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			<title>Agência Da Hora - Feed Customizado RSS</title>
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	<title>Agência Da Hora</title>
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				<title><strong>Memorabilia: quinquilharias, garimpos e memórias</strong></title>
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				<pubDate>Tue, 15 Jul 2025 00:58:01 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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						<description><![CDATA[Por: Vanessa Carvalho garimpar (*) verbo trabalhar como garimpeiro; extrair (metais, pedras preciosas), explorando garimpo.&#8220;está garimpando (diamantes) lá para as bandas de Minas Gerais&#8221; figurativo: procurar meticulosamente. figurativo: fazer seleção de (coisas valiosas), a partir da coleta ou reunião de determinado material.&#8220;garimpou os melhores textos na coleção de revistas&#8221; (*) Fonte: Dicionário Oxford online   [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:paragraph -->
<p>Por: Vanessa Carvalho</p>
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[caption id="attachment_1118" align="alignnone" width="1024"]<img class="wp-image-1118 size-large" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/825/2025/07/imagem1-1024x768.jpg" alt="" width="1024" height="768" /> Moedas antigas de diversas partes do mundo fazem a coleção dos numismatas. // Foto: Vanessa Carvalho[/caption]
<p><strong>garimpar (*)</strong></p>
<p>verbo</p>
<ol>
<li>trabalhar como garimpeiro; extrair (metais, pedras preciosas), explorando garimpo.<br /><em>"está garimpando (diamantes) lá para as bandas de Minas Gerais"</em></li>
<li><strong>figurativo: </strong>procurar meticulosamente.</li>
<li><strong>figurativo: </strong>fazer seleção de (coisas valiosas), a partir da coleta ou reunião de determinado material.<br /><em>"garimpou os melhores textos na coleção de revistas"</em></li>
</ol>
<p>(*) Fonte: Dicionário Oxford online</p>
<p> </p>
<p>Garimpeiros de objetos dos mais diversos em lojas como antiquários, brechós, bazares, feiras de antiguidade ou leilões virtuais. O ato do <strong>garimpar </strong>descrito no dicionário <em>Oxford</em>: “procurar meticulosamente”. Às vezes, como em um garimpo, acontece de estar metido em meio à poeira. Acontece. Porém, o nicho de mercado de objetos usados é tão especializado que está organizado segundo os produtos vendidos, além da demanda alta que faz com que tudo esteja em perfeitas condições à venda. Ter um produto antigo original, muitas vezes, é uma relíquia e precisa receber os cuidados como tal.</p>
<p>Dados do Sebrae de 2023 indicam que o Brasil tinha mais de <strong>118 mil brechós ativos</strong>, um aumento de <strong>30,97%</strong> nos <strong>últimos cinco anos</strong>. O consumo de produtos de segunda mão é impulsionado por fatores como <strong>sustentabilidade e economia</strong>, além de possibilitar a aquisição de produtos únicos e com <strong>memórias ligadas</strong> a ele. O colecionismo também é um fator que leva a busca por lojas de artigos usados. As coleções recebem uma nomenclatura específica no mundo do colecionismo, segundo o tipo de objeto - por exemplo, <strong>filatelia</strong> para <strong>selos de cartas </strong>(veja mais no glossário).</p>
<p>O empresário chinês Marshall Wang costuma garimpar gravatas e relógios antigos (vintages) e os encontra em um site <strong>Xianyu </strong>que vende produtos usados, como um tipo de eBay que funciona na China. Ele conta que a procura pelos itens deve-se à unicidade que eles proporcionam. “Gosto de tecidos e motivos vintage que trazem inspiração e um aconchego nostálgico à minha vida”, explica. Sua posse mais preciosa garimpada no site é um relógio automático da marca Ômega de Ville. Marshall conta: “um ótimo negócio e uma peça subestimada, meio surrado, mas cabe perfeitamente no meu pulso”.</p>
<p> </p>
<p><strong>Quinquilharias e histórias</strong></p>
[caption id="attachment_1124" align="alignnone" width="1024"]<img class="wp-image-1124 size-large" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/825/2025/07/yasmin-1024x768.jpg" alt="" width="1024" height="768" /> Vinil em formato de coração garimpado por Yasmin. // Fotos: Arquivo pessoal/Yasmin Silva[/caption]
<p>Os motivos para buscar objetos e quinquilharias em lojas de usados variam de fatores como economia e sustentabilidade a questões afetivas. Às vezes a própria ação de garimpar é motivo suficiente pela satisfação que a atividade traz. A estudante Yasmin Silva, em Imperatriz (MA), costuma visitar brechós de roupas, antiquários, sebos de livros pela questão de acessibilidade financeira, reutilização (3Rs) e pela possibilidade de encontrar itens que não estão mais disponíveis facilmente no mercado. “Geralmente gosto de procurar por brechós de roupas, na verdade tudo se iniciou nos brechós de roupas, então vieram os sebos de livros, e os antiquários, quase como se fosse uma espécie de esquema de pirâmide. Esses são meus focos primários, roupas, acessórios, livros e itens que me chamam a atenção, tipo CDs antigos”, conta Yasmin.</p>
[caption id="attachment_1122" align="alignnone" width="1024"]<img class="wp-image-1122 size-large" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/825/2025/07/victor-1024x768.jpg" alt="" width="1024" height="768" /> Memorabília adquirida por Victor em antiquários e a poltrona que pertencia a seu pai. // Fotos: Arquivo pessoal/Victor Oliveira[/caption]
<p>O advogado Victor Oliveira de Marataízes (ES) conta que, juntamente com sua esposa, gosta de visitar feiras de antiguidades que acontecem mensalmente em Vitória, além de visitas frequentes a antiquários em busca de utilitários, como móveis e objetos de decoração. A busca envolve até mesmo ir a lugares mais distantes como, por exemplo, viajar aproximadamente 120 km até Campos dos Goytacazes (RJ) para adquirir uma escrivaninha para trabalho e uma penteadeira antigos. A escolha por comprar nesses lugares é motivada pela estética das coisas e pelos sentimentos afetuosos que alguns objetos evocam. Victor conta que agora a procura é de móveis para “montar” a casa como recém casado, mas que o gosto por garimpar é antigo. “Desde a infância, eu já era interessado em coisas antigas. Quando criança gostava de moedas antigas, o que pedia pro meu pai à época, e quando adolescente frequentava muito sebos, de onde tirei a maioria dos meus livros que tenho hoje. Também sou colecionador de LPs e CDs - que comecei comprando quando ainda não eram objetos de memorabilia”, lembra Victor.</p>
<p>O designer Vinícius Cadore, de Porto Alegre (RS), gosta do ato de garimpar. “Eu gosto de às vezes entrar, ficar meia-hora e não achar nada, e tá tudo bem. Acho que tu tá ali, fisicamente vasculhando, é divertido”, conta. Ele gosta de procurar em feiras que acontecem periodicamente na cidade, em antiquários e brechós. Entre suas preferências estão roupas, utensílios de cozinha, discos de vinil e objetos de decoração, sempre atento às boas ofertas. Em uma dessas visitas, Vinícius conta que conseguiu garimpar uma cafeteira moka italiana bem antiga, “ela é dum tamanho individual, é para uma pessoa, serve uma caneca, ela é toda redondinha e ela foi feita na Itália também. E aí essa eu paguei muito barato e tipo foi oportunidade, eu olhei e falei: "Meu Deus, é uma moka". Eu disfarcei para não mostrar entusiasmo, para o cara não querer me meter a faca. Olhei e perguntei: "Ai, quanto é? É R$ 15". Eu: "Beleza". Aí eu segurei e fiquei procurando outras coisas e falei: "Tá, vou levar".”</p>
[caption id="attachment_1121" align="alignnone" width="1024"]<img class="wp-image-1121 size-large" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/825/2025/07/ruann-1024x768.jpg" alt="" width="1024" height="768" /> A camisa do Mundial de 2006 do Internacional no Japão e os pés de pato garimpados. // Fotos: Arquivo pessoal/Ruann Carlos[/caption]
<p>O preço acessível e a unicidade das coisas é o que mais atrai o designer Ruann Carlos, de Pelotas (RS). “Ah, eu gosto de comprar pelo preço, óbvio. Mas eu gosto de comprar porque tem coisas tipo que elas são mais, como é que eu diria, únicas. Eu acho que eles têm um valor mais especial assim. Tanto que eu adoro as minhas peças, as minhas roupas e as coisas que eu compro, porque elas são peças únicas, é muito engraçado, tipo, ninguém tem”, conta Ruann. Em suas buscas, seus olhos são atraídos por utensílios domésticos, como louças e objetos de decoração, além de roupas para uso próprio e para manter um brechó virtual que possui no Instagram. A ideia é dar uma vida nova para peças que estão esquecidas em bazares e colocá-las novamente para uso, além de facilitar com o trabalho de curadoria para pessoas que não possuem o “dom” e hábito de garimpar. Às vezes Ruann compra coisas aleatórias, mas que acabam tendo uma utilidade, como um pé de pato que comprou em um verão e acabou sendo utilizado em suas aulas de natação.</p>
<p> </p>
<p><strong>Coleções e memórias</strong></p>
[caption id="attachment_1123" align="alignnone" width="1024"]<img class="wp-image-1123 size-large" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/825/2025/07/vinicius-1024x768.jpg" alt="" width="1024" height="768" /> Vinícius Cadore coleciona discos de vinil e gosta de comprar utensílios para casa. // Fotos: Vanessa Carvalho[/caption]
<p><strong> </strong></p>
<p>Dos garimpos e quinquilharias nascem coleções, e os objetos, que já carregam em si histórias, recebem novos significados e memórias com seus novos donos. A estudante Yasmin Silva gosta de colecionar diversos objetos. “Tenho um impulso grande a respeito, geralmente miniaturas de carros, brinquedos pequenos, chaveiros, cartas, desenhos e por aí vai”, lembra. Das coisas que possui, destaca um conjunto de xícaras de um leilão de antiguidades como uma das coisas mais antigas que adquiriu, além de um pijama longo de cetim que comprou há mais de 10 anos e é muito estimado.</p>
<p>O designer Vinícius Cadore tem uma pequena coleção de discos de vinil garimpados em diferentes oportunidades. “Eu tenho uma coleção pequena, mas eu nem tenho toca-discos, para você ter uma ideia, então realmente é uma coleção, porque eu gosto de alguns álbuns específicos”, conta. Cada objeto que adquiriu o faz lembrar de pessoas, ocasiões e situações associados a eles, como uma bandeja de cerâmica que comprou para um jantar com amigos, que traz a recordação do momento específico.</p>
[caption id="attachment_1119" align="alignnone" width="1024"]<img class="wp-image-1119 size-large" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/825/2025/07/imagem2-1024x768.jpg" alt="" width="1024" height="768" /> Louças antigas estão entre os itens mais procurados em feiras de antiguidade. // Foto: Vanessa Carvalho[/caption]
<p>O designer Ruann Carlos gosta de garimpar e colecionar peças de roupa. Como item especial de sua coleção, ele mostra uma camiseta do Mundial do Internacional de 2006 em Yokohama, no Japão. “É um item raro, ele tá escrito até em japonês aqui na frente. É uma camisa que eu não consegui vender, eu peguei ela para o acervo, que no caso são minhas roupas. Eu olhei, peguei a peça, comprei. Eu pensei: "Pára, essa camiseta é muito incrível". E aí, no início eu pensei: "Vou vender". E aí em seguida eu pensei: "Pára, não, jamais vou vender essa camisa, eu vou ficar com ela. Eu nem torço pro Inter, mas eu adoro aquela camisa. Adoro usar ela!”.</p>
<p>O advogado Victor Oliveira gosta de colecionar desde os 7 anos de idade, quando começou sua primeira coleção séria de cartões telefônicos usados, tendo mais de mil cartões até o momento. Gosta também de comprar discos de vinil sempre que possível para manter sua coleção. Dos objetos que possui, um dos mais antigos e talvez estimados seja uma poltrona comprada pelo seu pai nos anos 80, "que recentemente reformei pra ficar na minha casa depois que me casei, pela memória do meu pai mesmo, que faleceu recentemente”.</p>
<p> </p>
<p><strong>Antiquários e ovos de dinossauros</strong></p>
<div>
[caption id="attachment_1120" align="alignnone" width="691"]<img class="wp-image-1120 size-large" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/825/2025/07/OVO-DINO-V2-691x1024.jpg" alt="" width="691" height="1024" /> Cartaz do documentário "Ovo de Dinossauro" produzido por Duda Ribeiro.[/caption]
</div>
<p>É certo que antiquários estão repletos de objetos com muitas histórias boas para serem contadas e carregam consigo valor e memórias de seus antigos donos. Porém, algumas histórias conseguem ser ainda mais peculiares, como a do “ovo de dinossauro” do Antiquário Gaúcho que o professor de Jornalismo e Relações Públicas da UFSM, Duda Ribeiro, conta em seu documentário <strong>Ovo de Dinossauro, </strong>a ser lançado em 2026.</p>
<p>A ideia surgiu quando Duda se formou em Cinema na UFPel. Ele queria fazer um documentário sobre algo típico de interessante que havia na cidade enquanto estava morando em Camaquã, no interior do Rio Grande do Sul. Em princípio, a ideia era documentar a lenda gaúcha das “burras”, que eram os tesouros enterrados por estancieiros durante as revoluções. Como contam os causos, na época os bancos não eram lugares seguros, e os estancieiros teriam o hábito de esconder os tesouros em “burras”, que são potes de barro para serem enterrados em algum lugar.</p>
<p>Essa história era contada por um tio de Duda, mas, devido ao seu falecimento, ele acabou então procurando o antiquário na cidade por indicação de um senhor que também partilhava do interesse de fazer um filme que se passasse em Camaquã. Ao ter contato com o Sr. Maximiliano, notou que ele tinha boas histórias sobre as “burras", mas a narrativa acabou sendo direcionada para um objeto específico que foi encontrado em uma “burra”, uma pedra perfeitamente oval e que, segundo ele, se trata de um ovo de dinossauro petrificado. Essa história dá nome ao documentário.</p>
<p> </p>
<p><strong>Glossário de termos</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>As coleções de objetos recebem nomes de acordo com o tipo de item e algumas lojas acabam se especializando na venda de um segmento de colecionismo.</p>
<p><strong>Numismática:</strong> refere-se a coleção de moedas. O colecionador é chamado <strong>numismata</strong>.</p>
<p><strong>Filatelia:</strong> coleção de selos de cartas. Quem coleciona é <strong>filatelista</strong>. É uma das formas de colecionismo mais antiga e difundida.</p>
<p><strong>Cartofilia:</strong> coleção de cartões-postais. O colecionador é <strong>cartofilista</strong>.</p>
<p><strong>Notafilia: </strong>coleção de cédulas (moeda-papel). O colecionador é o <strong>notafilista</strong>.</p>
<p><strong>Discofilia ou vinilofilia: </strong>coleção de discos ou vinil. Quem coleciona é <strong>discófilo</strong> ou <strong>vinilófico</strong>.</p>
<p><strong>Militaria: </strong>coleção de peças militares (roupas, armas antigas, medalhas). Quem coleciona é<strong> mitarófilo. </strong></p>
<p><strong>Memorabília:</strong> objetos, itens ou artigos colecionáveis associados a pessoas, eventos, lugares ou épocas importantes, e que carregam um valor sentimental ou histórico significativo.</p>
<p> </p>
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													</item>
						<item>
				<title><strong>Maré Tardia, sinestesia, Sem Diversão Pra Mim e movimento DIY</strong></title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/agencia-da-hora/2025/07/07/mare-tardia-sinestesia-sem-diversao-pra-mim-e-movimento-diy</link>
				<pubDate>Tue, 08 Jul 2025 01:54:45 +0000</pubDate>
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						<description><![CDATA[Por: Vanessa Carvalho Domingo, 29 de junho de 2025. Acordei com Leviatã, da Maré Tardia, repetindo incessantemente em minha cabeça (em especial o som das guitarras). O tal earworm que os gringos cunharam, traduzido literalmente como “verme de ouvido” ao português, designa aquela música que gruda nos seus ouvidos e se recusa a sair. O [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Por</strong>: Vanessa Carvalho</p>
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[caption id="attachment_1094" align="alignnone" width="983"]<img class="wp-image-1094 size-full" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/825/2025/07/mare-tardia-1.jpg" alt="" width="983" height="837" /> A banda capixaba Maré Tardia faz uma verdadeira moqueca de estilos musicais. // Foto: Reprodução[/caption]
<p>Domingo, 29 de junho de 2025. Acordei com Leviatã, da Maré Tardia, repetindo incessantemente em minha cabeça (em especial o som das guitarras). O tal <em>earworm</em> que os gringos cunharam, traduzido literalmente como “verme de ouvido” ao português, designa aquela música que gruda nos seus ouvidos e se recusa a sair.</p>
<p>O álbum <strong>Sem Diversão Pra Mim</strong>, da banda capixaba Maré Tardia, lançado no final de abril, tem um som eletrizante que gruda lá nos ouvidos e te faz repetir dias depois “sem diversão pra mim (hoje não!)”. Segundo álbum da banda de <strong>Vila Velha</strong>, o som mostra um amadurecimento sonoro do grupo. Vozes intercaladas entre Gus Lacerda (guitarra e vocal) e Bruno Lozório (guitarra e vocal), as linhas de baixo de Matheus Canni e a bateria enérgica de Caio “Vazo” Mendonça.</p>
<p>As 10 faixas distribuídas em pouco mais de 30 minutos dão conta de mostrar a potência musical do grupo. Com sons que bebem nas fontes do <em>punk, surf rock, post-punk</em> e vanguarda brasileira, por exemplo. Explorando de forma crua e sem cerimônia os mais diversos temas, as músicas passeiam por anseios, angústias, amores, indagações e o elemento mundano do viver humano.</p>
<p>O processo de produção (da pré até a pós) tem as mãos de todos os integrantes, que se envolvem na escrita, gravação, produção e até distribuição do álbum. O movimento DIY (Do It Yourself - faça você mesmo) na música, cunhado nos anos 1950 e propagado como filosofia nos anos 1970 pelo movimento punk, pode ser percebido como uma das vertentes da Maré Tardia como banda indie rock no cenário <strong>capixaba</strong> e brasileiro.</p>
<p>A banda, que nasceu em 2019 co-fundada por Gus e Bruno, chega ao seu sexto ano de atividades mais potente com um trabalho autoral impecável e cativante. É fácil gostar da Maré Tardia se você gosta de música brasileira. Alguma música vai conversar intimamente com você, pela letra ou pela melodia. Quando antes você imaginar, estarás a dançar e cantarolar algum trechinho.</p>
<p>A imprevisibilidade do que está por vir na próxima faixa é o elemento que mostra um amadurecimento musical da Maré Tardia e a coloca de vez no mapa brasileiro de bandas para ficar de olhos bem abertos. A única certeza mesmo é de que ainda vem muita coisa boa por aí.</p>
<p> </p>
[caption id="attachment_1093" align="alignnone" width="720"]<img class="wp-image-1093 size-full" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/825/2025/07/Capa-Sem-Diversao-pra-Mim-Mare-Tardia.jpg" alt="" width="720" height="720" /> Álbum "Sem Diversão Pra Mim", lançado em abril de 2025, tem a capa ilustrada pelo artista capixaba Gustavo Moraes. // Foto: Reprodução[/caption]
<p><strong>Dissecando o álbum</strong> <strong>“Sem Diversão Pra Mim”</strong></p>
<p><strong>Faixa 01. Leviatã</strong></p>
<p>Impossível não ouvir o som das guitarras ecoando dentro da cabeça tempos depois de ouvir o álbum. Foi assim que acordei naquele domingo e percebi de onde eram os riffs que se repetiam e cantarolava inconscientemente. Abre o álbum já dando uma boa prévia do que está prestes a desenrolar nas faixas seguintes.</p>
<p><strong>Faixa 02. Já sei bem</strong></p>
<p>A voz do Bruno começa a amaciar os ouvidos após a potência vocal do Gustavo em Leviatã. O ritmo frenético te coloca pra dançar, nem que seja balançando as mãos de um lado pro outro.</p>
<p><strong>Faixa 03. Sem diversão pra mim </strong></p>
<p>Guitarras potentes, o show à parte da bateria e as vozes intercaladas resumem a música. A faixa que dá nome ao álbum deixa o trechinho “sem diversão pra mim” “hoje não” ecoando por dias. É a primeira música escrita pelos quatro integrantes juntos. Apesar de dar o nome ao disco, diria que não dá a cara.</p>
<p><strong>Faixa 04. Tarde demais</strong></p>
<p>Voz aveludada? Temos. Voz “áspera”/rasgada? Temos. E por “áspera”/rasgada e “aveludada” me refiro à sinestesia das palavras e das vozes. Gosto do contraste de sensações que 'Tarde demais’ causa. Parece um monólogo de duas versões da mesma pessoa em conflito/debate/discussão.</p>
<p><strong>Faixa 05. Azur </strong></p>
<p>Ouviria essa deitada na praia observando as ondas e sonhando acordada com a vida. Azur seria a trilha sonora do momento. Dá vontade de viver com essa e morar aqui. Arranjo maravilhoso e com um “quê” de surf rock.</p>
<p><strong>Faixa 06. Nadavai </strong></p>
<p>Aqui a dinâmica sinestésica das vozes em ‘Tarde demais’ se repete. As vozes colocam angústia e certo “desespero” repetindo “foi só mais dessa/a última vez”. Repete a dinâmica de um monólogo fragmentado contado por uma pessoa mas que soa como duas versões de um mesmo alguém.</p>
<p><strong>Faixa 07. Ian Curtis</strong></p>
<p>Baixo. Bateria. Post-punk. Sonhar é tão angustiante. Melancolia. Suavidade. Denso. Angústia. Anseios. Vida. Dilemas. Identificação. Solos de guitarra.</p>
<p><strong>Faixa 08. Junkie Food</strong></p>
<p>Eu, que sou fissurada pelo som da guitarra, me senti cativada pelas linhas de baixo do Canni que abrem a música. Talvez a minha top 1 favorita do álbum por ter um pé no noise rock/punk e ser facilmente uma coisa que o Fugazi faria. Gosto do tom destoante e ao mesmo tempo coerente com todas as faixas anteriores. Decadente.</p>
<p><strong>Faixa 09. Não se vá </strong></p>
<p>A música mais "quieta” e inquietante do álbum.</p>
<p><strong>Faixa 10. Nunca mais</strong></p>
<p>Empata com Junkie Food no meu top 1 favoritas do álbum. Deleite do instrumental do início ao fim. Voz incrível do Bruno. Letra impecável. Encerramento da música e do conjunto da obra com um solo fenomenal e uma jam que mostra a potencialidade individual de cada um dos músicos e o produto disso somado e agrupado na Maré Tardia.</p>
<p> </p>
<p>O álbum “<strong>Sem Diversão Pra Mim</strong>” e todo o material está disponível em plataformas de <em>streaming</em>. A banda também conta com alguns clipes no canal do <strong>YouTube (@MareTardia)</strong>. Mais informações e para acompanhar os passos do grupo capixaba, acesse o <strong>Instagram (@MareTardia)</strong>.</p>
<p> </p>
<p><strong>P.S.1:</strong> Não querendo vender nosso peixe (porque de peixe/moqueca capixaba entende bem), mas vale muito a pena o play no som da Maré Tardia.</p>
<p><strong>P.S.2.:</strong> O cenário do rock capixaba vai bem.</p>
<p><strong>P.S.3.:</strong> Ouça: <a href="https://open.spotify.com/embed/album/69gy9fo1MRSVHmhRHw4skA" target="_blank" rel="noopener" data-saferedirecturl="https://www.google.com/url?q=https://open.spotify.com/embed/album/69gy9fo1MRSVHmhRHw4skA?utm_source%3Dgenerator%26theme%3D0&amp;source=gmail&amp;ust=1752024773772000&amp;usg=AOvVaw28PJ1K3GYMcBE4Qmefe-u7">https://open.spotify.com/embed/album/69gy9fo1MRSVHmhRHw4skA</a></p>
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<p></p>
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													</item>
						<item>
				<title><strong>Por amor atravessei o oceano (e fiquei)</strong></title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/agencia-da-hora/2025/06/23/por-amor-atravessei-o-oceano-e-fiquei</link>
				<pubDate>Tue, 24 Jun 2025 02:10:50 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Mundanos Documentados]]></category>

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						<description><![CDATA[Por: Vanessa Carvalho Segundo dados da OBMigra em 2022, de 2011 a 2022, o Brasil passou a abrigar cerca de 1,5 milhão de imigrantes oriundos de diversas partes do mundo e com objetivos diferentes. Em 2024, ainda segundo a OBMigra e o Ministério da Justiça e Segurança Pública, o país acolheu 194.331 novos imigrantes, sendo [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Por</strong>: Vanessa Carvalho</p>
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<p>Segundo dados da OBMigra em 2022, de 2011 a 2022, o Brasil passou a abrigar cerca de 1,5 milhão de imigrantes oriundos de diversas partes do mundo e com objetivos diferentes. Em 2024, ainda segundo a OBMigra e o Ministério da Justiça e Segurança Pública, o país acolheu 194.331 novos imigrantes, sendo os oriundos da Venezuela a principal nacionalidade.</p>
<p>No censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010, os números eram 268,5 mil pessoas que haviam desembarcado no Brasil, em comparação com os anos 2000. Alguns vieram como refugiados, a trabalho, estudos. E outros, por causa de um alguém especial.</p>
<p>À época do censo do IBGE de 2010, mais exatamente em 2015, conversei com o espanhol, militar aposentado, Carlos Sánchez em Imperatriz no Maranhão. No portão de sua casa e bem sorridente, Carlos me aguardava para contar o motivo que o fez emigrar de sua terra natal, Salamanca, na Espanha, atravessar o oceano pela primeira vez e vir ao Brasil. Com a fala ainda carregada de um hispano-falante recém-chegado em solo brasileiro, revelou que veio por um motivo especial, o amor pela professora Erismar Nascimento (também chamada de Iris).</p>
<p>O casal se conheceu ainda na Espanha, quando Iris estava na condição de imigrante em Salamanca, em 2007.  Ao retornar ao Brasil, Carlos e Iris mantiveram contato pela internet e telefone até se reencontrarem em 2008 em Salvador, na Bahia. Foi a primeira de muitas vezes que Carlos iria atravessar o Atlântico para rever sua amada, com voos Salamanca/Imperatriz frequentes, a cada três meses exatos. “Acho que foram umas 15 viagens. Fiz mais viagens que Colombo!”, conta Sánchez, sorrindo. O fim dessa saga chegou em 2012, com o casamento de Iris e Carlos.</p>
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<p>Agora o imigrante seria Carlos no Brasil. Trouxe em sua mala seus objetos pessoais e seus equipamentos de artes marciais. Além da adaptação ao português, teve que se adaptar ao clima e à culinária local, que, por sinal, só não aprovava os pratos que tinham verduras.</p>
<p>Concluiu a entrevista dizendo que, desde o início, preferiu não se concentrar nos problemas da cidade e nas diferenças culturais. Disse que sente saudades da Espanha e a visita pelo menos duas vezes ao ano, mas se adaptou a Imperatriz porque é onde Iris, a esposa, está.</p>
[caption id="attachment_1089" align="alignnone" width="1024"]<img class="wp-image-1089 size-full" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/825/2025/06/ires-e-carlos-1.jpg" alt="" width="1024" height="682" /> Casal de virginianos, Carlos e Iris decidiram ficar juntos depois de uma história à distância.[/caption]
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<p><strong>Cabe uma vida em uma década</strong></p>
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<p>Como um <em>deja-vú</em>, Carlos e Iris me recebem novamente sorridentes à sua casa. Desta vez, em 2025, conversamos por videochamada. Eles, no Maranhão, e eu, no Espírito Santo. Revisito-os para saber o que coube neste espaço temporal de uma década desde a última vez (e primeira entrevista) em que nos vimos.</p>
<p>Ainda atuando como professora do município, Iris Nascimento, e como militar aposentado, Carlos Sanchéz. Desta vez descubro uma informação no mínimo curiosa. Ambos aniversariantes do mês de setembro, um do dia 6, e outro, do dia 12 – portanto, virginianos, para quem acredita em astrologia. Mais uma coisa em comum entre os dois, que compartilham muitas coisas e gostos juntos.</p>
<p>Cabe uma vida em uma década, mas algumas coisas permanecem as mesmas. Carlos, como espanhol, continua com a fala confirmando suas origens. A luta contra as verduras na comida, o calor e as muriçocas em Imperatriz continua a mesma, porém um pouco melhores, agora já amenizadas.</p>
<p>Comento sobre a adaptação à língua, e Carlos diz: “Eu cheguei já muito velho para aprender a falar português correto”. E Iris completa: “Ele disse que se sente mal porque ele já mora no Brasil há tanto tempo, e às vezes ele chega no lugar para fazer alguma coisa, para resolver alguma coisa, e as pessoas não entendem ele. Mas eu disse para ele que as pessoas entendem. O problema é porque ele fala muito rápido”. A entrevista inclusive foi conduzida nos dois idiomas, português e espanhol.</p>
<p>Sobre as muriçocas e o calor, coisas que mais o incomodaram ao chegar ao Brasil, Carlos comenta que seus aliados são o repelente, inseticida e as centrais de ar condicionado, mas enfrenta o calor quando precisa. “Mas eu gosto de estar aqui porque ‘<em>lo que realmente me asegura en Brasil é a Iris</em>’. Então, eu tenho calor, tenho frio, a comida não gosto, deixo de gostar. Eu estou com minha esposa, que é com quem gosto de ficar”.</p>
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<p>A vontade de estar juntos se traduz em o amor também estar lá durante essa década de intervalo. Talvez até mais acentuado ou forte. Com certeza, é inegável sua existência. Gostam de compartilhar a vida juntos. Tomar café, passear no shopping, dançar e principalmente viajar. As visitas à Espanha ainda acontecem pelo menos duas ou três vezes ao ano. Períodos mais breves, suficientes apenas para visitar a família e resolver assuntos corriqueiros. Tão logo, retorna para junto de sua amada.</p>
<p>A situação só mudou durante a pandemia. Carlos, que estava viajando à Espanha no dia 8 de março de 2020, ficou impedido de voltar para casa até dia 15 de agosto de 2020. “Aí foi ruim demais. Aí a única distância e tempo que nos machucou bastante. Porque eu viajei para Espanha justamente no dia 8 de março de 2020. E não pude voltar para o Brasil até o mês de agosto, 15 de agosto mais ou menos. Ficamos aí como 6 meses separados. (...) Durante os 18 anos em que nós estamos juntos, o tempo da pandemia, uma vez casados, foi o tempo mais de separação entre os dois”, comentou Carlos.</p>
[caption id="attachment_1090" align="alignnone" width="1024"]<img class="wp-image-1090 size-full" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/825/2025/06/ires-e-carlos-2.jpg" alt="" width="1024" height="682" /> Uma das atividades que mais gostam de fazer juntos é viajar pelo Brasil e mundo.[/caption]
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<p><strong>Eu quero partilhar a vida boa com você</strong></p>
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<p><strong>            </strong>Rubel e Anavitoria  já diziam, na música Partilhar, sobre enfrentar os mais diferentes obstáculos para se juntar ao outro porque a vida é boa assim e completam com “eu quero partilhar a vida boa com você”. Na convivência com outros, é importante assimilar os aprendizados, qualidades e conselhos para que seja harmônica e funcione.</p>
<p>Conversamos sobre os aprendizados, a admiração que sentem um pelo outro, conselhos amorosos e como eles definiriam o amor. As respostas afiadas e carregadas de sinceridade revelam que, apesar de não haver uma fórmula pronta, é possível fazer dar certo. A comunicadora Elisama Santos fala sobre: “Não é o amor que sustenta um relacionamento. É o modo de se relacionar que sustenta o amor”.</p>
<p>Sobre admirações, Carlos conta que gosta de como Iris conduz a vida de maneira ética e a profissional que é, buscando soluções e apoiando os outros. “Eu acho que ela é a pessoa mais ética e mais confortável que eu achei na vida. Por isso estou com ela”. A recíproca se faz verdadeira, com Iris contando como, dentre tantas qualidades, diz que gosta de como Carlos é “uma pessoa de um coração muito bonito. Ele é uma pessoa muito boa, muito generosa, muito carinhosa comigo e com todos da minha família. (...) É uma pessoa cuidadosa, uma pessoa que chegou na família e soube conquistar todo mundo. Então ele tem esse lado humano de tratar bem todo mundo. E ele sempre me coloca em primeiro lugar. Tudo dele eu estou em primeiro lugar, então isso me cativou muito. Para mim, ele é a melhor pessoa do mundo que eu já conheci até hoje. Não tem outro.”</p>
<p>De aprendizados, além do português e a adaptação cultural, Carlos conta que aprendeu a viver e conviver juntos, sem brigar. Sabendo falar, escutar e se entender em um ponto comum. Mesmo em tempos extremos como durante a pandemia, nunca brigaram. Aqui vale a máxima de se colocar no lugar do outro, a empatia. Para Iris, o que mais aprendeu com Carlos foi sobre a união entre os dois, sobre companheirismo e saber compartilhar. “O bom e o ruim é por dois. E isso eu aprendi com ele.”</p>
<p>            Ainda sobre aprendizados, pergunto sobre conselhos amorosos que eles dariam a outros casais sobre coisas que aprenderam com seus relacionamentos. Os dois concordam que, além do elemento essencial do amor, é preciso respeito, carinho, e espaço como sinal de confiança. E nada de ciúmes.</p>
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<p>Em espanhol, Carlos fala sobre sentir empatia com sua parceira. “<em>Y siempre colocarse en el lugar de la otra persona para no machucar a ella y sentirse en su lugar, ¿cómo me sentiría yo ahí? No sé si dio para entender. ¿Eh? Lo llama empatía. Empatía, saber cómo se siente la otra persona cuando vos se facea. Si yo hago una cosa que va a machucar a ella, está errado. Pero si yo hago una cosa que va a ayudar a ella, está perfecto.”</em></p>
<p>Tradução: E sempre se colocar no lugar da outra pessoa para não a machucar e sentir-se no lugar dela, "como eu me sentiria lá?". Não sei se deu para entender. Hã? Isso se chama empatia. Empatia é saber como a outra pessoa se sente quando você faz algo. Se eu faço uma coisa que vai machucá-la, está errado. Mas se eu faço uma coisa que vai ajudá-la, está perfeito.</p>
<p>Quando o assunto é talvez uma das perguntas mais complicadas, “como definir o amor?”, Carlos me conta ainda em espanhol que, para ele, “el amor es aplacar la ansiedad por estar con alguien”. O amor é aplacar a ansiedade de estar com alguém. Sentir vontade de estar com quem se quer estar, de quem se ama. Além disso, saber dar o que se quer receber no relacionamento.</p>
<p>Ele comenta sobre o amor ser como uma planta que precisa de cuidados diários. “Planta que no riega, seca. Y<em> amor, es una planta que tiene que regar, regar. Que tienen que cuidar de ese amor. Son pequeñas cosas. Las tienen que ver. No sé, eh compartir un sorbete con tu con tu parcero, con cariño. Es parte de ese amor compartir, de saber que esa persona piensa en vos de él. Salir con él, cuidar de él cuando está doente.” </em>Tradução: Planta que não se rega, seca. E amor, é uma planta que tem que regar, regar. Que tem que cuidar desse amor. São pequenas coisas. Não sei, compartilhar um sorvete com seu parceiro. É parte desse amor compartilhar, de saber que essa pessoa pensa em você, de ele sair com você, cuidar dele quando está doente. E Iris completa que Carlos cumpre bem a função de cuidar da “plantinha do amor” dos dois, todos os dias com elogios e cuidados com ela. “É bom a gente compartilhar a vida da gente com alguém com quem a gente se sente amada, se sente segura, se sente protegida. É muito bom. Cada dia a gente quer estar mais perto da pessoa. É assim que acontece”.</p>
<p>            Por fim, Carlos concluiu a entrevista dizendo que foi atrevido. Atrevido por vir de malas prontas ao Brasil por amor a Iris. Seus familiares e amigos na Espanha não conseguiam acreditar na empreitada que ele estava prestes a fazer, mas ainda assim não conseguiram desanimá-lo. O amor falou mais alto. “Eles me falaram assim: ‘Ei, você vai para o Brasil? Você vai ter problemas sérios. Essa mulher vai tirar tudo de você. Vai pegar tudo o que você tem’. Eu vim para o Brasil e estava certo. Ela tirou tudo o que tinha. <em>La pena, la angustia, </em>a saudade, a solidão.”</p>
<p>            Nos despedimos, e ficamos com a possibilidade de encontrarmos e continuar a conversa talvez antes de outros 10 anos mais. Cabe uma vida inteira em uma década, e a vida é boa com alguém.</p>
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<p><strong>Para ouvir:</strong> Rubel, Anavitoria – Partilhar | Diana – Canção dos namorados | Mochi y Alexandra – Hasta el fin</p>
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[caption id="attachment_1091" align="alignnone" width="842"]<img class="wp-image-1091 size-full" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/825/2025/06/ires-e-carlos-3.jpg" alt="" width="842" height="595" /> A parede da casa de Carlos e Iris guardam recordações de Salamanca na Espanha e fotos do casal.[/caption]
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