las, porque quase sempre elas se tornam personagens perante as lentes, um desafio conseguir captar a ess\u00eancia de algu\u00e9m\u201d, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p><img decoding=\"async\" style=\"display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/indiosNadine01.jpg\" alt=\"\" width=\"656\" height=\"437\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O orientador do trabalho, professor Rondon de Castro, explica que o\u00a0desafio era que a estudante buscasse compartilhar a vida da comunidade sem interferir. &#8220;O trabalho da Nadine foi um mergulho no universo ind\u00edgena. Ela n\u00e3o s\u00f3 buscou a imagem, ela compartilhou momentos com os ind\u00edgenas, deixou-se ser vista e sentida, at\u00e9 sua presen\u00e7a n\u00e3o causar muito impacto. S\u00e3o momentos do cotidiano, colhidos sob a \u00f3tica da curiosidade jornal\u00edstica e de grande import\u00e2ncia para todos&#8221;, explica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Na aproxima\u00e7\u00e3o com a aldeia, saltou aos olhos da jornalista a forma como, na comunidade, as coisas s\u00e3o decididas: de forma horizontal, atrav\u00e9s de assembleias. Outra coisa foi a demonstra\u00e7\u00e3o de afeto, tanto dos adultos com as crian\u00e7as, bem como as demonstra\u00e7\u00f5es de carinho entre elas mesmas. \u201cO afeto, o carinho, o cuidado de um com outro \u00e9 algo que at\u00e9 parece meio ut\u00f3pico, por\u00e9m essencial nas rela\u00e7\u00f5es humanas\u201d, afirma. Outra percep\u00e7\u00e3o da jornalista foi sobre a rela\u00e7\u00e3o da comunidade com a natureza. \u201c\u00c9 como se a terra fosse uma <em>persona<\/em> real. O povo guarani se baseia no mundo dos sentidos, porque eles pensam atrav\u00e9s do que sentem\u201d, conta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/indiosNadine02.jpg\" alt=\"\" width=\"656\" height=\"437\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/indiosNadine03.jpg\" alt=\"\u201cipor\u00e3-por\u00e3ve va'e\" width=\"656\" height=\"439\" \/><\/p>\n<p>Reportagem: Germano Molardi<br \/>\nFotografia: Nadine Ribeiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Projeto fotogr\u00e1fico realizado na UFSM registra as viv\u00eancias da etnia Mby\u00e1-Guarani, em S\u00e3o Miguel das Miss\u00f5es<\/p>\n","protected":false},"author":26,"featured_media":818,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1742],"tags":[],"class_list":["post-438","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-extenda-10a-edicao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/438","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/26"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=438"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/438\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/818"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=438"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=438"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=438"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}