{"id":330,"date":"2021-05-17T17:15:25","date_gmt":"2021-05-17T20:15:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/agencia-da-hora\/?p=330"},"modified":"2021-05-17T17:15:27","modified_gmt":"2021-05-17T20:15:27","slug":"como-as-plataformas-digitais-lidam-com-a-desinformacao-sobre-a-covid-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/agencia-da-hora\/2021\/05\/17\/como-as-plataformas-digitais-lidam-com-a-desinformacao-sobre-a-covid-19","title":{"rendered":"Como as plataformas digitais lidam com a desinforma\u00e7\u00e3o sobre a Covid-19?"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"text-align: center\"><i><span style=\"font-weight: 400\">A desinforma\u00e7\u00e3o atinge as mais variadas esferas da sociedade, entretanto, com a pandemia, as informa\u00e7\u00f5es sem embasamento foram direcionadas para pautas de sa\u00fade. Assim, as plataformas digitais amplificaram esses discursos, prejudicando o enfrentamento \u00e0 Covid-19. Por isso, nesta semana, entrevistamos pesquisadores que explicam o papel das plataformas digitais diante desse problema.<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">As not\u00edcias antes concentradas na televis\u00e3o, no r\u00e1dio e nos jornais, hoje em dia est\u00e3o presentes tamb\u00e9m nas plataformas digitais, como o Youtube. O ambiente online, com milhares de visualiza\u00e7\u00f5es todos os dias, se tornou prop\u00edcio para circula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es falsas e descontextualizadas, que com a vinda da covid-19 se intensificou.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Considerando a gravidade do momento em que vivemos, a pesquisa e a ci\u00eancia s\u00e3o fundamentais para proteger a popula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es falsas. Nesse contexto, a jornalista e doutoranda no Departamento de Pol\u00edtica Cient\u00edfica e Tecnol\u00f3gica da Unicamp, Dayane Machado, desenvolve pesquisa sobre desinforma\u00e7\u00e3o em sa\u00fade. Em entrevista, ela diferencia a informa\u00e7\u00e3o incorreta como um erro de comunica\u00e7\u00e3o que rapidamente \u00e9 corrigido, enquanto a desinforma\u00e7\u00e3o \u00e9 criada a partir de uma mentira e distribu\u00edda para confundir a popula\u00e7\u00e3o. A jornalista ressalta: \u201cExistem estrat\u00e9gias e interesses por tr\u00e1s desse material, uma maneira de usar a desinforma\u00e7\u00e3o para benef\u00edcio pr\u00f3prio \u00e9 criando uma campanha de divulga\u00e7\u00e3o nas redes.\u201d\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em sua pesquisa de Doutorado, Dayane estuda a exist\u00eancia de perfis suscet\u00edveis a consumirem esse tipo de conte\u00fado. A jornalista explica que esses perfis s\u00e3o cada vez em maior n\u00famero e variados, j\u00e1 que nos tornamos mais vulner\u00e1veis ao consumo desse tipo de material em momentos de ansiedade como o que estamos vivendo. A pesquisadora pontua: \u201cO que todas essas pessoas t\u00eam em comum \u00e9 uma desconfian\u00e7a excessiva, muito forte em rela\u00e7\u00e3o a qualquer institui\u00e7\u00e3o oficial, ent\u00e3o \u00e9 comum que ataquem a imprensa, institui\u00e7\u00f5es de ensino e pesquisa, ag\u00eancias oficiais de sa\u00fade e ao mesmo tempo tentam se promover como fontes alternativas\u201d. <\/span><span style=\"font-weight: 400\"><br \/><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A internet se tornou um ambiente f\u00e9rtil para dissemina\u00e7\u00e3o de not\u00edcias falsas, o poder de alcance das redes torna a desinforma\u00e7\u00e3o ainda mais dif\u00edcil de ser controlada. Segundo Dayane, as plataformas online lucram em cima de an\u00fancios, assim quanto mais tempo o usu\u00e1rio acompanha determinado conte\u00fado mais a plataforma pode monetizar o material. Por meio desse mecanismo, as produ\u00e7\u00f5es que causam impacto nos consumidores acabam tendo maior engajamento e, consequentemente, s\u00e3o tamb\u00e9m mais lucrativas. Sobre isso, Dayane afirma: \u201cConte\u00fados extremos, ou que consigam gerar rea\u00e7\u00f5es muito fortes como \u00f3dio, indigna\u00e7\u00e3o ou identifica\u00e7\u00e3o muito profunda, s\u00e3o capazes de gerar muito engajamento. Capazes de segurar a aten\u00e7\u00e3o do usu\u00e1rio.\u201d <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Assim, al\u00e9m de inibir a cria\u00e7\u00e3o e dissemina\u00e7\u00e3o de conte\u00fado falacioso, outro desafio \u00e9 enfrentar o esquema lucrativo adotado pelas plataformas digitais que obt\u00e9m lucro com a desinforma\u00e7\u00e3o. Dayane destaca: \u201cO desafio maior \u00e9 a infraestrutura das pr\u00f3prias plataformas que se beneficiam com esse tipo de conte\u00fado. Enquanto a desinforma\u00e7\u00e3o for um neg\u00f3cio oportuno e lucrativo, ela vai continuar sendo privilegiada.\u201d<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_331\" aria-describedby=\"caption-attachment-331\" style=\"width: 1076px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-331\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2021\/05\/photo-1585559605151-d4da31836a99.jpg\" alt=\"\" width=\"1076\" height=\"717\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2021\/05\/photo-1585559605151-d4da31836a99.jpg 750w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2021\/05\/photo-1585559605151-d4da31836a99-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2021\/05\/photo-1585559605151-d4da31836a99-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 1076px) 100vw, 1076px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-331\" class=\"wp-caption-text\">A desinforma\u00e7\u00e3o sobre sa\u00fade afeta diretamente os h\u00e1bitos da sociedade. Cr\u00e9ditos: UnsplashPhotos<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em meio \u00e0 crise de informa\u00e7\u00e3o que vivemos, material criado em 2011 que re\u00fane dicas de prote\u00e7\u00e3o ao cidad\u00e3o na internet foi atualizado no ano passado, baseado em pesquisas recentes. Traduzido por Dayane, o manual explica de que maneira surge a desinforma\u00e7\u00e3o e quais as melhores estrat\u00e9gias para n\u00e3o dar mais visibilidade. A pesquisadora relata: \u201cPara conhecer as t\u00e1ticas de informa\u00e7\u00e3o mais comuns, e tamb\u00e9m para aprender como desmentir boatos de forma adequada, existe o Manual da Desmitifica\u00e7\u00e3o.\u201d O manual completo est\u00e1 dispon\u00edvel neste link: <\/span><a href=\"https:\/\/skepticalscience.com\/translationblog.php?n=4886&amp;l=10\"><span style=\"font-weight: 400\">Manual da Desmistifica\u00e7\u00e3o 2020<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Seguindo a linha de pesquisa sobre a desinforma\u00e7\u00e3o e a pandemia, conversamos tamb\u00e9m com o jornalista e doutor em<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> Comunica\u00e7\u00e3o e Informa\u00e7\u00e3o pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Felipe Bonow Soares. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Membro do Grupo de Pesquisa em M\u00eddia, Discurso e An\u00e1lise de Redes Sociais (Midiars)<\/span><span style=\"font-weight: 400\">, ele <\/span><span style=\"font-weight: 400\">fala sobre estrat\u00e9gias pr\u00f3prias para aumentar o engajamento de not\u00edcias descontextualizadas, baseadas em mensagens com comandos de a\u00e7\u00f5es e comunicados de urg\u00eancia. Felipe explica: &#8220;Essas caracter\u00edsticas tanto das plataformas de possibilitar o repasse do conte\u00fado, deixar gravado e a chance de viralizar o conte\u00fado dificultam o combate\u201d. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">As plataformas digitais, como portais para desinforma\u00e7\u00e3o, s\u00e3o uma preocupa\u00e7\u00e3o para os pesquisadores. Sobre isso, Felipe cita como exemplo v\u00eddeos que promovem a hidroxicloroquina como tratamento da Covid-19 e foram retirados de circula\u00e7\u00e3o do Youtube de forma tardia, refor\u00e7ando a promo\u00e7\u00e3o de um medicamento prejudicial para sa\u00fade e sem comprova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. O pesquisador explica: \u201cV\u00e1rios desses v\u00eddeos que foram exclu\u00eddos agora em 2021, j\u00e1 estavam dispon\u00edveis desde o ano passado e j\u00e1 vem sendo utilizados para argumentar a favor de um medicamento que apresentam evid\u00eancias cient\u00edficas de preju\u00edzos para sa\u00fade e n\u00e3o ajudam no tratamento da doen\u00e7a.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para o pesquisador, as plataformas devem identificar e barrar a publica\u00e7\u00e3o de conte\u00fados falaciosos. \u201cNo Youtube, com conte\u00fados em audiovisual e muitas vezes com v\u00eddeos longos de 20 a 30 minutos, demanda m\u00e9todos e formas mais complexas. Como trabalho humano, pessoas que possam assistir os v\u00eddeos e n\u00e3o somente uma intelig\u00eancia artificial. Alguns tipos de tecnologia podem auxiliar, mas depois analisados por outras pessoas\u201d, avalia Felipe.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A desinforma\u00e7\u00e3o e seu impacto na sociedade \u00e9 tema de pesquisa n\u00e3o apenas na \u00e1rea da Comunica\u00e7\u00e3o. Por isso, entrevistamos o doutorando em Administra\u00e7\u00e3o (UFSC) que <\/span><span style=\"font-weight: 400\">i<\/span><span style=\"font-weight: 400\">ntegra o grupo de pesquisa NICO (N\u00facleo de Intelig\u00eancia Competitiva Estrat\u00e9gica Organizacional em Marketing e Log\u00edstica), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Jo\u00e3o Henriques de Sousa J\u00fanior ressalta como a not\u00edcia falsa n\u00e3o surge repentinamente, por tr\u00e1s existem interesses e algum vi\u00e9s de verdade demonstrando como a manipula\u00e7\u00e3o acontece. \u201cNesse aspecto [a desinforma\u00e7\u00e3o] cresceu muito, usam uma meia verdade e manipulam, por isso muitas pessoas terminam acreditando\u201d, atesta. Jo\u00e3o tamb\u00e9m fala do paradoxo das redes: \u201cAo mesmo tempo que a tecnologia tem sido ben\u00e9fica para comunica\u00e7\u00e3o, ao mesmo passo \u00e9 mal\u00e9fica no sentido de n\u00e3o existir normas. Agora estamos dando os primeiros passos para as normas\u201d .<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O pesquisador tamb\u00e9m reafirma a import\u00e2ncia da educa\u00e7\u00e3o no combate \u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o, a forma\u00e7\u00e3o de cidad\u00e3os cr\u00edticos, educar para entender e se comportar na internet, reconhecer as manipula\u00e7\u00f5es. \u201cMesmo que tendam a pensar que \u00e9 verdade, antes de compartilhar, se forem educadas para internet elas v\u00e3o procurar qual a fonte, se o v\u00eddeo est\u00e1 na \u00edntegra, se aquela imagem n\u00e3o houve manipula\u00e7\u00e3o.\u201d Jo\u00e3o observa que a alfabetiza\u00e7\u00e3o digital \u00e9 t\u00e3o fundamental quanto a alfabetiza\u00e7\u00e3o convencional: \u201cN\u00e3o acreditar em tudo que estamos lendo, e possamos buscar\u201d, afirma o pesquisador.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: right\">Reportagem: Camila Amorim e Fernanda Vasconcellos<\/p>\n<p style=\"text-align: right\">Edi\u00e7\u00e3o: Luciana Carvalho<\/p>\n\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A desinforma\u00e7\u00e3o atinge as mais variadas esferas da sociedade, entretanto, com a pandemia, as informa\u00e7\u00f5es sem embasamento foram direcionadas para pautas de sa\u00fade. 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