{"id":9020,"date":"2022-02-23T14:36:53","date_gmt":"2022-02-23T17:36:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/?p=9020"},"modified":"2022-02-23T14:38:36","modified_gmt":"2022-02-23T17:38:36","slug":"professor-arquivologia-premio-maria-odila","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/professor-arquivologia-premio-maria-odila","title":{"rendered":"Professor de Arquivologia da UFSM recebe Pr\u00eamio Maria Odila na categoria Tese"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"9020\" class=\"elementor elementor-9020\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-9a0b26d elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"9a0b26d\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-c4ad40d\" data-id=\"c4ad40d\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-cea75b2 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"cea75b2\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<p><span style=\"font-weight: 400\">O professor adjunto do Departamento de Arquivologia do Centro de Ci\u00eancias Sociais e Humanas da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Francisco Cougo J\u00fanior, foi contemplado com o primeiro lugar na categoria Tese no <\/span><a href=\"https:\/\/www.gov.br\/conarq\/pt-br\/assuntos\/eventos-1\/premio-nacional-de-arquivologia-maria-odila-fonseca-2021-1\"><span style=\"font-weight: 400\">Pr\u00eamio Nacional de Arquivologia<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. O trabalho vencedor \u00e9 intitulado <\/span><a href=\"http:\/\/repositorio.ufpel.edu.br:8080\/bitstream\/prefix\/7423\/1\/Tese_Francisco_Alcides_Cougo_Junior.pdf\"><span style=\"font-weight: 400\">&#8220;A patrimonializa\u00e7\u00e3o cultural de arquivos no Brasil&#8221;<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, e foi defendido na Universidade Federal de Pelotas (UFPel). A premia\u00e7\u00e3o, que ocorreu em dezembro de 2021, \u00e9 oferecida pelo <\/span><a href=\"https:\/\/www.gov.br\/arquivonacional\/pt-br\"><span style=\"font-weight: 400\">Arquivo Nacional<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, \u00f3rg\u00e3o que objetiva a gest\u00e3o do patrim\u00f4nio documental do pa\u00eds e garante ao cidad\u00e3o o pleno acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/p><p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-9021\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2022\/02\/capa-materia-prof-francisco.jpg\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o de homem branco de \u00f3culos de aros pretos e vestindo terno preto mexendo em arquivos de papel. Uma folha diz Pr\u00eamio Nacional de Arquivologia Maria Odila Fonseca 2021\" width=\"1080\" height=\"704\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2022\/02\/capa-materia-prof-francisco.jpg 1080w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2022\/02\/capa-materia-prof-francisco-300x196.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2022\/02\/capa-materia-prof-francisco-1024x667.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2022\/02\/capa-materia-prof-francisco-768x501.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" \/><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">O Pr\u00eamio Nacional de Arquivologia leva o nome de <\/span><a href=\"https:\/\/www.arca.fiocruz.br\/handle\/icict\/32471\"><span style=\"font-weight: 400\">Maria Odila Fonseca<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, professora, pesquisadora e contribuidora para o desenvolvimento da Arquivologia no Brasil. H\u00e1 tr\u00eas categorias que podem ser premiadas: Trabalho Conclus\u00e3o de Curso (gradua\u00e7\u00e3o); Disserta\u00e7\u00e3o (mestrado) e Tese (doutorado). Conforme o regulamento, para avaliar os trabalhos concorrentes, a Comiss\u00e3o organizadora utiliza crit\u00e9rios como ineditismo na abordagem do tema, al\u00e9m da relev\u00e2ncia e contribui\u00e7\u00e3o da pesquisa para o desenvolvimento do pensamento cr\u00edtico na \u00e1rea da Arquivologia.\u00a0 <\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0Em seu trabalho de doutorado, Francisco busca compreender como ocorre o processo de conforma\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio cultural arquiv\u00edstico brasileiro a partir de suas dimens\u00f5es pol\u00edticas, s\u00f3cio-hist\u00f3ricas e t\u00e9cnicas. Como apresentado pelo professor, \u201co estudo busca identificar os agentes sociais envolvidos na patrimonializa\u00e7\u00e3o, assim como suas pr\u00e1ticas, discursos e a\u00e7\u00f5es\u201d. \u00c9 proposto tamb\u00e9m um debate cr\u00edtico sobre o processo de patrimonializa\u00e7\u00e3o de arquivos na contemporaneidade.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Francisco Cougo \u00e9 Doutor em Mem\u00f3ria Social e Patrim\u00f4nio Cultural pela Universidade Federal de Pelotas (2021), Mestre em Hist\u00f3ria pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2010), Bacharel em Arquivologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2015) e Graduado em Hist\u00f3ria &#8211; Licenciatura pela Universidade Federal do Rio Grande (2008).\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Em entrevista para a Revista Arco, o professor Francisco contou sobre o seu trabalho e a import\u00e2ncia da premia\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-d6727ac elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"d6727ac\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-a177716\" data-id=\"a177716\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-9ac9a53 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"9ac9a53\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<p><strong>ARCO:<\/strong><b> O que motivou voc\u00ea a desenvolver esse projeto?\u00a0<\/b><\/p><p><b>Francisco Cougo: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">O meu movimento de montar um projeto de doutorado, pelo menos naquela fase da minha carreira, se deu por motiva\u00e7\u00f5es profissionais, de busca por qualifica\u00e7\u00e3o. Eu n\u00e3o era professor da Universidade naquela ocasi\u00e3o ainda e tinha essa ambi\u00e7\u00e3o de me tornar professor do ensino superior.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">O projeto original da tese era bastante diferente do projeto final, e eu gosto de falar isso, at\u00e9 porque algu\u00e9m que l\u00ea uma revista como a Arco geralmente circula no meio acad\u00eamico, seja aluno ou professor. \u00c0s vezes existe uma idealiza\u00e7\u00e3o, principalmente por parte dos estudantes, sobre a pesquisa, e essa idealiza\u00e7\u00e3o ocorre no sentido de que as pessoas olham uma tese pronta e, mais ainda, uma tese premiada, e pensam que aquilo ali acontece como nos manuais de metodologia, tudo organizadinho, que tudo deu certo, foram cumpridas cada uma daquelas fases &#8211; e a vida real n\u00e3o \u00e9 assim.\u00a0<\/span><\/p><p><strong style=\"color: #000000;font-size: 1rem;background-color: var(--bs-body-bg);text-align: var(--bs-body-text-align)\">&#8220;Eu sou militante de que os nossos trabalhos de pesquisa sejam mais honestos e transparentes com os leitores no sentido de contar tamb\u00e9m o que n\u00e3o d\u00e1 certo e as coisas que v\u00e3o se modificando no caminho&#8221;.<\/strong><strong style=\"color: #000000;font-size: 1rem;background-color: var(--bs-body-bg);text-align: var(--bs-body-text-align)\">\u00a0<\/strong><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-15e857c elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"15e857c\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-e10d858\" data-id=\"e10d858\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-6654098 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"6654098\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<p><span style=\"font-weight: 400\">Eu fui banc\u00e1rio entre os anos de 2012 e 2014, atuava como escritur\u00e1rio e trabalhei boa parte desse tempo no arquivo do Banrisul, isso na \u00e9poca em que eu cursava a gradua\u00e7\u00e3o de Arquivologia. Esse arquivo passou por um processo chamado de externaliza\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o \u00e9 um termo t\u00e9cnico da Arquivologia, \u00e9 um termo t\u00e9cnico da administra\u00e7\u00e3o. A externaliza\u00e7\u00e3o nada mais \u00e9 do que uma terceiriza\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o, s\u00f3 que a terceiriza\u00e7\u00e3o que a gente t\u00e1 acostumado, por exemplo da limpeza, da manuten\u00e7\u00e3o, da portaria, fica a cargo de um trabalhador que vem e atua no espa\u00e7o em que n\u00f3s estamos. J\u00e1 a externaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 assim: a atividade que acontece em determinada institui\u00e7\u00e3o \u00e9 mandada para uma institui\u00e7\u00e3o terceira. Em um certo momento, venderam o pr\u00e9dio em que n\u00f3s trabalh\u00e1vamos e externalizaram o servi\u00e7o &#8211; e esse \u00e9 um fen\u00f4meno que t\u00e1 acontecendo em toda a Am\u00e9rica Latina. Esse movimento me chamou muito a aten\u00e7\u00e3o, de que uma coisa t\u00e3o importante quanto a gest\u00e3o de arquivos e a gest\u00e3o de documentos no \u00e2mbito p\u00fablico estivesse sendo repassada para empresas privadas.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Ent\u00e3o eu decidi fazer o meu primeiro projeto sobre isso e fui aprovado no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o (PPG) de Mem\u00f3ria Social e Patrim\u00f4nio Cultural na UFPel. Eles gostaram do projeto, naquela fase intermedi\u00e1ria. Por\u00e9m, quando fui fazer o doutorado de fato, come\u00e7amos a discutir o projeto e ficou claro que ele dificilmente poderia ser analisado em um PPG que tem como intuito discutir Mem\u00f3ria e Patrim\u00f4nio, porque eu estava falando de coisas mais ligadas \u00e0 administra\u00e7\u00e3o, gest\u00e3o e ci\u00eancia da informa\u00e7\u00e3o. Fiz v\u00e1rias tentativas de buscar uma mudan\u00e7a no projeto sem mudar o objeto da pesquisa e, durante essas tentativas, comecei a fazer muitas leituras a respeito da rela\u00e7\u00e3o entre patrim\u00f4nio e arquivos com foco no Brasil. Nesse momento, me dei conta dessa rela\u00e7\u00e3o, que \u00e9 muito falada na Arquivologia, que arquivo \u00e9 patrim\u00f4nio, que faz parte do Patrim\u00f4nio Cultural. Essa rela\u00e7\u00e3o era muito falada e pouco estudada na sua ess\u00eancia e, principalmente, que havia uma lacuna de compreens\u00e3o. N\u00e3o s\u00f3 sobre o que \u00e9 considerado patrim\u00f4nio arquiv\u00edstico no Brasil, mas principalmente sobre como conjuntos de documentos comuns do dia a dia se tornam um patrim\u00f4nio cultural.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Com essas leituras e esse estudo, dei in\u00edcio a uma pesquisa mais fundamentada e sistematizada, que me levou \u00e0 compreens\u00e3o de que mais importante do que estudar o processo de externaliza\u00e7\u00e3o de arquivos \u2014 que eu continuo achando muito interessante e agora, como professor, estou prestes a come\u00e7ar um projeto para estudar esse tema <\/span><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/p><p><strong>&#8220;Ainda era necess\u00e1rio tentar fazer esse exerc\u00edcio de entender como os documentos do nosso dia a dia, sendo p\u00fablicos e privados, foram sendo transformados em patrim\u00f4nio cultural no Brasil&#8221;.\u00a0\u00a0<\/strong><strong style=\"color: #000000;font-size: 1rem;background-color: var(--bs-body-bg);text-align: var(--bs-body-text-align)\">\u00a0<\/strong><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-5a1335b elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"5a1335b\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-4a1c37f\" data-id=\"4a1c37f\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-fb2baa3 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"fb2baa3\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<p><span style=\"font-weight: 400\">A transforma\u00e7\u00e3o de documentos do nosso dia a dia em patrim\u00f4nio come\u00e7ou a me despertar muito interesse e a\u00ed eu fiz esse movimento, vi que existem alguns trabalhos que tentam pegar um conjunto de documentos, geralmente de arquivos pessoais, por exemplo, documentos que pertenceram ao presidente Get\u00falio Vargas, e analisam como foi o processo que levou \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o daqueles documentos em patrim\u00f4nio ou qual foi o processo para garantir que aquilo n\u00e3o se perdesse. Existe um trabalho muito interessante do Darcy Ribeiro a respeito desses arquivos, mas n\u00e3o havia ainda um trabalho que abordasse isso do ponto de vista do Estado Nacional Brasileiro. Quis entender como o Brasil, enquanto Estado, pa\u00eds, na\u00e7\u00e3o, se mobilizou, mobilizou os seus agentes, suas for\u00e7as simb\u00f3licas, pol\u00edticas, culturais e dos mais diferentes setores, no sentido de patrimonializar esses arquivos e como foi se criando ao longo do tempo um certo regime de patrimonializa\u00e7\u00e3o que hoje est\u00e1 mais ou menos constitu\u00eddo.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Como eu tenho forma\u00e7\u00e3o dupla, sou arquivista e historiador, eu recorri \u00e0 Hist\u00f3ria. Busquei antes da chegada da fam\u00edlia real portuguesa no Brasil, que \u00e9 quando come\u00e7a a haver as primeiras iniciativas de garantir a preserva\u00e7\u00e3o de determinados documentos, que naquele momento eram vistos como um monumento da hist\u00f3ria \u00e0 p\u00e1tria, at\u00e9 o momento atual, que \u00e9 um momento super complexo porque envolve essa quest\u00e3o das externaliza\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso, traz o digital, que \u00e9 super complexo, e envolve esse momento que estamos vivendo h\u00e1 alguns anos de austeric\u00eddio \u2014 que \u00e9 a retirada de um investimento econ\u00f4mico das institui\u00e7\u00f5es de cultura, o que nunca foi t\u00e3o grande, mas agora vive um colapso.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">O que me motivou a fazer esse trabalho foi esse movimento de pesquisar algo, mas vi no meio do caminho que havia uma lacuna a ser preenchida que era muito mais importante do que aquela pesquisa que estava fazendo antes. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Acho que o pr\u00eamio tem um pouco desse significado.\u00a0<\/span><\/p><p><strong>&#8220;Escrevi um trabalho que eu queria ter lido quando comecei a fazer essas pesquisas. E como eu sou professor, escrevi um trabalho que quero que os meus alunos leiam&#8221;.<\/strong><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-b07c501 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"b07c501\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-d3d1a67\" data-id=\"d3d1a67\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-26d2b75 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"26d2b75\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<p><b>ARCO: A partir da perspectiva hist\u00f3rica em seu trabalho, como foi desenvolver as buscas sobre a patrimonializa\u00e7\u00e3o cultural de arquivos no Brasil?<\/b><\/p><p><b>Francisco Cougo: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">As buscas se d\u00e3o principalmente a partir das institui\u00e7\u00f5es centrais do trabalho. O <\/span><a href=\"http:\/\/portal.iphan.gov.br\/pagina\/detalhes\/1223\"><span style=\"font-weight: 400\">IPHAN <\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0foi um local de f\u00e1cil acesso para conseguir os arquivos que eu precisava, na Biblioteca Nacional foi relativamente f\u00e1cil, o <\/span><a href=\"https:\/\/www.ihgb.org.br\/\"><span style=\"font-weight: 400\">IIHGB<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> tem muita coisa dispon\u00edvel na internet, o que eu precisava do Arquivo Nacional eu consegui a maioria, mas eu tive que pagar por isso, a digitaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 cobrada. A partir disso vem os desafios da busca por documentos mais contempor\u00e2neos, e isso \u00e9 o contradit\u00f3rio, pois quanto mais tu se aproxima da \u00e9poca atual, mais dif\u00edcil fica de contar a hist\u00f3ria. Um exemplo \u00e9 que, a partir de 1971, o Brasil teve a Associa\u00e7\u00e3o de Arquivistas Brasileiros, que era o grande \u00f3rg\u00e3o representativo de arquivistas no pa\u00eds, por\u00e9m essa associa\u00e7\u00e3o foi extinta em 2015. Com isso, surge o p\u00e9riplo sobre os documentos da associa\u00e7\u00e3o. Na teoria, est\u00e3o no Arquivo Nacional, mas quando fui checar descobri que est\u00e1 dividido entre pessoas que trabalham l\u00e1. Outro ponto dific\u00edlimo de entender o funcionamento \u2014 e eu\u00a0 n\u00e3o digo isso com orgulho \u2014 \u00e9 sobre o papel dos cursos de gradua\u00e7\u00e3o em arquivologia, porque esses cursos n\u00e3o t\u00eam arquivos\u00a0 \u2014 fa\u00e7o a ressalva de que o curso da UFSM tem um belo arquivo.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Agora eu acho que vou dar o pior exemplo poss\u00edvel em rela\u00e7\u00e3o a tudo isso que foi comentado. Ao chegar na parte final do trabalho, eu busquei estabelecer um quadro geral \u2014 denominei como esquema interpretativo \u2014 a respeito do processo de patrimonializa\u00e7\u00e3o cultural de arquivo no Brasil hoje. Mapeei as caracter\u00edsticas e os problemas desse esquema e identifiquei que o processo de patrimonializa\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da doa\u00e7\u00e3o de documentos \u2014 isso \u00e9 quando uma entidade ou uma pessoa doa os seus arquivos para uma institui\u00e7\u00e3o patrimonializada \u2014 ocorreu sem historicamente ter documenta\u00e7\u00e3o. Ou seja, era chegar, entregar os documentos e n\u00e3o fazer nada em rela\u00e7\u00e3o a isso, nem mesmo anotar quem foi que doou. Descobri que, em 2015, o Arquivo Nacional criou uma portaria \u2014 se n\u00e3o me engano \u2014 normatizando como \u00e9 que deveria ser esse processo. Isso foi s\u00f3 em 2015, o Arquivo Nacional existe desde 1838 e n\u00e3o se tinha isso estabelecido em uma norma. O detalhe \u00e9 que eu descubro isso atrav\u00e9s de um anexo de uma tese de doutorado que por algum motivo tratou desse tema. Essa norma n\u00e3o \u00e9 encontrada no\u00a0 site do Arquivo Nacional &#8211; e olha que falamos de um documento de 2015 e super importante. Eu acho que a pandemia traz um agravante nisso tudo porque estamos passando por um processo de desinstitucionaliza\u00e7\u00e3o aqui no Brasil que impacta diretamente nos arquivos e no acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pandemia, embora eu j\u00e1 estivesse na reta final do trabalho, o formato remoto me impossibilitou de ter acesso a certos documentos que eu queria. Houve uma redu\u00e7\u00e3o muito grande na carga hor\u00e1ria de trabalho das pessoas nos locais em que os documentos estavam, mas acho que n\u00e3o chegou a comprometer o resultado final.<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-32b2fa0 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"32b2fa0\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-886817e\" data-id=\"886817e\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-31a617b elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"31a617b\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<p><b>ARCO: O que a sua tese pode trazer ao campo da Arquivologia e para a sociedade em geral e<\/b><span style=\"color: #000000;font-size: 16px;font-weight: bold;background-color: var(--bs-body-bg);text-align: var(--bs-body-text-align)\">m rela\u00e7\u00e3o a resultados e impactos?<\/span><\/p><p><b>Francisco Cougo: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">A partir desses impactos, identifiquei dentro da hist\u00f3ria da patrimonializa\u00e7\u00e3o cinco atos, que na tese chamei de atos performativos, que s\u00e3o mais ou menos conhecidos da sociedade em geral. Talvez o mais comum seja o ato da aquisi\u00e7\u00e3o. \u00c9 quando as institui\u00e7\u00f5es que t\u00eam potencial de patrimonializa\u00e7\u00e3o adquirem documentos, comprando, atrav\u00e9s de doa\u00e7\u00f5es ou outros mecanismos. Outro ato \u00e9 conhecido como recolhimento, que no caso esse ato se d\u00e1 de duas formas. Uma delas \u00e9 quando acontece compulsoriamente, quando por exemplo uma lei determina, que \u00e9 o caso dos documentos que foram produzidos e acumulados pela Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, que aconteceu a partir de 2011. E existe ainda o recolhimento mediante a avalia\u00e7\u00e3o de documentos que \u00e9 eminentemente arquiv\u00edstico. Ele ocorre a partir de um procedimento da arquivologia que estabelece tabela de temporalidade para definir prazos de guarda e destino dos documentos. Al\u00e9m da aquisi\u00e7\u00e3o e do recolhimento, ainda temos outros tr\u00eas atos que tamb\u00e9m servem para patrimonializar arquivos, como o tombamento, que acho que \u00e9 o mais popular, que \u00e9 o mesmo utilizado para casas e objetos, mas que \u00e9 muito pouco empregado para arquivos. Os outros dois atos, que n\u00e3o s\u00e3o muito conhecidos, \u00e9 a declara\u00e7\u00e3o de interesse p\u00fablico social dos arquivos, que \u00e9 bem nova, criada em 1991; o outro \u00e9 o registro de arquivos, como o Programa Mem\u00f3ria do Mundo da Unesco, que serve como um reconhecimento do que existe de patrim\u00f4nio cultural da humanidade.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Esses cinco atos funcionam com algumas diferen\u00e7as, tanto nacionalmente, quanto no \u00e2mbito de estados e munic\u00edpios. Entrando nas quest\u00f5es de contribui\u00e7\u00e3o e de cr\u00edtica, eles possuem uma efetividade reduzida. Primeiro porque no Brasil existe uma aus\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas para a preserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio em geral, mas principalmente do patrim\u00f4nio arquiv\u00edstico. Segundo, porque esses atos n\u00e3o s\u00e3o compreendidos pela sociedade e tamb\u00e9m porque alguns deles t\u00eam caracter\u00edsticas que datam de um longo per\u00edodo, como a aus\u00eancia de crit\u00e9rios claros para definir o que \u00e9 patrim\u00f4nio e o que n\u00e3o \u00e9. \u00c9 muito comum que as institui\u00e7\u00f5es recebam doa\u00e7\u00f5es sem ter crit\u00e9rios.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">No fim da tese, eu trago algumas propostas de debates que precisamos ter a partir dessas informa\u00e7\u00f5es, como a transpar\u00eancia nesse processo de patrimonializa\u00e7\u00e3o, na pluraliza\u00e7\u00e3o da defini\u00e7\u00e3o de dados. Hoje, onde est\u00e3o os negros e a popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+? Eles est\u00e3o nos arquivos da pol\u00edcia, historicamente. De certa forma, isso \u00e9 irrevers\u00edvel. Eu n\u00e3o tenho como voltar atr\u00e1s, tentar recuperar em algum outro lugar onde eles possam estar e provavelmente eles n\u00e3o estavam em outros lugares, porque n\u00e3o eram alfabetizados, por exemplo. Daqui para frente, n\u00f3s temos que ter um pensamento a respeito disso, porque isso precisa mudar. Essa popula\u00e7\u00e3o aprendeu a ler, ela ocupa os espa\u00e7os p\u00fablicos, produz e gera documentos.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Minha tese n\u00e3o s\u00f3 traz uma vis\u00e3o hist\u00f3rica como tamb\u00e9m tenta jogar uma luz para o futuro. Isso diz muito sobre que pa\u00eds n\u00f3s queremos construir. \u00c9 uma quest\u00e3o de projeto, de que mem\u00f3ria e patrim\u00f4nios n\u00f3s queremos ter a nosso respeito. \u201cPensar o hoje para entender o amanh\u00e3\u201d, pode parecer clich\u00ea, mas \u00e9 necess\u00e1rio entender como isso foi feito ao longo do tempo, onde estamos, quais s\u00e3o os problemas e entender porque a sociedade n\u00e3o se mobiliza para buscar esses arquivos. A partir de pol\u00edticas p\u00fablicas, como a educa\u00e7\u00e3o, cultura e tudo mais, \u00e9 preciso ter um olhar mais abrangente. Uma ambi\u00e7\u00e3o minha <\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u2014 <\/span><span style=\"font-weight: 400\">que tamb\u00e9m fa\u00e7o dentro de sala de aula <\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u2014<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> \u00e9 diminuir o que eu chamo de arquivotecnia. Essa express\u00e3o se refere a um arquivista que n\u00e3o consegue olhar para os problemas da sociedade, por defeito de forma\u00e7\u00e3o ou qualquer outro motivo, que acaba sendo um operador de instrumentos frios, que continua repercutindo esses crit\u00e9rios d\u00fabios ou patrimonializa\u00e7\u00e3o das elites. Meu sonho com essa tese \u00e9 lan\u00e7ar uma luz e mostrar que precisamos estar mais atentos com o que acontece mundo afora. Esse debate hoje, de alguma maneira, j\u00e1 \u00e9 vencido em alguns lugares. <\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-9c76f2a elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"9c76f2a\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-f417262\" data-id=\"f417262\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-a3fcb8c elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"a3fcb8c\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<p><b>ARCO: Em rela\u00e7\u00e3o ao Pr\u00eamio Maria Odila Fonseca, o que significa para voc\u00ea ter sido contemplado com o primeiro lugar?\u00a0<\/b><\/p><p><b>Francisco Cougo: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9 uma enorme alegria. Primeiro, porque o pr\u00eamio presta homenagem a uma das professoras mais importantes que n\u00f3s tivemos na Arquivologia no Brasil, que infelizmente nos deixou mais cedo do que gostar\u00edamos, e acho que teria dado contribui\u00e7\u00f5es gigantescas, mais do que ela j\u00e1 deu.\u00a0 \u00c9 uma honra receber esse pr\u00eamio e parece que ele te coloca noutro lugar, n\u00e9? E isso \u00e9 muito bom. Da mesma maneira, \u00e9 um pr\u00eamio que vem do Arquivo Nacional, que \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o pela qual a gente nutre uma rela\u00e7\u00e3o de carinho e at\u00e9 de preocupa\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma satisfa\u00e7\u00e3o ser premiado pelo Arquivo Nacional por um pr\u00eamio que \u00e9 julgado por pessoas do mais alto gabarito. Eu sei das qualidades do meu trabalho, mas eu n\u00e3o imaginava que ganharia. Sei tamb\u00e9m da qualidade de outros trabalhos que foram feitos no mesmo per\u00edodo, de teses muito boas de colegas extremamente talentosos e competentes e eu fiquei muito feliz de ter sido o escolhido. O pr\u00eamio tamb\u00e9m ajuda a difundir o meu trabalho.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">H\u00e1 ainda outros dois motivos para destacar a import\u00e2ncia do pr\u00eamio. O primeiro \u00e9 que eu fiz o meu trabalho estando em um lugar perif\u00e9rico. Eu fiz uma tese num PPG de uma universidade do interior do pa\u00eds, Pelotas. Sou professor de uma universidade da periferia do pa\u00eds. N\u00f3s somos da periferia da periferia, porque o centro do pa\u00eds \u00e9 Rio de Janeiro &#8211; S\u00e3o Paulo e, na Arquivologia, \u00e9 Rio de Janeiro &#8211; Bras\u00edlia. Isso faz de Porto Alegre a periferia e faz de Santa Maria a periferia da periferia. \u00c9 muito bom pra mim, mas tamb\u00e9m \u00e9 muito bom para o curso onde eu trabalho, para os nossos alunos. Recebi muito carinho dos meus colegas e dos nossos estudantes e isso mostra que n\u00f3s tamb\u00e9m estamos no jogo.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">N\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de disputa, mas parece que \u00e0s vezes \u00e9 destinado apenas para quem est\u00e1 nos centros, e temos que quebrar essa l\u00f3gica. O pessoal fica espantado quando eu falo isso, mas eu fiz toda a tese, que o principal objeto de estudo \u00e9 o Arquivo Nacional, sem nunca ter pisado no Rio de Janeiro. N\u00e3o digo isso com orgulho, porque eu gostaria de ter ido. Quando chegou a possibilidade de ir, veio a pandemia, mas mostra que \u00e9 poss\u00edvel fazer grandes pesquisas de car\u00e1ter nacional estando aqui. Eu sou a favor de que a gente pesquise a regi\u00e3o e acho que a UFSM tem que cumprir esse papel, mas<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> n\u00f3s n\u00e3o podemos ficar s\u00f3 regionalizados, a gente tem que abrir nosso horizonte e pesquisar o pa\u00eds, e dar contribui\u00e7\u00f5es ao pa\u00eds. N\u00e3o posso ficar esperando que s\u00f3 Rio, S\u00e3o Paulo fale o que \u00e9 o Brasil<\/span><span style=\"font-weight: 400\">. Eu tenho que falar o que \u00e9 o Brasil tamb\u00e9m. Eu comprei o desafio, escrevi uma tese de quase quinhentas p\u00e1ginas, foi uma loucura, o recorte temporal que eu fiz deu trabalho, e isso me deixa feliz. J\u00e1 fui chamado em v\u00e1rios lugares pra discutir a tese, mas o pr\u00eamio chancela isso, sabe? O pr\u00eamio te coloca na vitrine, e eu acho muito importante isso.<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-81aa89c elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"81aa89c\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-ec8e583\" data-id=\"ec8e583\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-84cfef4 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"84cfef4\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<p><span style=\"background-color: transparent;color: #000000;font-family: 'Times New Roman';font-size: 12pt;font-weight: bold;text-align: justify\">ARCO: Os cortes de verbas para as \u00e1reas de pesquisa brasileira t\u00eam afetado o desenvolvimento cient\u00edfico no pa\u00eds. Qual a import\u00e2ncia de uma premia\u00e7\u00e3o como essa neste momento? E o que pode ser feito para obtermos um maior reconhecimento da ci\u00eancia &#8211; principalmente as sociais e humanas?<\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt\"><span style=\"font-size: 12pt;font-family: 'Times New Roman';color: #000000;background-color: transparent;font-weight: bold;vertical-align: baseline\">Francisco Cougo: <\/span><span style=\"font-size: 12pt;font-family: 'Times New Roman';color: #000000;background-color: transparent;vertical-align: baseline\">Que bom que teve essa pergunta porque eu acho ela bastante importante. Esses cortes fazem parte de um projeto<\/span> <span style=\"font-size: 12pt;font-family: 'Times New Roman';color: #000000;background-color: transparent;vertical-align: baseline\">que se intensificou nos \u00faltimos anos, \u00e9 um projeto muito perverso que nos \u00faltimos trinta anos desconsidera cad<\/span>a vez mais as Ci\u00eancias Sociais e Humanas. N\u00e3o h\u00e1 relato de pa\u00eds que tenha se desenvolvido s\u00f3 com as engenharias, s\u00f3 com as \u00e1reas m\u00e9dicas. O desenvolvimento tem que ser integrado. E<span style=\"font-size: 12pt;font-family: 'Times New Roman';color: #000000;background-color: transparent;vertical-align: baseline\">u n\u00e3o posso te dar um depoimento de ter sido atingido por isso. Porque quando eu fui fazer o doutorado, eu era professor da rede p\u00fablica estadual, tinha meu sal\u00e1rio parcelado e ganhava uma mis\u00e9ria, mas poucos meses depois eu me tornei professor da Universidade e a minha vida econ\u00f4mica ficou mais confort\u00e1vel e eu consegui fazer o trabalho. N\u00e3o tive bolsa. N\u00e3o precisei, at\u00e9 tinha o direito, porque eu passei em primeiro lugar na sele\u00e7\u00e3o, mas eu abri m\u00e3o porque havia colegas que precisavam mais do que eu. Eu estava empregado e consegui desenvolver o projeto.&nbsp;<br><br><div style=\"text-indent: 0px\"><span style=\"font-size: 12pt;background-color: transparent;text-indent: 36pt;vertical-align: baseline\">Evidentemente eu gastei um dinheiro enorme. O dinheiro do pr\u00eamio, que s\u00e3o <\/span><span style=\"font-size: 12pt;text-indent: 36pt;background-color: var(--bs-body-bg);vertical-align: baseline\">dez mil reais,<\/span><span style=\"font-size: 12pt;background-color: transparent;text-indent: 36pt;vertical-align: baseline\"> preenche, talvez, um ter\u00e7o do que eu gastei. Houve pedido de documentos, cada digitaliza\u00e7\u00e3o que faziam para mim era <\/span><span style=\"font-size: 12pt;text-indent: 36pt;background-color: var(--bs-body-bg);vertical-align: baseline\">250 reais. Comprei livros, alguns raros, porque n\u00e3o estavam dispon\u00edveis em nenhum lugar. O jeito era comprar, participar de leil\u00f5es de esp\u00f3lio, de pessoas que haviam morrido e l\u00e1 teria um livro que seria importante. O pr\u00eamio \u00e9 fruto desse esfor\u00e7o. Evidentemente, eu fiz porque eu quis, poderia ter feito outra tese. Uma pessoa sem as minhas condi\u00e7\u00f5es financeiras de um professor do ensino superior n\u00e3o teria conseguido fazer esse trabalho. E isso j\u00e1 \u00e9 um sinal de injusti\u00e7a que n\u00f3s estamos vivendo. O pr\u00eamio \u00e9 em dinheiro e o Arquivo Nacional assume o compromisso em publicar o livro como e-book.&nbsp;<br><br><\/span><span style=\"font-size: 12pt;text-indent: 36pt;background-color: var(--bs-body-bg)\">Falamos muito em p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, que \u00e9 um setor de suma import\u00e2ncia, e que est\u00e1 pagando todos os pecados que possa ter com esses cortes, mas tamb\u00e9m \u00e9 dram\u00e1tica a dificuldade de financiar pesquisa na gradua\u00e7\u00e3o. Se for para colocar estudante estagi\u00e1rio dentro da universidade, a gente consegue bolsa, mas se o estudante tiver que participar de um projeto de pesquisa, leitura sistem\u00e1tica, fazer fichamento, para ir a arquivos, levantar documentos, fazer entrevistas, \u00e9 muito mais dif\u00edcil. As verbas s\u00e3o diminutas e isso cria um garrote na pesquisa, porque o sujeito n\u00e3o ser\u00e1 atra\u00eddo para esse ramo. O Brasil precisa se reencontrar com a import\u00e2ncia das Ci\u00eancias Sociais e Humanas. E tamb\u00e9m destaco que as Ci\u00eancias Sociais e Humanas precisam entender mais o seu papel no pa\u00eds.<\/span><\/div><\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.38;text-indent: 36pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt\"><span style=\"font-size: 12pt;font-family: 'Times New Roman';color: #000000;vertical-align: baseline\">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; <\/span> <span style=\"font-size: 12pt;font-family: 'Times New Roman';color: #000000;background-color: transparent;vertical-align: baseline\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><strong>&#8220;N\u00f3s precisamos pesquisar Arquivologia no Brasil. N\u00e3o que n\u00e3o se fa\u00e7a pesquisa no pa\u00eds, mas ela \u00e9 muito t\u00edmida e precisa ser de grande porte. Entender que os arquivos t\u00eam um papel invis\u00edvel, mas fundamental na sociedade&#8221;.<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt\"><span style=\"font-size: 12pt;font-family: 'Times New Roman';color: #000000;background-color: transparent;font-weight: bold;vertical-align: baseline\">ARCO: Gostaria de acrescentar mais alguma coisa que n\u00e3o foi perguntado?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;font-family: 'Times New Roman';color: #000000;background-color: transparent;font-weight: bold;vertical-align: baseline\">Francisco Cougo: <\/span><span style=\"font-size: 12pt;font-family: 'Times New Roman';color: #000000;background-color: transparent;vertical-align: baseline\">Acho importante ressaltar, focando nos meus alunos que<\/span> ir\u00e3o<span style=\"font-size: 12pt;font-family: 'Times New Roman';color: #000000;background-color: transparent;vertical-align: baseline\"> ler a entrevista aqui na Arco<\/span>: n\u00f3s precisamos pesquisar Arquivologia no Brasil. N\u00e3o que n\u00e3o se fa\u00e7a pesquisa no pa\u00eds, mas ela \u00e9 muito t\u00edmida e precisa ser de grande porte. Entender que os arquivos t\u00eam um papel invis\u00edvel, mas fundamental na sociedade. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o papel da mem\u00f3ria, do patrim\u00f4nio, at\u00e9 porque cada ve<span style=\"font-size: 12pt;font-family: 'Times New Roman';color: #000000;background-color: transparent;vertical-align: baseline\">z amplia-se a \u00e1rea. Vivemos numa sociedade de dados, da informa\u00e7\u00e3o, das conex\u00f5es r\u00e1pidas e n\u00f3s temos um papal a cumprir nisso. Eu espero que tudo isso que est\u00e1 acontecendo em decorr\u00eancia do pr\u00eamio, como essa entrevista, possa servir de incentivo para o pessoal que est\u00e1 no in\u00edcio da jornada. Devemos entender que sim, temos que organizar arquivos, mas tamb\u00e9m precisamos destinar uma parte dos nossos esfor\u00e7os para entender como isso funciona. At\u00e9 porque estamos repetindo m\u00e9todos, t\u00e9cnicas e ideias h\u00e1 70 anos, sem muitas vezes problematizar&nbsp; de onde elas v\u00eam.&nbsp; <\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-0021f03 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"0021f03\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-5840d56\" data-id=\"5840d56\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-2eac7ec elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"2eac7ec\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div><strong><em>Expediente:<\/em><\/strong><\/div><div><em><strong>Reportagem:<\/strong> Gustavo Salin Nuh, acad\u00eamico de Jornalismo e volunt\u00e1rio<\/em><\/div><div><em><strong>Design Gr\u00e1fico:<\/strong> Renata Costa, acad\u00eamica de Produ\u00e7\u00e3o Editorial e bolsista;<\/em><br \/><em><strong>M\u00eddia Social:<\/strong> Elo\u00edze Moraes, acad\u00eamica de Jornalismo e bolsista; Rebeca Kroll, acad\u00eamica de Jornalismo e bolsista; Alice dos Santos, acad\u00eamica de Jornalismo e volunt\u00e1ria; Gustavo Salin Nuh, acad\u00eamico de Jornalismo e volunt\u00e1rio<\/em><\/div><div><em><strong>Edi\u00e7\u00e3o de Produ\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0Samara Wobeto, acad\u00eamica de Jornalismo e bolsista;<\/em><\/div><div><em><strong>Edi\u00e7\u00e3o Geral:<\/strong>\u00a0Luciane Treulieb e Maur\u00edcio Dias, jornalistas.<\/em><\/div>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Francisco Cougo J\u00fanior foi premiado com a tese &#8220;A patrimonializa\u00e7\u00e3o cultural de arquivos no Brasil&#8221;, defendida na Universidade Federal de Pelotas <\/p>\n","protected":false},"author":88,"featured_media":9021,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1524],"tags":[4929,4410,4384,2162,4927,4928,746],"class_list":["post-9020","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","tag-arquivo-nacional","tag-arquivologia","tag-destaque-arco","tag-destaque-ufsm","tag-maria-odila","tag-patrimonializacao","tag-premio"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9020","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/88"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9020"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9020\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9021"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9020"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9020"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9020"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}