{"id":1132,"date":"2025-08-02T19:37:59","date_gmt":"2025-08-02T22:37:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/agencia-da-hora\/?p=1132"},"modified":"2025-08-02T19:38:48","modified_gmt":"2025-08-02T22:38:48","slug":"voce-nao-se-casa-com-a-penny-lane-o-espectro-das-mulheres-fantasia-que-so-eram-amadas-quando-nao-eram-reais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/agencia-da-hora\/2025\/08\/02\/voce-nao-se-casa-com-a-penny-lane-o-espectro-das-mulheres-fantasia-que-so-eram-amadas-quando-nao-eram-reais","title":{"rendered":"<strong>Voc\u00ea n\u00e3o se casa com a Penny Lane: o espectro das mulheres-fantasia que s\u00f3 eram amadas quando n\u00e3o eram reais<\/strong>"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por: Teresa Vit\u00f3ria<\/p>\n\n\n\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-1084 size-large\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2025\/06\/Teresices-1024x576.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"576\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2025\/06\/Teresices-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2025\/06\/Teresices-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2025\/06\/Teresices-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2025\/06\/Teresices-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2025\/06\/Teresices.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p><strong>Teresices \u2013 4\/12<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-1133 size-full\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2025\/08\/Almost_Famous.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"371\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2025\/08\/Almost_Famous.jpg 250w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2025\/08\/Almost_Famous-202x300.jpg 202w\" sizes=\"(max-width: 250px) 100vw, 250px\" \/><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">No \u00faltimo <i>Teresices<\/i>, falei sobre os homens, pelo menos alguns deles. Agora, para ser justa, resolvi vir aqui colocar o meu na reta. Afinal, meu trabalho aqui \u00e9 ser sincera, e a inimiga do certo (e \u00e0s vezes at\u00e9 de mim mesma). Hoje eu vim falar de n\u00f3s, mulheres (algumas), pelo menos: as <b>\u201cmulheres-fantasia\u201d<\/b>. Existe um termo pra elas tamb\u00e9m em ingl\u00eas chamado <i><b>maniac pixie dream girl<\/b><\/i><b>,<\/b> mas al\u00e9m de achar esse termo com muitas palavras pra um significado meio fraco, me recuso a ficar pagando pau pra gringo (Na minha coluna que eu escrevo, aqui n\u00e3o).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">E antes de eu explicar, quero dizer que existe um objetivo em comum entre essas mulheres e este texto aqui, que \u00e9: tornar coisas dif\u00edceis de engolir em coisas engra\u00e7adinhas (eu sou uma delas). Porque, assim como experimentar essas mulheres \u00e9 como levar um soco bem dado que parece um beijo com lambida no cangote, <b>me entender \u00e9 como tomar um porre com gostinho de cereja. E quero mais.<\/b><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Acho que provavelmente voc\u00ea j\u00e1 ouviu falar no nome <i>Penny Lane<\/i>, mas, caso n\u00e3o saiba, \u00e9 uma m\u00fasica dos Beatles de 1967 que, retirado de forma safada do site menos confi\u00e1vel do mundo, a Wikip\u00e9dia (baita jornalista), se refere a uma rua em Liverpool em que a letra fala sobre como essa rua \u00e9 uma mem\u00f3ria marcante na vida dos Beatles.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><i><b>Penny Lane<\/b><\/i> \u00e9 tamb\u00e9m o nome de uma personagem interpretada por Kate Hudson no filme <i><b>Quase Famosos<\/b><\/i><b> de 2000<\/b>, indicado ao Oscar (e que eu covardemente ainda n\u00e3o havia assistido at\u00e9 pouco tempo). O filme \u00e9 sobre um jornalista (na minha opini\u00e3o um moleque meio ot\u00e1rio, mas genial), fazendo uma mat\u00e9ria para a revista <i>Rolling Stone<\/i> sobre uma banda de rock dos anos 1970. Mas o que rouba a aten\u00e7\u00e3o do telespectador \u00e9 a personagem <i>Penny Lane<\/i>, com seus cachos dourados e casaco de pelo, a l\u00edder das <i>band-aids<\/i>, como se autointitulam as garotas que acompanham a banda, vivendo o m\u00e1ximo da vida dos anos 1970, movidas por sexo, drogas e rock and roll (mas na ordem contr\u00e1ria, porque o mais importante \u00e9 m\u00fasica, como diz <i>Penny<\/i>). Se eu fosse um homem tentando te explicar de forma boboca (sim, eu amo essa palavra), poderia dizer ent\u00e3o que ela n\u00e3o passava da amante do guitarrista, o que seria uma tremenda sacanagem, porque ela \u00e9 muito mais que isso. Ela \u00e9 a alma e o cora\u00e7\u00e3o do filme, mesmo n\u00e3o sendo a personagem principal.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-1136 size-large\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2025\/08\/kate-hudson-quase-famosos-reproducao-imdb-1024x576.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"576\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2025\/08\/kate-hudson-quase-famosos-reproducao-imdb-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2025\/08\/kate-hudson-quase-famosos-reproducao-imdb-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2025\/08\/kate-hudson-quase-famosos-reproducao-imdb-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2025\/08\/kate-hudson-quase-famosos-reproducao-imdb.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><i>Penny Lane<\/i> rouba a cena. Com sua presen\u00e7a quase que sedativa, parece que as drogas que ela usa no filme batem, na verdade, \u00e9 em voc\u00ea. E voc\u00ea fica encantado com ela. E o mais triste disso \u00e9 que ela n\u00e3o existe nem dentro da pr\u00f3pria fic\u00e7\u00e3o. Ela \u00e9 uma personagem dentro da pr\u00f3pria personagem, tanto que at\u00e9 o final do filme a gente nem sabe o verdadeiro nome dela.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Em um momento, \u00e9 dito por uma de suas colegas <i>band-aids<\/i>, em uma cena em que ela confronta seu caso rom\u00e2ntico s\u00f3 com o olhar: <b>\u201cEla vai devor\u00e1-lo vivo\u201d. <\/b>E ela devora cada um de seus homens. Mas, no final do filme, <b>ela \u00e9 devorada viva, por si mesma.<\/b> Porque, enquanto ela \u00e9 aquela figura feminina louca, fant\u00e1stica e fantasiosa que ela mesma criou, <b>ela ainda \u00e9 s\u00f3 o momento. E momentos passam. Nenhuma fantasia dura,<\/b> nenhuma noite dura, por mais incr\u00edvel que ela seja. \u00c9 um golpe de ingenuidade achar que uma fantasia vai permanecer.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><b>Os homens amam a fantasia.<\/b> A fuga da realidade. Como voc\u00ea os faz se sentirem no limite entre o prazer e o \u00f3dio, e pode ser \u00f3dio do que voc\u00ea pode fazer com eles em quatro paredes, ou \u00f3dio deles mesmos por verem que est\u00e3o sentindo demais. Mas, quando a realidade bate \u00e0 porta, eles precisam da estabilidade. E, quando eu digo isso, eu falo sobre as outras mulheres, as <b>\u201cmulheres-mornas\u201d<\/b>, que trazem firmeza, n\u00e3o altos e baixos. Que s\u00e3o mornas, n\u00e3o num sentido ruim, mas num sentido de saber o que esperar, de ser est\u00e1vel, de <b>n\u00e3o ser demais, de n\u00e3o querer demais,<\/b> de n\u00e3o ter problemas demais, de n\u00e3o beber demais, de n\u00e3o usar roupas extravagantes demais.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><b>Garotas como a <\/b><i><b>Penny<\/b><\/i><b> s\u00e3o s\u00f3 a fantasia com tempo contado.<\/b> S\u00e3o as garotas que v\u00e3o estar ali durante um per\u00edodo curto, mas intenso, como da turn\u00ea da banda no filme, e terminam sendo trocadas pelas esposas, a estabilidade que vem com elas e uma caixa de Heineken \u00e0s vezes. Isso acontece literalmente no filme: ela \u00e9 trocada por uma caixa de cerveja.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Quando a <i>penny<\/i> descobre isso, a rea\u00e7\u00e3o dela \u00e9 esbo\u00e7ar um sorriso sob as l\u00e1grimas e dizer:<br \/>\u201cQue marca de cerveja?\u201d<br \/>Porque at\u00e9 ela sabe o valor de um engradado de Heineken e que, at\u00e9 num momento dilacerante como esse,<b> \u00e9 necess\u00e1rio manter a personagem engra\u00e7adinha do que desmoronar. Porque, no fundo, at\u00e9 ela mesma sabe que seria dif\u00edcil demais ser amada.<\/b><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">E a\u00ed tracei uma linha na minha cabe\u00e7a. Um espectro (que, explicado pra algu\u00e9m que \u00e9 lerdo que nem eu, s\u00e3o duas pontas opostas ligadas por uma linha). Agora imagina comigo essa linha que tem <i><b>Penny Lane<\/b><\/i> numa ponta \u2013 que, mesmo sabendo que \u00e9 uma fantasia, quer a todo custo continuar nela \u2013- e, no final dela, l\u00e1 na outra ponta, est\u00e1: <i><b>Holly Golightly<\/b><\/i><b> <\/b>(e se eu fosse voc\u00ea, nem tentava falar o sobrenome, porque a vida inteira eu n\u00e3o consegui. S\u00f3 sei como escreve porque tamb\u00e9m copiei da Wikip\u00e9dia).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><i>Holly<\/i> \u00e9 a personagem principal do meu filme favorito da vida toda: <i><b>Bonequinha de Luxo<\/b><\/i><b>, de 1961<\/b>, um cl\u00e1ssico do cinema, interpretada pela maravilhosa Audrey Hepburn. E, se voc\u00ea n\u00e3o conhece esse filme, tenho certeza de que j\u00e1 deve ter visto pelo menos uma imagem dessa personagem ic\u00f4nica em algum lugar na sua vida:<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-1134 size-full\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2025\/08\/audrey-icone-estilo.jpg\" alt=\"\" width=\"598\" height=\"372\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2025\/08\/audrey-icone-estilo.jpg 598w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2025\/08\/audrey-icone-estilo-300x187.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 598px) 100vw, 598px\" \/><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><i>Holly<\/i> \u00e9 descrita pelo portal de cinema da internet brasileira (procura a\u00ed no google) como \u201cprostituta, que fuma maconha e fala palavr\u00e3o\u201d. Na verdade ela \u00e9 s\u00f3 uma mulher exc\u00eantrica e encantadora, mas tamb\u00e9m \u00e9 inventada. <b>Tamb\u00e9m \u00e9 uma garota-fantasia. <\/b>Uma personagem criada como fuga da real protagonista:<i> Lulla May<\/i> (a personagem de <i>Audrey Hepburn<\/i>).<b> <\/b>E ela sabe disso. A princ\u00edpio, a personagem era pra ser de Marilyn Monroe, mas <b>Marilyn j\u00e1 era a garota-fantasia de seu tempo. <\/b>A personagem de Norma Jean no nosso mundo real (o nome verdadeiro de Marilyn). Ent\u00e3o o papel foi para Audrey, e, no filme, <i>Holly<\/i> tinha tanta autoconsci\u00eancia de ser uma garota-fantasia que ela fez disso seu ganha-p\u00e3o. Virou uma acompanhante de luxo, inventou esse nome complicado que ningu\u00e9m consegue pronunciar, e fez das fantasias que os homens tinham dela a sua armadura.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Essa \u00e9 a diferen\u00e7a entre ela e <i>Penny Lane<\/i>. <b>A <\/b><i><b>Penny<\/b><\/i><b> queria que sua fantasia fosse real.<\/b> Pobre garota. <b>A <\/b><i><b>Holly<\/b><\/i><b>, n\u00e3o. Ela j\u00e1 sabia: quando a manh\u00e3 chegasse, os homens que s\u00f3 a queriam \u00e0 noite, que queriam despertar o que era selvagem, n\u00e3o a queriam para a tranquilidade e estabilidade dos dias claros.<\/b><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Tem uma fala linda da <i>penny<\/i> no filme, que mostra como demonstra seu falso desprendimento, que \u00e9:<br \/><i><b>\u201cEu sempre digo pras garotas: nunca levem nada a s\u00e9rio. Se voc\u00ea nunca levar nada a s\u00e9rio, nunca vai se machucar, voc\u00ea sempre vai se divertir, e, se caso voc\u00ea se sentir sozinha, pode ir \u00e0 loja de discos e visitar seus amigos\u201d.<br \/><\/b><\/i> Eu facilmente diria isso para voc\u00eas, minhas leitoras. Mas de uma forma sincera, porque a Penny queria ser levada a s\u00e9rio.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">J\u00e1 a <i>holly<\/i>, n\u00e3o. Quando foi confrontada com um \u201ceu te amo\u201d, ela solta: \u201cE da\u00ed?\u201d &#8211; mesmo amando. Quando foi atravessada pela possibilidade de um amor bom, um homem a segurou e disse: \u201cEu te aceito com seus defeitos, com suas dores. Voc\u00ea me pertence\u201d.<br \/>Ela arrebatou: <b>\u201cPessoas n\u00e3o pertencem a pessoas. E eu n\u00e3o vou deixar ningu\u00e9m me colocar numa jaula\u201d.<\/b><br \/><b>Algo que facilmente diria para as pessoas que amo muito, <\/b>e<b> <\/b>tento dar os melhores conselhos.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Porque ela sabia que, no momento em que aceitasse aquele amor (por mais bom que ele fosse), ela estaria entrando em outro personagem. Porque aquele homem n\u00e3o amava ela, amava a ideia dela. <b>E quando ele visse que a <\/b><i><b>Holly<\/b><\/i><b> n\u00e3o era a fantasia dele, ela j\u00e1 estaria aprisionada e domesticada em sua jaula.<\/b><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A <i>Penny<\/i> ainda n\u00e3o descobriu isso. Tanto que, nas cenas finais, ela quase tira a pr\u00f3pria vida com uma cacha\u00e7a e uma caixa de rem\u00e9dios.<br \/>A <i>Holly<\/i>, por mais bom que fosse esse amor, ela o nega at\u00e9 o \u00faltimo segundo. Pois sabe que, para mulheres como ela, <b>um amor (mesmo que bom) n\u00e3o vale o pre\u00e7o de sua liberdade.<\/b><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Verdade verdadeira? \u00c9 que algumas mulheres s\u00e3o, sim, dif\u00edceis de amar. E n\u00f3s sabemos disso. Mulheres como n\u00f3s. Eu me incluo nessa pataquada (como disse, ia botar minha cabe\u00e7a na guilhotina aqui). As mulheres de lua, porque voc\u00ea s\u00f3 pode nos amar quando \u00e9 noite. Mulheres-fantasia, pois somos o del\u00edrio fant\u00e1stico que caminha com o desejo. Para algu\u00e9m como n\u00f3s, que achamos imposs\u00edvel dar qualquer tipo de estabilidade. Ou a certeza de permanecer quando a manh\u00e3 chegar.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">E eu n\u00e3o t\u00f4 aqui dizendo \u201ccoitadas dessas mulheres que nunca tiveram um relacionamento saud\u00e1vel e est\u00e1vel\u201d. Pelo menos no meu caso, eu encontrei muitos caras incr\u00edveis, doces, que me levaram para jantar, que me tratavam como uma princesa. Mas eu sabia que, em algum momento, aquilo ia por \u00e1gua abaixo. Porque eu s\u00f3 sou perfeita sendo a fantasia. Mas na vida real sou desastre, uma bagun\u00e7a. E, nessa altura do campeonato, com tudo que eu j\u00e1 aprendi sobre o amor, incluir algu\u00e9m que parece perfeito na minha bagun\u00e7a (onde s\u00f3 eu me encontro) n\u00e3o \u00e9 justo com essa pessoa.<br \/>Ent\u00e3o acho que <b>esse texto tamb\u00e9m \u00e9 um pedido de desculpas<\/b> para esses caras perfeitos que eu j\u00e1 conheci mas n\u00e3o consegui ficar. Eu n\u00e3o ia conseguir. Eu n\u00e3o sobrevivo fora do caos.<br \/>E a <i>Holly<\/i> tinha consci\u00eancia disso tamb\u00e9m. E \u00e9 por esse motivo que eu amo tanto <i>Bonequinha de Luxo<\/i>.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><b>As mulheres-fantasia s\u00e3o dif\u00edceis de amar. E voc\u00ea vai odi\u00e1-las por elas te fazerem amar tanto o caos<\/b>. Mas s\u00e3o elas que movem o imagin\u00e1rio das pessoas. Que servem de inspira\u00e7\u00e3o pra fazer filmes\u2026 e textos para um blog de garotas bobocas (eu amo mesmo essa palavra) como esse. Mas, quando se confrontam com a realidade, s\u00e3o garotinhas confusas em suas armaduras. <b>S\u00f3 podem ser amadas quando n\u00e3o s\u00e3o reais.<\/b><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Eu t\u00f4 nesse espectro. Talvez voc\u00ea tamb\u00e9m esteja. Mais pra <i>Penny<\/i>. Ou mais pra <i>Holly<\/i>.<br \/>Mas saiba: a b\u00ean\u00e7\u00e3o de nunca permanecer e de enjoar r\u00e1pido de lugares e amores \u00e9 que voc\u00ea pode ser uma fantasia nova a cada manh\u00e3. E, como <i>Penny<\/i>, talvez fugir pro Marrocos. Ou, como a <i>Holly<\/i>, pra Nova York. Ou como eu, que vou pra qualquer lugar do mundo desde que n\u00e3o seja os que j\u00e1 conhe\u00e7o.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">No final, voc\u00ea vai ter muitas hist\u00f3rias. \u00c0s vezes, ser algo marcante: uma rua, uma m\u00fasica, uma persona ou um sentimento forte e passageiro, \u00e9 mais libertador do que a dor de se sentir presa tentando se diminuir, porque voc\u00ea n\u00e3o pode ser demais, voc\u00ea tem que ser f\u00e1cil, tranquila, morna.<br \/><b> E ser morna \u00e9 uma pris\u00e3o para quem \u00e9 muito, para quem \u00e9 fogo, pra quem sabe que pode ser tudo \u2013 mas jamais o bastante.<\/b><br \/><b> Ser livre tamb\u00e9m \u00e9 uma escolha corajosa.<\/b><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Bom, cumpri o que eu prometi, me justifiquei com os homens legais, coloquei minha cabe\u00e7a e meu cora\u00e7\u00e3o numa bandeja de prata para voc\u00eas (e c\u00e1 entre n\u00f3s, foi horrendo e libertador para mim tamb\u00e9m).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Dito isso, eu nunca mais falo de sentimento nesta coluna. Pr\u00f3ximo <i>Teresices<\/i> vai ser sobre moda ou m\u00fasica. Espero voc\u00eas sem dia e sem hor\u00e1rio marcado.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-1135 size-large\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2025\/08\/IMG_4810-1024x602.jpeg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"602\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2025\/08\/IMG_4810-1024x602.jpeg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2025\/08\/IMG_4810-300x176.jpeg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2025\/08\/IMG_4810-768x452.jpeg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2025\/08\/IMG_4810.jpeg 1168w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><b>Beijinhos,<br \/>Tere.<\/b><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\u00a0<\/p>\n\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Teresa Vit\u00f3ria Teresices \u2013 4\/12 No \u00faltimo Teresices, falei sobre os homens, pelo menos alguns deles. 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