{"id":5113,"date":"2018-12-17T16:36:12","date_gmt":"2018-12-17T18:36:12","guid":{"rendered":"http:\/\/coral.ufsm.br\/arco\/sitenovo\/?p=5113"},"modified":"2021-02-04T19:09:35","modified_gmt":"2021-02-04T22:09:35","slug":"comida-mofada-faz-mal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/comida-mofada-faz-mal","title":{"rendered":"Comida mofada faz mal?"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 500\">Se voc\u00ea j\u00e1 viu algum alimento mofado, \u00e9 prov\u00e1vel que tenha se perguntado o que aquela comida poderia causar no seu corpo caso voc\u00ea a comesse. Muitas pessoas, quando se deparam com bolores, apenas retiram a parte estragada e consomem o resto do alimento. Mas afinal, \u00e9 correto fazer isso? Quais os males que os fungos podem trazer \u00e0 sa\u00fade? Como evitar que alimentos mofem? <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 500\">Os fungos, seres micro e macrosc\u00f3picos, chegam aos alimentos atrav\u00e9s do ar, da \u00e1gua e da terra. Segundo Marina Venturini Copetti, professora do Departamento de Tecnologia e Ci\u00eancia dos Alimentos da UFSM e especialista em micologia e micotoxicologia de alimentos, os fungos em si n\u00e3o fazem mal; o problema est\u00e1 nas micotoxinas que eles podem produzir em diferentes situa\u00e7\u00f5es durante seu crescimento. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 500\">Ela explica que cada fungo \u00e9 diferente. Existem os que s\u00e3o in\u00f3cuos &#8211; n\u00e3o causam problemas de sa\u00fade &#8211; e outros que s\u00e3o toxig\u00eanicos &#8211; capazes de produzir toxinas que fazem mal para seres humanos e animais &#8211; havendo tamb\u00e9m diversidade nos efeitos desencadeados pelas micotoxinas. \u201cElas podem desencadear tumores, efeitos neurot\u00f3xicos, altera\u00e7\u00f5es no f\u00edgado e nos rins e outras doen\u00e7as\u201d. Existem toxinas f\u00fangicas que podem ocasionar \u00a0gangrena das extremidades do corpo por falta de circula\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea e outras que agem como horm\u00f4nio, como \u00e9 o caso da zearalenona. Essa micotoxina \u00e9 capaz de modificar o comportamento sexual e ter efeitos estrog\u00eanicos, ou seja, pode alterar fun\u00e7\u00f5es como a ovula\u00e7\u00e3o, a produ\u00e7\u00e3o de espermatozoides, <\/span><span style=\"font-weight: 400\">levar ao crescimento de mamas em homens, causar infertilidade masculina e feminina, entre outros efeitos. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 500\">Entre as toxinas mais comuns produzidas por fungos est\u00e1 a aflatoxina, recorrente em cereais, milho, amendoim, castanhas e pistache. Marina conta que muitas pessoas acreditam que, ao torrar esses alimentos, o perigo desaparecer\u00e1, quando, na verdade, apenas o fungo ser\u00e1 eliminado. Se a toxina j\u00e1 tiver sido produzida, ela continuar\u00e1 presente podendo causar doen\u00e7as. No caso da aflatoxina, os efeitos s\u00e3o principalmente no f\u00edgado, podendo ocasionar hepatite- caracterizada como a inflama\u00e7\u00e3o do f\u00edgado por agentes qu\u00edmicos-, e c\u00e2ncer, tanto em seres humanos quanto em animais. De acordo com a Ag\u00eancia Internacional em Pesquisa em C\u00e2ncer (IARC), a aflatoxina \u00e9 um carcin\u00f3geno do grupo 1, ou seja, um dos agentes mais produtores de c\u00e2ncer que existem. Assim, mesmo o consumo de pequenas quantidades da toxina f\u00fangica de maneira cont\u00ednua pode causar um tumor em alguns anos.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>COMO SABER SE O ALIMENTO TEM FUNGO?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 500\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 500\">Marina Copetti salienta que nem todas as partes dos fungos s\u00e3o percept\u00edveis ao olho humano. \u00c9 comum primeiro percebermos um cheiro diferente no alimento, &#8211; de mofo, de fermento ou, \u00e0s vezes, lembrando querosene &#8211; e s\u00f3 depois de um ou dois dias \u00e9 que aparecer\u00e1 o bolor na superf\u00edcie. \u201cO alimento todo pode estar com as hifas, que s\u00e3o estruturas geralmente transparentes do fungo. Ele estar vis\u00edvel somente na superf\u00edcie n\u00e3o significa que o interior do alimento n\u00e3o esteja comprometido\u201d, afirma ela. Al\u00e9m disso, existem situa\u00e7\u00f5es nas quais o alimento pode estar contaminado antes mesmo de chegar at\u00e9 a mesa. Os chamados <\/span><i><span style=\"font-weight: 500\">fungos de campo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 500\"> podem se desenvolver ainda na lavoura, durante o cultivo do milho e trigo, por exemplo, e produzirem toxinas nessa etapa. Se a farinha desses cereais for usada para fazer p\u00e3es, massas e bolos, esses alimentos j\u00e1 poder\u00e3o estar impr\u00f3prios para o consumo \u00a0no momento em que s\u00e3o produzidos. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 500\">A principal forma de identificar um alimento mofado \u00e9 pelo cheiro e cor. Marina diz que bolores coloridos na superf\u00edcie dos alimentos &#8211; preto, rosado, azul, verde e cinza &#8211; s\u00e3o os mais preocupantes. Em circunst\u00e2ncias como essa, o recomendado \u00e9 descartar a comida e fazer uma higieniza\u00e7\u00e3o nos alimentos que estiveram em contato com o mofo usando duas colheres de hipoclorito de s\u00f3dio &#8211; \u00e1gua sanit\u00e1ria &#8211; dilu\u00eddas em um litro de \u00e1gua. Frutas, p\u00e3es e queijos s\u00e3o os mais propensos \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o, pois d\u00e3o ao fungo condi\u00e7\u00f5es de umidade e nutrientes adequadas para seu desenvolvimento.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O LADO BOM DOS FUNGOS<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 500\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 500\">Apesar de o consumo indevido de alguns fungos causar doen\u00e7as graves, existem tamb\u00e9m aqueles que produzem altera\u00e7\u00f5es ben\u00e9ficas nos alimentos ou compostos muito importantes para a medicina. Um exemplo disso \u00e9 a Penicilina, antibi\u00f3tico usado no tratamento de infec\u00e7\u00f5es causadas por bact\u00e9rias e que \u00e9 derivado de fungos do g\u00eanero <\/span><i><span style=\"font-weight: 500\">Penicillium<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 500\">. Al\u00e9m disso, f\u00e1rmacos como redutores de colesterol e vitaminas tamb\u00e9m prov\u00eam desses microorganismos. J\u00e1 na alimenta\u00e7\u00e3o, os fungos, neste caso chamados de leveduras, s\u00e3o conhecidos por promoverem o crescimento de p\u00e3es e produzirem bebidas alco\u00f3licas como vinho, espumante, cervejas, saqu\u00ea e tamb\u00e9m cacha\u00e7a e outros destilados. Fungos tamb\u00e9m est\u00e3o presentes na fabrica\u00e7\u00e3o de chocolates, caf\u00e9s, salames, molho de soja (shoyu) e queijos, como o camembert e o gorgonzola. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-5117 size-full\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/comunicacao\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2018\/12\/Reportagem_mofobox.png\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2018\/12\/Reportagem_mofobox.png 800w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2018\/12\/Reportagem_mofobox-300x225.png 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2018\/12\/Reportagem_mofobox-768x576.png 768w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 500\">Quando utilizados com as tecnologias e condi\u00e7\u00f5es corretas, os fungos se apresentam como aliados, pois v\u00e1rios dos alimentos e medicamentos utilizados no nosso dia a dia n\u00e3o existiriam sem a presen\u00e7a deles. <b>Por\u00e9m, seu consumo indevido &#8211; em alimentos deteriorados- \u00e9 desaconselhado por especialistas. Agora voc\u00ea j\u00e1 sabe: quando vir um alimento mofado, \u00e9 melhor evitar,\u00a0pois \u00e9 poss\u00edvel que te fa\u00e7a mal.<\/b><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5122 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/comunicacao\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2018\/12\/Mit\u00f4metro_2_\u00e9_poss\u00edvel.png\" alt=\"\" width=\"690\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2018\/12\/Mit\u00f4metro_2_\u00e9_poss\u00edvel.png 690w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2018\/12\/Mit\u00f4metro_2_\u00e9_poss\u00edvel-300x196.png 300w\" sizes=\"(max-width: 690px) 100vw, 690px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Esta mat\u00e9ria foi editada em 18 de dezembro de 2018 \u00e0s 21h45<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Reportagem: <\/b><span style=\"font-weight: 500\">Paulo C\u00e9sar Ferraz, acad\u00eamico de Jornalismo<\/span><\/p>\n<p><b>Edi\u00e7\u00e3o: <\/b><span style=\"font-weight: 500\">Andressa Motter, acad\u00eamica de Jornalismo<\/span><\/p>\n<p><strong>Ilustra\u00e7\u00e3o: <\/strong>Lidiane Castagna,\u00a0acad\u00eamica de Desenho Industrial<\/p>\n<p><b>Fotografia:<\/b><span style=\"font-weight: 500\"> Pollyana Santoro,\u00a0acad\u00eamica de Desenho Industrial<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 correto retirar a parte com fungo e comer o resto? Quais os perigos do consumo? <\/p>\n","protected":false},"author":32,"featured_media":5115,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1895],"tags":[1362,1364,540],"class_list":["post-5113","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-saude","tag-alimentos","tag-fungos","tag-mitometro"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5113","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/32"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5113"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5113\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5115"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5113"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5113"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5113"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}