{"id":1088,"date":"2025-06-23T23:10:50","date_gmt":"2025-06-24T02:10:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/agencia-da-hora\/?p=1088"},"modified":"2025-06-23T23:28:21","modified_gmt":"2025-06-24T02:28:21","slug":"por-amor-atravessei-o-oceano-e-fiquei","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/agencia-da-hora\/2025\/06\/23\/por-amor-atravessei-o-oceano-e-fiquei","title":{"rendered":"<strong>Por amor atravessei o oceano (e fiquei)<\/strong>"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Por<\/strong>: Vanessa Carvalho<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo dados da OBMigra em 2022, de 2011 a 2022, o Brasil passou a abrigar cerca de 1,5 milh\u00e3o de imigrantes oriundos de diversas partes do mundo e com objetivos diferentes. Em 2024, ainda segundo a OBMigra e o Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica, o pa\u00eds acolheu 194.331 novos imigrantes, sendo os oriundos da Venezuela a principal nacionalidade.<\/p>\n<p>No censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) de 2010, os n\u00fameros eram 268,5 mil pessoas que haviam desembarcado no Brasil, em compara\u00e7\u00e3o com os anos 2000. Alguns vieram como refugiados, a trabalho, estudos. E outros, por causa de um algu\u00e9m especial.<\/p>\n<p>\u00c0 \u00e9poca do censo do IBGE de 2010, mais exatamente em 2015, conversei com o espanhol, militar aposentado, Carlos S\u00e1nchez em Imperatriz no Maranh\u00e3o. No port\u00e3o de sua casa e bem sorridente, Carlos me aguardava para contar o motivo que o fez emigrar de sua terra natal, Salamanca, na Espanha, atravessar o oceano pela primeira vez e vir ao Brasil. Com a fala ainda carregada de um hispano-falante rec\u00e9m-chegado em solo brasileiro, revelou que veio por um motivo especial, o amor pela professora Erismar Nascimento (tamb\u00e9m chamada de Iris).<\/p>\n<p>O casal se conheceu ainda na Espanha, quando Iris estava na condi\u00e7\u00e3o de imigrante em Salamanca, em 2007.\u00a0 Ao retornar ao Brasil, Carlos e Iris mantiveram contato pela internet e telefone at\u00e9 se reencontrarem em 2008 em Salvador, na Bahia. Foi a primeira de muitas vezes que Carlos iria atravessar o Atl\u00e2ntico para rever sua amada, com voos Salamanca\/Imperatriz frequentes, a cada tr\u00eas meses exatos. \u201cAcho que foram umas 15 viagens. Fiz mais viagens que Colombo!\u201d, conta S\u00e1nchez, sorrindo. O fim dessa saga chegou em 2012, com o casamento de Iris e Carlos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Agora o imigrante seria Carlos no Brasil. Trouxe em sua mala seus objetos pessoais e seus equipamentos de artes marciais. Al\u00e9m da adapta\u00e7\u00e3o ao portugu\u00eas, teve que se adaptar ao clima e \u00e0 culin\u00e1ria local, que, por sinal, s\u00f3 n\u00e3o aprovava os pratos que tinham verduras.<\/p>\n<p>Concluiu a entrevista dizendo que, desde o in\u00edcio, preferiu n\u00e3o se concentrar nos problemas da cidade e nas diferen\u00e7as culturais. Disse que sente saudades da Espanha e a visita pelo menos duas vezes ao ano, mas se adaptou a Imperatriz porque \u00e9 onde Iris, a esposa, est\u00e1.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1089\" aria-describedby=\"caption-attachment-1089\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1089 size-full\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2025\/06\/ires-e-carlos-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"682\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2025\/06\/ires-e-carlos-1.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2025\/06\/ires-e-carlos-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2025\/06\/ires-e-carlos-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2025\/06\/ires-e-carlos-1-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1089\" class=\"wp-caption-text\">Casal de virginianos, Carlos e Iris decidiram ficar juntos depois de uma hist\u00f3ria \u00e0 dist\u00e2ncia.<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Cabe uma vida em uma d\u00e9cada<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Como um <em>deja-v\u00fa<\/em>, Carlos e Iris me recebem novamente sorridentes \u00e0 sua casa. Desta vez, em 2025, conversamos por videochamada. Eles, no Maranh\u00e3o, e eu, no Esp\u00edrito Santo. Revisito-os para saber o que coube neste espa\u00e7o temporal de uma d\u00e9cada desde a \u00faltima vez (e primeira entrevista) em que nos vimos.<\/p>\n<p>Ainda atuando como professora do munic\u00edpio, Iris Nascimento, e como militar aposentado, Carlos Sanch\u00e9z. Desta vez descubro uma informa\u00e7\u00e3o no m\u00ednimo curiosa. Ambos aniversariantes do m\u00eas de setembro, um do dia 6, e outro, do dia 12 \u2013 portanto, virginianos, para quem acredita em astrologia. Mais uma coisa em comum entre os dois, que compartilham muitas coisas e gostos juntos.<\/p>\n<p>Cabe uma vida em uma d\u00e9cada, mas algumas coisas permanecem as mesmas. Carlos, como espanhol, continua com a fala confirmando suas origens. A luta contra as verduras na comida, o calor e as muri\u00e7ocas em Imperatriz continua a mesma, por\u00e9m um pouco melhores, agora j\u00e1 amenizadas.<\/p>\n<p>Comento sobre a adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 l\u00edngua, e Carlos diz: \u201cEu cheguei j\u00e1 muito velho para aprender a falar portugu\u00eas correto\u201d. E Iris completa: \u201cEle disse que se sente mal porque ele j\u00e1 mora no Brasil h\u00e1 tanto tempo, e \u00e0s vezes ele chega no lugar para fazer alguma coisa, para resolver alguma coisa, e as pessoas n\u00e3o entendem ele. Mas eu disse para ele que as pessoas entendem. O problema \u00e9 porque ele fala muito r\u00e1pido\u201d. A entrevista inclusive foi conduzida nos dois idiomas, portugu\u00eas e espanhol.<\/p>\n<p>Sobre as muri\u00e7ocas e o calor, coisas que mais o incomodaram ao chegar ao Brasil, Carlos comenta que seus aliados s\u00e3o o repelente, inseticida e as centrais de ar condicionado, mas enfrenta o calor quando precisa. \u201cMas eu gosto de estar aqui porque \u2018<em>lo que realmente me asegura en Brasil \u00e9 a Iris<\/em>\u2019. Ent\u00e3o, eu tenho calor, tenho frio, a comida n\u00e3o gosto, deixo de gostar. Eu estou com minha esposa, que \u00e9 com quem gosto de ficar\u201d.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A vontade de estar juntos se traduz em o amor tamb\u00e9m estar l\u00e1 durante essa d\u00e9cada de intervalo. Talvez at\u00e9 mais acentuado ou forte. Com certeza, \u00e9 ineg\u00e1vel sua exist\u00eancia. Gostam de compartilhar a vida juntos. Tomar caf\u00e9, passear no shopping, dan\u00e7ar e principalmente viajar. As visitas \u00e0 Espanha ainda acontecem pelo menos duas ou tr\u00eas vezes ao ano. Per\u00edodos mais breves, suficientes apenas para visitar a fam\u00edlia e resolver assuntos corriqueiros. T\u00e3o logo, retorna para junto de sua amada.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o s\u00f3 mudou durante a pandemia. Carlos, que estava viajando \u00e0 Espanha no dia 8 de mar\u00e7o de 2020, ficou impedido de voltar para casa at\u00e9 dia 15 de agosto de 2020. \u201cA\u00ed foi ruim demais. A\u00ed a \u00fanica dist\u00e2ncia e tempo que nos machucou bastante. Porque eu viajei para Espanha justamente no dia 8 de mar\u00e7o de 2020. E n\u00e3o pude voltar para o Brasil at\u00e9 o m\u00eas de agosto, 15 de agosto mais ou menos. Ficamos a\u00ed como 6 meses separados. (&#8230;) Durante os 18 anos em que n\u00f3s estamos juntos, o tempo da pandemia, uma vez casados, foi o tempo mais de separa\u00e7\u00e3o entre os dois\u201d, comentou Carlos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1090\" aria-describedby=\"caption-attachment-1090\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-1090 size-full\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2025\/06\/ires-e-carlos-2.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"682\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2025\/06\/ires-e-carlos-2.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2025\/06\/ires-e-carlos-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2025\/06\/ires-e-carlos-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2025\/06\/ires-e-carlos-2-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1090\" class=\"wp-caption-text\">Uma das atividades que mais gostam de fazer juntos \u00e9 viajar pelo Brasil e mundo.<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Eu quero partilhar a vida boa com voc\u00ea<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Rubel e Anavitoria\u00a0 j\u00e1 diziam, na m\u00fasica Partilhar, sobre enfrentar os mais diferentes obst\u00e1culos para se juntar ao outro porque a vida \u00e9 boa assim e completam com \u201ceu quero partilhar a vida boa com voc\u00ea\u201d. Na conviv\u00eancia com outros, \u00e9 importante assimilar os aprendizados, qualidades e conselhos para que seja harm\u00f4nica e funcione.<\/p>\n<p>Conversamos sobre os aprendizados, a admira\u00e7\u00e3o que sentem um pelo outro, conselhos amorosos e como eles definiriam o amor. As respostas afiadas e carregadas de sinceridade revelam que, apesar de n\u00e3o haver uma f\u00f3rmula pronta, \u00e9 poss\u00edvel fazer dar certo. A comunicadora Elisama Santos fala sobre: \u201cN\u00e3o \u00e9 o amor que sustenta um relacionamento. \u00c9 o modo de se relacionar que sustenta o amor\u201d.<\/p>\n<p>Sobre admira\u00e7\u00f5es, Carlos conta que gosta de como Iris conduz a vida de maneira \u00e9tica e a profissional que \u00e9, buscando solu\u00e7\u00f5es e apoiando os outros. \u201cEu acho que ela \u00e9 a pessoa mais \u00e9tica e mais confort\u00e1vel que eu achei na vida. Por isso estou com ela\u201d. A rec\u00edproca se faz verdadeira, com Iris contando como, dentre tantas qualidades, diz que gosta de como Carlos \u00e9 \u201cuma pessoa de um cora\u00e7\u00e3o muito bonito. Ele \u00e9 uma pessoa muito boa, muito generosa, muito carinhosa comigo e com todos da minha fam\u00edlia. (&#8230;) \u00c9 uma pessoa cuidadosa, uma pessoa que chegou na fam\u00edlia e soube conquistar todo mundo. Ent\u00e3o ele tem esse lado humano de tratar bem todo mundo. E ele sempre me coloca em primeiro lugar. Tudo dele eu estou em primeiro lugar, ent\u00e3o isso me cativou muito. Para mim, ele \u00e9 a melhor pessoa do mundo que eu j\u00e1 conheci at\u00e9 hoje. N\u00e3o tem outro.\u201d<\/p>\n<p>De aprendizados, al\u00e9m do portugu\u00eas e a adapta\u00e7\u00e3o cultural, Carlos conta que aprendeu a viver e conviver juntos, sem brigar. Sabendo falar, escutar e se entender em um ponto comum. Mesmo em tempos extremos como durante a pandemia, nunca brigaram. Aqui vale a m\u00e1xima de se colocar no lugar do outro, a empatia. Para Iris, o que mais aprendeu com Carlos foi sobre a uni\u00e3o entre os dois, sobre companheirismo e saber compartilhar. \u201cO bom e o ruim \u00e9 por dois. E isso eu aprendi com ele.\u201d<\/p>\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ainda sobre aprendizados, pergunto sobre conselhos amorosos que eles dariam a outros casais sobre coisas que aprenderam com seus relacionamentos. Os dois concordam que, al\u00e9m do elemento essencial do amor, \u00e9 preciso respeito, carinho, e espa\u00e7o como sinal de confian\u00e7a. E nada de ci\u00fames.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Em espanhol, Carlos fala sobre sentir empatia com sua parceira. \u201c<em>Y siempre colocarse en el lugar de la otra persona para no machucar a ella y sentirse en su lugar, \u00bfc\u00f3mo me sentir\u00eda yo ah\u00ed? No s\u00e9 si dio para entender. \u00bfEh? Lo llama empat\u00eda. Empat\u00eda, saber c\u00f3mo se siente la otra persona cuando vos se facea. Si yo hago una cosa que va a machucar a ella, est\u00e1 errado. Pero si yo hago una cosa que va a ayudar a ella, est\u00e1 perfecto.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: E sempre se colocar no lugar da outra pessoa para n\u00e3o a machucar e sentir-se no lugar dela, &#8220;como eu me sentiria l\u00e1?&#8221;. N\u00e3o sei se deu para entender. H\u00e3? Isso se chama empatia. Empatia \u00e9 saber como a outra pessoa se sente quando voc\u00ea faz algo. Se eu fa\u00e7o uma coisa que vai machuc\u00e1-la, est\u00e1 errado. Mas se eu fa\u00e7o uma coisa que vai ajud\u00e1-la, est\u00e1 perfeito.<\/p>\n<p>Quando o assunto \u00e9 talvez uma das perguntas mais complicadas, \u201ccomo definir o amor?\u201d, Carlos me conta ainda em espanhol que, para ele, \u201cel amor es aplacar la ansiedad por estar con alguien\u201d. O amor \u00e9 aplacar a ansiedade de estar com algu\u00e9m. Sentir vontade de estar com quem se quer estar, de quem se ama. Al\u00e9m disso, saber dar o que se quer receber no relacionamento.<\/p>\n<p>Ele comenta sobre o amor ser como uma planta que precisa de cuidados di\u00e1rios. \u201cPlanta que no riega, seca. Y<em> amor, es una planta que tiene que regar, regar. Que tienen que cuidar de ese amor. Son peque\u00f1as cosas. Las tienen que ver. No s\u00e9, eh compartir un sorbete con tu con tu parcero, con cari\u00f1o. Es parte de ese amor compartir, de saber que esa persona piensa en vos de \u00e9l. Salir con \u00e9l, cuidar de \u00e9l cuando est\u00e1 doente.\u201d <\/em>Tradu\u00e7\u00e3o: Planta que n\u00e3o se rega, seca. E amor, \u00e9 uma planta que tem que regar, regar. Que tem que cuidar desse amor. S\u00e3o pequenas coisas. N\u00e3o sei, compartilhar um sorvete com seu parceiro. \u00c9 parte desse amor compartilhar, de saber que essa pessoa pensa em voc\u00ea, de ele sair com voc\u00ea, cuidar dele quando est\u00e1 doente. E Iris completa que Carlos cumpre bem a fun\u00e7\u00e3o de cuidar da \u201cplantinha do amor\u201d dos dois, todos os dias com elogios e cuidados com ela. \u201c\u00c9 bom a gente compartilhar a vida da gente com algu\u00e9m com quem a gente se sente amada, se sente segura, se sente protegida. \u00c9 muito bom. Cada dia a gente quer estar mais perto da pessoa. \u00c9 assim que acontece\u201d.<\/p>\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Por fim, Carlos concluiu a entrevista dizendo que foi atrevido. Atrevido por vir de malas prontas ao Brasil por amor a Iris. Seus familiares e amigos na Espanha n\u00e3o conseguiam acreditar na empreitada que ele estava prestes a fazer, mas ainda assim n\u00e3o conseguiram desanim\u00e1-lo. O amor falou mais alto. \u201cEles me falaram assim: \u2018Ei, voc\u00ea vai para o Brasil? Voc\u00ea vai ter problemas s\u00e9rios. Essa mulher vai tirar tudo de voc\u00ea. Vai pegar tudo o que voc\u00ea tem\u2019. Eu vim para o Brasil e estava certo. Ela tirou tudo o que tinha. <em>La pena, la angustia, <\/em>a saudade, a solid\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nos despedimos, e ficamos com a possibilidade de encontrarmos e continuar a conversa talvez antes de outros 10 anos mais. Cabe uma vida inteira em uma d\u00e9cada, e a vida \u00e9 boa com algu\u00e9m.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Para ouvir:<\/strong> Rubel, Anavitoria \u2013 Partilhar | Diana \u2013 Can\u00e7\u00e3o dos namorados | Mochi y Alexandra \u2013 Hasta el fin<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<figure id=\"attachment_1091\" aria-describedby=\"caption-attachment-1091\" style=\"width: 842px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-1091 size-full\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2025\/06\/ires-e-carlos-3.jpg\" alt=\"\" width=\"842\" height=\"595\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2025\/06\/ires-e-carlos-3.jpg 842w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2025\/06\/ires-e-carlos-3-300x212.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2025\/06\/ires-e-carlos-3-768x543.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 842px) 100vw, 842px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1091\" class=\"wp-caption-text\">A parede da casa de Carlos e Iris guardam recorda\u00e7\u00f5es de Salamanca na Espanha e fotos do casal.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Vanessa Carvalho Segundo dados da OBMigra em 2022, de 2011 a 2022, o Brasil passou a abrigar cerca de 1,5 milh\u00e3o de imigrantes oriundos de diversas partes do mundo e com objetivos diferentes. 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