{"id":9733,"date":"2023-06-28T15:44:01","date_gmt":"2023-06-28T18:44:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/?p=9733"},"modified":"2023-06-28T20:58:16","modified_gmt":"2023-06-28T23:58:16","slug":"transfobia-apos-a-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/transfobia-apos-a-morte","title":{"rendered":"A transfobia permanece mesmo ap\u00f3s a morte de pessoas trans e travestis"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"9733\" class=\"elementor elementor-9733\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-53b72b2 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"53b72b2\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-d87de80\" data-id=\"d87de80\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-c338ff2 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"c338ff2\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<p><span style=\"font-size: 16px\">De acordo com a Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Travestis e Transexuais (Antra),&nbsp;<\/span><a href=\"https:\/\/antrabrasil.files.wordpress.com\/2023\/01\/dossieantra2023.pdf\" style=\"font-size: 16px\">o Brasil \u00e9, pelo 14\u00b0 ano consecutivo, o pa\u00eds que mais mata pessoas trans e travestis<\/a><span style=\"font-size: 16px\">. A frase \u201cque descanse em paz\u201d, dita ap\u00f3s o falecimento de algu\u00e9m, parece n\u00e3o valer para pessoas trans e travestis brasileiras. Em vida, elas sofrem com viol\u00eancias f\u00edsicas e emocionais causadas pelo preconceito. Mas a transfobia n\u00e3o acaba quando elas morrem: o desrespeito com pronomes, nomes e g\u00eanero continua mesmo depois do \u00f3bito. Muitas delas s\u00e3o designadas em l\u00e1pides, notici\u00e1rios e certid\u00e3o de \u00f3bito com os nomes que tinham antes da transi\u00e7\u00e3o e com pronomes que n\u00e3o condizem com o g\u00eanero com o qual elas se identificavam, elemento que constitui um dispositivo de normaliza\u00e7\u00e3o p\u00f3s-morte e que atua contra o desejo final das travestis ao lhes negar uma morte digna, de acordo com o estudo&nbsp;<\/span><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/csp\/a\/YkWjhdbRtDcjhGT44sXqRNQ\/abstract\/?lang=pt\" style=\"font-size: 16px\">\u201cViol\u00eancia p\u00f3s-morte contra travestis de Santa Maria\u201d,&nbsp;<\/a><span style=\"font-size: 16px\">&nbsp;publicado nos Cadernos de Sa\u00fade P\u00fablica.<\/span><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/csp\/a\/YkWjhdbRtDcjhGT44sXqRNQ\/abstract\/?lang=pt\" style=\"font-size: 16px\">&nbsp;<\/a><br><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-eb0fc2c elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"eb0fc2c\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-36e4efe\" data-id=\"36e4efe\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-15d8a81 elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"15d8a81\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"432\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2023\/06\/Destaque-site-768x432.jpg\" class=\"attachment-medium_large size-medium_large wp-image-9734\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2023\/06\/Destaque-site-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2023\/06\/Destaque-site-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2023\/06\/Destaque-site-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2023\/06\/Destaque-site-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2023\/06\/Destaque-site.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-182b71b4 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"182b71b4\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-a2e86e6\" data-id=\"a2e86e6\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-38a7422 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"38a7422\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<p><!-- wp:tadv\/classic-paragraph --><\/p>\n<p><span style=\"text-align: var(--bs-body-text-align)\">A inten\u00e7\u00e3o da pesquisa foi descrever e analisar essas viol\u00eancias que s\u00e3o vivenciadas pelas travestis e que, muitas vezes, culminaram em seus homic\u00eddios. A partir do m\u00e9todo etnogr\u00e1fico e da coleta de relatos das pr\u00f3prias travestis, a pesquisa compreende o per\u00edodo entre o final de 2019 e o in\u00edcio de 2020, quando a cidade de Santa Maria viu acontecer os homic\u00eddios de cinco travestis. Por isso, tamb\u00e9m apresenta relatos das mulheres assassinadas, algumas vezes poucos dias antes dos acontecimentos.<\/span><\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400\">A primeira inquieta\u00e7\u00e3o quando ocorre a morte de uma travesti \u00e9 a de que a fam\u00edlia a reconhe\u00e7a como feminino, vestindo roupas e acess\u00f3rios de mulheres. Na ocasi\u00e3o do assassinato de Nilda, In\u00eas salientou: \u201cEnterrar uma travesti com roupas femininas faz parte da luta. Para garantir que Nilda fosse enterrada como mulher, corremos no necrot\u00e9rio levando um belo vestido, ainda sem uso e um par de sapatos novos. Ao menos ela seria enterrada como gostaria de ter vivido sempre, linda e mulher\u201d. &#8211; Trecho do artigo.<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para Martha Helena Teixeira de Souza, uma das autoras do artigo, a transfobia est\u00e1 presente quando uma pessoa trans que n\u00e3o era aceita ou n\u00e3o tinha contato com seus parentes \u00e9 velada de acordo com as cren\u00e7as e as vontades da fam\u00edlia. \u00c9 nesses casos que o g\u00eanero, a trajet\u00f3ria e a exist\u00eancia daquele indiv\u00edduo s\u00e3o desrespeitados e, at\u00e9 mesmo, negados pelos seus familiares. \u201c[No caso de uma travesti], a fam\u00edlia, em muitos casos, veste de homem, coloca o nome masculino e se refere \u00e0 travesti com pronomes masculinos. Fam\u00edlia essa que, por nunca ter aceitado a transi\u00e7\u00e3o, sequer convivia com a travesti e s\u00f3 aparece no funeral\u201d, relata Martha.<\/span><\/p>\n<h3>O nome na l\u00e1pide<\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">De acordo com a pesquisa, duas das cinco travestis assassinadas foram identificadas em suas l\u00e1pides com os nomes masculinos que tinham antes da transi\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201c<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">J\u00e1 vimos outros casos assim. Na hora da morte aproveitam que a pessoa n\u00e3o pode mais reclamar e vestem como homem e chamam como homem.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (&#8230;) <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Colocam o nome masculino na pedra. Eu j\u00e1 avisei para todas que n\u00e3o deixem fazer isso comigo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">\u201d. Assim, o nome masculino que havia deixado de existir, quando gravado na l\u00e1pide atua como a reitera\u00e7\u00e3o das normas sociais que atuam contra o desejo da pessoa morta. &#8211;\u00a0 Trecho do artigo.<\/span><\/p>\n<h3>O desacreditar da narrativa<\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Martha comenta que as amigas de uma das v\u00edtimas, que estavam com ela na hora de seu assassinato, tiveram a preocupa\u00e7\u00e3o de garantir que a viol\u00eancia tinha sido gravada pois sabiam que, caso n\u00e3o tivessem provas, poderiam acabar culpadas: \u201cEm infinitas vezes elas sofrem viol\u00eancia nas ruas e sequer denunciam, porque elas sabem que ningu\u00e9m acredita em travesti. Ent\u00e3o precisamos acreditar nessas pessoas. Precisamos ouvir elas\u201d, afirma a pesquisadora.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Quando algumas travestis chegaram ao local do assassinato, outras preocupa\u00e7\u00f5es surgiram. Gl\u00f3ria (26 anos, profissional do sexo, branca, com o prim\u00e1rio conclu\u00eddo), explicou o motivo: \u201c<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Ficamos ansiosas com a chegada da pol\u00edcia, pois sabemos que \u00e9 dif\u00edcil acreditarem em n\u00f3s. Poderiam pensar que ter\u00edamos tentado roubar o cara e tantas outras coisas. Foi um al\u00edvio quando soubemos que tinha c\u00e2mera que gravava tudo na rua, pois assim ficaria provado que ela n\u00e3o tinha feito nada<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">\u201d. &#8211; Trecho do artigo.<\/span><\/p>\n<h3>O apagamento da transfobia<\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em casos em que a morte de pessoas trans \u00e9 consequ\u00eancia da viol\u00eancia motivada pelo preconceito, existe o medo de que o assassinato seja tratado por qualquer outro motivo que n\u00e3o a transfobia. Gabriela Quartiero, integrante do <\/span><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/coletivovoe\/\"><span style=\"font-weight: 400\">coletivo Voe<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> &#8211; formado por estudantes, pesquisadores e ativistas reunidos em prol da defesa da diversidade sexual e de g\u00eanero -,\u00a0 esteve presente nas manifesta\u00e7\u00f5es ap\u00f3s a morte das cinco travestis. Ela comenta que, em alguns casos, h\u00e1 uma lentid\u00e3o para a chegada de ajuda no local da viol\u00eancia: \u201cA gente sabe que demora para chegar policias, por ser um local de prostitui\u00e7\u00e3o, isso \u00e9 muito negligente\u201d, pontua.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Segundo dados de 2020 da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Transexuais e Travestis\u00a0 (Antra ), 90% da popula\u00e7\u00e3o trans feminina trabalham na prostitui\u00e7\u00e3o, e apenas 4% est\u00e1 em empregos formais. Gabriela entende que a sociedade coloca essas pessoas nesse lugar por n\u00e3o aceitarem elas no ocupando os mesmos espa\u00e7os.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">H\u00e1 quest\u00f5es como nome civil e nome social que impactam negativamente, limitando o acesso a servi\u00e7os, escolas, trabalho formal. Ser identificada como travesti propicia manifesta\u00e7\u00f5es preconceituosas e discrimina\u00e7\u00f5es. Para muitas, como fonte de trabalho e renda, resta a prostitui\u00e7\u00e3o. &#8211;<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> Trecho artigo<\/span><\/p>\n<h3>A culpa da sociedade<\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Antes de pensar na transfobia que acontece ap\u00f3s a morte de pessoas trans e travestis, \u00e9 importante relembrar que essas pessoas convivem com a transfobia desde o momento em que se reconhecem. &#8220;Desde o momento que essa travesti se reconhece l\u00e1 na inf\u00e2ncia ou pr\u00e9-adolesc\u00eancia, geralmente quando est\u00e1 frequentando o col\u00e9gio, a professora faz de conta que n\u00e3o v\u00ea, ou tenta encaixar nos padr\u00f5es [cis]heteronormativos. Muitas vezes por viol\u00eancias vivenciadas no banheiro, que elas at\u00e9 evitam ir para n\u00e3o serem abusadas, acabam saindo da escola. Fica dif\u00edcil conseguir um emprego sem escolaridade\u201d, relata Martha.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os discursos transf\u00f3bicos est\u00e3o inseridos na sociedade de uma forma que marginaliza e exclui corpos trans desde a sua inf\u00e2ncia. As mesmas falas transf\u00f3bicas que foram disseminadas nas redes sociais ap\u00f3s as mortes das travestis na cidade s\u00e3o as falas que, para Gabriela, colocam e mant\u00eam elas no lugar de vulnerabilidade em que est\u00e3o, al\u00e9m de dificultar a inser\u00e7\u00e3o delas na sociedade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cA fam\u00edlia muitas vezes abandona e elas acabam indo morar com outras travestis. E a\u00ed que vem a rua. Elas v\u00e3o se prostituir para sobreviv\u00eancia. Nesse momento aumentam as viol\u00eancias. Ent\u00e3o, quem joga elas nesse mundo \u00e9 essa sociedade. Que \u00e9 hip\u00f3crita, que faz discurso moralista, de fam\u00edlia, de Deus, de p\u00e1tria, de tudo. E depois chega na hora e joga essas pessoas l\u00e1&#8221;, comenta Martha.<\/span><\/p>\n<h3>Ver\u00f4nica: a m\u00e3e loira de Santa Maria\u00a0<\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ver\u00f4nica \u00e9 uma das cinco travestis que foram assassinadas em Santa Maria no per\u00edodo estudado. Ela foi morta com uma facada em dezembro de 2019. Conhecida como \u201cm\u00e3e loira\u201d, Ver\u00f4nica foi respons\u00e1vel por criar e manter o Ver\u00f4nica Alojamento, espa\u00e7o que acolhia mulheres trans e LGBT+ desde 2006 e era uma das poucas casas de acolhimento para pessoas transexuais no Brasil. Ela era conhecida e servia de inspira\u00e7\u00e3o para muitas mulheres trans e travestis da cidade e <\/span><a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/rs\/rio-grande-do-sul\/noticia\/2019\/12\/12\/mulher-trans-e-morta-com-uma-facada-no-peito-em-santa-maria.ghtml\"><span style=\"font-weight: 400\">foi coroada madrinha da 5\u00aa Parada LGBT Alternativa,<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> que ocorreu no in\u00edcio de dezembro de 2019 &#8211; onze dias antes de seu assassinato -, como forma de homenagear o que ela significava para Santa Maria. Na ocasi\u00e3o, o mote da homenagem foi a frase: \u201cQue bom te ter viva\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cA Ver\u00f4nica era como se fosse a indestrut\u00edvel, que nada iria acontecer. Terem matado ela foi muito marcante. N\u00e3o era qualquer uma, era a mulher que sustentava e amparava outras mulheres trans (&#8230;) ver ela em uma situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade, sendo esfaqueada, foi terr\u00edvel\u201d, relata Gabriela.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ver\u00f4nica \u00e9 uma das mulheres trans que\u00a0 teve seu nome e pronome respeitados ap\u00f3s a morte. Para Gabriela, <\/span><a href=\"https:\/\/www.trf4.jus.br\/trf4\/controlador.php?acao=pagina_visualizar&amp;id_pagina=2207#:~:text=%C3%89%20a%20forma%20pela%20qual,direito%20de%20todas%20as%20pessoas.\"><span style=\"font-weight: 400\">a altera\u00e7\u00e3o dos documentos<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, que ela j\u00e1 tinha feito, foi importante neste processo. Mesmo assim, pessoas pr\u00f3ximas ficaram atentas para ter certeza que n\u00e3o haveria qualquer desrespeito. Martha, que esteve presente na identifica\u00e7\u00e3o do corpo de Ver\u00f4nica, comenta: \u201cEu estava no reconhecimento do corpo e eu lembro de o rapaz do Instituto M\u00e9dico Legal chamar nome masculino e eu ter que chamar aten\u00e7\u00e3o\u201d, relembra.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A transfobia p\u00f3s-morte com a M\u00e3e Loira veio em coment\u00e1rios pelo Facebook. Pela import\u00e2ncia que ela tinha para a comunidade LGBT+, coletivos e ativistas lutaram para que ela fosse velada na C\u00e2mara de Vereadores santa-mariense, o que mexeu com o conservadorismo presente na cidade. &#8220;A Ver\u00f4nica ser velada na C\u00e2mara atingiu os limites da sociedade conservadora. Por isso que a morte dela chamou mais aten\u00e7\u00e3o, porque ela mexeu muito mais com as estruturas da sociedade\u201d, conta Gabriela.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para as entrevistadas, o vel\u00f3rio de Ver\u00f4nica ser na C\u00e2mara de Vereadores escancarou a transfobia da comunidade de Santa Maria, mas tamb\u00e9m mostrou a for\u00e7a da comunidade LGBT+ da cidade.\u00a0 \u201cN\u00e3o tem como a gente se conformar com uma morte causada pela transfobia, mas tem como a gente utilizar da nossa for\u00e7a reivindicar. A morte da Ver\u00f4nica trouxe a Casa Ver\u00f4nica para a UFSM, isso \u00e9 uma coisa hist\u00f3rica. Transformar essa sensa\u00e7\u00e3o de injusti\u00e7a e dor em luta. \u00c9 dessa forma que a gente vai ressignificar a morte dessas pessoas\u201d, comenta Gabriela.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ver\u00f4nica ganhou um document\u00e1rio produzido pela TV Ovo, o <\/span><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=dsYEfqx7h2Q%20%20A%20Casa%20Ver%C3%B4nica\"><span style=\"font-weight: 400\">trailer <\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">j\u00e1 est\u00e1 dispon\u00edvel.\u00a0<\/span><\/p>\n<h3>A Casa Ver\u00f4nica<\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), a partir da <\/span><a href=\"https:\/\/www.ufsm.br\/pro-reitorias\/proplan\/resolucao-ufsm-n-064-2021\"><span style=\"font-weight: 400\">resolu\u00e7\u00e3o UFSM N. 064<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, que instituiu a Pol\u00edtica de Igualdade de G\u00eanero na Institui\u00e7\u00e3o, foi definido que a Universidade possuiria um <\/span><span style=\"font-weight: 400\">espa\u00e7o de acolhimento \u00e0s pessoas em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia de g\u00eanero. Para dar conta dessa demanda, foi criada a <\/span><a href=\"https:\/\/www.ufsm.br\/pro-reitorias\/pre\/observatorio-de-direitos-humanos\/casa-veronica\"><span style=\"font-weight: 400\">Casa Ver\u00f4nica<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">O nome do ambiente foi escolhido a partir de uma consulta com a comunidade. De 1500 votos, 39% escolheram o nome de Ver\u00f4nica como forma de homenagear e manter sua mem\u00f3ria viva.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">De acordo com a coordenadora da Casa, Bruna Loureiro Denkin, &#8220;A pol\u00edtica de Igualdade de G\u00eanero foi uma conquista da comunidade acad\u00eamica da UFSM e comunidade externa, ap\u00f3s mais de 5 anos de discuss\u00f5es e reivindica\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o, o Espa\u00e7o Multiprofissional Casa Ver\u00f4nica pretende ser um espa\u00e7o de acolhimento a pessoas em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia de g\u00eanero dentro da universidade, n\u00e3o excluindo o acolhimento em outros \u00e2mbitos\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">As atividades propostas pelo projeto se baseiam em tr\u00eas eixos: Eixo 1 &#8211; Promo\u00e7\u00e3o da Igualdade de G\u00eanero; Eixo 2 &#8211; Enfrentamento e Responsabiliza\u00e7\u00e3o em Casos de Viol\u00eancia; e Eixo 3 &#8211; Assist\u00eancia. Como previsto, a assist\u00eancia deve ser feita por tr\u00eas profissionais, uma psic\u00f3loga, um advogado e um assistente social.\u00a0<\/span><span style=\"color: #000000;font-size: 1rem;text-align: var(--bs-body-text-align)\">As a\u00e7\u00f5es podem ser acompanhadas na p\u00e1gina no<\/span><span style=\"color: #000000;font-size: 1rem;text-align: var(--bs-body-text-align)\"> I<\/span><a style=\"font-size: 1rem;font-weight: var( --e-global-typography-text-font-weight );text-align: var(--bs-body-text-align)\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/casaveronicaufsm\/\">nstagram<\/a><span style=\"color: #000000;font-size: 1rem;text-align: var(--bs-body-text-align)\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Bruna entende que pela Universidade estar inserida em uma sociedade ainda estruturada pelo racismo, machismo, lgbtfobia e outros preconceitos,\u00a0 essas quest\u00f5es tamb\u00e9m precisam ser enfrentadas dentro da comunidade acad\u00eamica. \u201cPor estar em um espa\u00e7o de educa\u00e7\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o, nos cabe enquanto institui\u00e7\u00e3o e enquanto servidores, propor e executar pol\u00edticas p\u00fablicas de enfrentamento \u00e0s m\u00faltiplas viol\u00eancias e desigualdades, bem como promover a mudan\u00e7a cultural para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa e igualit\u00e1ria. \u00c9 um caminho ainda recente que precisa ser feito, mas tamb\u00e9m acredito ser muito importante a articula\u00e7\u00e3o das universidades com vistas a somar esfor\u00e7os para o enfrentamento e combate \u00e0s viol\u00eancias, pois \u00e9 um caminho que n\u00e3o se percorre sozinho, se faz necess\u00e1rio contar com parcerias, apoio e a\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas&#8221;, finaliza.<\/span><\/p>\n<p><strong><em>Expediente:<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em><strong>Reportagem:<\/strong> Gabriel Escobar, acad\u00eamico de Jornalismo;<br \/><\/em><em><strong>Design gr\u00e1fico:<\/strong> Vinicius Gumisson Motta e Lucas Zanella, estagi\u00e1rios de Desenho Industrial<br \/><\/em><em style=\"color: #000000;font-size: 16px\"><span style=\"font-weight: bolder\">Edi\u00e7\u00e3o de Produ\u00e7\u00e3o:<\/span>\u00a0Samara Wobeto;<\/em><em><br \/><\/em><em><strong>Edi\u00e7\u00e3o geral:<\/strong>\u00a0Luciane Treulieb e Mariana Henriques, jornalistas<\/em><\/p>\n<p><!-- \/wp:tadv\/classic-paragraph --><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil \u00e9 o pa\u00eds que mais mata pessoas trans e travestis<\/p>\n","protected":false},"author":161,"featured_media":9734,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4565],"tags":[4384,2162,5664,112,948],"class_list":["post-9733","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sociedade-2","tag-destaque-arco","tag-destaque-ufsm","tag-lgbtqiapn","tag-pesquisa","tag-transfobia"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9733","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/161"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9733"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9733\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9734"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9733"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9733"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9733"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}