{"id":1140,"date":"2026-05-06T09:37:47","date_gmt":"2026-05-06T12:37:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/agencia-da-hora\/?p=1140"},"modified":"2026-05-06T09:38:21","modified_gmt":"2026-05-06T12:38:21","slug":"formacao-superior-para-indigenas-valorizando-cultura-e-identidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/agencia-da-hora\/2026\/05\/06\/formacao-superior-para-indigenas-valorizando-cultura-e-identidade","title":{"rendered":"<strong>Forma\u00e7\u00e3o superior para ind\u00edgenas: valorizando cultura e identidade<\/strong>"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Texto:<\/strong> Pedro Giordani \/ <strong>Foto:<\/strong> Carlos Eduardo Ribeiro<\/p>\n\n\n\n<p>Em entrevista \u00e0 TV Brasil, foi perguntado \u00e0 professora e fil\u00f3sofa brasileira L\u00facia Helena Galv\u00e3o o que mais espantaria Plat\u00e3o nos tempos atuais. A resposta de L\u00facia foi categ\u00f3rica: \u201cEle se espantaria, provavelmente, acima de tudo, com a nossa falta de identidade. Se voc\u00ea chega e pergunta a um ser humano: quem \u00e9 voc\u00ea? Esse ser humano vai ficar enrolado, sem saber o que dizer\u201d, responde a professora. Essa resposta revela um dos grandes dilemas contempor\u00e2neos: a crise de identidade, agravada por uma sociedade capitalista que valoriza mais o ter do que o ser.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, essa mazela presente na sociedade, que muitos chamam de \u201cevolu\u00edda\u201d, n\u00e3o se reflete na cultura ind\u00edgena. Em nossa sociedade, \u00e9 dif\u00edcil responder a uma pergunta extremamente simples como \u201cquem \u00e9 voc\u00ea?\u201d, pois a identidade \u00e9 constru\u00edda pelas profiss\u00f5es e endere\u00e7os e consequentemente os bens adquiridos. Caso os perca ou mude de localidade, o indiv\u00edduo perde tamb\u00e9m a sua identidade. J\u00e1 o ind\u00edgena sabe quem \u00e9, conhece sua origem, de onde veio e ao que pertence. Sua identidade n\u00e3o \u00e9 constru\u00edda pela aquisi\u00e7\u00e3o de bens que, cedo ou tarde, acabar\u00e3o em uma lixeira.<\/p>\n<p>Diante desse cen\u00e1rio, percebe-se a nega\u00e7\u00e3o da complexidade e da autonomia desses povos por parte dos chamados \u201cevolu\u00eddos\u201d, o que ocasiona problem\u00e1ticas de exclus\u00e3o territorial e social, impedindo os ind\u00edgenas de frequentarem lugares n\u00e3o ind\u00edgenas. Contudo, ap\u00f3s s\u00e9culos de resist\u00eancia e contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 forma\u00e7\u00e3o do Brasil, os povos origin\u00e1rios est\u00e3o cada vez mais presentes nos centros acad\u00eamicos de todo o pa\u00eds. Segundo o Censo da Educa\u00e7\u00e3o Superior do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, em 2022 o n\u00famero de estudantes ind\u00edgenas matriculados no ensino superior chegou a aproximadamente 70 mil, representando centenas de etnias. Desse total, 29% estavam em universidades p\u00fablicas e 71% em privadas, um salto expressivo em rela\u00e7\u00e3o a 2009, quando eram apenas 11,4 mil.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-1141 size-large\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-05-at-16.54.11-576x1024.jpeg\" alt=\"\" width=\"576\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-05-at-16.54.11-576x1024.jpeg 576w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-05-at-16.54.11-169x300.jpeg 169w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-05-05-at-16.54.11.jpeg 720w\" sizes=\"(max-width: 576px) 100vw, 576px\" \/><\/p>\n<p>Com esse crescimento expressivo, as universidades foram impulsionadas a repensar pol\u00edticas de acesso e perman\u00eancia. Por\u00e9m, ainda est\u00e3o longe de se tornar espa\u00e7os que acolham os povos nativos. Isso ocorre porque boa parte da sociedade ainda mant\u00e9m uma vis\u00e3o de supremacia cultural em rela\u00e7\u00e3o aos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Em discurso, a deputada federal e ativista ind\u00edgena C\u00e9lia Xakriab\u00e1 foi ao encontro da fala da fil\u00f3sofa brasileira L\u00facia Helena: \u201cAs pessoas, elas sabem o seu interesse, a profiss\u00e3o da sua m\u00e3e, mas n\u00e3o sabem de onde vem a sua identidade. E aqueles que carecem muito de saber de onde v\u00eam, n\u00e3o sabem tamb\u00e9m para onde v\u00e3o\u201d. Essa fala reflete a import\u00e2ncia dos ind\u00edgenas em todas as \u00e1reas da sociedade, e nas universidades n\u00e3o poderia ser diferente.<\/p>\n<p>Aprender e respeitar sua individualidade em todos os espa\u00e7os \u00e9 essencial para construir uma educa\u00e7\u00e3o mais humana e diversificada. Valorizar o conhecimento e a presen\u00e7a ind\u00edgena \u00e9 tamb\u00e9m um passo importante para resgatar o sentido de pertencer e reconectar o ser humano \u00e0 sua pr\u00f3pria ess\u00eancia. S\u00f3 assim poderemos, de fato, enfrentar e superar a nossa crise de identidade, reconhecendo que compreender quem somos passa, inevitavelmente, por reconhecer de onde viemos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Refer\u00eancias:<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/shorts\/_dY-4usYPcw\">https:\/\/www.youtube.com\/shorts\/_dY-4usYPcw<\/a> &#8211; fala da professora e fil\u00f3sofa brasileira L\u00facia Helena Galv\u00e3o<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/reel\/DPgXy-EDYuO\/?igsh=MWZzdzAwMm1temRqMg==\">https:\/\/www.instagram.com\/reel\/DPgXy-EDYuO\/?igsh=MWZzdzAwMm1temRqMg==<\/a> &#8211; fala da deputada federal e ativista ind\u00edgena C\u00e9lia Xakriab\u00e1 (al\u00e9m da fala recortada, usei algumas reflex\u00f5es abordadas)<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=jrwoydK4lUY&amp;list=RDjrwoydK4lUY&amp;start_radio=1\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=jrwoydK4lUY&amp;list=RDjrwoydK4lUY&amp;start_radio=1<\/a> &#8211; N\u00e3o utilizei nada especifico, mas a m\u00fasica do Fabio Brazza vai ao encontro da ideia da forma como o ind\u00edgena enxerga o mundo e a terra, questionando a ideia de \u2018\u2019sociedade evolu\u00edda \u2018\u2019que vivemos<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=36NC4G2KVoE\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=36NC4G2KVoE<\/a> &#8211; Historia e inspira\u00e7\u00e3o que levou \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da m\u00fasica do Brazza<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/numero-de-estudantes-indigenas-no-ensino-superior-cresce-mas-grupo-enfrenta-desafios-para-se-formar\">https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/numero-de-estudantes-indigenas-no-ensino-superior-cresce-mas-grupo-enfrenta-desafios-para-se-formar<\/a> &#8211; dados mencionados<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto: Pedro Giordani \/ Foto: Carlos Eduardo Ribeiro Em entrevista \u00e0 TV Brasil, foi perguntado \u00e0 professora e fil\u00f3sofa brasileira L\u00facia Helena Galv\u00e3o o que mais espantaria Plat\u00e3o nos tempos atuais. 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