{"id":592,"date":"2022-03-10T22:25:28","date_gmt":"2022-03-11T01:25:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/agencia-da-hora\/?p=592"},"modified":"2022-03-10T22:25:35","modified_gmt":"2022-03-11T01:25:35","slug":"verificamos-pessoas-vacinadas-ainda-podem-se-infectar-com-a-covid-19-qual-a-importancia-do-passaporte-vacinal-por-que-e-necessario-tomar-varias-doses-da-vacina-e-mais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/agencia-da-hora\/2022\/03\/10\/verificamos-pessoas-vacinadas-ainda-podem-se-infectar-com-a-covid-19-qual-a-importancia-do-passaporte-vacinal-por-que-e-necessario-tomar-varias-doses-da-vacina-e-mais","title":{"rendered":"VERIFICAMOS: Pessoas vacinadas ainda podem se infectar com a covid-19? Qual a import\u00e2ncia do passaporte vacinal? Por que \u00e9 necess\u00e1rio tomar v\u00e1rias doses da vacina? E mais"},"content":{"rendered":"\n<p>Com o in\u00edcio da vacina\u00e7\u00e3o da terceira dose em pessoas adultas e da vacina\u00e7\u00e3o em crian\u00e7as, a pandemia de Covid-19 come\u00e7a a dar sinais de que pode se encerrar em breve. Entretanto, a desinforma\u00e7\u00e3o segue sem dar sinais de descanso, ainda mais com a chegada da variante \u00d4micron, que colocou o Brasil novamente em aten\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, a exig\u00eancia do passaporte vacinal e o in\u00edcio da vacina\u00e7\u00e3o infantil se tornaram pontos delicados, vistos como um ataque \u00e0 liberdade individual por alguns grupos. Nesse contexto, o pa\u00eds enfrenta uma nova onda de negacionismo e <em>fake news<\/em>, somado \u00e0 expans\u00e3o do movimento anti-vacina, que juntos colocam em risco a sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n<p>Um exemplo de desinforma\u00e7\u00e3o relacionado \u00e0 vacina\u00e7\u00e3o \u00e9 a imagem a seguir, que tamb\u00e9m engloba quest\u00f5es relativas ao passaporte vacinal. Nesse texto, explicamos alguns pontos importantes sobre esses dois temas, al\u00e9m da vacina\u00e7\u00e3o infantil e a nova fase da pandemia. Conversamos com o epidemiologista e professor Andr\u00e9 Ribas Freitas, e com o tamb\u00e9m docente Luiz Carlos Dias, membro da For\u00e7a-Tarefa da Unicamp no combate \u00e0 Covid-19.<\/p>\n<figure id=\"attachment_593\" aria-describedby=\"caption-attachment-593\" style=\"width: 412px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-593\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2022\/03\/Imagem1.jpg\" alt=\"\" width=\"412\" height=\"457\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2022\/03\/Imagem1.jpg 412w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2022\/03\/Imagem1-270x300.jpg 270w\" sizes=\"(max-width: 412px) 100vw, 412px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-593\" class=\"wp-caption-text\">Desinforma\u00e7\u00e3o propagada no Twitter em janeiro de 2022. Imagem: Divulga\u00e7\u00e3o.<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Como a <\/strong><a href=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/agencia-da-hora\/2021\/07\/05\/por-que-a-vacina-e-tao-importante\/\"><strong>vacina<\/strong><\/a><strong> funciona no corpo?<\/strong><\/p>\n<p>Como explica Andr\u00e9 Ribas Freitas, a vacina contra a Covid-19 funciona como as demais, estimulando a produ\u00e7\u00e3o de anticorpos e c\u00e9lulas de mem\u00f3ria que, em um poss\u00edvel cont\u00e1gio, poder\u00e3o defender o organismo com mais efici\u00eancia. Entretanto, os imunizantes n\u00e3o s\u00e3o capazes de curar uma infec\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que as medidas n\u00e3o t\u00eam efic\u00e1cia em organismos que j\u00e1 est\u00e3o expostos ao v\u00edrus, ou seja, elas s\u00f3 t\u00eam efeito preventivo.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, a vacina n\u00e3o extingue a possibilidade de cont\u00e1gio, mas auxilia na diminui\u00e7\u00e3o dos efeitos que o v\u00edrus causa no corpo, tornando-os menos graves. O professor Luiz Carlos Dias afirma: \u201cAs pessoas com duas doses do imunizante permanecem protegidas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 hospitaliza\u00e7\u00e3o e uma dose de refor\u00e7o melhora drasticamente a prote\u00e7\u00e3o. Apesar de ainda n\u00e3o impedir a infec\u00e7\u00e3o, as vacinas est\u00e3o funcionando para prevenir hospitaliza\u00e7\u00f5es e \u00f3bitos.\u201d<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Mesmo vacinado ou j\u00e1 tendo me contaminado anteriormente, ainda posso me infectar com o novo coronav\u00edrus?<\/strong><\/p>\n<p>Sim. Isso porque a vacina n\u00e3o age diretamente no v\u00edrus, mas no organismo do imunizado, fortalecendo-o para o combate de uma poss\u00edvel infec\u00e7\u00e3o (ou reinfec\u00e7\u00e3o). A vacina torna a contamina\u00e7\u00e3o mais leve, com sintomas menos agudos, menor transmissibilidade, menor chance de hospitaliza\u00e7\u00e3o e de ida para UTI. \u00c9 por esse motivo que houve uma diminui\u00e7\u00e3o no n\u00famero de mortes ap\u00f3s o in\u00edcio da vacina\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o adulta, mesmo com o n\u00famero de contamina\u00e7\u00f5es ainda crescendo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, Luiz Carlos Dias salienta: \u201cO v\u00edrus sofre menos muta\u00e7\u00f5es em pessoas vacinadas, ent\u00e3o a doen\u00e7a \u00e9 mais leve e a dura\u00e7\u00e3o \u00e9 normalmente menor. Vacinados se curam rapidamente e t\u00eam uma melhor probabilidade de n\u00e3o ter Covid com longa dura\u00e7\u00e3o, sequelas cardiovasculares, respirat\u00f3rias e neurol\u00f3gicas irrevers\u00edveis.\u201d Ou seja, as vacinas em si n\u00e3o s\u00e3o uma solu\u00e7\u00e3o pronta para o v\u00edrus, mas, dentre as op\u00e7\u00f5es, s\u00e3o as que permitem mais seguran\u00e7a para a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Para que servem as doses de refor\u00e7o? <\/strong><\/p>\n<p>As doses de refor\u00e7o servem para que novas variantes, como a \u00d4micron e a Delta, tamb\u00e9m sejam combatidas pela vacina. Quanto mais pessoas vacinadas, mais leves s\u00e3o os quadros da doen\u00e7a e menor \u00e9 a sua transmissibilidade. Assim, com o v\u00edrus circulando menos e com a popula\u00e7\u00e3o mais fisicamente preparada para lidar com uma poss\u00edvel infec\u00e7\u00e3o, existe uma menor chance de novas variantes surgirem. Logo, indiv\u00edduos que tomaram apenas uma dose da vacina est\u00e3o mais suscet\u00edveis a desenvolver quadros mais graves, o que tende a levar a hospitaliza\u00e7\u00f5es, idas \u00e0 UTI e at\u00e9 \u00f3bitos. \u00c9 o que mostram <a href=\"https:\/\/saude.rs.gov.br\/nove-em-cada-10-obitos-por-covid-19-em-adultos-jovens-sao-de-pessoas-sem-vacinacao-completa\">dados<\/a> da Secretaria de Sa\u00fade do Rio Grande do Sul, que indicam que nove a cada dez \u00f3bitos por Covid s\u00e3o de indiv\u00edduos sem o esquema vacinal completo.<\/p>\n<p>&#8220;As doses de refor\u00e7o s\u00e3o feitas para que o sistema imunol\u00f3gico melhore a sua prote\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o as pessoas que n\u00e3o est\u00e3o fazendo essas doses v\u00e3o ter um risco maior de [&#8230;] ter uma infec\u00e7\u00e3o mais grave pela doen\u00e7a. N\u00e3o vai ser um risco igual a um n\u00e3o vacinado, mas uma situa\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria&#8221;, afirma Andr\u00e9 Freitas. Ele tamb\u00e9m lembra que, indiretamente, as pessoas vacinadas protegem as n\u00e3o-vacinadas, j\u00e1 que promovem a menor circula\u00e7\u00e3o do v\u00edrus. Nesse sentido, como menciona Luiz Carlos Dias, com mais pessoas vacinadas, grupos que n\u00e3o podem se vacinar, que ainda n\u00e3o t\u00eam vacina aprovada ou que s\u00e3o grupos de risco tamb\u00e9m conseguem ser protegidos. Mesmo assim, quanto maior o n\u00famero de imunizados, maior \u00e9 a chance de o v\u00edrus ser controlado e o estado de pandemia amenizar.<\/p>\n<p><strong>Como funciona a variante \u00d4micron? Qual a diferen\u00e7a entre ela, a variante Delta e o v\u00edrus do in\u00edcio da pandemia?<\/strong><\/p>\n<p>Em dezembro de 2021, uma nova variante da Covid-19 foi descoberta, batizada de \u00d4micron. No mesmo m\u00eas, o primeiro caso foi confirmado no Brasil, mostrando a capacidade da cepa de transmitir com mais facilidade, mesmo entre pessoas j\u00e1 vacinadas ou j\u00e1 contaminadas anteriormente. O professor Luiz Dias explica como a variante funciona e quais as suas particularidades: \u201cA \u00d4micron se replica no trato respirat\u00f3rio superior, facilitando a propaga\u00e7\u00e3o do v\u00edrus, diferentemente da variante Delta e de outras variantes que se replicam principalmente no trato respirat\u00f3rio inferior \u2014 nos pulm\u00f5es. Gra\u00e7as \u00e0s vacinas, a variante causa menos danos aos pulm\u00f5es e evita problemas respirat\u00f3rios graves e mortes.\u201d<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, ele explica tamb\u00e9m porque essa variante \u00e9 mais transmiss\u00edvel, motivo pelo qual deve ser tratada com aten\u00e7\u00e3o: \u201cEm virtude do grande n\u00famero de muta\u00e7\u00f5es observadas na prote\u00edna Spike, o v\u00edrus adquiriu a capacidade de infectar mais rapidamente as c\u00e9lulas do trato respirat\u00f3rio superior, estando em maior abund\u00e2ncia no nariz e na garganta, o que facilita a sua transmiss\u00e3o [&#8230;]. Com essa variante, basta uma pequena quantidade de v\u00edrus no ar para infectar as pessoas ao redor.\u201d<\/p>\n<p><strong>Qual a necessidade do <\/strong><a href=\"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/agencia-da-hora\/2021\/10\/15\/o-que-e-o-passaporte-da-vacina-e-como-funciona\/\"><strong>passaporte vacinal<\/strong><\/a><strong>? Devo aderir \u00e0 pr\u00e1tica?<\/strong><\/p>\n<p>O passaporte vacinal \u00e9 uma forma de incentivar a popula\u00e7\u00e3o a se imunizar, o que ajuda a prevenir a propaga\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as. A ferramenta j\u00e1 \u00e9 utilizada amplamente no setor de sa\u00fade h\u00e1 d\u00e9cadas. Por exemplo, alguns <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/anvisa\/pt-br\/assuntos\/noticias-anvisa\/2018\/certificado-internacional-de-vacina-quais-paises-exigem\">pa\u00edses<\/a> exigem um certificado de vacina\u00e7\u00e3o contra febre amarela para estrangeiros, que no Brasil \u00e9 emitido gratuitamente pela ANVISA (Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria). A ferramenta se tornou um assunto delicado, visto como um ataque \u00e0 <a href=\"https:\/\/jovempan.com.br\/opiniao-jovem-pan\/comentaristas\/jorge-serrao\/a-luta-pelo-direito-a-liberdade-individual-em-tempos-de-pandemia-no-brasil.html\">liberdade individual<\/a>, mas Freitas afirma que esse \u00e9 um argumento que n\u00e3o faz sentido, j\u00e1 que defende a contamina\u00e7\u00e3o \u00e0 vacina\u00e7\u00e3o, fazendo uma invers\u00e3o de valores que tem potencial de afetar toda a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>B\u00d4NUS: Devo vacinar meu filho?<\/strong><\/p>\n<p>Segundo o <a href=\"https:\/\/butantan.gov.br\/noticias\/covid-19-ja-matou-mais-de-1.400-criancas-de-zero-a-11-anos-no-brasil-e-deixou-outras-milhares-com-sequelas\">Instituto Butantan<\/a>, desde o in\u00edcio da pandemia, a covid-19 j\u00e1 matou mais de 1.400 crian\u00e7as de zero a 11 anos no Brasil e deixou outras milhares com sequelas. Dias cita que al\u00e9m de poderem se infectar, elas \u201cpodem precisar de hospitaliza\u00e7\u00e3o, ter casos de s\u00edndrome inflamat\u00f3ria multissist\u00eamica pedi\u00e1trica, apresentar Covid longa, ter sequelas irrevers\u00edveis por toda a vida e transmitir o v\u00edrus para outras pessoas que moram no mesmo lar\u201d. Sendo assim, ele defende a imuniza\u00e7\u00e3o infantil como uma forma de frear o v\u00edrus e ajudar a diminuir o n\u00famero de \u00f3bitos no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Enquanto a pandemia n\u00e3o se encerra oficialmente, \u00e9 necess\u00e1rio manter as medidas de conten\u00e7\u00e3o: o uso de m\u00e1scaras, a higieniza\u00e7\u00e3o constante das m\u00e3os, o distanciamento f\u00edsico, a quarentena em casos de infec\u00e7\u00e3o e, principalmente, a vacina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Reportagem<\/strong>: Elisa Bedin, J\u00falia Petenon e Pedro Souza<\/p>\n<p><strong>Revis\u00e3o<\/strong>: Luciana Carvalho<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com o in\u00edcio da vacina\u00e7\u00e3o da terceira dose em pessoas adultas e da vacina\u00e7\u00e3o em crian\u00e7as, a pandemia de Covid-19 come\u00e7a a dar sinais de que pode se encerrar em breve. Entretanto, a desinforma\u00e7\u00e3o segue sem dar sinais de descanso, ainda mais com a chegada da variante \u00d4micron, que colocou o Brasil novamente em aten\u00e7\u00e3o. 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