{"id":255,"date":"2020-08-07T00:19:32","date_gmt":"2020-08-07T03:19:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/agencia-da-hora\/?p=255"},"modified":"2020-08-08T00:07:06","modified_gmt":"2020-08-08T03:07:06","slug":"por-que-as-informacoes-cientificas-sobre-a-covid-19-mudam-com-tanta-frequencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/agencia-da-hora\/2020\/08\/07\/por-que-as-informacoes-cientificas-sobre-a-covid-19-mudam-com-tanta-frequencia","title":{"rendered":"Por que as informa\u00e7\u00f5es cient\u00edficas sobre a Covid-19 mudam com tanta frequ\u00eancia?"},"content":{"rendered":"\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">Na checagem desta semana, procuramos entender como se d\u00e3o as informa\u00e7\u00f5es cient\u00edficas divulgadas sobre o novo coronav\u00edrus e por que elas mudam tanto.<\/span><\/i><\/p>\n<figure id=\"attachment_257\" aria-describedby=\"caption-attachment-257\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-257\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/agencia-da-hora\/wp-content\/uploads\/sites\/825\/2020\/08\/WhatsApp-Image-2020-08-07-at-12.00.13-AM-300x169.jpeg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"169\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2020\/08\/WhatsApp-Image-2020-08-07-at-12.00.13-AM-300x169.jpeg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2020\/08\/WhatsApp-Image-2020-08-07-at-12.00.13-AM-768x432.jpeg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2020\/08\/WhatsApp-Image-2020-08-07-at-12.00.13-AM.jpeg 800w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-257\" class=\"wp-caption-text\"><em>Fonte: Banco de Imagens do Google.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Com a pandemia da doen\u00e7a Covid-19 que surgiu neste ano de 2020, as vidas ao redor do mundo sofreram diversas mudan\u00e7as. Muitos quesitos do cotidiano se ressignificaram e a dissemina\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi diferente. \u00c9 poss\u00edvel perceber que as not\u00edcias sobre o novo coronav\u00edrus s\u00e3o constantes nos meios de comunica\u00e7\u00e3o e na conversa informal.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Al\u00e9m das <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">fake news<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> incessantes acerca do assunto, que tornam dif\u00edcil se manter a par das novidades, tamb\u00e9m existe a frequente mudan\u00e7a das informa\u00e7\u00f5es sobre o v\u00edrus e as condutas de preven\u00e7\u00e3o. Para entender por que os esclarecimentos cient\u00edficos sobre a Covid-19 mudam com tanta frequ\u00eancia, conversamos com profissionais da \u00e1rea da sa\u00fade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ana Paula Christ, farmac\u00eautica e professora que trabalha na produ\u00e7\u00e3o de medicamentos, explica que as not\u00edcias mudam muito pois os estudos ainda est\u00e3o sendo feitos e a ci\u00eancia continua trabalhando nisso todos os dias. \u201cConforme novos estudos s\u00e3o divulgados, novas informa\u00e7\u00f5es surgem e n\u00e3o s\u00e3o iguais em todos os locais. Isso vai sendo compartilhado e vai modificando informa\u00e7\u00f5es. Por exemplo, a quest\u00e3o do v\u00edrus: quanto tempo ele sobrevive em cada superf\u00edcie, a necessidade de usar a m\u00e1scara&#8230;\u00a0 Por que essa informa\u00e7\u00e3o muda? Depende de um estudo que chegou a um resultado e, depois, um outro estudo chegou a um resultado um pouco diferente. Ent\u00e3o, conforme v\u00e3o sendo realizadas as pesquisas, chega-se a novas conclus\u00f5es. At\u00e9 ent\u00e3o, n\u00e3o se conhecia o v\u00edrus, portanto se sabia pouco sobre ele. Agora, com o passar dos estudos, vai ficando mais f\u00e1cil conhecer um pouco mais e v\u00e3o mudando as orienta\u00e7\u00f5es\u201d, ela comenta.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Outra entrevistada, Fernanda Hernandes Figueira, doutora em Ci\u00eancias Fisiol\u00f3gicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, lembra que os dados cient\u00edficos est\u00e3o constantemente sendo retestados, e essas novas abordagens podem mudar conclus\u00f5es anteriormente publicadas, e essa \u00e9 uma premissa da ci\u00eancia que n\u00e3o \u00e9 exclusividade da Covid-19. Ela afirma: \u201cCom a Covid-19 existe maior interesse da popula\u00e7\u00e3o, pois \u00e9 uma doen\u00e7a que est\u00e1 prejudicando e atrasando a vida das pessoas. Por ser de interesse da popula\u00e7\u00e3o, a m\u00eddia divulga mais os dados cient\u00edficos que t\u00eam sido publicados recentemente, e as pessoas est\u00e3o tendo acesso a estudos que chegam a resultados que n\u00e3o s\u00e3o ainda inteiramente conclusivos\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A ci\u00eancia tem seu tempo, mas tamb\u00e9m existe a necessidade de informar o p\u00fablico\u00a0 sobre o que estamos enfrentando neste momento. Como uma tentativa de atingir essa demanda, os meios cient\u00edficos liberam dados preliminares que muitas vezes n\u00e3o s\u00e3o entendidos como preliminares pela sociedade. Ent\u00e3o, se depois aqueles dados s\u00e3o retificados, d\u00e1 a entender que a ci\u00eancia se contradisse. Entretanto, os m\u00e9todos usados cientificamente s\u00e3o propostos de forma com que exista baixa possibilidade de erros. As an\u00e1lises s\u00e3o feitas a partir de hip\u00f3teses que s\u00f3 s\u00e3o comprovadas quando existem evid\u00eancias da veracidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Como esse \u00e9 um v\u00edrus novo, as perguntas est\u00e3o surgindo agora, e as pesquisas est\u00e3o sendo realizadas recentemente tamb\u00e9m. Em termos de ci\u00eancia, tudo ainda \u00e9 novidade e depende dos protocolos cient\u00edficos a serem seguidos para uma nova an\u00e1lise e pesquisa. A farmac\u00eautica Ana Paula Christ aponta que, por exemplo, a elabora\u00e7\u00e3o de um medicamento tem uma s\u00e9rie de etapas a serem seguidas. Em geral, desde a primeira, que seria conhecer uma mol\u00e9cula de um composto, at\u00e9 a fase final, que seria a comercializa\u00e7\u00e3o do produto, podem levar de 10 a 12 anos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">As pesquisas para a cria\u00e7\u00e3o de um novo medicamento s\u00e3o divididas em duas etapas: a de pesquisas pr\u00e9-cl\u00ednicas e a de pesquisas cl\u00ednicas. A etapa pr\u00e9-cl\u00ednica tem como objetivo avaliar se a subst\u00e2ncia candidata a medicamento \u00e9 eficaz no tratamento da doen\u00e7a e se ela \u00e9 segura. Em geral, os testes come\u00e7am <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">in vitro<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, ou seja, em uma cultura de c\u00e9lulas sem o uso de animais. Depois, os testes passam a ser realizados em modelos experimentais. S\u00e3o animais usados para mimetizar a doen\u00e7a e compreender os mecanismos de a\u00e7\u00e3o das subst\u00e2ncias em um organismo. De cada mil subst\u00e2ncias testadas na etapa de pesquisa pr\u00e9-cl\u00ednica, somente 10 passam para a segunda etapa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Fernanda Hernandes Figueira acrescenta: \u201cExistem protocolos que devem ser seguidos para a realiza\u00e7\u00e3o de pesquisas cl\u00ednicas para o desenvolvimento de novos medicamentos. Primeiro, \u00e9 preciso que a escolha dos participantes seja aleat\u00f3ria. Al\u00e9m disso, existe a necessidade de um esquema de administra\u00e7\u00e3o da droga em que o pesquisador e o participante n\u00e3o podem saber se a droga que est\u00e1 sendo administrada \u00e9 a droga de fato ou \u00e9 um placebo. Esses crit\u00e9rios impedem que as cren\u00e7as pr\u00e9-concebidas do pesquisador e dos participantes interfiram no resultado da pesquisa. Existe tamb\u00e9m um tempo necess\u00e1rio para aprova\u00e7\u00e3o e registro das subst\u00e2ncias nas ag\u00eancias reguladoras, como a Anvisa, aqui no Brasil\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Compreende-se, ent\u00e3o, que as informa\u00e7\u00f5es sobre a Covid-19 e os m\u00e9todos de preven\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a durante essa pandemia n\u00e3o mudam, mas, sim, s\u00e3o atualizados. Todos os cientistas que trabalham na procura de medicamentos e no entendimento do v\u00edrus est\u00e3o em constante estudo e an\u00e1lise do novo coronav\u00edrus.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Texto: Isabela Vanzin da Rocha<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Apura\u00e7\u00e3o: Igor Mussolin e Taiane Centenaro Borges<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na checagem desta semana, procuramos entender como se d\u00e3o as informa\u00e7\u00f5es cient\u00edficas divulgadas sobre o novo coronav\u00edrus e por que elas mudam tanto. Com a pandemia da doen\u00e7a Covid-19 que surgiu neste ano de 2020, as vidas ao redor do mundo sofreram diversas mudan\u00e7as. 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