{"id":5502,"date":"2019-04-10T17:46:16","date_gmt":"2019-04-10T20:46:16","guid":{"rendered":"http:\/\/coral.ufsm.br\/arco\/sitenovo\/?p=5502"},"modified":"2021-02-11T15:13:38","modified_gmt":"2021-02-11T18:13:38","slug":"os-novos-rumos-da-inclusao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/os-novos-rumos-da-inclusao","title":{"rendered":"Os novos rumos da inclus\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Ou\u00e7a esta reportagem:<\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-5502-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/Os-novos-rumos-da-inclus\u00e3o.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/Os-novos-rumos-da-inclus\u00e3o.mp3\">https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2021\/05\/Os-novos-rumos-da-inclus\u00e3o.mp3<\/a><\/audio>\n<p><span style=\"color: #ffffff\">.<\/span><\/p>\n<p>A\u00a0entrada de alunos com defici\u00eancia nas universidades brasileiras aumentou progressivamente desde a aprova\u00e7\u00e3o da Lei n\u00b012.711, em agosto de 2012, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), quando foi adotada a pol\u00edtica de cotas. Entretanto, o Ensino Superior est\u00e1 realmente preparado para receber pessoas, para as quais, antes, o acesso era bastante limitado? Esse foi um dos pontos principais da tese da professora do Departamento de Educa\u00e7\u00e3o Especial da UFSM Sabrina Fernandes de Castro.\u00a0 Sua pesquisa tinha como finalidade identificar as a\u00e7\u00f5es e iniciativas de universidades p\u00fablicas relacionadas ao ingresso e \u00e0 perman\u00eancia de estudantes com defici\u00eancia, abordando impedimentos e facilitadores da continuidade desses acad\u00eamicos nas institui\u00e7\u00f5es de ensino.<\/p>\n<p>O estudo foi realizado em 13 Institui\u00e7\u00f5es de Ensino Superior (IES) p\u00fablicas brasileiras. A pesquisadora entrevistou os reitores dessas institui\u00e7\u00f5es ou algu\u00e9m que os representasse, al\u00e9m dos respons\u00e1veis pelos n\u00facleos, servi\u00e7os ou programas de atendimento especializados aos alunos com defici\u00eancia, e, por fim, talvez a parte mais interessada da hist\u00f3ria: os pr\u00f3prios discentes com defici\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Pela manuten\u00e7\u00e3o, contra a evas\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A maioria dos servi\u00e7os voltados aos acad\u00eamicos brasileiros com defici\u00eancia \u00e9 recente. Dentre as iniciativas, destaca-se, particularmente, a ideia do desenvolvimento do Programa Incluir, que \u00e9 do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o. Um dos objetivos principais da iniciativa \u00e9 criar n\u00facleos respons\u00e1veis por implementar pol\u00edticas de inclus\u00e3o dentro das universidades p\u00fablicas. Na UFSM, o N\u00facleo de Acessibilidade, criado em 2007, tem como objetivo facilitar os encaminhamentos gerados pelas demandas de acessibilidade. Por isso, anexo ao N\u00facleo, tamb\u00e9m h\u00e1 a Comiss\u00e3o de Acessibilidade.<\/p>\n<p>As a\u00e7\u00f5es de ambos s\u00e3o voltadas para alunos e servidores com transtorno do espectro autista, superdota\u00e7\u00e3o\/altas habilidades, defici\u00eancias e surdez, que se deparam, diariamente, com obst\u00e1culos f\u00edsicos e sociais existentes no ambiente universit\u00e1rio. Com o apoio dos n\u00facleos, pessoas com defici\u00eancia podem desenvolver mais atividades de melhor forma, estando cada vez mais inclu\u00eddas na vida acad\u00eamica da institui\u00e7\u00e3o da qual fazem parte e se sentindo plenamente integradas \u00e0 comunidade universit\u00e1ria. \u201cS\u00e3o necess\u00e1rias pequenas a\u00e7\u00f5es que tornem a universidade mais acolhedora, sua forma\u00e7\u00e3o adequada, sua presen\u00e7a na institui\u00e7\u00e3o agrad\u00e1vel, com o sentimento de que s\u00e3o realmente parte integrante da comunidade universit\u00e1ria\u201d, argumenta Sabrina.<\/p>\n<p>Em sua tese, a pesquisadora classifica em quatro categorias \u2013 especificadas a seguir \u2013 as barreiras que dificultam a perman\u00eancia de pessoas com defici\u00eancia nas universidades.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-5505\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2019\/03\/Barreiras-pedagogicas.png\" alt=\"\" width=\"130\" height=\"129\" \/><\/p>\n<p><strong>Ba<\/strong><strong>rreiras pedag\u00f3gicas:\u00a0<\/strong>car\u00eancia de materiais did\u00e1ticos adaptados e, por consequ\u00eancia, problemas na atua\u00e7\u00e3o do int\u00e9rprete.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-5506 alignright\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/comunicacao\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2019\/03\/Barreiras-atitudinais.png\" alt=\"\" width=\"133\" height=\"132\" \/><\/p>\n<p><strong>Barreiras atitudinais:\u00a0<\/strong>comportamento dos professores em sala de aula, na maioria das vezes ainda pouco preparados;<br \/>\nrelacionamento com os colegas; desrespeito \u00e0s vagas destinadas para os deficientes em estacionamentos; obst\u00e1culos colocados em rampas, cal\u00e7adas e caminhos.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-5507\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/comunicacao\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2019\/03\/Barreiras-comunicacionais.png\" alt=\"\" width=\"130\" height=\"129\" \/><\/p>\n<p><strong>Barreiras comunicacionais:<\/strong><br \/>\nfalta de acessibilidade \u00e0 informa\u00e7\u00e3o; n\u00famero insuficiente de tradutores ou int\u00e9rpretes em Libras para surdos; uso de lousa e murais para passar os conte\u00fados em sala de aula \u2013 um problema para os alunos cegos.<\/p>\n<p><strong>Defici\u00eancia visual:<\/strong> \u00e9 de suma import\u00e2ncia disponibilizar as provas com fonte ampliada, lupas, avalia\u00e7\u00f5es em braille, lupas e computador com sintetizador (DOS VOX ou outro software leitor de tela). Tamb\u00e9m \u00e9 importante a amplia\u00e7\u00e3o do tempo de realiza\u00e7\u00e3o das provas, o aux\u00edlio de escribas (digita\u00e7\u00e3o em \u00e1udio) para a transcri\u00e7\u00e3o das respostas (assist\u00eancia fiscal).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-5508\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/comunicacao\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2019\/03\/Barreiras-arquitetonicas.png\" alt=\"\" width=\"153\" height=\"152\" \/><\/p>\n<p><strong>Barreiras arquitet\u00f4nicas:\u00a0<\/strong>aus\u00eancia de rampas ou escarpas com inclina\u00e7\u00e3o adequada; cal\u00e7adas sem manuten\u00e7\u00e3o ou constru\u00eddas com pisos impr\u00f3prios; portas e banheiros estreitos; falta de corrim\u00e3o, sinaliza\u00e7\u00e3o, refer\u00eancias, mapas t\u00e1teis; telefones p\u00fablicos mal colocados.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-5521 alignright\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/comunicacao\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2019\/03\/Fotografia-ao-alcance-dos-olhos-de-todos.png\" alt=\"\" width=\"255\" height=\"138\" \/><\/p>\n<p><strong>Fotografia ao alcance dos olhos de todos<\/strong><\/p>\n<p>Na Educa\u00e7\u00e3o Superior brasileira, existem 2203 alunos cegos, sendo que 449 est\u00e3o matriculados em universidades federais, de acordo com relat\u00f3rios elaborados pelo<br \/>\nInstituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An\u00edsio Teixeira (Inep) em 2017 \u2013 os mais atualizados at\u00e9 o momento.<\/p>\n<p>Em 2012, Rubia Sttefens, que nasceu cega, ingressou no curso de Jornalismo da UFSM de Frederico Westphalen. \u201cTodo mundo enfrenta dificuldades, de formas diferentes, mas o fato de eu n\u00e3o enxergar nunca me impediu de fazer tudo como qualquer um. Meu principal obst\u00e1culo foi a falta de informa\u00e7\u00e3o das outras pessoas. Tudo parece um &#8216;bicho de sete cabe\u00e7as&#8217; quando temos que enfrentar o desconhecido\u201d, comenta Rubia, hoje jornalista. Com a entrada da aluna, a professora do Departamento de Comunica\u00e7\u00e3o da UFSM-FW Jana\u00edna Gomes, que d\u00e1 aulas de fotografia na Institui\u00e7\u00e3o, tratou de adequar o ensino da disciplina. Para isso, contou com a ajuda de alguns colaboradores.<\/p>\n<p>Inicialmente, o apoio veio do jornalista e fot\u00f3grafo com baixa vis\u00e3o Teco Barbero, que ministrou a palestra &#8220;Fotografando os Sentidos&#8221;, na UFSM\/FW, al\u00e9m do professor Francisco de Lima, que \u00e9 formado em audiodescri\u00e7\u00e3o pela Universidade Federal de Pernambuco, consolidando-a como tecnologia assistiva. \u201cTeco foi fundamental para o avan\u00e7o da confec\u00e7\u00e3o do material did\u00e1tico que desenvolvi. Com o professor Francisco pude compreender a psicof\u00edsica \u2013 \u00e1rea da ci\u00eancia que estuda as rela\u00e7\u00f5es entre as sensa\u00e7\u00f5es subjetivas e os est\u00edmulos f\u00edsicos, estabelecendo rela\u00e7\u00f5es entre eles \u2013 como recurso para explicar o que eu e Rubia est\u00e1vamos desenvolvendo, j\u00e1 para ensinar outros cegos a fotografar\u201d, esclarece a docente.<\/p>\n<p><strong>Por outra lente<\/strong><\/p>\n<p>Teco Barbero teve dificuldades no seu per\u00edodo de gradua\u00e7\u00e3o, entre 2001 e 2004, por causa da falta de adapta\u00e7\u00e3o na Universidade de Sorocaba (Uniso), onde estudava. \u201cEra uma \u00e9poca que n\u00e3o se falava em acessibilidade dentro das universidades, principalmente para o curso de Jornalismo. Eu mesmo fui muito contestado, porque me perguntavam como eu faria uma foto e como eu pegaria em uma c\u00e2mera\u201d, lamenta Teco.<\/p>\n<p>Segundo a professora Jana\u00edna, Teco trouxe para Frederico Westphalen algumas t\u00e9cnicas que aprendeu com o jornalista, fot\u00f3grafo, produtor cultural e documentarista brasileiro Werinton Kermes. A partir desses m\u00e9todos, ele desenvolveu uma oficina explorando, essencialmente, os cinco sentidos do corpo humano: vis\u00e3o, olfato, paladar, audi\u00e7\u00e3o e tato. Na ocasi\u00e3o, alunos do curso estiveram no papel de monitores da oficina de fotografia para pessoas com defici\u00eancia visual, incluindo Rubia. \u201cTeco representou a possibilidade de termos uma aluna cega em um curso com tamanha carga de conte\u00fado visual. Quebrando esse paradigma, fomos atr\u00e1s de capacita\u00e7\u00f5es e o N\u00facleo de Acessibilidade da UFSM foi incans\u00e1vel em nos atender\u201d, afirma a professora Jana\u00edna.<\/p>\n<p>A docente explica que, para o caso de Rubia, que \u00e9 uma cega cong\u00eanita, era necess\u00e1rio criar par\u00e2metros f\u00edsicos que servissem como ponto de refer\u00eancia para os seus enquadramentos e, para isso, tiveram que aprimorar a t\u00e9cnica com ajuda da matem\u00e1tica. Em um segundo momento, os planos mais abertos \u2013 aqueles que apresentam mais o ambiente na fotografia \u2013 precisavam ser conquistados. \u201cFotografia \u00e9, num primeiro momento, inimagin\u00e1vel para pessoas cegas, por ser totalmente visual. Eu n\u00e3o posso ver as imagens, mas posso mostrar para os outros o que eu quero ou o lugar onde estou. De certa forma, apesar de n\u00e3o enxergar, fotografar \u00e9 tamb\u00e9m estar participando do mundo cada vez mais visual que vivemos atualmente\u201d, afirma Rubia.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2019\/03\/Dossi\u00ea_3_Infogr\u00e1fico.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-5520\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/comunicacao\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2019\/03\/Dossi\u00ea_3_Infogr\u00e1fico.png\" alt=\"\" width=\"471\" height=\"1179\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2019\/03\/Dossi\u00ea_3_Infogr\u00e1fico.png 800w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2019\/03\/Dossi\u00ea_3_Infogr\u00e1fico-120x300.png 120w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2019\/03\/Dossi\u00ea_3_Infogr\u00e1fico-768x1923.png 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2019\/03\/Dossi\u00ea_3_Infogr\u00e1fico-409x1024.png 409w\" sizes=\"(max-width: 471px) 100vw, 471px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Na linha do horizonte<\/strong><\/p>\n<p>Neste processo de ensino-aprendizado, foram constru\u00eddos muitos instrumentos, inclusive, com materiais de PVC, MDF e barbante. Com eles, segundo Jana\u00edna, o aluno \u00e9 capaz de entender que precisa aferir o tamanho do que vai fotografar e obter certo distanciamento do objeto a ser fotografado. \u201cNessa etapa, ele tem uma rela\u00e7\u00e3o sensorial de tato com o que vai enquadrar e, com isso, tem um referencial para entender como funciona fisicamente a abertura que as lentes objetivas proporcionam\u201d, explica a professora. Jana\u00edna construiu uma pir\u00e2mide para ilustrar essa rela\u00e7\u00e3o. Por meio dela, os acad\u00eamicos cegos podem fazer selfies, pois \u00e9 exatamente a dist\u00e2ncia que precisam tomar para fotografar algu\u00e9m ou o pr\u00f3prio rosto.<\/p>\n<p>\u201cHoje parece simples, mas explicar e dar referentes para tudo isso foi um processo que demorou dois anos. Contei com a Rubia em todas as etapas, para que ela pudesse me dizer se o que eu estava pensando fazia sentido\u201d, explica a professora. Para os planos mais abertos, Jana\u00edna combinou conhecimentos (denominados como regra dos ter\u00e7os), al\u00e9m da percep\u00e7\u00e3o da linha do horizonte e o uso do pr\u00f3prio corpo para direcionar a c\u00e2mera e efetivar o enquadramento fotogr\u00e1fico. Uma das pr\u00e1ticas realizadas com R\u00fabia aconteceu em um campo de soja, orientada pelo vento. Quando as folhas da planta viravam ao contr\u00e1rio, Jana\u00edna &#8211; que estava vendada &#8211; e R\u00fabia percebiam a passagem do vento nos campos. Com isso, a docente fazia a audiodescri\u00e7\u00e3o do local para sua aluna fotografar.<\/p>\n<p>Nas universidades, ainda n\u00e3o existem estruturas com audiodescritores nas lousas, que \u00e9 uma tecnologia assistiva endere\u00e7ada ao aprimoramento do ensino para alunos cegos. Jana\u00edna comenta que na UFSM foi assim: estudou-se a legisla\u00e7\u00e3o e, com isso, foram proporcionadas as condi\u00e7\u00f5es para a forma\u00e7\u00e3o da aluna. \u201cA audiodescri\u00e7\u00e3o deveria, sim, ser obrigat\u00f3ria como \u00e9 Libras no sistema educacional. Outra coisa que precisa ser compreendida na educa\u00e7\u00e3o de pessoas com defici\u00eancia \u00e9 que cada uma tem uma necessidade distinta. Nada pode ser uniformizado num pa\u00eds que n\u00e3o tem ainda resolvido a inclus\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o\u201d, sinaliza a pesquisadora.<\/p>\n<p>Depois disso, a professora tamb\u00e9m idealizou oficinas de fotografia inclusiva em lugares como Esp\u00edrito Santo, Alagoas, Maranh\u00e3o e Pernambuco. \u201cAs pessoas cegas duvidam muito de que podem fotografar, porque est\u00e3o acostumadas a n\u00e3o ter informa\u00e7\u00f5es visuais. A primeira coisa que costumo observar \u00e9 isso: que al\u00e9m de fotografar, as pessoas aprendem sobre coisas que ningu\u00e9m fala com elas, como o que \u00e9 a linha do horizonte\u201d, expressa Jana\u00edna.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-5522\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/comunicacao\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2019\/03\/obst\u00e1culos-sobre-rodas.png\" alt=\"\" width=\"357\" height=\"161\" \/><\/p>\n<p><strong>Obst\u00e1culos sobre rodas<\/strong><\/p>\n<p>Diante das dificuldades que o aluno do pen\u00faltimo semestre do curso de Medicina Eduardo Correa Nascimento tinha para se locomover durante as aulas pr\u00e1ticas de cirurgia, realizadas no Hospital Universit\u00e1rio de Santa Maria (Husm), a Institui\u00e7\u00e3o adquiriu uma cadeira de rodas, no modelo stand-up.<\/p>\n<p>\u201cQuando o Eduardo ingressou no est\u00e1gio curricular obrigat\u00f3rio, conversamos sobre suas dificuldades de acessibilidade e qu\u00e3o dif\u00edcil seria para realizar o est\u00e1gio no bloco cir\u00fargico\u201d relata Fl\u00e1vio Jobim, docente do Departamento de Ginecologia do curso de Medicina da UFSM. Foi o pr\u00f3prio estudante que encontrou esse modelo de cadeira, que \u00e9 fabricada no Rio Grande do Sul e possibilita ao usu\u00e1rio com mais de 1,5 metro de altura ficar em p\u00e9. Seu projeto biomec\u00e2nico possui dimens\u00f5es estruturais com assento, encosto e apoio para os p\u00e9s, garantindo estabilidade, ergonomia, conforto e seguran\u00e7a ao cadeirante.<\/p>\n<p>\u201cNo caso do Eduardo, sem essa valiosa ferramenta, ele n\u00e3o poderia participar dos procedimentos cir\u00fargicos e nem mesmo observ\u00e1-los, j\u00e1 que as equipes se posicionam geralmente ao redor do paciente que fica em posi\u00e7\u00e3o de dec\u00fabito (atitude do corpo em repouso em um plano horizontal) na mesa cir\u00fargica\u201d, explica o professor, que auxiliou na aquisi\u00e7\u00e3o do utens\u00edlio.<\/p>\n<p>A cadeira foi desenvolvida para que o estudante deficiente se mantenha saud\u00e1vel, principalmente nas suas fun\u00e7\u00f5es circulat\u00f3rias e respirat\u00f3rias. Al\u00e9m disso, ao concentrar seu peso nos membros inferiores, o usu\u00e1rio previne a osteoporose, por colocar seus m\u00fasculos e ossos em funcionamento.<\/p>\n<p>Eduardo descreve que, durante a gradua\u00e7\u00e3o, as dificuldades foram imensas. \u201cNo meu primeiro dia de aula, j\u00e1 fiquei decepcionado com tamanho descaso por parte de todos, ao ter que ser carregado para poder chegar ao laborat\u00f3rio de anatomia. N\u00e3o tinha nem rampa, muito menos banheiro adaptado nesse local\u201d, conta. De acordo com o estudante, havia somente um banheiro acess\u00edvel, mas estava localizado no segundo andar do pr\u00e9dio e, para chegar at\u00e9 l\u00e1, necessitava subir escadas. A aquisi\u00e7\u00e3o da cadeira de rodas stand-up representou, nas palavras do acad\u00eamico, a possibilidade de cursar o ensino superior com dignidade: \u201cMe beneficiei ao ter um aprendizado igual ao dos meu colegas, podendo tratar das mais variadas especialidades cir\u00fargicas, no per\u00edodo em que pude estagiar no Husm\u201d.<\/p>\n<p><em><strong>Reportagem:<\/strong> Guilherme de Vargas<\/em><br \/>\n<em><strong>Lettering:<\/strong> Deirdre Holanda<\/em><br \/>\n<em><strong>Ilustra\u00e7\u00e3o e diagrama\u00e7\u00e3o<\/strong>: Pollyana Santoro,\u00a0acad\u00eamica de Desenho Industrial<\/em><br \/>\n<em><strong>Fotografias:<\/strong>\u00a0Thom\u00e1s Dalcol Townsend<\/em><br \/>\n<em><strong>Locu\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/strong>Marcelo de Franceschi<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Institui\u00e7\u00f5es de ensino superior p\u00fablicas brasileiras buscam novos m\u00e9todos voltados \u00e0 acessibilidade para pessoas com defici\u00eancia<\/p>\n","protected":false},"author":26,"featured_media":5525,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1622],"tags":[1454,690,1516,1518,1520,1478,1480,268,1238],"class_list":["post-5502","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-dossie-inovacao-no-ensino-10a-edicao","tag-10a-edicao","tag-acessibilidade","tag-barreiras-arquitetonicas","tag-barreiras-atitudinais","tag-barreiras-pedagogicas","tag-dossie-inovacao-no-ensino","tag-ensino","tag-fotografia","tag-inclusao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5502","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/26"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5502"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5502\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5525"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5502"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5502"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5502"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}