{"id":413,"date":"2021-08-31T18:18:22","date_gmt":"2021-08-31T21:18:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/agencia-da-hora\/?p=413"},"modified":"2021-08-31T18:42:43","modified_gmt":"2021-08-31T21:42:43","slug":"entrevista-historiadora-revelou-perseguicao-politica-aos-trabalhistas-em-frederico-westphalen","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/agencia-da-hora\/2021\/08\/31\/entrevista-historiadora-revelou-perseguicao-politica-aos-trabalhistas-em-frederico-westphalen","title":{"rendered":"Entrevista: historiadora revelou persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica aos trabalhistas em Frederico Westphalen"},"content":{"rendered":"\n<p>A historiadora, professora, escritora e doutora em Hist\u00f3ria Elenice Szatkoski relembra, em entrevista ao Cultur\u00e1lia, como come\u00e7ou sua pesquisa sobre a persegui\u00e7\u00e3o aos trabalhistas, em Frederico Westphalen, e destaca pontos que mais lhe marcaram na produ\u00e7\u00e3o de seus livros.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<figure id=\"attachment_415\" aria-describedby=\"caption-attachment-415\" style=\"width: 720px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-415\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2021\/08\/WhatsApp-Image-2021-08-31-at-15.42.47.jpeg\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"480\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2021\/08\/WhatsApp-Image-2021-08-31-at-15.42.47.jpeg 720w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2021\/08\/WhatsApp-Image-2021-08-31-at-15.42.47-300x200.jpeg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2021\/08\/WhatsApp-Image-2021-08-31-at-15.42.47-272x182.jpeg 272w\" sizes=\"(max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-415\" class=\"wp-caption-text\">Elenice com alguns de seus livros. Foto: arquivo pessoal \/ Jornal Folha do Noroeste<\/figcaption><\/figure>\n<p>Elenice trabalhava no arquivo hist\u00f3rico, que foi criado em 1997 em Frederico Westphalen, quando foi chamada para selecionar documentos que estavam jogados em frente \u00e0 antiga Inspetoria de Terras. No meio dos documentos, foi encontrada uma carta acusat\u00f3ria do ent\u00e3o vereador Enio Flores de Andrade (UDN, na \u00e9poca), em que ele acusava pessoas ligadas \u00e0 cooperativa rec\u00e9m fundada, e ao PTB, de integrar o chamado Grupo dos 11. \u201cO grupo dos 11 foi fundado por Leonel Brizola, que fazia suas palestras na r\u00e1dio \u00e0 meia noite, porque o sinal era mais limpo e poucas fam\u00edlias tinham r\u00e1dio\u201d, explica.<\/p>\n<p>Segundo Elenice, \u201cnessas palestras, o Brizola falava na necessidade de construir grupos de 11 pessoas e nenhum poderia saber da exist\u00eancia de outro grupo. E foi se criando esse imagin\u00e1rio e narrativa de que na nossa regi\u00e3o tinha comunistas\u201d, que na verdade eram pessoas ligadas ao PTB da \u00e9poca.<\/p>\n<p>A partir da carta, a historiadora come\u00e7ou sua pesquisa sobre a ditadura militar e a persegui\u00e7\u00e3o aos trabalhistas em Frederico Westphalen. Dois de seus livros abordam a tem\u00e1tica: &#8216;Os Grupos dos 11 &#8211; uma insurrei\u00e7\u00e3o reprimida&#8217; e &#8216;O Jornal Panfleto e a constru\u00e7\u00e3o do brizolismo&#8217;.\u00a0<\/p>\n<p>Nos relatos, h\u00e1 depoimentos de \u201cpessoas contando que o Ex\u00e9rcito chegou em Frederico em mar\u00e7o de 1974, come\u00e7aram a prend\u00ea-los no fundo da delegacia de pol\u00edcia, os chamavam de comunistas e macacos porque eles ficavam agachados. Mas eles n\u00e3o eram comunistas, eram do PTB, e o que poderia ocorrer era a deposi\u00e7\u00e3o do Jo\u00e3o Goulart, que foi o que se sucedeu\u201d, argumenta a pesquisadora.<\/p>\n<p>H\u00e1 momentos de muita emo\u00e7\u00e3o contados pela escritora: \u201cEu me emocionei com o relato de um homem que ficou recluso, que chorou enquanto deu a entrevista, que estava morando em uma cabana. E um deles n\u00e3o conseguia falar, apenas escreveu e chorou muito enquanto falava desse per\u00edodo, ele era uma pessoa letrada e que escrevia bem, al\u00e9m de ser ligado \u00e0 cooperativa, sendo totalmente discriminado. Onde eles ficavam tinham arames farpados e era dif\u00edcil quando as pessoas passavam e chamavam de comunista por estarem agachados sendo chamados de macacos. E ouvir os filhos dessas pessoas foi um relato de um momento de muita dificuldade e de sofrimento\u201d.<\/p>\n<p>Elenice argumenta sobre a import\u00e2ncia desses fatos se tornarem p\u00fablicos: \u201cAs pessoas n\u00e3o t\u00eam consci\u00eancia porque se negam a entender melhor o que aconteceu e a import\u00e2ncia de ter uma hist\u00f3ria revelada que coloca a verdade despida, as pessoas n\u00e3o querem enxergar que houve esse momento, por isso a import\u00e2ncia desses depoimentos\u201d, argumenta.<\/p>\n<p>Ela complementa: \u201cEram pessoas que tinham jornal, uma vida pol\u00edtica e um pensamento diferenciado, e acabaram sofrendo danos morais. Como se ferir essas pessoas fosse terminar a vis\u00e3o cr\u00edtica de sociedade que temos. Foi um resgate das pessoas que morreram e n\u00e3o puderam falar nada. E o Brizola era uma voz que denunciava o que estava acontecendo.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><strong>Reportagem:<\/strong> Giorgina Reategui Navarro<\/p>\n<p style=\"text-align: right\">Mat\u00e9ria produzida na disciplina Reda\u00e7\u00e3o Jornal\u00edstica II, do curso de Jornalismo do Campus da UFSM em Frederico Westphalen, no 1\u00ba semestre de 2021, ministrada pela Professora Luciana Carvalho.\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A historiadora, professora, escritora e doutora em Hist\u00f3ria Elenice Szatkoski relembra, em entrevista ao Cultur\u00e1lia, como come\u00e7ou sua pesquisa sobre a persegui\u00e7\u00e3o aos trabalhistas, em Frederico Westphalen, e destaca pontos que mais lhe marcaram na produ\u00e7\u00e3o de seus livros. \u00a0 Elenice trabalhava no arquivo hist\u00f3rico, que foi criado em 1997 em Frederico Westphalen, quando foi [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2624,"featured_media":415,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"episode_type":"","audio_file":"","cover_image":"","cover_image_id":"","duration":"","filesize":"","date_recorded":"","explicit":"","block":"","filesize_raw":"","footnotes":""},"categories":[9,2],"tags":[],"class_list":["post-413","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaques","category-noticias"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/agencia-da-hora\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/413","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/agencia-da-hora\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/agencia-da-hora\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/agencia-da-hora\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2624"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/agencia-da-hora\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=413"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/agencia-da-hora\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/413\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/agencia-da-hora\/wp-json\/wp\/v2\/media\/415"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/agencia-da-hora\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=413"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/agencia-da-hora\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=413"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/agencia-da-hora\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=413"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}