{"id":456,"date":"2021-09-01T03:08:19","date_gmt":"2021-09-01T06:08:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/agencia-da-hora\/?p=456"},"modified":"2021-09-01T03:08:22","modified_gmt":"2021-09-01T06:08:22","slug":"como-e-bom-poder-tocar-um-instrumento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/agencia-da-hora\/2021\/09\/01\/como-e-bom-poder-tocar-um-instrumento","title":{"rendered":"Como \u00e9 bom poder tocar um instrumento"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Cr\u00f4nica<\/em> \/ <em>Reportagem em 1\u00aa Pessoa<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_457\" aria-describedby=\"caption-attachment-457\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-457\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2021\/09\/Imagem15-1024x640.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"640\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2021\/09\/Imagem15-1024x640.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2021\/09\/Imagem15-300x188.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2021\/09\/Imagem15-768x480.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2021\/09\/Imagem15.jpg 1299w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-457\" class=\"wp-caption-text\">Que significados a m\u00fasica tem para voc\u00ea?. Foto: Pixabay<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cComo \u00e9 bom poder tocar um instrumento\u201d, j\u00e1 dizia Caetano Veloso, sujeito que fez seu nome e j\u00e1 deixou sua marca no Brasil e no mundo com sua m\u00fasica.\u00a0 M\u00fasica essa que existe h\u00e1 quase tanto tempo quanto a pr\u00f3pria humanidade. Acredita-se que desde que o ser humano come\u00e7ou a se organizar em tribos primitivas pela \u00c1frica, a m\u00fasica era parte integrante do cotidiano dessas pessoas. Essa forma de express\u00e3o possui a capacidade est\u00e9tica de traduzir os sentimentos, atitudes e valores culturais de um povo ou na\u00e7\u00e3o. A m\u00fasica \u00e9 uma linguagem local e global.<\/p>\n<p>Sabemos, te\u00f3rica ou intuitivamente, que quando nos sentimos conectados com a m\u00fasica, ela tem o poder de nos proporcionar momentos de imensa alegria, nos ajudar a expressar a tristeza e a raiva, causar reflex\u00f5es das mais diversas naturezas, nos interligar a pessoas com as quais compartilhamos gostos, nos fazer lembrar de pessoas queridas (ou nem tanto) e nos fazer sonhar com o que est\u00e1 por vir. Mas o que a m\u00fasica significa para n\u00f3s, que temos os instrumentos como companheiros e, podemos dizer, grandes amigos?<\/p>\n<p>Eu, Camila, n\u00e3o tenho mem\u00f3rias anteriores \u00e0 m\u00fasica em minha vida, nasci no momento em que Jonatan da Silva Oliveira, meu irm\u00e3o, com oito anos na \u00e9poca, tirava seus primeiros acordes no viol\u00e3o. Minhas lembran\u00e7as s\u00e3o embaladas tamb\u00e9m por cantigas de ninar com as quais minha m\u00e3e carinhosamente conduzia a mim e meus irm\u00e3os a um sono despreocupado, aquele sono que as crian\u00e7as sabem dormir.<\/p>\n<p>Jonatan, que hoje, aos 29 anos, domina instrumentos como viol\u00e3o, ukulele, cavaquinho, teclado e arrisca algumas can\u00e7\u00f5es no violino, conta: \u201ctenho certeza que minhas prefer\u00eancias por combina\u00e7\u00f5es de acordes, ritmos e estruturas musicais foram influenciadas pelas m\u00fasicas e artistas preferidos dos meus pais\u201d. A m\u00fasica ganhou mais espa\u00e7o em sua vida quando come\u00e7ou a frequentar aulas ministradas na igreja da cidade onde mor\u00e1vamos.<\/p>\n<p>N\u00e3o poderia ocorrer de outra forma para mim, fui fortemente influenciada pelas bandas brasileiras de pop rock que meus pais adoravam, contudo, o maior respons\u00e1vel pela dimens\u00e3o da m\u00fasica em minha vida \u00e9 meu irm\u00e3o. Passei a aprender a t\u00e9cnica do viol\u00e3o aos 14 anos, com um instrumento emprestado, alguns folhetos, ouvindo muita m\u00fasica e, claro, observando avidamente aquele que foi meu primeiro mentor. Hoje, n\u00e3o h\u00e1 reuni\u00e3o de fam\u00edlia sem que o ambiente seja tomado por can\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Aprender a tocar um instrumento envolve a aquisi\u00e7\u00e3o de uma enorme variedade de compet\u00eancias: auditivas, motoras, expressivas, performativas, mas antes disso, \u00e9 preciso esfor\u00e7o. Muito se fala sobre \u201cdom\u201d ou algum talento intr\u00ednseco ao m\u00fasico, discordamos em partes. Jonatan acredita que algumas pessoas t\u00eam facilidade nas mais diversas \u00e1reas, na m\u00fasica n\u00e3o \u00e9 diferente, no entanto, afirma n\u00e3o se sentir parte dessa parcela: \u201cpara mim o processo \u00e9 ma\u00e7ante at\u00e9 hoje. \u00c9 um constante aprendizado e a \u00fanica conclus\u00e3o poss\u00edvel \u00e9 que quanto mais aprendo, mais eu vejo qu\u00e3o pouco eu sei.\u201d Leonardo Camargo, 23 anos, membro-fundador, violonista e baixista da banda Pancas Dream, partilha da mesma opini\u00e3o e complementa: \u201cconhe\u00e7o muitas pessoas que tocam de maneira completamente intuitiva, usando mais dosagens de autoexpress\u00e3o para preencher as lacunas da t\u00e9cnica. Eu acho isso extremamente cool e badass, mas infelizmente n\u00e3o \u00e9 o meu caso.\u201d<\/p>\n<p>Adquirir esse conhecimento \u00e9, muitas vezes e, principalmente no princ\u00edpio, frustrante. Exige perseveran\u00e7a. \u00a0N\u00e3o \u00e0 toa, poderia trazer in\u00fameros relatos de pessoas que abandonaram a tarefa de aprender um instrumento. Em artigo intitulado \u201cPapel da Motiva\u00e7\u00e3o na Aprendizagem de um Instrumento\u201d, Francisco Cardoso nos apresenta a ideia de que, em princ\u00edpio, pessoas pr\u00f3ximas, familiares e professores s\u00e3o a maior fonte motivadora, mas o que leva o indiv\u00edduo a continuar a estudar um instrumento s\u00e3o raz\u00f5es internas como \u2018querer aprender a tocar pe\u00e7as mais dif\u00edceis\u2019, \u2018ter uma rela\u00e7\u00e3o muito especial com o instrumento\u2019, ou outras raz\u00f5es similares.<\/p>\n<p>A m\u00fasica tamb\u00e9m cumpre um papel importante em nossa adolesc\u00eancia, um per\u00edodo de intensidade emocional e descobertas, que nos levam a procurar uma identidade para a constru\u00e7\u00e3o da personalidade. \u201cA fun\u00e7\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o e a fun\u00e7\u00e3o de integra\u00e7\u00e3o da sociedade, devido ao fato de os adolescentes utilizarem a m\u00fasica como uma forma de ingresso a um grupo, ou como uma maneira de mostrar aos outros adolescentes \u2013 e aos adultos tamb\u00e9m, qual \u00e9 a sua \u201ctribo\u201d, quais suas prefer\u00eancias e que ele j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais uma crian\u00e7a, e que j\u00e1 pode fazer suas pr\u00f3prias escolhas\u201d, explica Auro Sanson Moura, em estudo intitulado \u201cM\u00daSICA E CONSTRU\u00c7\u00c3O DE IDENTIDADE\u201d.<\/p>\n<p>Conheci Leonardo quando ainda \u00e9ramos crian\u00e7as, mas foi na adolesc\u00eancia que nos tornamos pr\u00f3ximos, e a m\u00fasica n\u00e3o poderia estar de fora disso. Nos esbarramos h\u00e1 algumas semanas, depois de anos sem contato. Em uma visita \u00e0 minha casa, a primeira atitude de L\u00e9o foi sentar-se e dedilhar meu viol\u00e3o. Nossa conversa foi marcada por momentos de pura aprecia\u00e7\u00e3o ao som que corria paralelo aos mil e um assuntos comuns a amigos que n\u00e3o se encontram h\u00e1 tempos. L\u00e9o diz que \u201cdurante a adolesc\u00eancia eu tive uma persona roqueira, sob influ\u00eancia do meu pai, posso dizer que nesse momento a m\u00fasica come\u00e7ou a ser relevante para constru\u00e7\u00e3o da personalidade.\u201d A m\u00fasica segue sendo palco principal de nossos di\u00e1logos e, ouso dizer que, talvez como nunca, a m\u00fasica nos mant\u00e9m conectados.<\/p>\n<p>Quando perdemos contato, L\u00e9o iniciava os estudos de Produ\u00e7\u00e3o Audiovisual, em Chapec\u00f3. Naquele momento, deixava de lado a ideia de tocar e hoje, com sua banda e v\u00e1rios projetos para o futuro, conta com prazer sobre a influ\u00eancia de seu meio social: \u201cConheci muitas pessoas por causa da m\u00fasica, muitas amizades feitas com pessoas que tocam ou que frequentam ambientes musicais num geral. Geralmente, no meu caso, s\u00e3o m\u00fasicos excelentes que n\u00e3o se importam em compartilhar o conhecimento e agregar na galera, aprendi muito do que sei dessa forma.\u201d<\/p>\n<p>T\u00e3o significativa para a socializa\u00e7\u00e3o, a m\u00fasica tamb\u00e9m nos ajuda a lidar com momentos dif\u00edceis, de isolamento, seja ele f\u00edsico ou psicol\u00f3gico. Tocar algum tipo de instrumento musical tamb\u00e9m pode ajudar a proteger o c\u00e9rebro e a diminuir os riscos de depress\u00e3o ou problemas mentais, revela estudo divulgado no site do Hospital Santa M\u00f4nica. Jonatan considera que a m\u00fasica \u201csempre ajudou a atravessar qualquer momento. Acho que, principalmente para quem estuda m\u00fasica, ela serve como um escape e os instrumentos como um ref\u00fagio.\u201d<\/p>\n<p>Atualmente, com a pandemia do novo coronav\u00edrus, fomos submetidos a graus variados de isolamento, mas pontos positivos surgem tamb\u00e9m nesse cen\u00e1rio. Para Leonardo foi o per\u00edodo que mais evoluiu como instrumentista e artista num geral. \u201cTamb\u00e9m continuei ouvindo v\u00e1rias coisas, \u00e9 claro. Acho que ningu\u00e9m discorda que a m\u00fasica pode ser terap\u00eautica ent\u00e3o nesse per\u00edodo de isolamento e distopia, a m\u00fasica t\u00e1 ai pra ajudar todo mundo\u201d, destaca.<\/p>\n<p>Hoje, tenho a m\u00fasica como um hobbie, um abrigo que me foi fundamental na aquisi\u00e7\u00e3o do h\u00e1bito e amor pela escrita. Acredito que, como m\u00fasicos de todos os n\u00edveis de experi\u00eancia e capacidade, possu\u00edmos uma capacidade \u00fanica de tocar e se comunicar atrav\u00e9s da m\u00fasica. Possu\u00edmos algo verdadeiramente poderoso que tem a capacidade de n\u00e3o apenas nos ajudar em tempos ruins, mas tamb\u00e9m contagiar aqueles ao nosso redor.<\/p>\n<p>Dif\u00edcil descrever, ent\u00e3o, o espa\u00e7o que a m\u00fasica ocupa em nossas vidas; a temos como partes importantes de nossa personalidade, momentos valorosos em nosso dia a dia, caminhos para descoberta de novos mundos, para autoexpress\u00e3o pura atravessada tamb\u00e9m por aquilo que nos influencia, cada um com suas prefer\u00eancias, ligados pelo amor \u00e0 musica e ao ato de tocar. O que podemos afirmar \u00e9 que a m\u00fasica \u00e9 parte de quem somos e sem nossos instrumentos, a vida seria ainda mais dif\u00edcil.<\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><strong>Texto:<\/strong> Camila da Silva Oliveira<\/p>\n<p style=\"text-align: right\">Mat\u00e9ria produzida na disciplina Reda\u00e7\u00e3o Jornal\u00edstica II, do curso de Jornalismo do Campus da UFSM em Frederico Westphalen, no 1\u00ba semestre de 2021, ministrada pela Professora Luciana Carvalho.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cr\u00f4nica \/ Reportagem em 1\u00aa Pessoa \u201cComo \u00e9 bom poder tocar um instrumento\u201d, j\u00e1 dizia Caetano Veloso, sujeito que fez seu nome e j\u00e1 deixou sua marca no Brasil e no mundo com sua m\u00fasica.\u00a0 M\u00fasica essa que existe h\u00e1 quase tanto tempo quanto a pr\u00f3pria humanidade. 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