{"id":448,"date":"2021-09-01T02:10:09","date_gmt":"2021-09-01T05:10:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/agencia-da-hora\/?p=448"},"modified":"2021-09-01T02:10:11","modified_gmt":"2021-09-01T05:10:11","slug":"inclusao-e-acessibilidade-as-dificuldades-enfrentadas-por-mulheres-gordas-e-pcds","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/agencia-da-hora\/2021\/09\/01\/inclusao-e-acessibilidade-as-dificuldades-enfrentadas-por-mulheres-gordas-e-pcds","title":{"rendered":"Inclus\u00e3o e acessibilidade: as dificuldades enfrentadas por mulheres gordas e PcDs"},"content":{"rendered":"\n<figure id=\"attachment_449\" aria-describedby=\"caption-attachment-449\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-449\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2021\/09\/Imagem11-1024x576.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"576\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2021\/09\/Imagem11-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2021\/09\/Imagem11-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2021\/09\/Imagem11-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2021\/09\/Imagem11.jpg 1318w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-449\" class=\"wp-caption-text\">Inclus\u00e3o e acessibilidade devem andar juntas. Foto: Getty Imagens.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Quando se fala em inclus\u00e3o e acessibilidade, \u00e9 necess\u00e1rio que sejam mencionados todos os tipos de pessoas abarcadas por suas pautas e que se compreenda o que significa cada termo. A Inclus\u00e3o \u00e9 um conjunto de a\u00e7\u00f5es para combater a exclus\u00e3o de pessoas vistas como diferentes, oferecendo oportunidades iguais de acesso. J\u00e1 a acessibilidade \u00e9 a possibilidade de acesso com condi\u00e7\u00f5es de utiliza\u00e7\u00e3o com seguran\u00e7a e autonomia, seja em espa\u00e7os p\u00fablicos ou privados.<\/p>\n<p>Com isso, percebe-se a import\u00e2ncia da acessibilidade para que haja inclus\u00e3o, independentemente do espa\u00e7o. Assim, que tipo de inclus\u00e3o acontece em uma sociedade, sem todos terem acesso aos locais? Se o ambiente n\u00e3o \u00e9 minimamente acess\u00edvel, a sociedade inclui e \u00e9 constru\u00edda para quem?<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 um dos pa\u00edses com maior territ\u00f3rio e popula\u00e7\u00e3o do mundo. Segundo estimativa do IBGE, o pa\u00eds possui mais de 211,7 milh\u00f5es de habitantes. Desse n\u00famero, 46 milh\u00f5es possuem algum grau de dificuldade para enxergar, ouvir, caminhar, subir degraus, ou possuem alguma defici\u00eancia mental ou intelectual (Censo de 2010). Al\u00e9m disso, 12,5 milh\u00f5es de habitantes possuem grande ou total dificuldade nesses aspectos, ou seja, s\u00e3o pessoas que possuem alguma defici\u00eancia.<\/p>\n<p>Entretanto, apesar de um n\u00famero significativo de pessoas possu\u00edrem algum tipo de dificuldade, grande ou pequena, a sociedade n\u00e3o \u00e9 totalmente acess\u00edvel. As lojas n\u00e3o possuem rampas de acesso, as escolas n\u00e3o s\u00e3o adaptadas \u00e0 realidade de todos os alunos, os restaurantes n\u00e3o possuem card\u00e1pios com linguagem em braille, nem todos os professores sabem a L\u00edngua Brasileira de Sinais (LIBRAS), seja nas institui\u00e7\u00f5es de ensino como tamb\u00e9m nas autoescolas.<\/p>\n<p>A estudante do Ensino M\u00e9dio T\u00e9cnico em Administra\u00e7\u00e3o no IFPR \u2013 Campus Avan\u00e7ado Barrac\u00e3o, ativista no movimento anticapacista e defensora dos direitos das pessoas com defici\u00eancia, Rafaela Hart, traz seu ponto de vista enquanto mulher com defici\u00eancia motora. Ela afirma se sentir mais inclu\u00edda na sociedade atualmente, ressaltando o fato de que outras pessoas lutaram para que a sociedade se tornasse minimamente acess\u00edvel para que ela se sentisse assim. Apesar disso, \u201ca inclus\u00e3o perfeita est\u00e1 longe de existir e o caminho ainda \u00e9 longo\u201d, menciona.<\/p>\n<figure id=\"attachment_450\" aria-describedby=\"caption-attachment-450\" style=\"width: 381px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-450 size-full\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2021\/09\/Imagem12.jpg\" alt=\"\" width=\"381\" height=\"737\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2021\/09\/Imagem12.jpg 381w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2021\/09\/Imagem12-155x300.jpg 155w\" sizes=\"(max-width: 381px) 100vw, 381px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-450\" class=\"wp-caption-text\">Rafaela Hart. Foto: Arquivo Pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<p>Pessoas gordas ou com sobrepeso tamb\u00e9m sofrem com a falta de acessibilidade nos espa\u00e7os que frequentam. Equipamentos de exames rotineiros que n\u00e3o suportam pesos elevados, lojas que n\u00e3o possuem roupas de tamanhos grandes, poltronas de \u00f4nibus e avi\u00e3o que n\u00e3o contemplam o tamanho de todas as pessoas, entre tantas outras quest\u00f5es.<\/p>\n<p>A arquiteta, designer e empreendedora no munic\u00edpio de Dion\u00edsio Cerqueira\/SC, Lissara Filipini, diz que \u201c\u00e9 como se as pessoas gordas n\u00e3o existissem\u201d, pois a sociedade \u00e9 constru\u00edda e mantida para as pessoas magras e\/ou \u201cn\u00e3o gordas\u201d, os espa\u00e7os s\u00e3o acess\u00edveis somente a elas e se esquece do fato de existirem corpos diferentes.<\/p>\n<figure id=\"attachment_451\" aria-describedby=\"caption-attachment-451\" style=\"width: 635px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-451 size-full\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2021\/09\/Imagem13.jpg\" alt=\"\" width=\"635\" height=\"748\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2021\/09\/Imagem13.jpg 635w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2021\/09\/Imagem13-255x300.jpg 255w\" sizes=\"(max-width: 635px) 100vw, 635px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-451\" class=\"wp-caption-text\">Lissara. Foto: arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<p>Entre todas essas quest\u00f5es, as mulheres gordas e\/ou com alguma defici\u00eancia sofrem ainda mais, como \u00e9 evidenciado nas falas das entrevistadas. A sociedade n\u00e3o espera que uma mulher que seja totalmente diferente do padr\u00e3o vigente e, assim, n\u00e3o desenvolve formas de incluir essas mulheres. As escritoras Naomi Wolf e Alexandra Gurgel escreveram sobre a quest\u00e3o do padr\u00e3o de beleza em seus livros, trazendo diversas reflex\u00f5es sobre esse conceito que exclui tantas mulheres da sociedade.<\/p>\n<p>Alexandra Gurgel aponta, em seu livro \u2018Pare de se Odiar\u2019, que o machismo e o patriarcado est\u00e3o na raiz dos problemas, seja na desigualdade salarial, na viol\u00eancia contra a mulher ou no controle sobre a vida e o corpo delas. N\u00e3o muito diferente deste conceito, Naomi Wolf tamb\u00e9m ressalta, em sua obra \u2018O Mito na Beleza\u2019, que \u201co mito da beleza n\u00e3o tem absolutamente nada a ver com as mulheres. Ele gira em torno das institui\u00e7\u00f5es masculinas e do poder institucional dos homens\u201d.<\/p>\n<p>As quest\u00f5es trazidas por Gurgel e Wolf tamb\u00e9m atormentaram Lissara e Rafaela em algum momento de suas vidas. Lissara, com 24 anos, afirma que mesmo estando tranquila com o seu peso, n\u00e3o se sente confort\u00e1vel em ir a festas fechadas ou barzinhos, pois parece que s\u00f3 tem ela ali. \u201cAlgu\u00e9m te convida para ir em algum lugar e voc\u00ea j\u00e1 fica pensando [&#8230;] \u2018n\u00e3o tenho roupa para ir\u2019, \u2018n\u00e3o tenho onde comprar uma roupa para ir\u2019. Aquele pensamento fica na sua cabe\u00e7a at\u00e9 que voc\u00ea desiste de sair e, a\u00ed, vem a solid\u00e3o, n\u00e9?! A solid\u00e3o da pessoa gorda\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>J\u00e1 Rafaela, hoje com 18 anos, afirma que a rela\u00e7\u00e3o com o seu corpo \u00e9 muito melhor do que h\u00e1 3 anos, por exemplo. Apesar de que ningu\u00e9m acorda todos os dias se amando, ela diz: \u201choje fiz as pazes com o meu corpo e com a minha defici\u00eancia\u201d. Rafaela ainda ressalta que o que a ajudou nesse processo foi a representatividade que a internet traz, com pessoas reais mostrando sua vida e os desafios que enfrentam, pois, \u201cpoder se sentir representada \u00e9 um grande avan\u00e7o para a aceita\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Rafaela aponta que j\u00e1 sofreu diversos tipos de preconceito ao, simplesmente, frequentar espa\u00e7os e circular pela cidade, como risadas, piadinhas sobre seu corpo, seu jeito de andar, al\u00e9m de olhares tortos ou at\u00e9 mudarem de cal\u00e7ada ao v\u00ea-la. Ela afirma que as mulheres com defici\u00eancia est\u00e3o mais sujeitas a sofrer em relacionamentos abusivos, porque o capacitismo est\u00e1 sempre presente em suas vidas, mesmo em um relacionamento amoroso.<\/p>\n<p>Lissara tamb\u00e9m compartilha sobre suas experi\u00eancias nesse sentido. Ela conta que j\u00e1 foi maltratada e mal atendida em lojas de sua cidade ao ir em busca de roupas, ouvindo coisas do tipo: \u201caqui n\u00e3o tem nada para voc\u00ea\u201d, \u201cnada te serve\u201d. O que \u00e9 a coisa mais simples para algumas pessoas, para outras \u00e9 um desespero. E isso dificulta e impacta em outras quest\u00f5es, como ela mencionava anteriormente que ainda n\u00e3o se sente confort\u00e1vel em determinados locais e que, por vezes, prefere n\u00e3o sair de casa para n\u00e3o sofrer com a falta de acessibilidade.<\/p>\n<p>Dessa forma, fica clara a import\u00e2ncia de falar em acessibilidade para gerar inclus\u00e3o. Para Rafaela, \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o falar em inclus\u00e3o e acessibilidade hoje em dia, \u201c\u00e9 preciso incluir para conhecer, para aceitar\u201d, afirma. Ela ainda ressalta que \u201cpessoas com defici\u00eancia est\u00e3o cansadas de esperar a promessa do \u2018depois\u2019: \u2018depois a acessibilidade vem\u2019, \u2018depois quando esse lugar estiver adaptado para voc\u00ea, voc\u00ea vai\u2019\u201d. As empresas, p\u00fablicas ou privadas, precisam estar adaptadas a todas as pessoas, pois, como Rafaela menciona, \u201cpessoas com defici\u00eancia existem, bebem, se divertem, [&#8230;] v\u00e3o a bares, v\u00e3o para as universidades, v\u00e3o \u00e0 escola\u201d.<\/p>\n<p>Com locais acess\u00edveis e tendo representatividade, ou seja, mulheres gordas, com defici\u00eancia e\/ou mobilidade reduzida ocupando esses espa\u00e7os, a inclus\u00e3o ser\u00e1 alcan\u00e7ada, pois a falta de acesso s\u00f3 gera a exclus\u00e3o dessas pessoas. Como afirma Rafaela, \u201cningu\u00e9m perde por incluir, pelo contr\u00e1rio, todos ganham, ganham conhecimento, trocas de experi\u00eancias e viv\u00eancias. \u00c9 preciso que pessoas reais sejam visibilizadas.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><strong>Reportagem:<\/strong> J\u00falia de S\u00e1<\/p>\n<p style=\"text-align: right\">Mat\u00e9ria produzida na disciplina Reda\u00e7\u00e3o Jornal\u00edstica II, do curso de Jornalismo do Campus da UFSM em Frederico Westphalen, no 1\u00ba semestre de 2021, ministrada pela Professora Luciana Carvalho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando se fala em inclus\u00e3o e acessibilidade, \u00e9 necess\u00e1rio que sejam mencionados todos os tipos de pessoas abarcadas por suas pautas e que se compreenda o que significa cada termo. A Inclus\u00e3o \u00e9 um conjunto de a\u00e7\u00f5es para combater a exclus\u00e3o de pessoas vistas como diferentes, oferecendo oportunidades iguais de acesso. 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