{"id":469,"date":"2017-05-27T12:07:56","date_gmt":"2017-05-27T15:07:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/comunicacao\/arco\/2017\/05\/27\/post469\/"},"modified":"2017-05-27T12:07:56","modified_gmt":"2017-05-27T15:07:56","slug":"post469","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/post469","title":{"rendered":"\u201cVou pra longe mas eu sempre volto\u201d"},"content":{"rendered":"<p>A tarde de outono tinha uma miss\u00e3o: desvendar como era poss\u00edvel 129 pessoas comporem m\u00fasica. A mesma m\u00fasica. Em uma \u00fanica tarde! Logo na chegada foi poss\u00edvel perceber que muitos dos oficineiros se conheciam. Alguns at\u00e9 j\u00e1 trabalhavam juntos na m\u00fasica, como os meninos da banda Guant\u00e1namo Groove. Outros denotavam apenas amizade, e um gosto em comum pela m\u00fasica. Havia gente premiada e reconhecida no universo da m\u00fasica, como o Pirisca Greco. E nenhum constrangimento para ladear com a pequena Ana Clara, de apenas 11 anos &#8211; tiara no cabelo, t\u00eanis com luzinhas e que me surpreendeu logo ao revelar que n\u00e3o tocava nada: \u201cJ\u00e1 participei de coral, mas gosto mesmo de compor\u201d, disse a comunicativa menina.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 <iframe src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/i95xvSwm5qY\" width=\"560\" height=\"314\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A heterogeneidade desse grupo de pessoas retoma a quest\u00e3o: ser\u00e1 mesmo que ir\u00edamos conseguir conciliar tanta diversidade? Ser\u00e1 que daria tempo para criar algo em conjunto em t\u00e3o pouco tempo? Tarefa para os m\u00fasicos Kleiton e Kledir, veteranos da fam\u00edlia Ramil e autores de diversos sucessos da m\u00fasica, emplacados no \u00e2mbito regional e nacional. Contavam com a habilidade e aux\u00edlio do tamb\u00e9m m\u00fasico e produtor Dudu Trentin, encarregado dos teclados, da coordena\u00e7\u00e3o da grava\u00e7\u00e3o e dos arranjos na etapa santamariense do projeto \u201cLetra e M\u00fasica\u201d. Depois de uma primeira edi\u00e7\u00e3o em 2015, que alcan\u00e7ou mais de 600 oficineiros em universidades de Porto Alegre, Canoas e S\u00e3o Leopoldo, o projeto ganha novas etapas em 2017 e, al\u00e9m de Santa Maria (UFSM) passa por Passo Fundo (UPF) e Caxias do Sul (UCS).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A fila que se formou na entrada do Teatro Caixa Preta para o registro dos oficineiros denunciava que t\u00ednhamos uma presen\u00e7a significativa de m\u00fasicos. Muitos carregavam seus viol\u00f5es em capas pretas. Ainda dava para perceber instrumentos de sopro, um tambor esquisito e um violino. Um pandeiro circulou por ali e arrancava algumas risadas dos menos \u00edntimos com o instrumento. N\u00e3o me arrisquei com ele. Mas o que todos carregavam com certeza era a anima\u00e7\u00e3o, talvez pela oportunidade \u00edmpar de aprender com os reconhecidos m\u00fasicos e, ainda, conhecer gente nova com um gosto em comum pela m\u00fasica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Iniciada a oficina, vivemos os aspectos principais da teoria musical. A composi\u00e7\u00e3o deveria passar primeiro por um processo inverso, a decomposi\u00e7\u00e3o da m\u00fasica em quatro elementos fundamentais: Ritmo, Melodia, Harmonia e Letra. Vimos exemplos de can\u00e7\u00f5es que se notabilizaram por aspectos interessantes em cada um desses componentes. Aprendemos com os \u201cerros\u201d propositais que os maiores g\u00eanios da m\u00fasica nos presentearam em seus repert\u00f3rios para saber que toda regra pode, e, \u00e0s vezes, fica at\u00e9 mais interessante, se afrontada. Entretanto, conhecer e dominar essas regras facilita todo o trabalho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A m\u00fasica prop\u00f5e sempre um ciclo aos sentidos: alterna momentos de tens\u00e3o, com seus acordes dominantes e subdominantes, com os momentos de tranquilidade (ou repouso) dos acordes t\u00f4nicos. Conhecendo estes aspectos, o processo fica mais t\u00e9cnico e descobrimos que criar m\u00fasica n\u00e3o \u00e9 nenhum bicho-pap\u00e3o\u2026 nem \u201cvampiro, lobisomem ou saci-perer\u00ea\u201d!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>M\u00fasica \u00e9 matem\u00e1tica transformada, pela inspira\u00e7\u00e3o e pelo trabalho, em poesia e sensa\u00e7\u00f5es. Ali\u00e1s, para o produtor Dudu Trentin, o segredo da inspira\u00e7\u00e3o \u00e9 trabalhar duro. \u201cQuando a inspira\u00e7\u00e3o chegar, ela vai me pegar trabalhando!\u201d, disse o inquieto tecladista nas poucas vezes que utilizou o microfone para conversar com os participantes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com tudo isso posto, era hora de colocar as m\u00e3os \u00e0 obra. Escolhido um ritmo, Kleiton iniciou a constru\u00e7\u00e3o de uma harmonia, com um grande grupo de tocadores de viol\u00e3o e outros instrumentos harm\u00f4nicos. Com seus caracter\u00edsticos \u00f3culos de aros redondos, o m\u00fasico sugeriu um primeiro acorde. Algu\u00e9m prop\u00f4s um pr\u00f3ximo, e assim por diante, testando possibilidades. Rejeitamos algumas, incorporamos outras at\u00e9 termos uma estrutura musical. Gravamos esta base. Com as partes da m\u00fasica montadas, partimos para a cria\u00e7\u00e3o de uma melodia, que era, inicialmente, cantarolada ou tocada por algum instrumento mel\u00f3dico, como flauta e violino.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>J\u00e1 era poss\u00edvel perceber algumas sensa\u00e7\u00f5es que a melodia nos passava e, com isto em mente, a galera das letras partiu rabiscar versos, frases, termos e express\u00f5es que lhes aproximava do que sentiam ao ouvir aquela sucess\u00e3o de acordes. Com uma caneta fren\u00e9tica, um compenetrado Kledir organizou este trabalho, reunindo as ideias, os pontos comuns, as sacadas individuais e as rimas. Ap\u00f3s um tempo, t\u00ednhamos uma letra. Kledir coordenou esta etapa sem nunca desgrudar dos oficineiros e do seu chimarr\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Faltava finalizar tudo isso na grava\u00e7\u00e3o. No dia seguinte, a nova m\u00fasica seria apresentada para um p\u00fablico de verdade, que esgotou os 600 ingressos para o show da dupla no Audit\u00f3rio do Col\u00e9gio Santa Maria. Cerca de 30 oficineiros subiram ao palco para formar um coral e executar sua obra com os m\u00fasicos. \u201cCidade Cora\u00e7\u00e3o\u201d retrata o sentimento das pessoas que vivem em Santa Maria. Tamb\u00e9m conta sobre aqueles que acabam sempre por retornar, ainda que em sonhos ou trazidos por um sopro de Vento Norte. Para aqueles que participaram dessa cria\u00e7\u00e3o coletiva, a experi\u00eancia de compor foi, sem d\u00favida, um espet\u00e1culo!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" style=\"display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/1B_1.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"413\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/2_4.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"413\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/3_3.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"413\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/4_2.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"413\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/5_1.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"413\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/6_1.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"413\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/7_1.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"413\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/8_1.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"413\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/9_1.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"413\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/10_1.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"413\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/11_1.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"413\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Rep\u00f3rter: Rafael Happke<br \/>\nVideo e fotografia: Rafael Happke<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Composi\u00e7\u00e3o realizada na oficina de cria\u00e7\u00e3o musical de Kleiton e Kledir homenageia Santa Maria<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":1025,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1524],"tags":[452,454,456],"class_list":["post-469","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","tag-composicao-musical-conjunta","tag-kleiton-e-kledir","tag-musica"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/469","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=469"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/469\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1025"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=469"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=469"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=469"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}