{"id":8624,"date":"2021-08-13T12:18:10","date_gmt":"2021-08-13T15:18:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/?p=8624"},"modified":"2021-08-13T15:09:40","modified_gmt":"2021-08-13T18:09:40","slug":"esporte-alem-das-quatro-linhas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/esporte-alem-das-quatro-linhas","title":{"rendered":"Esporte al\u00e9m das quatro linhas"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"8624\" class=\"elementor elementor-8624\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-f4686ce elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"f4686ce\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-1c2ee0a\" data-id=\"1c2ee0a\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-86a4f2d elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"86a4f2d\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"668\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2021\/08\/Esportes2-1024x668.jpg\" class=\"attachment-large size-large wp-image-8625\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2021\/08\/Esportes2-1024x668.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2021\/08\/Esportes2-300x196.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2021\/08\/Esportes2-768x501.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2021\/08\/Esportes2.jpg 1458w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-e1b6f91 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"e1b6f91\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-7ed937c\" data-id=\"7ed937c\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-62b611f elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"62b611f\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<p><span style=\"font-weight: 400\">O ano de 2021 entrar\u00e1 para a hist\u00f3ria do esporte n\u00e3o s\u00f3 pela realiza\u00e7\u00e3o da Eurocopa e das Olimp\u00edadas, adiadas em 2020 devido \u00e0 pandemia, mas tamb\u00e9m por quest\u00f5es e bandeiras levadas por atletas que v\u00e3o muito al\u00e9m das fronteiras de suas modalidades e de seus pa\u00edses. As edi\u00e7\u00f5es de ambas competi\u00e7\u00f5es refletem o aumento da diversidade.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">A Eurocopa, disputa entre sele\u00e7\u00f5es europeias que ocorre a cada quatro anos, j\u00e1 havia atingido um marco hist\u00f3rico na sua pen\u00faltima edi\u00e7\u00e3o, em 2016. A final entre Portugal e Fran\u00e7a contou com mais jogadores de origem africana do que europeia. Dos 22 jogadores que iniciaram a partida, 12 eram negros. Ao somar os reservas, o n\u00famero sobe para 15 dos 28 atletas que participaram da partida. \u00c9der, nascido em Guin\u00e9-Bissau, saiu do banco de reservas para entrar para a hist\u00f3ria com seu gol, marcado durante a prorroga\u00e7\u00e3o, que rendeu \u00e0 sele\u00e7\u00e3o portuguesa o primeiro t\u00edtulo.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Nesta edi\u00e7\u00e3o do campeonato europeu, 15% eram imigrantes ou filhos de imigrantes, o que tornou este torneio o mais diverso at\u00e9 ent\u00e3o. Outro fator que marcou a 16\u00aa edi\u00e7\u00e3o da Eurocopa foi o aumento do protagonismo de jogadores negros nas principais sele\u00e7\u00f5es. Dos cinco times campe\u00f5es do Velho Continente da Copa do Mundo, tr\u00eas tinham atletas negros com a camisa 10. Kylian Mbapp\u00e9 (Fran\u00e7a), Raheem Sterling (Inglaterra) e Leroy San\u00e9 (Alemanha) usaram o n\u00famero reservado ao principal jogador do time.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">A final de 2021 do Mundial n\u00e3o bateu o recorde da edi\u00e7\u00e3o anterior, mesmo assim foi multicultural. Pela sele\u00e7\u00e3o inglesa, cinco jogadores negros, entre titulares e reserva, participaram da partida. A campe\u00e3 It\u00e1lia, por sua vez, tinha em seu elenco tr\u00eas jogadores nascidos no Brasil. Rafael Tol\u00f3i, Emerson Palmieri e, principalmente, Jorginho foram pe\u00e7as importantes da campanha que rendeu o bicampeonato para a\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Squadra Azzurra<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Os Jogos Ol\u00edmpicos de T\u00f3quio trouxeram mais do que aquilo que o p\u00fablico espera do evento mais importante do esporte, como os melhores atletas e hist\u00f3rias que ser\u00e3o lembradas por gera\u00e7\u00f5es. O maior legado n\u00e3o foram as estreias bem sucedidas do surf e do skate, mas sim a maior diversidade j\u00e1 vista em uma Olimp\u00edadas. Segundo levantamento do site <\/span><a href=\"https:\/\/www.outsports.com\/olympics\/2021\/7\/12\/22565574\/tokyo-summer-olympics-lgbtq-gay-athletes-list\"><span style=\"font-weight: 400\">Out Sports<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, 183 atletas LGBTQIA+ participaram da \u00faltima edi\u00e7\u00e3o das olimp\u00edadas. O n\u00famero \u00e9 tr\u00eas vezes maior que o recorde anterior, dos jogos de 2016 no Rio de Janeiro, que contou com\u00a0 56 atletas.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Se fossem uma delega\u00e7\u00e3o, os atletas LGBTQIA+, com 11 medalhas de ouro, 12 de prata e 9 de bronze, ficariam em s\u00e9timo lugar no quadro de medalhas. Estariam \u00e0 frente de pa\u00edses como Holanda, Alemanha, Fran\u00e7a, It\u00e1lia e Brasil &#8211; que fez sua melhor campanha em uma olimp\u00edada, com 7 medalhas de ouro, 6 de prata e 8 de bronze. A edi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m foi a que contou com maior participa\u00e7\u00e3o feminina, que correspondeu a 48,9% do total de atletas. A marca deve ser superada em breve, j\u00e1 que a previs\u00e3o \u00e9 que a edi\u00e7\u00e3o de Paris, em 2024, seja a primeira com representa\u00e7\u00e3o igualit\u00e1ria entre mulheres e homens.<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-3db1264 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"3db1264\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-d054af1\" data-id=\"d054af1\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-1129b5f elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"1129b5f\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<h3><b>Pol\u00edtica e esporte: juntos e misturados<\/b><\/h3><p><span style=\"font-weight: 400\">As manifesta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas no esporte come\u00e7aram a se intensificar no ano de 2020, muito por influ\u00eancia do movimento <i>Black Lives Matter (BLM) &#8211; <\/i>que surgiu em 2013, nos Estados Unidos, com o objetivo de combater a supremacia branca, e ganhou destaque com as mobiliza\u00e7\u00f5es ap\u00f3s George Floyd ser assassinado por um policial de Minneapolis, Minnesota<i>.<\/i><\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">H\u00e1 quem n\u00e3o goste desses atos por acreditar que \u201cpol\u00edtica e esporte n\u00e3o se misturam\u201d.<\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0Neste sentido, pode-se citar a regra 50 da Carta Ol\u00edmpica, que pro\u00edbe \u201cqualquer tipo de manifesta\u00e7\u00e3o ou propaganda pol\u00edtica, religiosa ou racial em instala\u00e7\u00f5es ol\u00edmpicas\u201d.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Entretanto, por influ\u00eancia do aumento das manifesta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas nas mais diversas modalidades esportivas, o Comit\u00ea Ol\u00edmpico Internacional (COI) flexibilizou a norma e passou a permitir atos pol\u00edticos nos ambientes desportivos e antes do in\u00edcio das competi\u00e7\u00f5es. Por outro lado, as manifesta\u00e7\u00f5es no p\u00f3dio &#8211; como <\/span><a href=\"https:\/\/gq.globo.com\/GQ-no-podio\/noticia\/2016\/08\/panteras-negras-historia-do-gesto-mais-famoso-dos-jogos-olimpicos.html\"><span style=\"font-weight: 400\">os punhos erguidos de Tommie Smith e John Carlos <\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">em refer\u00eancia aos Panteras Negras nas Olimp\u00edadas de 1968 &#8211; seguem proibidas.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Rubens Guilherme Santos, estudante de Jornalismo e integrante do Ponta de Lan\u00e7a, portal de not\u00edcias focado no esporte, cultura e pol\u00edtica no continente africano, destaca a import\u00e2ncia de desconstruir a ideia de incompatibilidade entre esporte e pol\u00edtica. \u201cO esporte \u00e9 mais um espa\u00e7o de intera\u00e7\u00e3o\/disputa social e pol\u00edtica da sociedade\u201d, argumenta.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">A pr\u00f3pria hist\u00f3ria brasileira refor\u00e7a que a separa\u00e7\u00e3o entre esporte e pol\u00edtica n\u00e3o passa de um mito. Muito antes de os atletas usarem o esporte como espa\u00e7o de atos pol\u00edticas em prol da igualdade, pol\u00edticos j\u00e1 o usavam em manifesta\u00e7\u00f5es a favor de seus pr\u00f3prios interesses. \u201cAs pessoas querem que os esportistas sejam apol\u00edticos, falam que futebol, pol\u00edtica e religi\u00e3o n\u00e3o se misturam, mas essa aproxima\u00e7\u00e3o \u00e9 hist\u00f3rica. A Era Vargas e a ditadura civil militar, por exemplo, se aproveitaram do esporte para conseguir alavancar os seus objetivos pol\u00edticos\u201d, explica Taiane Lima, mestranda do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria da UFSM.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Mesmo assim, atletas que ousam cruzar a fronteira ou reagir a uma injusti\u00e7a podem sofrer por isso. Um exemplo trazido por Taiane \u00e9 o de Taison, jogador do Internacional com passagem de 11 anos pelo Shakhtar Donetsk da Ucr\u00e2nia. No cl\u00e1ssico ucraniano entre Shakhtar e D\u00ednamo de Kiev, parte da torcida advers\u00e1ria proferiu insultos racistas ao atleta, que reagiu e foi expulso. Al\u00e9m da suspens\u00e3o autom\u00e1tica gerada pelo cart\u00e3o vermelho, a Associa\u00e7\u00e3o Ucraniana de Futebol puniu Taison com um jogo de suspens\u00e3o. \u201cEle foi punido, n\u00e3o as pessoas que praticaram o ato racista\u201d, destaca.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Para Taiane, o atleta n\u00e3o deve deixar de se posicionar por medo de cr\u00edticas ou puni\u00e7\u00f5es, j\u00e1 que sua influ\u00eancia pode ajudar a chamar a aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico para causas importantes. \u201cEsporte e pol\u00edtica se misturam sim e essas pessoas t\u00eam relev\u00e2ncia, elas n\u00e3o s\u00e3o alienadas, elas precisam se posicionar. Sempre ter\u00e1 algu\u00e9m para criticar, dizer que n\u00e3o pode. Mas outras pessoas ir\u00e3o perceber e olhar com mais aten\u00e7\u00e3o para essas pautas&#8221;, defende.<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-ad0726d elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"ad0726d\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-85c3f87\" data-id=\"85c3f87\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-2959660 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"2959660\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<h3><b>Unidos at\u00e9 que as derrotas os separem<\/b><\/h3><p><span style=\"font-weight: 400\">O estudante Rubens\u00a0 explica que a maior parte dos atletas que representam as sele\u00e7\u00f5es europeias s\u00e3o da segunda ou terceira gera\u00e7\u00e3o de imigrantes africanos no continente. As dificuldades enfrentadas pelas suas fam\u00edlias, como aus\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas que lhes assegurassem direitos b\u00e1sicos, al\u00e9m da resist\u00eancia em reconhecer os filhos de imigrantes como cidad\u00e3os europeus, tornaram o esporte a \u00fanica ferramenta poss\u00edvel para ascender socialmente. \u201cO futebol passa a ser um ambiente de inclus\u00e3o de jovens em busca de superar as adversidades da vida\u201d, observa.<\/span><\/p><p>O talento desses jogadores que viam no futebol a sua \u00fanica chance de conseguir uma vida melhor passou a auxiliar os clubes europeus. N\u00e3o demorou muito para que esses atletas fossem incorporados \u00e0s sele\u00e7\u00f5es. \u201cA diversidade \u00e9tnica propiciou o \u00e1pice de muitas sele\u00e7\u00f5es de futebol. O caso mais conhecido \u00e9 o da Fran\u00e7a\u201d, afirma Rubens.\u00a0<\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">No final da d\u00e9cada de 1990, surgiu a gera\u00e7\u00e3o mais vitoriosa da hist\u00f3ria da sele\u00e7\u00e3o francesa at\u00e9 o momento. Pela diversidade \u00e9tnica de seus jogadores, a equipe ficou conhecida como \u201c<i>black-blanc-beur<\/i>\u201d (negra, branca e \u00e1rabe). Em 1998, o time conquistou o t\u00edtulo in\u00e9dito da Copa do Mundo. Dois anos depois, os <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">bleus<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> conquistaram o bicampeonato da Eurocopa. Essa gera\u00e7\u00e3o foi t\u00e3o bem sucedida que se tornou propaganda de uma Fran\u00e7a multicultural. Em 2018, a sele\u00e7\u00e3o francesa voltaria a conquistar o mundial, com um time que conseguiu ser mais multi\u00e9tnico. Dos 23 jogadores convocados, 14 tinham ascend\u00eancia africana.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">A hist\u00f3ria no esporte tamb\u00e9m \u00e9 feita de derrotas. E quando uma sele\u00e7\u00e3o multirracial \u00e9 derrotada, logo surgem aqueles que apontam a diversidade como problema. \u201cA atribui\u00e7\u00e3o de fracassos e reveses a atletas negros e negras infelizmente \u00e9 comum no futebol, espa\u00e7o que, muitas vezes, serve de descarrego de preconceitos\u201d, afirma Rubens.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Nem mesmo a gera\u00e7\u00e3o francesa de 1998 escapou disso. As campanhas sem t\u00edtulo da sele\u00e7\u00e3o, somadas \u00e0 forte polariza\u00e7\u00e3o presente nos debates sobre migra\u00e7\u00e3o na Europa, fizeram com que as tens\u00f5es raciais ressurgissem rapidamente e com for\u00e7a na Fran\u00e7a.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Talvez o caso mais conhecido pelos brasileiros seja o de Moacyr Barbosa na Copa do Mundo de 1950, disputada no Brasil. Dias antes da final contra o Uruguai, o pa\u00eds todo comemorava o t\u00edtulo antecipadamente. Na final, a sele\u00e7\u00e3o saiu na frente, parecia confirmar o que todos achavam saber. A sele\u00e7\u00e3o uruguaia fez o gol de empate, mas o clima ainda era de festa, o resultado dava o t\u00edtulo para o Brasil. Por\u00e9m, aos 34 minutos do segundo tempo,\u00a0 a sele\u00e7\u00e3o uruguaia conseguiu virar o jogo e calar os 200 mil espectadores presentes no est\u00e1dio do Maracan\u00e3, constru\u00eddo especialmente para a competi\u00e7\u00e3o. O fat\u00eddico epis\u00f3dio ficou conhecido como Maracana\u00e7o.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Barbosa, homem negro, era goleiro da sele\u00e7\u00e3o brasileiro e foi eleito como o culpado pela derrota. Ao falar sobre o ostracismo ao qual foi condenado pela derrota, o ex-goleiro disse: \u201cNo Brasil, a pena m\u00e1xima (de pris\u00e3o) \u00e9 de 30 anos, mas pago h\u00e1 40 por um crime que n\u00e3o cometi\u201d. Barbosa carregou esse fardo por quase 50 anos, at\u00e9 sua morte em 2000.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">No entanto, Barbosa n\u00e3o foi o \u00fanico a sofrer as consequ\u00eancias do racismo. Ap\u00f3s a derrota, criou-se a cren\u00e7a de que pessoas negras n\u00e3o servem para jogarem em posi\u00e7\u00f5es defensivas. \u201cH\u00e1 poucos goleiros negros, poucos zagueiros negros, porque, quando se precisa de confian\u00e7a, parece que o jogador negro ou a jogadora negra n\u00e3o \u00e9 adequado. Ent\u00e3o a gente percebe que esse acontecimento da copa de 1950 impacta at\u00e9 hoje\u201d, pondera Taiane.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">At\u00e9 hoje, as derrotas s\u00e3o catalisadoras do racismo. A final da Eurocopa de 2021, que foi decidida nos p\u00eanaltis, \u00e9 um exemplo. Ap\u00f3s o final do jogo, torcedores ingleses lotaram as redes sociais de Jadon Sancho, Marcus Rashford e Bukayo Saka com ofensas racistas pelos p\u00eanaltis desperdi\u00e7ados na final. Algumas ofensas diziam para que os jogadores, que ajudaram a levar a sele\u00e7\u00e3o inglesa para sua primeira final em 55 anos, fossem embora da Inglaterra e voltassem para a \u00c1frica.<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-efe6708 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"efe6708\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-232dd7c\" data-id=\"232dd7c\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-733f697 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"733f697\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<h3><b>A quest\u00e3o da representatividade<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Daiane dos Santos, que, em 2003, tornou-se a primeira atleta brasileira a ser campe\u00e3 mundial de gin\u00e1stica e a primeira mulher negra a ganhar uma medalha de ouro na modalidade, viveu um dos momentos mais marcantes das Olimp\u00edadas de T\u00f3quio. Como comentarista de gin\u00e1stica, ela contou como sofreu com o racismo e a segrega\u00e7\u00e3o enquanto competia. Outros atletas da sele\u00e7\u00e3o se recusaram a usar o mesmo banheiro que ela, por isso havia um banheiro para os atletas brancos e outro para ela.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O momento de maior emo\u00e7\u00e3o para a ginasta foi quando Rebeca Andrade conquistou a primeira medalha ol\u00edmpica feminina para o Brasil. A atleta sempre foi f\u00e3 de Daiane e tinha ela como refer\u00eancia. Ao presenciar a vit\u00f3ria de Rebeca, aos prantos, Daiane lembrou que a primeira medalha de ouro em mundiais do Brasil na gin\u00e1stica, entre homens e mulheres, foi conquistada por ela, uma mulher negra. Agora, mais uma vez, uma mulher negra levou a primeira medalha brasileira na gin\u00e1stica ol\u00edmpica. \u201cDiziam que a gente n\u00e3o podia estar nesses lugares\u201d, recordou.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Uma das principais formas de se perceber o racismo \u00e9 por meio das aus\u00eancias, entre elas a falta de refer\u00eancia de pessoas negras tanto na m\u00eddia quanto no esporte. \u201cA grande quest\u00e3o da representatividade \u00e9 se olhar nas diversas modalidades do esporte e n\u00e3o se enxergar. Parece que \u00e9 um esporte apenas para pessoas brancas. Ainda mais quando se \u00e9 crian\u00e7a e est\u00e1 desenvolvendo esta consci\u00eancia\u201d, explica Taiane.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No entanto, a historiadora adverte que \u00e9 preciso mais do que refer\u00eancias para que uma pessoa negra possa se tornar medalhista ol\u00edmpica. \u00c9 preciso investimento, n\u00e3o apenas nos clubes que formam atletas, mas principalmente em comunidades mais pobres, que concentram a maior parte da popula\u00e7\u00e3o negra. Sem investimento, modalidades elitizadas continuar\u00e3o praticamente inacess\u00edveis para jovens negros e perif\u00e9ricos. Por mais que alguns consigam contornar as dificuldades, a diversidade nessas modalidades se torna a exce\u00e7\u00e3o, n\u00e3o a regra.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Rubens acredita que o esporte auxilia no combate de qualquer tipo de preconceito. Mas, para isso, \u00e9 preciso que a diversidade v\u00e1 al\u00e9m dos atletas, que, n\u00e3o raro, s\u00e3o vistos apenas como m\u00e3o de obra para as conquistas desportivas. A diversidade deve se estender aos cargos pol\u00edticos de entidades esportivas, espa\u00e7os que pouco mudaram sua demografia ao longo dos anos. \u201cN\u00e3o \u00e9 falta de interesse. \u00c9 falta de oportunidade e discrimina\u00e7\u00e3o\u201d, conclui Taiane.<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-6c53c41 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"6c53c41\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-3d800b2\" data-id=\"3d800b2\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-b9254fd elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"b9254fd\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<p><em><strong>Expediente<\/strong><\/em><\/p>\n<p><i><strong>Rep\u00f3rter<\/strong>: Bernardo Salcedo, acad\u00eamico de Jornalismo e bolsista<br><\/i><\/p>\n<p><i><strong>Ilustrador<\/strong>: Noam Wurzel, acad\u00eamico de Desenho Industrial e bolsista<\/i><\/p>\n<p><i><strong>M\u00eddia Social<\/strong>:<\/i>&nbsp;<i>Samara Wobeto e Elo\u00edze Moraes, acad\u00eamicas de Jornalismo e bolsistas<\/i><\/p>\n<p><i><b>Edi\u00e7\u00e3o de Produ\u00e7\u00e3o<\/b>: Esther Klein, acad\u00eamica de Jornalismo e bolsista<\/i><\/p>\n<p><i><b>Edi\u00e7\u00e3o Geral<\/b>: Luciane Treulieb e Maur\u00edcio Dias, jornalistas<\/i><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Representatividades negra, feminina e LGBTQI+ trazem pautas pol\u00edticas para competi\u00e7\u00f5es como Eurocopa e Olimp\u00edadas<\/p>\n","protected":false},"author":32,"featured_media":8625,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1814],"tags":[4384,2162,924,4681,4661,348,1232,526,4682,4684,4683],"class_list":["post-8624","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-humanidades","tag-destaque-arco","tag-destaque-ufsm","tag-esporte","tag-esporte-e-politica","tag-lgbtqia","tag-mulheres","tag-negros","tag-representacao","tag-representatividade-feminina","tag-representatividade-lgbtqia","tag-representatividade-negra"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8624","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/32"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8624"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8624\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8625"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8624"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8624"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8624"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}