{"id":471,"date":"2017-06-07T15:22:37","date_gmt":"2017-06-07T18:22:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/comunicacao\/arco\/2017\/06\/07\/post471\/"},"modified":"2017-06-07T15:22:37","modified_gmt":"2017-06-07T18:22:37","slug":"post471","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/post471","title":{"rendered":"Coleta de f\u00f3sseis"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O principal objeto de estudo da paleontologia s\u00e3o os restos de seres vivos do passado que foram preservados at\u00e9 os dias de hoje &#8211; os f\u00f3sseis. Como n\u00e3o se trope\u00e7a em uma fonte de informa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-hist\u00f3rica todo dia, localizar e coletar f\u00f3sseis para estudo n\u00e3o \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil. Para entender como funciona esse processo, fomos at\u00e9 o Centro de Apoio \u00e0 Pesquisa Paleontol\u00f3gica da Quarta Col\u00f4nia\/Universidade Federal de Santa Maria (CAPPA\/UFSM), em S\u00e3o Jo\u00e3o do Pol\u00easine, e conversamos com o paleont\u00f3logo Leonardo Kerber. Confira o que descobrimos:<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o h\u00e1 uma f\u00f3rmula exata para localizar, coletar e preparar um f\u00f3ssil. No geral, existem cinco etapas nesse processo: prospec\u00e7\u00e3o, coleta, transporte, prepara\u00e7\u00e3o e curadoria. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Prospec\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tudo come\u00e7a na an\u00e1lise do mapa geol\u00f3gico da regi\u00e3o em busca de \u00e1reas formadas pelas rochas sedimentares, que por seu processo de forma\u00e7\u00e3o contribui para a conserva\u00e7\u00e3o dos f\u00f3sseis. Mas h\u00e1 um problema: seria invi\u00e1vel econ\u00f4mica e ambientalmente remover camadas de solo e vegeta\u00e7\u00e3o para chegar at\u00e9 os f\u00f3sseis. Por isso, os paleont\u00f3logos fazem pesquisas e identificam os afloramentos fossil\u00edferos na superf\u00edcie atrav\u00e9s do G<\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">oogle Earth<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\">, sa\u00eddas a campo e relatos de moradores.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 90px;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/700x450-crop-90-images_galeria_rincologo.jpg\" alt=\"Afloramento encontrado pela equipe do CAPPA\/UFSM\" width=\"700\" height=\"450\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ap\u00f3s a indica\u00e7\u00e3o de que em determinado local h\u00e1 ind\u00edcios de afloramento, os pesquisadores caminham e buscam os vest\u00edgios pr\u00e9-hist\u00f3ricos atrav\u00e9s do tato e observando o solo, para confirmar e posteriormente coletar o material encontrado. Normalmente apenas parte do f\u00f3ssil est\u00e1 exposto, o que dificulta o trabalho. \u00c9 corriqueiro voltar para casa sem descobertas. No entanto, quando algo \u00e9 encontrado, come\u00e7a uma nova etapa: a coleta. \u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Saiba mais: <a href=\"https:\/\/issuu.com\/revistaarco\/docs\/arco_7ed_issuu\/29\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Como descobrir um s\u00edtio?\u00a0<\/a><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Coleta<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A coleta \u00e9 a fase mais \u201csuja\u201d de todo esse processo. Para retirar o bloco de rocha que ser\u00e1 levado para o laborat\u00f3rio, os pesquisadores escavam em volta do achado com uma margem de seguran\u00e7a vari\u00e1vel estabelecida para n\u00e3o danificar o f\u00f3ssil. Quando o bloco \u00e9 isolado da rocha circundante, se aplica um envolt\u00f3rio de gesso para evitar tanto a quebra, como tamb\u00e9m proteger o material durante o transporte.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 90px;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/700x450-crop-90-images_galeria_dsc_0274logo.jpg\" alt=\"Equipe de paleont\u00f3logos delimita o tamanho da rocha a ser extraido\" width=\"700\" height=\"450\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 90px;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/700x450-crop-90-images_galeria_dsc_0407.jpg\" alt=\"Material isolado pronto para ser transportado\" width=\"700\" height=\"450\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Transporte<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quando o bloco de gesso com o f\u00f3ssil \u00e9 totalmente destacado do resto da rocha, inicia-se a etapa do transporte. A forma de transporte varia muito de acordo com o tamanho do achado, j\u00e1 que peda\u00e7os menores, com f\u00f3sseis pequenos, podem ser transportados facilmente com o carro. Em outras situa\u00e7\u00f5es o bloco pode chegar a pesar algumas toneladas, sendo necess\u00e1rio o uso de maquinaria pesada, como guindaste e caminh\u00e3o. No CAPPA, por exemplo, h\u00e1 um bloco que n\u00e3o passou pela porta do laborat\u00f3rio. A solu\u00e7\u00e3o foi montar a estrutura de trabalho na garagem, onde o material est\u00e1 depositado. Ao chegar no laborat\u00f3rio come\u00e7a uma nova etapa: a prepara\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 90px;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0\u00a0<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/700x450-crop-90-images_galeria_dsc_0262logo.jpg\" alt=\"Prepara\u00e7\u00e3o para o transporte do bloco de gesso para o laborat\u00f3rio\" width=\"700\" height=\"450\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Prepara\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A prepara\u00e7\u00e3o consiste em separar o f\u00f3ssil da rocha. Inicialmente o envolt\u00f3rio de gesso \u00e9 aberto na parte superior. Ent\u00e3o inicia-se um processo lento e cuidadoso, em que os pesquisadores usam ferramentas como esp\u00e1tulas, marteletes e talhadeiras para desprender o f\u00f3ssil da rocha. \u00a0Durante essa etapa \u00e9 aplicado sobre o f\u00f3ssil a resina Paraloid dilu\u00edda em acetona que penetra e endurece o material para evitar a quebra. \u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 90px;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/700x450-crop-90-images_galeria_bloco.jpg\" alt=\"Paleont\u00f3logos come\u00e7am o trabalho de separa\u00e7\u00e3o do f\u00f3ssil da rocha\" width=\"700\" height=\"450\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Devido ao cuidado para n\u00e3o danificar o f\u00f3ssil, esse procedimento pode levar meses ou at\u00e9 anos para ser conclu\u00eddo. Ao contr\u00e1rio do imagin\u00e1rio popular, os cientistas n\u00e3o ficam debru\u00e7ados sobre o bloco durante todo o dia at\u00e9 que o trabalho esteja conclu\u00eddo. No CAPPA\/UFSM, por exemplo, os paleont\u00f3logos dividem a aten\u00e7\u00e3o com a pesquisa e com o aprendizado dos p\u00f3s-graduandos que frequentam o laborat\u00f3rio. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Curadoria<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Cada f\u00f3ssil \u00e9 numerado e catalogado no livro Tombo, que por quest\u00f5es de seguran\u00e7a possui uma vers\u00e3o online tamb\u00e9m. Os dados anotados v\u00e3o desde o local e data de quando o f\u00f3ssil foi coletado, at\u00e9 o nome dos coletores do material. Nessa fase, denominada curadoria, o f\u00f3ssil \u00e9 armazenado em um local apropriado de maneira organizada para que em caso de estudos posteriores sua localiza\u00e7\u00e3o seja f\u00e1cil.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 90px;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/Foto-materia-conservacao_curadoria.jpg\" alt=\"\u00c9 na sala \" width=\"700\" height=\"467\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os f\u00f3sseis s\u00e3o colocados em caixas de acr\u00edlico etiquetadas. Essas caixas v\u00e3o para uma estante dentro de um arm\u00e1rio deslizador. Como o f\u00f3ssil n\u00e3o tem mais material org\u00e2nico nem tecido mole, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio o controle da temperatura na sala onde s\u00e3o armazenados, apenas um desumidificador de ar atua na ventila\u00e7\u00e3o do local. No CAPPA\/UFSM h\u00e1 uma sala especialmente destinada para esse fim. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Confec\u00e7\u00e3o de r\u00e9plicas<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Outra parte do processo de conserva\u00e7\u00e3o envolve a confec\u00e7\u00e3o de r\u00e9plicas, que voc\u00ea pode conferir no v\u00eddeo com explica\u00e7\u00e3o do paleont\u00f3logo Fl\u00e1vio Pretto do CAPPA\/UFSM.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0<iframe src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/C_v6O29Yve0\" width=\"560\" height=\"314\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Rep\u00f3rter: Felipe Backes<br \/>\nFoto:Rafael Happke e divulga\u00e7\u00e3o CAPPA\/UFSM<br \/>\nColabora\u00e7\u00e3o: Fl\u00e1vio Pretto<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores da UFSM explicam como \u00e9 feito o tratamento dos f\u00f3sseis<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":1029,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1537],"tags":[418,420,424,362],"class_list":["post-471","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-dossie-paleontologia","tag-cappa","tag-centro-de-apoio-a-pesquisa-paleontologica-da-quarta-colonia","tag-fossil","tag-paleontologia"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/471","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=471"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/471\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1029"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=471"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=471"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=471"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}