{"id":4854,"date":"2018-11-13T17:40:36","date_gmt":"2018-11-13T19:40:36","guid":{"rendered":"http:\/\/coral.ufsm.br\/arco\/sitenovo\/?p=4854"},"modified":"2021-06-17T18:17:07","modified_gmt":"2021-06-17T21:17:07","slug":"a-universidade-se-pinta-de-povo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/a-universidade-se-pinta-de-povo","title":{"rendered":"&#8220;A Universidade se pinta de povo\u201d"},"content":{"rendered":"<p><em>*Esta mat\u00e9ria foi atualizada em 21\/11\/2018, \u00e0s 14:37.<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Dos 205,5 milh\u00f5es de habitantes do Brasil, 46,7% se autodeclaram pardos e 8,2%, pretos. Apesar de, juntas, formarem a parcela majorit\u00e1ria da popula\u00e7\u00e3o nacional, essas pessoas raramente s\u00e3o vistas em comerciais de TV ou revistas, no atendimento de bancos, ocupando cargos de chefia em empresas e, at\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s, nas salas de aula das universidades.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A luta contra a invisibilidade e as desigualdades faz parte da trajet\u00f3ria de Maria Rita Py Dutra, terceira\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">mulher negra a se tornar doutora no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o do Centro de Educa\u00e7\u00e3o da UFSM. A tese <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Cotistas negros da UFSM e o mundo do trabalho<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, defendida pela professora em agosto de 2018, discute as situa\u00e7\u00f5es e condi\u00e7\u00f5es que influenciam os cotistas negros desde a forma\u00e7\u00e3o na UFSM at\u00e9 a inser\u00e7\u00e3o, ou n\u00e3o, no mercado de trabalho.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para isso, Maria Rita ouviu relatos de experi\u00eancias e analisou o universo que est\u00e1 por detr\u00e1s da problem\u00e1tica, como a desigualdade nos \u00e2mbitos econ\u00f4mico e de acesso, o apanhado hist\u00f3rico, a constru\u00e7\u00e3o de identidades e o conflito de interesses. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Foram entrevistados formandos dos cursos de Ci\u00eancias Sociais, Enfermagem, Fisioterapia, Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas, Medicina Veterin\u00e1ria, Servi\u00e7o Social, Educa\u00e7\u00e3o Especial e Hist\u00f3ria Licenciatura.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Como resultado, Maria Rita aponta que, para os estudantes entrevistados, a \u00a0pol\u00edtica de cotas representou um divisor de \u00e1guas, mudando totalmente suas vidas. \u201c<\/span><span style=\"font-weight: 400\">Foram as cotas que abriram um mundo de possibilidades para esses estudantes, em que o ingresso e a supera\u00e7\u00e3o do discurso racista foi necess\u00e1ria para a conclus\u00e3o do curso. Na maioria dos casos, o primeiro diploma de ensino superior na fam\u00edlia\u201d, comenta Maria Rita, que celebra: <\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u201cA universidade se pinta de povo\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A pesquisadora entende<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> que uma s<\/span><span style=\"font-weight: 400\">ociedade igualit\u00e1ria e justa \u00e9 constru\u00edda e orientada nos bancos escolares. \u201cFaz parte disso possibilitar que exclu\u00eddos ingressem no espa\u00e7o acad\u00eamico, mas que, para al\u00e9m, a estrutura acad\u00eamica seja repensada para que ocorram mudan\u00e7as radicais em busca da igualdade\u201d, afirma Maria Rita no decorrer da pesquisa. Ela compreende, ainda, que olhar para a conclus\u00e3o do curso e a entrada no mundo do trabalho \u201cfornece informa\u00e7\u00f5es importantes para pensarmos em resultados na educa\u00e7\u00e3o e reavaliarmos, por exemplo, as barreiras que cotistas enfrentam\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Na tese, Maria Rita compartilha que estudar as a\u00e7\u00f5es afirmativas e o racismo fez com que ela refletisse <\/span><span style=\"font-weight: 400\">sobre quest\u00f5es que a marcaram de forma indel\u00e9vel nos quase 30 anos de carreira no magist\u00e9rio p\u00fablico estadual, sobre as quais ainda carrega marcas e dores n\u00e3o removidas<\/span><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-4861\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/comunicacao\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2018\/11\/DSC_1643_ed-1024x732.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"732\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2018\/11\/DSC_1643_ed-1024x732.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2018\/11\/DSC_1643_ed-300x214.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2018\/11\/DSC_1643_ed-768x549.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p><b>Pol\u00edtica de cotas no Brasil e na UFSM<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O debate sobre as a\u00e7\u00f5es afirmativas reverberou no Brasil ap\u00f3s a participa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, em 2001, na III Confer\u00eancia contra o Racismo e a Discrimina\u00e7\u00e3o Racial, Xenofobia e Intoler\u00e2ncia Correlata. Em 2003, foi pautado na UFSM pelo N\u00facleo de Estudos Afro-Brasileiros (Neab), e definiu-se como <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Programa de A\u00e7\u00f5es Afirmativas de Inclus\u00e3o Racial e Social<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. O sistema inclui o ingresso de afro-brasileiros, pessoas com defici\u00eancias, alunos de escolas p\u00fablicas e ind\u00edgenas no ensino superior.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em 2012, a presidenta Dilma Rousseff sancionou a Lei das Cotas (n\u00ba 12.711\/2012), que estabeleceu o sistema de cotas sociais e raciais para ingresso em universidades e institutos federais de todo o pa\u00eds. A legisla\u00e7\u00e3o prev\u00ea a reserva de, no m\u00ednimo, 50% de vagas, por curso e turno, para estudantes oriundos de escolas p\u00fablicas, al\u00e9m de destinar vagas para estudantes negros, pardos e ind\u00edgenas, de acordo com o percentual populacional local dessas etnias.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Perante a aprova\u00e7\u00e3o, surgiram v\u00e1rias perguntas quanto \u00e0 legitimidade constitucional da pol\u00edtica de cotas, \u00e0s quais o Supremo Tribunal Federal (STF) respondeu, entendendo que a pol\u00edtica fazia parte de um processo de corre\u00e7\u00e3o das desigualdades sociais, inclusive daquelas baseadas na cor da pele.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Atualmente, a UFSM n\u00e3o disp\u00f5e de uma pol\u00edtica de acompanhamento e avalia\u00e7\u00e3o do processo de perman\u00eancia dos cotistas negros. Segundo Maria Rita, essa quest\u00e3o ainda n\u00e3o despertou interesse nos pesquisadores por haver poucas refer\u00eancias de estudos sobre.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em sua tese, a professora salienta que a presen\u00e7a de alunos afro-brasileiros, ind\u00edgenas, portadores de defici\u00eancia e provenientes de escolas p\u00fablicas \u00e9 asseguradora da diversidade e da democracia nas universidades p\u00fablicas brasileiras. \u201cA pol\u00edtica afirmativa \u00e9 necess\u00e1ria para reparar os aspectos discriminat\u00f3rios que impedem o acesso de pessoas pertencentes a diversos grupos sociais \u00e0s mais diferentes oportunidades\u201d, pontua.<\/span><\/p>\n<p><b>Trajet\u00f3ria de Maria Rita<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Professora desde 1967, quando concluiu o Curso Normal, passou 30 anos ensinando e se especializando em diferentes \u00e1reas, como qu\u00edmica, pedagogia, hist\u00f3ria, ci\u00eancias sociais. Desde 1988, seu trabalho envolve a tem\u00e1tica \u00e9tnico-racial e o racismo. Na inten\u00e7\u00e3o de romper barreiras, Maria Rita fez parte do projeto <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Combatendo o Racismo atrav\u00e9s da Literatura Infantil<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> entre 2003 e 2008, criado por um grupo de estudantes do curso de Museologia da Universidade Franciscana. Ali, contava hist\u00f3rias de quest\u00f5es raciais, al\u00e9m de ministrar oficinas e cursos a estudantes e professores no Museu Treze de Maio. \u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A experi\u00eancia gerou <\/span><a href=\"http:\/\/coral.ufsm.br\/arco\/sitenovo\/?p=436\"><span style=\"font-weight: 400\">frutos liter\u00e1rios<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, como <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">O Anivers\u00e1rio de Aziza<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> e <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Dia dos Negros<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Na UFSM, Maria Rita participa do grupo <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Negros e<\/span><\/i> <i><span style=\"font-weight: 400\">o Movimento Social Negro<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (MN), que trata sobre direitos e igualdades, buscando contribuir para o aperfei\u00e7oamento das pol\u00edticas de cotas na Universidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Pelo que ela representa, organizadores e coletivos que constru\u00edram a programa\u00e7\u00e3o das atividades do m\u00eas da Consci\u00eancia Negra em 2018 na UFSM homenageiam Maria Rita como a primeira patronesse da data. O momento marca, ainda, uma d\u00e9cada de pol\u00edtica de a\u00e7\u00f5es afirmativas na Universidade.<\/span><\/p>\n<p><b>Reportagem:<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> Bibiana Pinheiro, acad\u00eamica de Jornalismo<\/span><\/p>\n<p><b>Edi\u00e7\u00e3o: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">Andressa Motter, acad\u00eamica de Jornalismo<\/span><\/p>\n<p><b>Fotografia:<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> Dartanhan Baldez Figueiredo<\/span><\/p>\n<p><b>Ilustra\u00e7\u00e3o da capa:<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> Noam Wurzel, acad\u00eamico de Desenho Industrial &#8211; A inspira\u00e7\u00e3o s\u00e3o as obras de <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Jean-Michel Basquiat, artista norte-americano que <\/span><span style=\"font-weight: 400\">se dedicou \u00e0s artes das ruas, como grafite, piche e colagens. As quest\u00f5es raciais e a popula\u00e7\u00e3o negra dos Estados Unidos perpassam grande parte da produ\u00e7\u00e3o do artista, que \u00e9 negro.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Rita Py Dutra, uma das primeiras mulheres negras a se tornar doutora no Centro de Educa\u00e7\u00e3o da UFSM, fala sobre cotas, racismo e igualdade<\/p>\n","protected":false},"author":88,"featured_media":4855,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1526],"tags":[1310,938,1314,1232,1316,1318],"class_list":["post-4854","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-dossie-consciencia-negra","tag-consciencia-negra","tag-cotas","tag-negras","tag-negros","tag-novembro-negro","tag-raca"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4854","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/88"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4854"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4854\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4855"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4854"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4854"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4854"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}