{"id":602,"date":"2022-05-25T13:47:51","date_gmt":"2022-05-25T16:47:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/agencia-da-hora\/?p=602"},"modified":"2022-05-25T13:49:42","modified_gmt":"2022-05-25T16:49:42","slug":"sou-resultado-de-uma-desinformacao-absoluta-o-dilema-de-estudantes-com-transtorno-de-deficit-de-atencao-e-hiperatividade%ef%bf%bc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/experimental\/agencia-da-hora\/2022\/05\/25\/sou-resultado-de-uma-desinformacao-absoluta-o-dilema-de-estudantes-com-transtorno-de-deficit-de-atencao-e-hiperatividade%ef%bf%bc","title":{"rendered":"\u201cSou resultado de uma desinforma\u00e7\u00e3o absoluta\u201d, o dilema de estudantes com Transtorno de D\u00e9ficit de Aten\u00e7\u00e3o e Hiperatividade"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"text-align: center\"><i><span style=\"font-weight: 400\">Como \u00e9 a inclus\u00e3o e abordagem da comunidade escolar em rela\u00e7\u00e3o a pessoas com Transtorno de D\u00e9ficit de Aten\u00e7\u00e3o e Hiperatividade<\/span><\/i><\/p>\n\n\n\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cEu sou resultado de uma desinforma\u00e7\u00e3o absoluta&#8221;, foi assim que o jornalista Bruno Nasser se definiu em depoimento no v\u00eddeo \u201cTDAH hist\u00f3rias reais\u201d. A popula\u00e7\u00e3o no geral tem pouco conhecimento sobre o transtorno e acaba apresentando preconceito, dilema que afeta diretamente a pessoa com essa neurodiverg\u00eancia. Juntamente a ele, outras 2 milh\u00f5es de pessoas no Brasil passam pelas mesmas quest\u00f5es ao viver com Transtorno de D\u00e9ficit de Aten\u00e7\u00e3o e Hiperatividade &#8211; TDAH. Na maioria dos casos, a dificuldade inicia-se na primeira inf\u00e2ncia &#8211; at\u00e9 os cinco anos de idade &#8211; e o diagn\u00f3stico pode ser feito a partir dos primeiros sinais que s\u00e3o percebidos nas institui\u00e7\u00f5es de ensino e at\u00e9 mesmo em casa, durante atividades cotidianas.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O TDAH, segundo o site <\/span><a href=\"https:\/\/www.tudosobretdah.com.br\/o-tdah-no-dsm-5\/\"><span style=\"font-weight: 400\">O TDAH no DSM-5 \u2013 Tudo sobre TDAH<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">,<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> \u00e9 um dos transtornos do neurodesenvolvimento, que s\u00e3o&nbsp; caracterizados por dificuldades no desenvolvimento que se manifestam precocemente e influenciam o funcionamento pessoal, social ou acad\u00eamico. Os sintomas mais comuns s\u00e3o a hiperatividade-impulsividade e\/ ou desaten\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A escola possui uma grande influ\u00eancia no diagn\u00f3stico, j\u00e1 que muitas das caracter\u00edsticas do transtorno s\u00e3o notadas pela primeira vez pelos professores. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9 necess\u00e1rio trabalhar os m\u00e9todos de educa\u00e7\u00e3o de forma a abra\u00e7ar essas crian\u00e7as e adolescentes.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para a psicopedagoga ga\u00facha Micheli Lorenset, que atua na cl\u00ednica <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Aprender Brincando<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, como n\u00e3o existe um exame espec\u00edfico para diagnosticar o transtorno, o processo pode ser longo. A escola e a fam\u00edlia possuem um papel fundamental, j\u00e1 que o transtorno se d\u00e1 a partir de uma avalia\u00e7\u00e3o com equipe interdisciplinar, em que cada profissional analisa e avalia habilidades espec\u00edficas do sujeito com suspeita de TDAH. A psicopedagoga ainda lembra que, no fim de 2021, foi sancionada e publicada a Lei Federal 14.254 que assegura direitos aos estudantes com TDAH e qualquer outro transtorno de aprendizagem. A lei prev\u00ea que seja feito todo o acompanhamento ao estudante, desde o diagn\u00f3stico at\u00e9 o apoio educacional e terap\u00eautico nas escolas da rede p\u00fablica e privada durante as etapas da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, assim, garantindo capacita\u00e7\u00e3o aos professores.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_603\" aria-describedby=\"caption-attachment-603\" style=\"width: 348px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-603 \" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/825\/2022\/05\/TDAH.jpg\" alt=\"\" width=\"348\" height=\"162\"><figcaption id=\"caption-attachment-603\" class=\"wp-caption-text\">Fonte: Arquivo pessoal\/Vanessa Bencz<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">&nbsp;<\/span><span style=\"font-weight: 400\">O neurologista e especialista em TDAH, Marco Ant\u00f4nio Arruda, falou sobre esse transtorno para a <\/span><i style=\"font-size: revert;color: initial\">Reda\u00e7\u00e3o Donna<\/i><span style=\"font-weight: 400\"> e explicou que os pais n\u00e3o devem procurar uma escola especial para seus filhos. Segundo ele, \u201ca maior parte das escolas tem condi\u00e7\u00f5es de trabalhar em conjunto com a fam\u00edlia e com um especialista, que faz o acompanhamento m\u00e9dico do paciente, para superar os desafios do problema\u201d. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Para a diretora da educa\u00e7\u00e3o infantil Maria Cristina Cotrim, as crian\u00e7as que possuem TDAH s\u00e3o observadas constantemente para que sempre ocorra um bom aprendizado, mas quando necess\u00e1rio s\u00e3o encaminhadas para a chamada sala de recurso, onde uma professora de Atendimento Educacional Especializado (AEE) realiza um acompanhamento pessoal.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">De acordo com a revista cient\u00edfica <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Neuroscience and Biobehavioral Reviews<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, o transtorno de aten\u00e7\u00e3o e hiperatividade afeta 5,9% de crian\u00e7as e adolescentes, atingindo parte do neurodesenvolvimento na fase escolar. Com os avan\u00e7os de pesquisas cient\u00edficas sobre o tema, as escolas se aperfei\u00e7oaram nos \u00faltimos anos e est\u00e3o mais preparadas para lidar com o TDAH, mesmo que as condi\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas para proporcionar a inclus\u00e3o e a aprendizagem ainda encontrem-se longe do ideal.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A escola tem uma grande influ\u00eancia em como a pessoa com TDAH vai iniciar sua vida e seu tratamento, pois o transtorno faz com que o seu aprendizado aconte\u00e7a de uma forma diferente e, no caso de a escola n\u00e3o buscar formas atualizadas de ensinar, toda a vida acad\u00eamica do aluno pode ser prejudicada. A Secret\u00e1ria da Educa\u00e7\u00e3o da cidade de Santana do Livramento, Elis Duarte, deixa claro que todas as institui\u00e7\u00f5es de ensino deveriam receber orienta\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias e realizar um planejamento, identificando os melhores m\u00e9todos para auxiliar no desenvolvimento dos alunos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Segundo a psicopedagoga Micheli Lorenset, existem estrat\u00e9gias em sala de aula que auxiliam os estudantes com TDAH em seu processo de aprendizagem, como por exemplo ter assento preferencial na sala de aula, realizar atividades mais complexas logo no in\u00edcio da aula, utilizar est\u00edmulos visuais e sensoriais para facilitar a compreens\u00e3o do conte\u00fado, at\u00e9 mesmo mudar o tom de voz, dando \u00eanfase para o que for mais importante que o aluno aprenda, realizar mais trabalhos de campo, propor alternativas l\u00fadicas de aprendizagem e mudar as estrat\u00e9gias de avalia\u00e7\u00e3o, fazendo com que a metodologia seja adequada para este estudante.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para Marcelo C. Reinhardt e Caciane A.U. Reinhardt, no artigo \u201cAttention deficit-hyperactivity disorder, comorbidities, and risk situations\u201d, crian\u00e7as e adolescentes com TDAH s\u00e3o mais vulner\u00e1veis em rela\u00e7\u00e3o ao <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">bullying<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Em um estudo com crian\u00e7as de 10 anos, eles identificaram que pessoas com Transtorno de D\u00e9ficit de Aten\u00e7\u00e3o e Hiperatividade possuem uma chance maior de serem envolvidos em viol\u00eancia escolar, tanto como agressores, quanto v\u00edtimas.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Jaine*, estudante de 14 anos, conta que o bullying foi um fator que influenciou muito a sua vida escolar j\u00e1 que, por falta de conhecimento, os colegas faziam piadas acerca de suas caracter\u00edsticas e sobre o tratamento. Ela enfatizou que isso foi um dos maiores problemas em rela\u00e7\u00e3o ao transtorno, pois com as condi\u00e7\u00f5es certas a aprendizagem ocorre, mas o prejulgamento e a discrimina\u00e7\u00e3o a prejudicam de v\u00e1rias formas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Micheli Lorenset afirma que devemos analisar cada sujeito de forma \u00fanica e singular, acreditando e valorizando primeiramente as habilidades e potencialidades dele. \u00c9 este olhar cuidadoso que faz a diferen\u00e7a em qualquer interven\u00e7\u00e3o, seja no \u00e2mbito escolar, cl\u00ednico ou familiar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para Bruno Nasser, o transtorno moldou suas rela\u00e7\u00f5es pess<\/span><span style=\"font-weight: 400\">oais e o fez a<\/span><span style=\"font-weight: 400\">creditar que suas caracter\u00edsticas fossem imperfei\u00e7\u00f5es, que o limitavam e faziam n\u00e3o ser bom o suficiente para as pessoas que o rodeavam. O document\u00e1rio <\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u2018TDAH, hist\u00f3rias reais\u2019 foi realizado 4 meses depois do seu diagn\u00f3stico de Transtorno de D\u00e9ficit de Aten\u00e7\u00e3o e Hiperatividade, <\/span><span style=\"font-weight: 400\">o qual foi tardio, sendo realizado apenas com 28 anos, assim apontando que n\u00e3o sofreu <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">bullying<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> durante a inf\u00e2ncia, j\u00e1 que andava com os grupos que praticavam esse tipo de viol\u00eancia escolar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O jornalista ainda relatou uma experi\u00eancia de trabalho em que foi demitido por n\u00e3o cumprir exig\u00eancias que suas caracter\u00edsticas com TDAH n\u00e3o lhe possibilitaram executar. Al\u00e9m disso, contou que cursou jornalismo, direito, e atualmente trabalha como roteirista, mas que as dificuldades e lutas di\u00e1rias s\u00e3o intr\u00ednsecas \u00e0 realidade que um adulto que vive com o transtorno.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">*Menor de idade, protegida sob pseud\u00f4nimo&nbsp;<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><strong>Reportagem:<\/strong> <span style=\"font-family: Arial, sans-serif\"><span style=\"font-size: medium\">Ana Carolina Zago Mendes, Isabeau Cotrim, <\/span><\/span><span style=\"font-size: medium;font-family: Arial, sans-serif;color: initial\">Ta\u00eds Schakofski Busanello, Yasmmin Soares Ferreira<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right\">Mat\u00e9ria produzida na disciplina Reda\u00e7\u00e3o Jornal\u00edstica II, do curso de Jornalismo do Campus da UFSM em Frederico Westphalen, no 2\u00ba semestre de 2021, ministrada pela Professora Andrea Franciele Weber.<\/p>\n<p style=\"text-align: right\">.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como \u00e9 a inclus\u00e3o e abordagem da comunidade escolar em rela\u00e7\u00e3o a pessoas com Transtorno de D\u00e9ficit de Aten\u00e7\u00e3o e Hiperatividade \u201cEu sou resultado de uma desinforma\u00e7\u00e3o absoluta&#8221;, foi assim que o jornalista Bruno Nasser se definiu em depoimento no v\u00eddeo \u201cTDAH hist\u00f3rias reais\u201d. 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